{"id":32446,"date":"2019-01-08T00:16:01","date_gmt":"2019-01-08T03:16:01","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=32446"},"modified":"2019-01-07T15:21:56","modified_gmt":"2019-01-07T18:21:56","slug":"historia-da-arte-o-que-aconteceu-na-noite-em-que-van-gogh-cortou-a-propria-orelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/01\/08\/historia-da-arte-o-que-aconteceu-na-noite-em-que-van-gogh-cortou-a-propria-orelha\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Arte: O que aconteceu na noite em que Van Gogh cortou a pr\u00f3pria orelha?"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Em 1888, na cidade francesa de Arles, aconteceu um dos epis\u00f3dios mais famosos da hist\u00f3ria da&nbsp;<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/37dcc888-51a7-4470-82d8-8ef2b811d482\">arte<\/a>: um estrangeiro foi at\u00e9 um bordel da cidade e entregou a uma garota que estava no local um pacote com um peda\u00e7o sangrento de sua pr\u00f3pria carne.<\/p>\n<p>Era Vincent van Gogh, que acabara de cortar a pr\u00f3pria orelha. Na \u00e9poca, tratava-se de um pintor desconhecido e sem sucesso, mas que posteriormente se tornaria um dos artistas mais famosos de todos os tempos.<\/p>\n<p>O ano que ele passara na regi\u00e3o francesa de Proven\u00e7a o definiu: foi o per\u00edodo em que criou suas obras-primas mais apreciadas, mas tamb\u00e9m aquele em que se mutilou.<\/p>\n<p>Horas depois do epis\u00f3dio no bordel, \u00e0s 7h da manh\u00e3 na v\u00e9spera de Natal, ele foi encontrado pela pol\u00edcia em sua cama, em posi\u00e7\u00e3o fetal e com a cabe\u00e7a envolta em trapos empapados de sangue.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Os policiais pensaram que ele estava morto, mas n\u00e3o estava.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/00B0\/production\/_104967100_van-gogh-cuarto.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/00B0\/production\/_104967100_van-gogh-cuarto.jpg?resize=696%2C458&#038;ssl=1\" alt=\"&quot;Quarto em Arles&quot; de Vincent van Gogh\" width=\"696\" height=\"458\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">O quarto de Van Gogh em Arles foi retratado por ele nesta pintura.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Van Gogh morreu 18 meses depois, em 29 de julho de 1890, como consequ\u00eancia de uma infec\u00e7\u00e3o que contra\u00edra alguns dias antes, ap\u00f3s tentar se matar com um revolver.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do corte de sua orelha \u00e9 o incidente mais famoso do mundo da arte moderna. No entanto, ningu\u00e9m sabe o que ocorreu realmente naquele dia de dezembro de 1888.<\/p>\n<p>At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, n\u00e3o havia nem certeza de que ele realmente tivesse cortado a pr\u00f3pria orelha \u2013 se desconfiava que tinha apenas cortado o l\u00f3bulo.<\/p>\n<p>A BBC acompanhou a historiadora de arte Bernadette Murphy, que desde 2010 se dedica a desvendar o mist\u00e9rio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Curiosidade<\/h2>\n<p>Bernadette Murphy se mudou para Proven\u00e7a em 1983 e acabou ficando fascinada pela hist\u00f3ria de Van Gogh.<\/p>\n<p>Se surpreendeu ao descobrir que se sabia muito pouco sobre a noite em que ele cortou a orelha.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F13C\/production\/_104965716_bernadette.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F13C\/production\/_104965716_bernadette.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Bernadette Murphy\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A historiadora de arte Bernadette Murphy desvendou os eventos da noite em que o pintor se automutilou.