{"id":32347,"date":"2019-01-02T02:05:05","date_gmt":"2019-01-02T05:05:05","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=32347"},"modified":"2019-01-02T04:13:48","modified_gmt":"2019-01-02T07:13:48","slug":"ha-gangues-no-servico-publico-afirma-general-santos-cruz-ao-correio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/01\/02\/ha-gangues-no-servico-publico-afirma-general-santos-cruz-ao-correio\/","title":{"rendered":"&#8220;H\u00e1 gangues no servi\u00e7o p\u00fablico&#8221;, afirma general Santos Cruz ao Correio"},"content":{"rendered":"<section class=\"bg-gray-extra\">\n<div class=\"container container-full-width\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1\">Um dos homens de confian\u00e7a do presidente eleito, Jair Bolsonaro, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz recebeu do amigo, de mais de 40 anos, a complexa miss\u00e3o de comandar a Secretaria de Governo a partir de ter\u00e7a-feira. Ali, no minist\u00e9rio, cuidar\u00e1 do bilion\u00e1rio Programa de Parceria de Investimentos (PPI), da publicidade estatal e da rela\u00e7\u00e3o com prefeitos, governadores e integrantes de sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es civis. \u201cA porta de entrada \u00e9 aqui. Os grupo t\u00eam de se sentir com liberdade. MST, ONGs, gays, Fiesp, OAB, \u00edndios, todos\u201d, disse Santos Cruz em entrevista ao Correio na \u00faltima sexta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transi\u00e7\u00e3o, que acaba oficialmente nesta segunda(31\/12).<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section>\n<div class=\"container container-full-width mt-20 mb-20\">\n<div class=\"row divider-wrapper\">\n<div id=\"esquerda_8_12_1\" class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 col-md-6 mb-35 js-tools-fixed-parent\">\n<article>\n<div class=\"txt-serif js-article-box article-box article-box-capitalize mt-15\">\n<div id=\"fsk_splitbox_64_onscreen\" class=\"fsk_splitbox_64_onscreen\">\n<div id=\"fsk_splitbox_64\" class=\" fsk_splitbox_64\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div>Durante conversa de 90 minutos, Santos Cruz, como de costume, sorriu poucas vezes, mas desmonstrou tranquilidade e convic\u00e7\u00e3o ao falar sobre todos os temas. A caracter\u00edstica circunspecta o levou a ser protagonista de memes na internet. \u201c\u00c9 a hist\u00f3ria da imagem que as pessoas t\u00eam e fazem de voc\u00ea\u201d, disse ele, para finalmente abrir o sorriso ao ser apresentado a uma das figuras que viralizaram, onde aparece com a cara fechada. Na foto, uma legenda diz: \u201cQue a minha alegria possa te contagiar hoje e sempre. Feliz Natal\u201d. Questionado sobre o fato de que a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e as declara\u00e7\u00f5es de Bolsonaro durante o per\u00edodo da campanha levaram as minorias a se preocuparem com o acesso ao governo, o futuro ministro afirmou: \u201cIsso \u00e9 um absurdo. Quem divulga isso \u00e9 completamente fora da realidade. Somos pagos para isso. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o receber todo mundo, a finalidade \u00e9 essa.\u201d<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Na entrevista, Santos Cruz afirmou que percebeu a for\u00e7a de Bolsonaro quando o discurso do capit\u00e3o reformado se mostrou em sintonia com o anseio social. \u201cNingu\u00e9m aguentava mais tanta corrup\u00e7\u00e3o. No Rio, o crime organizado come\u00e7ava no Pal\u00e1cio da Guanabara.\u201d No plano federal, citou o petrol\u00e3o, as investiga\u00e7\u00f5es sobre os fundos de pens\u00e3o e os empr\u00e9stimos para o exterior. Sobre o esc\u00e2ndalo envolvendo o filho de Bolsonaro, Fl\u00e1vio, na Assembleia Legislativa do Rio \u2014 incluindo um cheque para a futura primeira-dama, Michelle \u2014, Santos Cruz afirmou: \u201cN\u00e3o interessa se o valor \u00e9 baixo ou alto, mas este assunto n\u00e3o \u00e9 de governo, mas parlamentar. Voc\u00ea v\u00ea que \u00e9 um assunto absolutamente particular, que tem de ser explicado por um parlamentar estadual e n\u00e3o \u00e9 um assunto de governo federal\u201d.