{"id":32135,"date":"2018-12-18T02:49:44","date_gmt":"2018-12-18T05:49:44","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=32135"},"modified":"2018-12-18T03:55:29","modified_gmt":"2018-12-18T06:55:29","slug":"tem-que-meter-a-faca-no-sistema-s-diz-paulo-guedes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2018\/12\/18\/tem-que-meter-a-faca-no-sistema-s-diz-paulo-guedes\/","title":{"rendered":"&#8216;Tem que meter a faca no Sistema S&#8217;, diz Paulo Guedes"},"content":{"rendered":"<p>O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou nesta segunda-feira o Sistema S, formado por entidades empresariais e que se dedica, entre outras coisas, ao ensino profissionalizante no pa\u00eds. A uma plateia de empres\u00e1rios reunidos na sede da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Rio de Janeiro (Firjan), Guedes criticou os custos do sistema. Para ele, os cortes nos programas precisam ser acentuados.<\/p>\n<p>\u2014 A CUT perde o sindicato e aqui fica tudo igual? O almo\u00e7o \u00e9 bom desse jeito e ningu\u00e9m contribui? A gente tem de cortar pouco para n\u00e3o doer muito. Se o interlocutor \u00e9 inteligente, preparado e quer construir, como o Eduardo Eug\u00eanio (Gouveia, presidente da Firjan) corta 30%. Se n\u00e3o, corta 50% \u2014 frisou Guedes, seguido de risadas da plateia que lotou o audit\u00f3rio da Firjan na tarde desta segunda.<\/p>\n<p>Ele disse, ainda, que n\u00e3o &#8220;adianta cobrar sacrif\u00edcios dos outros e n\u00e3o dar o exemplo&#8221;.<\/p>\n<p>Guedes n\u00e3o explicitou ao que se referia, mas a reforma trabalhista, aprovada no governo Michel Temer, acabou com o imposto sindical obrigat\u00f3rio, o que afetou as recentes de sindicatos e centrais sindicais, como a CUT. A assessoria de imprensa do futuro ministro informou que ainda n\u00e3o est\u00e3o definidos detalhes de como ser\u00e1 feito esse corte.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a palestra de Guedes, o presidente da Firjan, Eduardo Eug\u00eanio, afirmou aos jornalistas presentes que concorda com a necessidade de revis\u00e3o nos custos, mas destacou a import\u00e2ncia do investimento em qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>&#8211; As institui\u00e7\u00f5es no Brasil, privadas e p\u00fablicas, merecem uma revisita para melhorarem os seus custos. O ministro Paulo Guedes, ao mesmo tempo que diz que quer cortar no or\u00e7amento dos &#8220;S&#8221;, diz que n\u00e3o quer&nbsp; prejudicar as coisas que d\u00e3o certo, as escolas&nbsp; que est\u00e3o funcionando, que est\u00e3o entregando mudan\u00e7a de vida para as pessoas.&nbsp; Portanto, estamos muito tranquilos, porque \u00e9 um objetivo comum &#8211; destacou Eduardo Eug\u00eanio.<\/p>\n<p>Segundo o executivo, os recursos totais para ind\u00fastria, agricultura&nbsp;e com\u00e9rcio no Sistema S chegam a cerca de R$ 21 bilh\u00f5es por ano. Mas afirmou que \u00e9 poss\u00edvel encontrar sinergia entre essas \u00e1reas para &#8220;redefinir recursos&#8221;. Ele destacou, por\u00e9m, a import\u00e2ncia dos programas.<\/p>\n<p>&#8211; Em todo mundo civilizado existem recursos p\u00fablicos importantes para a qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra, n\u00f3s temos que dar chances \u00e0 juventude descobrir&nbsp; trabalhos cada vez melhores e cada vez tecnicamente mais qualificados &#8211; destacou.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ricardo Roriz, 2\u00ba vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo (Fiesp), e representante da entidade no almo\u00e7o, diz que qualquer tipo de mudan\u00e7a no Sistema S, num momento em que a economia est\u00e1 voltando a crescer, deve ser &#8220;bem pensada, estudada e planejada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Eu entendi que ele (Paulo Guedes) falou no sentido de buscar sinergia e eliminar excessos. O aperfei\u00e7oamento deve levar em considera\u00e7\u00e3o que a qualifica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante para a ind\u00fastria. Num momento como esse, que a gente vai crescer, mexer na qualifica\u00e7\u00e3o dos recursos humanos seria um freio no crescimento.