&nbsp;Image caption<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Me perguntava: N\u00e3o h\u00e1 registros m\u00e9dicos? Como pode essa hist\u00f3ria ser t\u00e3o amb\u00edgua?&#8221;, disse ela \u00e0 BBC.<\/p>\n<p>Em 2010, Murphy come\u00e7ou pesquisas nos cart\u00f3rios da cidade, nas bibliotecas e nos arquivos de Arles e outras cidades da regi\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cidade pequena<\/h2>\n<p>A antiga cidade de Arles fica a menos de 30km da costa mediterr\u00e2nea francesa e perto da Espanha, mesclando aspectos das duas culturas &#8211; tanto um ar rom\u00e2ntico quanto a presen\u00e7a de vaqueiros e ciganos.<\/p>\n<p>Nascido na Holanda, Vincent van Gogh chegou ali aos 35 anos, quando era um artista fracassado que fugira de Paris para um ambiente mais calmo e, achava ele, mais puro.<\/p>\n<p>Pouco ap\u00f3s chegar, em abril, Van Gogh assistiu a uma tourada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1407E\/production\/_104964028_van-gogh-corrida.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1407E\/production\/_104964028_van-gogh-corrida.jpg?resize=696%2C558&#038;ssl=1\" alt=\"&quot;Arena em Arles&quot;, de Vincent Van Gogh\" width=\"696\" height=\"558\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">&#8220;Arena em Arles&#8221;, de Vincent Van Gogh. As pessoas do p\u00fablico chamaram mais a aten\u00e7\u00e3o do artista do que a arena de tourada.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Quando pintou a cena, deu mais destaque \u00e0s mulheres ex\u00f3ticas nas arquibancadas do que \u00e0 a\u00e7\u00e3o sangrenta na arena.<\/p>\n<p>&#8220;A multid\u00e3o era magn\u00edfica&#8221;, escreveu a um amigo. &#8220;As mulheres e crian\u00e7as locais usavam roupas simples em verde, vermelho, rosa ou amarelo-pimenta. E, sobretudo, um sol sulfuroso em um c\u00e9u azul vibrante.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Foi t\u00e3o alegre quanto a Holanda \u00e9 deprimente&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para os habitantes de Arles, o final sangrento das touradas \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para o epis\u00f3dio brutal de automutila\u00e7\u00e3o de Van Gogh na cidade \u2013 ao final de uma tourada bem-sucedida, as orelhas do touro s\u00e3o cortadas e entregues para algu\u00e9m do p\u00fablico.<\/p>\n<p>O problema dessa vers\u00e3o \u00e9 que quando Van Gogh esteve em Arles, ainda n\u00e3o se cortavam as orelhas do touro. Essa tradi\u00e7\u00e3o sangrenta foi importada da Espanha mais tarde.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Poucas certezas<\/h2>\n<p>Para tentar entender melhor o mist\u00e9rio, Bernadette Murphy come\u00e7ou pela cena da automutila\u00e7\u00e3o: o est\u00fadio onde Van Gogh pintou muitas de suas obras-primas.<\/p>\n<p>A famosa &#8220;Casa Amarela&#8221; ficava no norte de Arles, na Place Lamartine, at\u00e9 1944, mas foi bombardeada na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CA2C\/production\/_104965715_van-gogh-casa-amarilla.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CA2C\/production\/_104965715_van-gogh-casa-amarilla.jpg?resize=696%2C543&#038;ssl=1\" alt=\"&quot;A Casa Amarela&quot;, de Vincent van Gogh\" width=\"696\" height=\"543\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">&#8220;A Casa Amarela&#8221;, de Vincent van Gogh. Em Arles, Van Gogh morava nesta casa amarela com janela verdes, que era tanto resid\u00eancia quanto est\u00fadio.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Sobre os acontecimentos da noite de 1888, Murphy contava com as reportagens da imprensa local.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s 11h30, um homem chamado Sr. Vincent apareceu na porta de um bordel na rua de Bour d&#8217;Arles. Porguntou por uma jovem chamada Rachel. Quando ela chegou, ele lhe entregou sua pr\u00f3pria orelha cortada&#8221;, dizia um dos relatos.