<\/div>\n<h3>Existe o risco real em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posse de Bolsonaro?<\/h3>\n<div>Seja uma probabilidade ou n\u00e3o, voc\u00ea tem que mitigar ou eliminar. Qualquer possibilidade de risco voc\u00ea tem de fechar, n\u00e3o pode trabalhar com ela. Isso vem da pr\u00f3pria campanha, quando Bolsonaro sofreu o atentado. Era uma situa\u00e7\u00e3o normal de campanha, o \u00fanico candidato que mobilizou a massa. Onde ele chegava, havia milhares de pessoas. Tinha essa exposi\u00e7\u00e3o ao povo brasileiro, que n\u00e3o \u00e9 dedicado a esse tipo de atentado. Mas aconteceu. Sobreviveu por milagre. Fica uma situa\u00e7\u00e3o que d\u00e1 uma certa tens\u00e3o. Outra coisa: (no segundo turno) tinham dois candidatos mobilizando a sociedade. \u00c0s vezes, tivemos pequenos grupos radicais. Em qualquer conjunto pol\u00edtico ou n\u00e3o pol\u00edtico, h\u00e1 pessoas que se aproveitam da situa\u00e7\u00e3o e podem fazer uma besteira. Tem gente que \u00e9 criminoso por personalidade, n\u00e3o por posicionamento pol\u00edtico. Temos de fechar todas as possibilidades. Hoje, temos problemas menos por posicionamento pol\u00edtico e mais por inconsequ\u00eancia.<\/div>\n<h3>Qual ser\u00e1 a miss\u00e3o do senhor no minist\u00e9rio?<\/h3>\n<div>Aqui (na Secretaria de Governo) existia uma \u00e1rea s\u00f3 para interlocu\u00e7\u00e3o com parlamentares. A secretaria foi para a Casa Civil e para c\u00e1 vieram dois \u00f3rg\u00e3os mais t\u00e9cnicos: a Secom (Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o) e o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). S\u00f3 que essa interlocu\u00e7\u00e3o com parlamentares, essa conversa com a bancada vai ficar com o Onyx Lorenzoni, at\u00e9 pela personalidade dele. \u00c9 um parlamentar, tudo fica ajustado. Mas s\u00f3 que voc\u00ea n\u00e3o tem no governo uma porta s\u00f3 de entrada ou um s\u00f3 elemento de interlocu\u00e7\u00e3o. Por exemplo, aqui eu terei uma secretaria de assuntos federativos, onde voc\u00ea interage com governadores e prefeitos.<small class=\"txt-no-serif hidden-print\"><\/small><\/div>\n<h3>A parte de emendas vai ficar com o senhor?<\/h3>\n<div>Sim. Agora, \u00e9 mais t\u00e9cnica. O pessoal pensa que a emenda parlamentar \u00e9 coisa s\u00f3 de pol\u00edtico, mas n\u00e3o \u00e9. \u00c9 muito mais t\u00e9cnica do que pol\u00edtica. Tanto de acompanhamento quanto da verifica\u00e7\u00e3o, se as emendas est\u00e3o corretas, se o elemento de despesa est\u00e1 correto, se est\u00e1 na a\u00e7\u00e3o certa, se \u00e9 impositiva ou n\u00e3o. A\u00ed voc\u00ea tem de ter uma conex\u00e3o entre a Secretaria de Governo e a Casa Civil. Ent\u00e3o, na realidade, se trabalha em conjunto. Governo funciona por harmonia. \u00c0s vezes, h\u00e1 assuntos espec\u00edficos. Falar com o parlamentar \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o pessoal, com o prefeito j\u00e1 tem uma caracter\u00edstica mais institucional.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>O senhor ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de coordenador dos minist\u00e9rios?<\/h3>\n<div>Apesar de aqui ser uma porta de entrada de prefeitos e governadores, os governadores, \u00e0s vezes, t\u00eam um canal mais direto com a Presid\u00eancia. E a massa do trabalho aqui, digamos assim, \u00e9 mais de atendimento de prefeitos. Se uma coisa \u00e9 por emenda parlamentar, acontece muito por conv\u00eanios, e o conv\u00eanio \u00e9 no n\u00edvel ministerial. Ent\u00e3o, aqui, voc\u00ea faz alguma coordena\u00e7\u00e3o, com a \u00e1rea pol\u00edtica, com os minist\u00e9rios. Se voc\u00ea pegar conv\u00eanios que foram celebrados e n\u00e3o foram realizados, h\u00e1 dinheiro parado na ponta da linha. N\u00e3o tem nada a ver com desvio de recursos. N\u00e3o foi executado, porque, \u00e0s vezes, o cara n\u00e3o sabia fazer. Ou at\u00e9 o pr\u00f3prio parlamentar entra com uma emenda para facilitar o munic\u00edpio dele, mas n\u00e3o tem experi\u00eancia. Temos que ajudar a fluir.