<\/p>\n<p>Guedes tamb\u00e9m ressaltou a necessidade de formar um pacto federativo envolvendo pol\u00edticos das esferas estaduais e municipais.<\/p>\n<p>&#8211; Estamos prontos para ajudar. Acabou o toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1. Vamos fazer bonito.<\/p>\n<p>Em seguida, defendeu que estados e munic\u00edpios devem apoiar as reformas que o novo governo vai propor.<\/p>\n<p>&#8211; Se n\u00e3o apoiar vai l\u00e1 pagar sua folha. Como ajudar quem n\u00e3o est\u00e1 me ajudando? Quero que dinheiro v\u00e1 para estados e munic\u00edpios, mas me d\u00ea reforma primeiro &#8211; disse.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m disse que &#8220;voltar\u00e1 ao ataque no ano que vem&#8221;, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cess\u00e3o Onerosa:<\/p>\n<p>&#8211; Vou ter uma graninha para todo mundo que ajudar a aprovar. Se n\u00e3o ajudar n\u00e3o tem grana para ningu\u00e9m. Fica todo mundo sentado em cima do petr\u00f3leo e n\u00e3o tem dinheiro para ningu\u00e9m. Ou sa\u00edmos juntos do buraco ou ficamos todos no buraco &#8211; destacou Paulo Guedes.<\/p>\n<p>O futuro governo nas \u00faltimas semanas chegou a conversar com governadores oferecendo em troca do apoio para aprovar a reforma da previd\u00eancia, conceder 20% dos recursos que ser\u00e3o obtidos com o megaleil\u00e3o dos excedentes&nbsp; da Cess\u00e3o Onerosa, para os Estados. O governo calcula arrecadar&nbsp; cerca de R$ 100 bilh\u00f5es com o megaleil\u00e3o&nbsp; do petr\u00f3leo excedente do acordo da Cess\u00e3o Onerosa que est\u00e1 sendo renegociado entre a Uni\u00e3o e a Petrobras.<\/p>\n<p>O futuro ministro enfatizou v\u00e1rias vezes em seu discurso os pontos principais do futuro governo que \u00e9 acelerar as privatiza\u00e7\u00f5es, fazer a reforma da previd\u00eancia e fazer as reformas do Estado.<\/p>\n<h2>Entenda o Sistema S<\/h2>\n<p>O Sistema S come\u00e7ou a ser implementado no Brasil para oferecer cursos profissionalizantes. O primeiro a ser criado foi o Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em 1942. Atualmente, nove entidades se dedicam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional em suas respectivas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o (ind\u00fastria, com\u00e9rcio, agroneg\u00f3cio, transportes, cooperativismo e empreendedorismo). Todas t\u00eam seu nome iniciado com a letra &#8220;S&#8221;.<\/p>\n<p>Embora sejam privadas e administradas por entidades patronais, as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o mantidas por contribui\u00e7\u00f5es estipuladas pela Constitui\u00e7\u00e3o. Uma parcela da folha de pagamento das empresas \u00e9 destinada \u00e0s entidades patronais da categoria a qual pertencem. Estas, por sua vez, s\u00e3o obrigadas por lei a destinar os recursos ao aperfei\u00e7oamento profissional (por meio dos servi\u00e7os de aprendizagem) e ao bem estar social dos trabalhadores (por meio dos chamados Servi\u00e7os Sociais).<\/p>\n<p>O dinheiro arrecadado pelo governo \u00e9 distribu\u00eddo integralmente para as entidades. Em 2017, de acordo com n\u00fameros da Receita Federal, foram repassados R$ 16,5 bilh\u00f5es \u00e0s entidades do Sistema S. Este ano, at\u00e9 outubro, R$ 14,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>As al\u00edquotas cobradas sobre a folha de pagamento para cada entidade variam de setor para setor. Os percentuais v\u00e3o de 1% a 2,5%, dependendo da entidade.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:&nbsp;Daiane Costa e Ramona Ordo\u00f1ez\/O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 18\/12\/2018<\/strong><\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\">&nbsp;<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou nesta segunda-feira o Sistema S, formado por entidades empresariais e que se dedica, entre outras coisas, ao ensino profissionalizante no pa\u00eds. A uma plateia de empres\u00e1rios reunidos na sede da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Rio de Janeiro (Firjan), Guedes criticou os custos do sistema. 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