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que esses relatos eram confi\u00e1veis? Alguns dos artigos da \u00e9poca diziam, corretamente, que sua nacionalidade era holandesa. Em outros, ele era retratado erroneamente como polon\u00eas. Tr\u00eas vers\u00f5es diziam que a orelha estava em um pacote. Outro relato dizia que ele a segurava ao lado da cabe\u00e7a. A maioria das reportagens afirmava que Rachel era um prostituta, mas uma dizia que ela trabalhava em um caf\u00e9.<\/p>\n<p>Com tantas inconsist\u00eancias, era dif\u00edcil saber at\u00e9 mesmo se ele de fato havia cortado a pr\u00f3pria orelha: muitos especialistas n\u00e3o estavam convencidos de que isso havia realmente acontecido.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13F5C\/production\/_104965718_gettyimages-486470740.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13F5C\/production\/_104965718_gettyimages-486470740.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Museu Van Gogh\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fundado por descendentes do pintor, o Museu Van Gogh, em Amsterd\u00e3, recebe quase 2 milh\u00f5es de pessoas por ano.Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Uma carta do pintor Paul Signac, que visitou Van Gogh pouco depois de sua les\u00e3o, parece dizer o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;O vi pela \u00faltima vez em Arles na primavera de 1889&#8221;, diz o pintor na carta, atualmente arquivada no Museu Van Gogh, em Amsterd\u00e3. &#8220;Ele estava no hospital da cidade, mas no dia de minha visita estava perfeitamente bem, tinha a famosa faixa de atadura ao redor da cabe\u00e7a e usava um chap\u00e9u.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Alguns dias antes&#8221;, escreveu Signac, &#8220;ele havia cortado o l\u00f3bulo da orelha&#8221;.<\/p>\n<p>Essa vers\u00e3o, de que Van Gogh teria cortado apenas o l\u00f3bulo, e n\u00e3o a orelha toda, tamb\u00e9m parecia ser confirmada por um desenho feito de Van Gogh em seu leito de morte pelo m\u00e9dico que o atendeu.<\/p>\n<p>No desenho \u00e9 poss\u00edvel ver Van Gogh com os olhos fechados e a parte superior da orelha intacta.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1678E\/production\/_104964029_van-gogh-muerte.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1678E\/production\/_104964029_van-gogh-muerte.jpg?resize=696%2C786&#038;ssl=1\" alt=\"Desenho de Van Gogh em seu leito de morte, com a parte superior da orelha intacta\" width=\"696\" height=\"786\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Desenho de Van Gogh em seu leito de morte, com a parte superior da orelha intacta.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Para os especialistas do Museu Van Gogh, a vers\u00e3o de que ele havia cortado apenas o l\u00f3bulo da orelha era a mais aceita.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ser\u00e1 que o epis\u00f3dio famoso tinha sido, na verdade, um evento menor, que acabou sendo exagerado com o passar do tempo?<\/p>\n<p>Bernadette Murphy descobriu que n\u00e3o. Ela encontrou novas evid\u00eancias que apontavam que Van Gogh havia de fato cortado a orelha toda, e no lugar que menos esperava.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Van Gogh no cinema<\/h2>\n<p>Em 1956, a MGM Pictures lan\u00e7ou o filme<i>&nbsp;Sede de Viver<\/i>, em que o ator Kirk Douglas interpretava o pintor holand\u00eas.<\/p>\n<p>Sua forte trilha sonora e as atua\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas cimentaram uma imagem de Van Gogh mais exc\u00eantrica, em que ele corta sua orelha em um ataque de loucura.<\/p>\n<p>Os especialistas, no entanto, consideravam o filme uma vers\u00e3o exagerada. Ironicamente, foi ele que levou Murphy a uma pista crucial.