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Existia uma conversa de que o senhor foi indicado para, quando poss\u00edvel, neutralizar determinadas a\u00e7\u00f5es do Onyx&#8230;<\/h3>\n<div>N\u00e3o tem esse esp\u00edrito, n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstica minha trabalhar com agenda escondida. Pelo contr\u00e1rio, acho que a gente vai trabalhar em harmonia, porque ele tem uma personalidade pol\u00edtica de contato com outro parlamentar, com bancada. \u00c9 a vida dele. Acredito que ele vai ter um bom desempenho, e eu tamb\u00e9m tenho bastante experi\u00eancia de vida em v\u00e1rios setores.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>H\u00e1 o problema dele em rela\u00e7\u00e3o a investiga\u00e7\u00f5es, e o senhor daria essa blindagem&#8230;<\/h3>\n<div>Esse \u00e9 um assunto em que n\u00e3o tenho mergulhado. N\u00e3o estou tendo tempo de ver esse tipo de coisa. \u00c9 uma coisa que ele tem de esclarecer, pessoal.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Acabar com o Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a foi um retrocesso?<\/h3>\n<div>Havia duas op\u00e7\u00f5es. Uma era fortalecer a Senasp dentro do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. A outra, foi criar um Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, mas ele demorou para se estruturar. Nem chegou a se estruturar totalmente. Depois de criado, \u00e9 que o pessoal come\u00e7ou a ver o organograma, a trazer gente. Enquanto isso, ficou dependente do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. A Senasp \u00e9 que era o cora\u00e7\u00e3o dele, mas a cabe\u00e7a do minist\u00e9rio nunca chegou a ficar completa. Quando voc\u00ea cria, o ideal \u00e9 j\u00e1 colocar o ministro e todas as vagas da estrutura para que possa funcionar. Como, desde a campanha, Bolsonaro disse que iria diminuir o n\u00famero de minist\u00e9rios, isso entrou num bolo de simplifica\u00e7\u00e3o. O problema n\u00e3o \u00e9 se o minist\u00e9rio \u00e9 independente. O problema \u00e9 funcionamento. Temos de ver se vai funcionar direito. Seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 resultado.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Ficou definida uma revis\u00e3o de atos da gest\u00e3o Temer dos \u00faltimos 60 dias. O senhor pretende rever algo relacionado \u00e0s concess\u00f5es?<\/h3>\n<div>O PPI \u00e9 um programa que vem tendo sucesso. Faz 30 meses que ele est\u00e1 em vigor e tem um corpo t\u00e9cnico muito bom. O PPI come\u00e7ou mais ou menos com 195 projetos a serem ofertados ao mercado, j\u00e1 tivemos 122. Mas essa lista de produtos \u00e9 din\u00e2mica. Nesses 30 meses, rendeu ao governo investimentos de R$ 140 bilh\u00f5es. Ent\u00e3o, \u00e9 um programa s\u00e9rio que vem tendo sucesso baseado na qualidade t\u00e9cnica e na credibilidade. O investidor s\u00f3 vai assumir um risco de construir uma estrada para recuperar o lucro dele em 30 anos se sentir seguran\u00e7a jur\u00eddica no contrato. Vamos dar uma olhada em uma lista de 70 e poucos projetos, mas sem revis\u00e3o de m\u00e9rito. O PPI tem boa imagem.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Tem alguma \u00e1rea que ainda n\u00e3o foi t\u00e3o contemplada?<\/h3>\n<div>A \u00e1rea de aeroportos, algumas estradas, como pequenos trechos interrompidos, na Transnordestina, na BR-163. Eixos importantes.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Em rela\u00e7\u00e3o ao protagonismo de militares, qual a avalia\u00e7\u00e3o do senhor? H\u00e1 uma piada de que Bolsonaro n\u00e3o montou um minist\u00e9rio, mas um quartel.