{"id":32114,"date":"2018-12-17T00:24:03","date_gmt":"2018-12-17T03:24:03","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=32114"},"modified":"2018-12-18T03:15:25","modified_gmt":"2018-12-18T06:15:25","slug":"sera-este-o-alvorecer-da-era-do-niobio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/12\/17\/sera-este-o-alvorecer-da-era-do-niobio\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 este o alvorecer da Era do\u2026 Ni\u00f3bio?"},"content":{"rendered":"<div class=\"article-header__content\">\n<div class=\"article__subtitle\">Esque\u00e7a a Era do Petr\u00f3leo. Os minerais que impulsionam o mundo da alta tecnologia s\u00e3o a nova sensa\u00e7\u00e3o na geopol\u00edtica<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article-header__meta\">\n<div class=\"article__author\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<p>Em suas andan\u00e7as de campanha, o presidente rec\u00e9m-eleito Jair Bolsonaro adorava falar sobre sua vis\u00e3o de como impulsionar a tr\u00f4pega economia do pa\u00eds: o \u201cVale do Ni\u00f3bio\u201d. O Brasil \u00e9 o maior produtor de ni\u00f3bio para o mercado global, como Bolsonaro frequentemente lembrava a suas plateias, por vezes mostrando um pequeno peda\u00e7o de metal cinzento que ele carregava em sua bagagem de m\u00e3o especialmente para essas ocasi\u00f5es. Ele at\u00e9 fez um v\u00eddeo de 20 minutos em seu canal no YouTube sobre o assunto.<\/p>\n<p>E, se voc\u00ea se importa com o futuro do seu smartphone, deveria prestar aten\u00e7\u00e3o ao que Bolsonaro far\u00e1 com as reservas de ni\u00f3bio brasileiras.<\/p>\n<p>Isso porque o ni\u00f3bio \u00e9 um de uma s\u00e9rie de minerais essenciais para o funcionamento da nossa vida moderna \u2014 e das For\u00e7as Armadas modernas tamb\u00e9m. Hoje, a economia global depende de uma verdadeira tabela peri\u00f3dica de metais anteriormente pouco conhecidos para fabricar equipamentos de alta tecnologia, de smartphones a implantes ortop\u00e9dicos e m\u00edsseis de precis\u00e3o. Como um artigo recente na revista&nbsp;<em>Proceedings<\/em>&nbsp;, da Academia Nacional de Ci\u00eancias dos Estados Unidos, sugere, o mundo entrou numa nova era de recursos: adeus Era do Bronze e Era do Petr\u00f3leo, bem-vinda Era do Mineral Estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Por causa disso, esses materiais podem muito bem estar no centro do que o Pent\u00e1gono recentemente denominou, em sua estrat\u00e9gia de defesa nacional para 2018, como &#8220;espa\u00e7o competitivo\u201d. De acordo com o governo americano, a principal amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional americana atualmente n\u00e3o \u00e9 mais o terrorismo global, e sim a \u201ccompeti\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de longo prazo\u201d, particularmente com a China. Hoje, a rivalidade entre os EUA e a China est\u00e1 mais para um conflito morno do que para uma Guerra Fria \u2014 mas a disputa por recursos, parceiros comerciais e outras vantagens estrat\u00e9gicas est\u00e1 claramente se intensificando.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de 2018 do Pent\u00e1gono n\u00e3o cita explicitamente o ni\u00f3bio ou qualquer outro mineral estrat\u00e9gico como parte do \u201cespa\u00e7o competitivo\u201d, mas talvez devesse t\u00ea-lo feito. Esse mineral \u00e9, afinal de contas, um exemplo claro de como o acesso aos materiais que d\u00e3o vida ao mundo da tecnologia de ponta pode se tornar uma das principais quest\u00f5es da geopol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 preciso entender o alarde em torno do mineral em si. O ni\u00f3bio tem tantas qualidades e tanta versatilidade que se tornou um elemento bastante importante da vida moderna. Ele pode ser combinado a outros metais para torn\u00e1-los mais resistentes, fortes e leves. Gasodutos, oleodutos, pontes e autom\u00f3veis, por exemplo, usam ligas de a\u00e7o com ni\u00f3bio. Ele \u00e9 hipoal\u00e9rgico e n\u00e3o reage com a pele humana, o que o levou a ser usado em tudo, de joias a marca-passos e implantes de joelhos. E, por ser tamb\u00e9m um condutor com resist\u00eancia ao calor, o ni\u00f3bio \u00e9 usado em baterias, semicondutores e resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o haja d\u00favidas sobre a utilidade do ni\u00f3bio, a raz\u00e3o de seu protagonismo no &#8220;espa\u00e7o competitivo\u201d tem mais a ver com o lugar do Brasil no mercado. O pa\u00eds tem a maior reserva de ni\u00f3bio do mundo, mais de dez vezes maior que a segunda, no Canad\u00e1. De acordo com o levantamento geol\u00f3gico dos EUA, o Brasil hoje \u00e9 respons\u00e1vel por 90% da produ\u00e7\u00e3o global de ni\u00f3bio, a maior parte dela vindo de uma \u00fanica mina. Em outras palavras, o sonho do Vale do Ni\u00f3bio n\u00e3o \u00e9 irreal.