<\/p>\n<p>Nos arquivos do Museu Van Gogh, a historiadora encontrou uma carta de 1955 em uma antiga edi\u00e7\u00e3o da revista Time.<\/p>\n<p>Nela, um leitor questionava uma reportagem que dizia que Vincent havia cortado a orelha inteira. O leitor afirmava que ele cortara apenas o l\u00f3bulo, reiterando o que dizia Paul Signac.<\/p>\n<p>A resposta editorial da revista contestava essa vers\u00e3o. Afirmava que Irving Stone, autor do livro no qual o filme foi baseado, tinha provas de que a orelha inteira havia sido cortada.<\/p>\n<p>Investigando o caso de Arles, o bi\u00f3grafo Irving Stone visitara o m\u00e9dico F\u00e9lix Rey.<\/p>\n<p>&#8220;Rey era o \u00fanico homem que havia visto Vincent van Gogh e ainda estava vivo (\u00e0quela ocasi\u00e3o)&#8221;, conta Murphy.<\/p>\n<p>A resposta da Time dizia que Rey mostrou um boletim m\u00e9dico para Stone e que o boletim estava com o escritor.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">F\u00e9lix Rey, m\u00e9dico e amigo<\/h2>\n<p>F\u00e9lix Rey foi o m\u00e9dico que cuidou do ferimento de Van Gogh em sua estadia no hospital, e os dois ficaram t\u00e3o pr\u00f3ximos que o holand\u00eas o pintou.<\/p>\n<p>Para Murphy, Rey era a melhor testemunha de o que se passou com o pintor \u2013 e era poss\u00edvel que o documento que ele dera a Irving Stone ainda existisse.<\/p>\n<p>Murphy procurou o arquivista David Kessler para encontrar o documento no arquivo de Stone, que fica em Berkeley, na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/134E4\/production\/_104967097_van-gogh-doctor.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/134E4\/production\/_104967097_van-gogh-doctor.jpg?resize=696%2C842&#038;ssl=1\" alt=\"Van Gogh pintou Felix Rey em sua s\u00e9rie de retratos\" width=\"696\" height=\"842\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Van Gogh pintou Felix Rey em sua s\u00e9rie de retratos.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s procurar v\u00e1rias vezes, o arquivista finalmente encontrou o documento.<\/p>\n<p>Murphy ent\u00e3o viajou a S\u00e3o Francisco e ficou encantada quando Kessler lhe mostrou &#8220;uma pequena e fina folha de papel, mas que dizia muito&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A assinatura com certeza \u00e9 do Dr. F\u00e9lix Rey. Tem a data de 18 de agosto de 1930 e \u00e9 incr\u00edvel, \u00e9 um desenho de antes e depois&#8221;, conta Murphy.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/75E0\/production\/_104967103_carta-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/75E0\/production\/_104967103_carta-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A parte superior da carta do m\u00e9dico F\u00e9lix Rey com o desenho da orelha e uma linha pontilhada onde ela foi cortada\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A parte superior da carta do m\u00e9dico F\u00e9lix Rey com o desenho da orelha e uma linha pontilhada onde ela foi cortada.&nbsp;Image caption<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p><i>&#8220;Estou feliz de poder dar a informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea pediu sobre meu infeliz amigo Van Gogh&#8221;,<\/i>&nbsp;diz Rey na carta enviada para Stone.<\/p>\n<p><i>&#8220;Espero que glorifique a genialidade deste not\u00e1vel pintor. Cordialmente, Dr. Rey.&#8221;<\/i><\/p>\n<p>O papel tem um desenho com uma linha pontilhada e diz que a orelha foi cortada com uma navalha seguindo essa linha.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 um desenho retratando como o pintor ficou ap\u00f3s a mutila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9CF0\/production\/_104967104_carta-2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9CF0\/production\/_104967104_carta-2.