<\/h3>\n<div>Fiquei 48 anos no Ex\u00e9rcito e nunca fiz essa conta. N\u00e3o me importo com isso. Conhe\u00e7o pessoas excelentes na parte civil, tanto que meu secret\u00e1rio executivo \u00e9 civil, da CGU. E tem outros militares que estou convidando, porque \u00e9 natural passar 48 anos na institui\u00e7\u00e3o e conhecer pessoas. Estou aqui, porque conhe\u00e7o Bolsonaro desde a \u00e9poca de tenente. O conhecimento \u00e9 uma coisa normal, voc\u00ea chama pessoas em quem t\u00eam confian\u00e7a. A hist\u00f3ria de contar o n\u00famero de militares \u00e9 um tipo de discrimina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o leva a nada. Vejo como uma heran\u00e7a, revivendo como se fosse uma coisa perigosa, colocando alguma coisa em risco. Isso n\u00e3o existe.<\/div>\n<h3>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o com 1964?<\/h3>\n<div>Em 1964 era outro contexto.&nbsp; N\u00e3o tem nada a ver. Tem gente discutindo 1964, eu tinha naquela \u00e9poca 12 anos.<\/div>\n<h3>Acha que a sociedade enxerga assim essa heran\u00e7a negativa?<\/h3>\n<div>Acho que n\u00e3o. \u00c9 mais de grupos de interesse pol\u00edtico. A sociedade, ali\u00e1s, aceita muito bem os militares. \u00c9 uma das institui\u00e7\u00f5es com mais credibilidade. Se o sujeito fizer uma besteira, n\u00e3o fez uma besteira apenas para ele, mas est\u00e1 manchando toda a institui\u00e7\u00e3o. Se ele fizer uma coisa boa, beneficia toda a institui\u00e7\u00e3o. Temos obriga\u00e7\u00e3o de fazer direito.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Mas n\u00e3o existe um risco de essa imagem das For\u00e7as perder credibilidade caso o governo fracasse?<\/h3>\n<div>Uma coisa \u00e9 ter envolvimento pol\u00edtico, outra \u00e9 ter envolvimento de governo, de administra\u00e7\u00e3o. O perfil do militar n\u00e3o \u00e9 partid\u00e1rio. Alguns at\u00e9 s\u00e3o vinculados a partido, at\u00e9 para participar de cargo eletivo. Mas eu, por exemplo, n\u00e3o sou filiado. O risco dessa confus\u00e3o sempre existe. Tudo aquilo que voc\u00ea fizer de certo ou errado vai refletir na institui\u00e7\u00e3o toda. Agora, tamb\u00e9m, os militares n\u00e3o podem ficar afastados completamente da pol\u00edtica, porque somos parte da sociedade. O sentimento de obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grande para fazer dar certo e dar o bom exemplo numa sociedade que est\u00e1 clamando n\u00e3o s\u00f3 por seguran\u00e7a, por a\u00e7\u00e3o, por emprego, mas pedindo exemplos de administra\u00e7\u00e3o, na parte de conduta pessoal num pa\u00eds que, infelizmente, vem vivendo quatro, cinco, seis anos s\u00f3 com esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Esse caso do assessor de nome Queiroz agora, envolvendo diretamente o filho de Bolsonaro, est\u00e1 ainda por ser explicado. Como o senhor tem visto essa situa\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<div>Em primeiro lugar, n\u00e3o interessa se o valor \u00e9 baixo ou alto. A pessoa p\u00fablica tem de explicar. Voc\u00ea v\u00ea esc\u00e2ndalos de R$ 51 milh\u00f5es dentro do apartamento, o outro deposita R$ 9 milh\u00f5es na conta de pens\u00e3o dele no Banco do Brasil. Ent\u00e3o, se for analisar em n\u00famero, n\u00e3o \u00e9 grande. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que interessa. Pessoa p\u00fablica tem de explicar, compete a ela explicar. Outra coisa que tem de separar \u00e9 o que \u00e9 parlamentar e o que \u00e9 assunto de governo. O Fl\u00e1vio Bolsonaro \u00e9 parlamentar, \u00e9 deputado estadual. Isso n\u00e3o \u00e9 assunto de governo. Mas aumenta a curiosidade, aumenta a explora\u00e7\u00e3o&#8230; O pr\u00f3prio nome acaba vinculando, mas \u00e9 um assunto absolutamente particular, que tem de ser explicado por um parlamentar estadual e n\u00e3o \u00e9 um assunto de governo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>De qualquer modo, iniciar o governo com uma situa\u00e7\u00e3o como essa&#8230;<\/h3>\n<div>D\u00e1 margem \u00e0 curiosidade e gera discuss\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o&#8230; Mas n\u00e3o \u00e9 assunto de governo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Possivelmente, no governo, n\u00e3o existe algu\u00e9m t\u00e3o pr\u00f3ximo do presidente eleito como o senhor. Qual \u00e9 o perfil de Bolsonaro?