<\/p>\n<p>A China \u2014 o grande competidor apontado na estrat\u00e9gia de defesa dos EUA \u2014 n\u00e3o est\u00e1 disposta a correr riscos quando se trata do ni\u00f3bio brasileiro. Em primeiro lugar, e mais importante, a China adquiriu uma participa\u00e7\u00e3o de 15% na Companhia Brasileira de Metalurgia e Minera\u00e7\u00e3o, a maior mina de ni\u00f3bio do mundo. Mais indiretamente, mas ainda digno de aten\u00e7\u00e3o, est\u00e1 o fato de que os chineses v\u00eam cultivando um relacionamento amplo com o Brasil, que inclui US$ 22 bilh\u00f5es em v\u00e1rios tipos de apoio e US$ 68 bilh\u00f5es em com\u00e9rcio bilateral, o que faz do gigante asi\u00e1tico o maior parceiro comercial do Brasil. O governo chin\u00eas est\u00e1 fazendo tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de investimentos de&nbsp;<em>soft power<\/em>&nbsp;no pa\u00eds, como a cria\u00e7\u00e3o de dez Institutos Conf\u00facio de cultura e linguagem.<\/p>\n<p>Nem todo mundo no Brasil, por\u00e9m, est\u00e1 animado com essa presen\u00e7a chinesa. Na verdade, em sua campanha, o presidente eleito Bolsonaro desmereceu a China, ao classific\u00e1-la como uma for\u00e7a estrangeira predat\u00f3ria que estaria \u201ccomprando o Brasil\u201d, e desafiou a pol\u00edtica do pa\u00eds asi\u00e1tico ao visitar Taiwan, sendo o primeiro candidato \u00e0 Presid\u00eancia no Brasil a faz\u00ea-lo desde os anos 70. Ainda assim, apesar de todo o seu carisma, Bolsonaro pode ter dificuldades de ir muito al\u00e9m em sua ret\u00f3rica anti-China, dado qu\u00e3o interligadas est\u00e3o as economias dos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas o Brasil n\u00e3o \u00e9 \u00fanico. De acordo com o documento, al\u00e9m do Brasil e seu ni\u00f3bio, ainda h\u00e1 outros quatro pa\u00edses de que tanto os EUA quanto a China dependem por causa de seus espec\u00edficos e importantes minerais. Esses pa\u00edses, em contrapartida, dominam o mercado global de um mineral. A lista inclui o Chile e o l\u00edtio, a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e o cobalto, Ruanda e o t\u00e2ntalo e a \u00c1frica do Sul e a platina. A China j\u00e1 fez avan\u00e7os significativos na rela\u00e7\u00e3o com esses pa\u00edses, incluindo apoio financeiro, comercial e investimentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma outra raz\u00e3o, al\u00e9m do investimento estrat\u00e9gico em pa\u00edses-chave, para que a China esteja na frente quando se trata do &#8220;espa\u00e7o competitivo\u201d em torno dos minerais estrat\u00e9gicos. Como o documento demonstrou, para se manter na dianteira da Era da Informa\u00e7\u00e3o, os EUA dependem de recursos externos para suprir a demanda de outros 13 metais, enquanto a China s\u00f3 precisa de fontes externas para cinco deles. Ou seja, a China domina a produ\u00e7\u00e3o global de nove dos 13 metais de cuja importa\u00e7\u00e3o os EUA s\u00e3o dependentes (gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o chinesa de sorte geol\u00f3gica, baixos custos de produ\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o ambiental leniente). \u00c9 verdade: os EUA dependem e muito da China para alguns dos seus minerais estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Sharon E. Burke e Rachel Zimmerman para a Slate &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o de Daniel Salgado\/Revista \u00c9poca &#8211; dispon\u00edvel na Internet 17\/12\/2018<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esque\u00e7a a Era do Petr\u00f3leo. 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