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A parte inferior, com o retrato de como a orelha ficou depois\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Image caption&nbsp;&nbsp;A parte inferior, com o retrato de como a orelha ficou depois<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;(Rey) documenta que a orelha inteira foi extra\u00edda&#8230; Deve ter sido algo incrivelmente doloroso. O que estava passando pela cabe\u00e7a (de Van Gogh) nesse momento deve ter sido terr\u00edvel&#8221;, afirma Kessler, o arquivista que encontrou o documento.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estava pesquisando isso havia um tempo. Quando voc\u00ea v\u00ea algo assim, se d\u00e1 conta de qu\u00e3o horr\u00edvel realmente foi o que se passou&#8230; A viol\u00eancia do ato&#8221;, diz, Murphy, comovida.<\/p>\n<p>A historiadora levou uma c\u00f3pia do documento para ser verificado no Museu Van Gogh.<\/p>\n<p>A vida de Vincent van Gogh \u00e9 t\u00e3o conhecida quanto sua obra &#8211; encontrar novas evid\u00eancias sobre ele \u00e9 raro, ainda mais uma prova de que ele de fato cortou a orelha.<\/p>\n<p>Mas afinal, o que o levou a esse ato extremo?<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Alma inquieta<\/h2>\n<p>O homem que chegou a Arles tinha 35 anos e uma alma torturada.<\/p>\n<p>Pessoas pr\u00f3ximas desconfiavam que ele tinha problemas psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Nascido em 1853, filho de um pastor protestante holand\u00eas, ele n\u00e3o conseguia manter uma carreira est\u00e1vel como comerciante de arte, pastor ou assistente de ensino.<\/p>\n<p>Gostava da companhia de componeses e pobres mulheres de rua \u2013 as \u00fanicas pessoas que toleravam sua personalidade estranha e obsessiva.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0AC4\/production\/_104965720_gettyimages-902945076.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0AC4\/production\/_104965720_gettyimages-902945076.jpg?resize=696%2C696&#038;ssl=1\" alt=\"Carta de Vincent a Theo\" width=\"696\" height=\"696\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Seu irm\u00e3o Theo, a quem escrevia com frequ\u00eancia, era a pessoa mais pr\u00f3xima do artista.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Houve momentos em sua vida em que esteve t\u00e3o sozinho que a \u00fanica pessoa com quem falava durante o dia era a gar\u00e7onete da cafeteria onde pedia seu almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas uma pessoa sempre esteve a seu lado: seu irm\u00e3o mais novo, Theo.<\/p>\n<p>Theo era um bem-sucedido comerciante de arte, e foi ele quem sugeriu a Vincent uma carreira como pintor.<\/p>\n<p>No entanto, Theo n\u00e3o conseguiu vender nenhuma das primeiras obras do irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1888, quando se mudou para Arles, Van Gogh era um pintor fracassado, totalmente dependente de seu irm\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A826\/production\/_104964034_van-gogh-oscuro.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A826\/production\/_104964034_van-gogh-oscuro.jpg?resize=696%2C484&#038;ssl=1\" alt=\"&quot;Comedores de batata&quot;, de Vincent van Gogh, 1885\" width=\"696\" height=\"484\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Suas primeiras obras eram t\u00e3o escuras quando o mundo que ele percebia ao redor.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Mas as coisas melhoraram muito na Proven\u00e7a.<\/p>\n<p>Ele fazia passeios di\u00e1rios pelo campo em busca de inspira\u00e7\u00e3o para um novo tipo de arte, e a encontrou.<\/p>\n<p>Abandonou completamente os grilh\u00f5es e modelos do norte da Europa e, no sul da Fran\u00e7a, descobriu um mundo completamente novo e deslumbrante.