<\/h3>\n<div>O Bolsonaro \u00e9 isso que voc\u00eas est\u00e3o vendo. Conhe\u00e7o h\u00e1 mais ou menos 40 anos. A nossa amizade vem da equipe esportiva, fazia pentatlo militar como ele. Ent\u00e3o, \u00e9 aquela amizade que vem da \u00e9poca dos 25, 26 anos de idade, uma fase boa da vida. E ele continua a mesma coisa. Um sujeito voluntarioso, um cara corajoso, espont\u00e2neo. D\u00e1 as respostas na lata. Ele mostra o que pensa e todo mundo que est\u00e1 \u00e0 volta tem que ajudar. Qualquer autoridade, os assessores t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de dizer a verdade. Voc\u00ea n\u00e3o precisa acertar 100%.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Mas o estilo voluntarioso, na pol\u00edtica, n\u00e3o pode atrapalhar o relacionamento com o Congresso?<\/h3>\n<div>Acho que n\u00e3o. Fica mais f\u00e1cil de conhecer. Dif\u00edcil \u00e9 lidar com uma pessoa que voc\u00ea n\u00e3o sabe o que ela est\u00e1 pensando. Ele \u00e9 um sujeito simples.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>No governo, o senhor acredita que ele deva manter esse estilo?<\/h3>\n<div>Ele nunca mudou. Mas tamb\u00e9m, com quase 30 anos de Congresso, sabe avaliar as coisas. Ele \u00e9 intuitivo. Antes, se tinha o conceito de que, para ganhar a elei\u00e7\u00e3o, tinha que estar vinculado \u00e0 grande m\u00eddia, tinha que ter um marqueteiro de renome. Ele percebeu r\u00e1pido que era isso aqui (aponta para o celular). \u00c9 percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 estudo t\u00e9cnico. Tanto que as grandes redes de televis\u00e3o e os pr\u00f3prios candidatos tradicionais acabaram ficando um pouco perdidas. A realidade era outra, ent\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o na vida \u00e0s vezes \u00e9 mais importante que o conhecimento t\u00e9cnico.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Em que momento o senhor percebeu que ele ganharia a elei\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<div>Quando come\u00e7ou a campanha e a plataforma de Bolsonaro era a mesma da popula\u00e7\u00e3o, pedindo seguran\u00e7a e cansada de corrup\u00e7\u00e3o. Estamos h\u00e1 quantos anos vendo esc\u00e2ndalos na primeira p\u00e1gina todos os dias? Outra coisa: num pa\u00eds onde o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de R$ 954, voc\u00ea ter esc\u00e2ndalo todo dia com uma perda de no\u00e7\u00e3o de valores, passando de mil para milh\u00f5es e chegando a bilh\u00e3o? Isso cansou. Estive na Coreia do Sul. A presidente deu informa\u00e7\u00f5es privilegiadas para uma amiga e pegou 24 anos de pris\u00e3o. E ningu\u00e9m foi para a rua, para a frente do pres\u00eddio. Em Israel, o primeiro-ministro pegou seis anos por 60 mil d\u00f3lares. Aqui p\u00f5e R$ 100 mil na cueca. O cidad\u00e3o comum, que sofre o tempo todo, cansou.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Por que o Brasil chegou a esse ponto?<\/h3>\n<div>Governantes irrespons\u00e1veis e criminosos deram mau exemplo e, dali para baixo, o crime veio se espalhando. No Rio, onde estava o crime organizado? Todo mundo pensa no cara da boca da favela com o fuzil na m\u00e3o. O crime organizado no Rio come\u00e7ava no Pal\u00e1cio da Guanabara, passava pelo Tribunal de Contas. Voc\u00ea tem o crime organizado armado e desarmado. N\u00e3o pode quebrar galho. Tem que identificar bem a coisa. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem essa conduta errada, do comandante, do chefe que se espalha. O poder de irradia\u00e7\u00e3o \u00e9 incr\u00edvel. Outra coisa: a imprensa, ou nenhum segmento da sociedade, alertou para esse problema no Rio. N\u00e3o se pode deixar chegar a esse ponto.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Qual a toler\u00e2ncia para corrup\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<div>Tem que ser zero. N\u00e3o se pode ter toler\u00e2ncia para a corrup\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 crime. O sujeito pode fazer erro administrativo. O cara errou, comprou um equipamento ali, por exemplo, e se enganou. Mas roubar dinheiro e formar gangues dentro do servi\u00e7o p\u00fablico, n\u00e3o pode. O crime de corrup\u00e7\u00e3o, por conceito, envolve necessariamente dinheiro p\u00fablico. Entre dois particulares, existem maus neg\u00f3cios. E \u00e9 muito dif\u00edcil roubar dinheiro p\u00fablico sozinho. Ent\u00e3o, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 cl\u00e1ssico de crime organizado. Ningu\u00e9m junta R$ 51 milh\u00f5es dentro de sua casa sem ter coniv\u00eancia de outros.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>O senhor apontou essas \u201cgangues dentro do servi\u00e7o p\u00fablico\u201d no Rio. E na \u00e1rea federal?<\/h3>\n<div>O Rio \u00e9 mais emblem\u00e1tico. Mas existe esc\u00e2ndalo na Petrobras, Correios, nos fundos de pens\u00e3o, no Banco do Brasil, nos empr\u00e9stimos para o exterior. Imagine se me d\u00e3o R$ 60 bilh\u00f5es e eu aplico tudo no Nordeste. Pega o dinheiro das Olimp\u00edadas, por exemplo. As obras precisavam ser feitas, mas n\u00e3o por causa das Olimp\u00edadas. A administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o, n\u00e3o as obras. Pega os est\u00e1dios&#8230;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Foi um erro ter feito Olimp\u00edadas e Copa do Mundo?<\/h3>\n<div>Acho que foi. Eu gosto de futebol, sou fan\u00e1tico, s\u00f3 que o que se v\u00ea hoje em dia, num pa\u00eds com a necessidade e a desigualdade que n\u00f3s temos, n\u00e3o se pode dar ao luxo disso. Na \u00c1frica do Sul, tem est\u00e1dio abandonado. Aqui, a mesma coisa. Essas s\u00e3o arenas para qual tipo de espet\u00e1culo? N\u00e3o s\u00e3o compensadoras em termos financeiros. Sem contar o 7&#215;1 que tomamos em casa. Mas isso faz parte do jogo. Esse dinheiro tinha de ser aplicado corretamente em outros setores. Se pegasse todo o dinheiro que foi gasto na Copa do Mundo, colocasse no Nordeste&#8230; Voc\u00ea v\u00ea gente que junta 1m\u00b3 de lenha para vender por R$ 2. Em vez de mandar R$ 60 bilh\u00f5es para Venezuela, para Cuba, por que n\u00e3o enfia esse dinheiro no Nordeste para resolver o problema do pessoal? O sacrif\u00edcio hoje no Brasil tem que ser feito pelo pessoal que est\u00e1 em cima. O que eu preciso hoje? De nada. S\u00f3 da minha sa\u00fade. Agora, o pessoal de baixo precisa ser resgatado de alguma forma.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>E, diante dessas situa\u00e7\u00f5es, as For\u00e7as Armadas precisam de aten\u00e7\u00e3o maior? Existe expectativa de mais investimentos&#8230;<\/h3>\n<div>\u00c9 normal a expectativa de or\u00e7amento, de sal\u00e1rio&#8230; Voc\u00ea tem problemas salariais tamb\u00e9m na parte militar, de obsolesc\u00eancia de equipamentos, de manuten\u00e7\u00e3o&#8230; O pessoal da Amaz\u00f4nia precisa de mais assist\u00eancia. Agora, no geral, em termos de Brasil, o que um sujeito como eu est\u00e1 precisando agora? S\u00f3 da minha sa\u00fade. Se n\u00e3o quiser dar aumento para mim, especificamente, n\u00e3o estou preocupado.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>As corpora\u00e7\u00f5es do servi\u00e7o p\u00fablico capturaram o Estado?<\/h3>\n<div>Corpora\u00e7\u00f5es e pessoas perderam a no\u00e7\u00e3o de igualdade. Voc\u00ea n\u00e3o pode ter uma disparidade social como n\u00f3s temos. A pessoa que tem qualquer cultura tem que entender que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o problema dele que tem de ser resolvido. Nossa tarefa, inclusive da imprensa, \u00e9 ajudar o pessoal de baixo. Transpar\u00eancia, colocar todo mundo na parede atrav\u00e9s da transpar\u00eancia. A democracia funciona pelo jogo de press\u00e3o, e a imprensa \u00e9 fundamental. Ela n\u00e3o pode se omitir. O governo n\u00e3o pode deixar de mostrar a realidade. Completamente livre, tem que saber tudo que acontece, mas respons\u00e1vel. Agora, voc\u00ea n\u00e3o pode ter uma imprensa que divulga s\u00f3 sensacionalismo por quest\u00f5es de audi\u00eancia e financeira. N\u00e3o, tem uma responsabilidade moral tamb\u00e9m.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Como vai ser a rela\u00e7\u00e3o com a imprensa no governo Bolsonaro?<\/h3>\n<div>Pelo que vi da campanha, a rela\u00e7\u00e3o era tensa com a imprensa, mas n\u00e3o com toda ela. Parte espec\u00edfica perdeu essa conex\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o, tanto que Bolsonaro saiu em vantagem e ganhou a elei\u00e7\u00e3o. Mesmo com uma grande parte de artistas mobilizados, com todos os slogans de acusa\u00e7\u00f5es absurdas sem fatos, falando de homofobia, n\u00e3o sei o qu\u00ea&#8230; A imprensa exagerou, perdeu um pouquinho da no\u00e7\u00e3o de realidade, os institutos de pesquisa divulgavam o que nem sempre ia acontecer. Da minha parte, \u00e9 100% liberdade. Pode perguntar o que quiser, e espero que o relacionamento seja o mais respons\u00e1vel poss\u00edvel. S\u00f3 a publicidade das coisas \u00e9 que traz transpar\u00eancia, tanto que critiquei que n\u00e3o houve mecanismo de alerta no Rio e na Petrobras. Esse mecanismo tem que ser a imprensa, do MP, dos \u00f3rg\u00e3os de controle. Infelizmente, a imprensa n\u00e3o foi t\u00e3o investigativa. \u00c0s vezes, est\u00e1 muito preocupada com o dia a dia.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Agora, na Lava-Jato, sim. At\u00e9 mesmo o ministro Moro reconhece que, sem ajuda da imprensa&#8230;<\/h3>\n<div>N\u00e3o tinha como&#8230; A mat\u00e9ria da Lava-Jato tamb\u00e9m era compensadora.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>E havia muita transpar\u00eancia.<\/h3>\n<div>Isso \u00e9 fundamental. E, da Lava-Jato, parece que foi (divulgado) s\u00f3 um pedacinho. Acho que a imprensa tem bastante campo para investigar.<\/div>\n<h3>Agora, outra \u00e1rea que tamb\u00e9m ficar\u00e1 sob a sua batuta: a libera\u00e7\u00e3o de verba publicit\u00e1ria. Que linha o senhor deve adotar?<\/h3>\n<div>Em primeiro lugar, a gente deve fazer uma revis\u00e3o de toda a estrutura de comunica\u00e7\u00e3o governamental. Todo mundo sabe, por exemplo, o tamanho da EBC, isso a\u00ed tem que dar uma olhada para utilizar.<\/div>\n<h3>Ent\u00e3o a EBC n\u00e3o ser\u00e1 extinta?<\/h3>\n<div>N\u00e3o tenho uma resposta para isso. Mas o que tem \u00e9 que passar por uma boa revis\u00e3o. At\u00e9 onde a gente precisa, o que pode fazer atrav\u00e9s das redes privadas, o custo disso tudo. Isso tem que ser revisto. Agora, a pol\u00edtica de relacionamento \u00e9 completamente aberta. Tem que ver se a despesa \u00e9 apropriada ou n\u00e3o. Se tem que fazer uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o, tem que fazer uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda. Se tem que divulgar a\u00e7\u00f5es governamentais, tudo bem. Sou contra ideologia.<\/div>\n<h3>Pensa em fazer alguma campanha sobre a Previd\u00eancia?<\/h3>\n<div>Tem que ser feito. A reforma da Previd\u00eancia \u00e9 um assunto extremamente importante, mas tem que ser uma coisa, em primeiro lugar, com bom esclarecimento. Esclarecimento transparente, honesto, mostrando realmente as contas para que todo mundo entenda a matem\u00e1tica. Os cidad\u00e3os precisam entend\u00ea-la. Estamos gastando tanto, recolhendo tanto\u2026 A auditoria completa e transparente \u00e9 necess\u00e1ria. Num pa\u00eds com uma desigualdade muito grande, voc\u00ea tem que saber quem vai pagar mais e menos e isso mexe com privil\u00e9gios, com categorias e todo mundo, as corpora\u00e7\u00f5es querem defender seus privil\u00e9gios.<\/div>\n<h3>Os militares est\u00e3o dispostos a ceder?<\/h3>\n<div>Eu n\u00e3o tenho n\u00fameros agora e n\u00e3o sei se os militares s\u00e3o o problema da Previd\u00eancia. Tem o Judici\u00e1rio, tem os militares, tem o funcionalismo p\u00fablico em geral. No funcionalismo p\u00fablico, alguns est\u00e3o em legisla\u00e7\u00e3o em antiga. Mais novos est\u00e3o em outro regime. N\u00e3o d\u00e1 para falar s\u00f3 de funcion\u00e1rio p\u00fablico. Na reforma que houve em 2001 para os militares, por exemplo, houve muita modifica\u00e7\u00e3o. O problema das filhas acabou e at\u00e9 hoje o pessoal fala. H\u00e1 v\u00e1rias coisas para se resolver. Todo mundo vai ter que rever seus interesses. Tem gente que ultrapassa o teto, h\u00e1 o problema da idade. Em muitas categorias, h\u00e1 gente que se aposenta muito cedo. Estou com 66 anos e estou trabalhando. At\u00e9 tr\u00eas anos atr\u00e1s, estava na \u00c1frica carregando mochila e fuzil. Mas a m\u00e9dia n\u00e3o \u00e9 essa. Tem categorias muito sofridas. O servi\u00e7o de pol\u00edcia de rua, de agente penitenci\u00e1rio, \u00e9 muito estressante e pesado. No geral, acho que aqueles que est\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es precisam ceder em favor daqueles menos beneficiados.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>O Congresso ser\u00e1 um problema?<\/h3>\n<div>Valorizo muito essa turma nova que est\u00e1 chegando. Vai ser uma boa composi\u00e7\u00e3o: a turma experiente e a turma nova.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<h3>Quais as metas a partir de agora?<\/h3>\n<div>A fam\u00edlia, mais uma vez, ter\u00e1 que entender que eu vou ter que sair cedo e voltar tarde. Na ONU, por quatro anos e nove meses, vinha em casa de dois em dois meses. Na parte profissional, a primeira coisa \u00e9 consolidar essa estrutura. Estamos fazendo uma revis\u00e3o no organograma. Uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com estados e munic\u00edpios. N\u00e3o interessa qual \u00e9 o grupo social, ele tem que se sentir com liberdade.<\/div>\n<h3>O MST?<\/h3>\n<div>Sem problema nenhum. Isso faz parte da sociedade. Voc\u00ea se sente como uma porta de entrada para qualquer organiza\u00e7\u00e3o, como ONGs, gays, organismos internacionais, Fiesp, OAB, \u00edndios\u2026 A porta de entrada \u00e9 aqui.&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<h3>Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias minorias de n\u00e3o serem recebidas.<\/h3>\n<div>Isso \u00e9 um absurdo. Quem divulga isso \u00e9 completamente fora da realidade. Somos pagos para isso. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o receber todo mundo, a finalidade \u00e9 essa.<\/div>\n<h3>A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em determinadas declara\u00e7\u00f5es do presidente eleito n\u00e3o acabaram estimulando esse tipo de pensamento?<\/h3>\n<div>O estilo pode levar a estere\u00f3tipos. E houve a explora\u00e7\u00e3o da campanha. Era a op\u00e7\u00e3o que tinha o outro lado (para atacar). Eles tinham muitas acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, desmando etc. E aqui, pegaram a homofobia, n\u00e3o gosta de mulher etc. Ent\u00e3o, realmente, a polariza\u00e7\u00e3o trouxe estere\u00f3tipos. Mas n\u00e3o tem nada a ver.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div><strong><span class=\"ml-10\">Ana Dubeux,&nbsp;<\/span><span class=\"txt-gray author-wrapper text-nowrap d-inline-block mb-10\"><span class=\"ml-10\">Denise Rothenburg e<\/span><\/span><span class=\"txt-gray author-wrapper text-nowrap d-inline-block mb-10\">&nbsp;<span class=\"ml-10\">Leonardo Cavalcanti\/Correio Braziliense &#8211; mdispon\u00edvel na internet 02\/01\/2019<\/span><\/span><\/strong><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos homens de confian\u00e7a do presidente eleito, Jair Bolsonaro, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz recebeu do amigo, de mais de 40 anos, a complexa miss\u00e3o de comandar a Secretaria de Governo a partir de ter\u00e7a-feira. Ali, no minist\u00e9rio, cuidar\u00e1 do bilion\u00e1rio Programa de Parceria de Investimentos (PPI), da publicidade estatal e da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":32348,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-32347","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/general-santos-cruz.jpg?fit=820%2C520&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32347\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32348"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}