<\/p>\n<p>Quando chegava onde queria, come\u00e7ava a preencher a tela. &#8220;N\u00e3o sigo nenhum sistema conhecido&#8221;, escreveu. &#8220;Golpeio a tela com pinceladas irregulares, que deixo como est\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Estou tentado a pensar que os resultados s\u00e3o t\u00e3o perturbadores justamente para n\u00e3o agradar as pessoas com ideias preconcebidas sobre a t\u00e9cnica.&#8221;<\/p>\n<p>Tinha raz\u00e3o: na \u00e9poca, ningu\u00e9m o entendeu, mas hoje elas s\u00e3o vistas como suas obras-primas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/18304\/production\/_104967099_van-gogh-pintura-arboles.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/18304\/production\/_104967099_van-gogh-pintura-arboles.jpg?resize=696%2C542&#038;ssl=1\" alt=\"&quot;Campo de trigo com cipreste&quot;, de Vincent Van Gogh\" width=\"696\" height=\"542\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Campos de trigo e ciprestes foram um tema comum para o artista.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Escreveu a Theo dizendo que havia encontrado o futuro da arte moderna. E sonhava como todo um movimento de artistas se uniria em torno de uma miss\u00e3o compartilhada.<\/p>\n<p>Nas semanas anteriores ao decepamento de sua orelha, Van Gogh estava tentando fazer esse sonho virar realidade, e tinha a companhia de um grande artista, muito bem-sucedido j\u00e1 na \u00e9poca: Paul Gauguin.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O grande Gauguin<\/h2>\n<p>Gauguin foi um pintor muito apreciado, complicado e interessante, mas tamb\u00e9m muito arrogante.<\/p>\n<p>Deve ter sido muito carism\u00e1tico, porque n\u00e3o atra\u00eda apenas mulheres, mas muitos seguidores.<\/p>\n<p>Van Gogh era um de seus admiradores quando se ocupou de converter a casa amarela na sede da irmandade que queria criar. E o primeiro em quem pensou foi Gauguin.<\/p>\n<p>Passou semanas lhe escrevendo para convenc\u00ea-lo a se unir a ele em sua utopia.<\/p>\n<p>Pintou o quadro&nbsp;<i>Os Girass\u00f3is<\/i>&nbsp;para decorar o dormit\u00f3rio de Gauguin.<\/p>\n<p>Comprou 12 cadeiras de vime para os artistas e uma mais ornamentada para Gauguin \u2013 sua idade e sucesso faziam que se ele fosse visto como l\u00edder em sua comunidade.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/58E4\/production\/_104965722_van-gogh-silla-gaugin.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/58E4\/production\/_104965722_van-gogh-silla-gaugin.jpg?resize=696%2C879&#038;ssl=1\" alt=\"Cadeira de Gauguin pintada por Van Gogh\" width=\"696\" height=\"879\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cadeira de Gauguin pintada por Van Gogh.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>No entanto, o verdadeiro Gauguin n\u00e3o poderia ter sido mais diferente do ideal de Van Gogh.<\/p>\n<p>Era um ex-banc\u00e1rio astuto, bom em se autopromover e ad\u00faltero em s\u00e9rie. Ao chegar a Arles, encontrou uma pessoa dif\u00edcil e sem autoestima.<\/p>\n<p>Gauguin s\u00f3 havia ido porque Theo o havia pagado. Depois de poucos dias come\u00e7ou a escrever a seus amigos de Paris dizendo: &#8220;Tenho que sair daqui. N\u00e3o aguento mais.&#8221;<\/p>\n<p>O sonho de fraternidade de Van Gogh estava condenado desde o come\u00e7o. Ele e Gauguin n\u00e3o tinham apenas personalidades diferentes, mas tamb\u00e9m discordavam a respeito da arte.<\/p>\n<p>Gauguin gostava de pintar a partir de sua imagina\u00e7\u00e3o, e o costume de Van Gogh de pintar o que via lhe parecia ris\u00edvel.<\/p>\n<p>Chegou a produzir um retrato de Van Gogh pintando os girass\u00f3is.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7FF4\/production\/_104965723_van-gogh-gaugin-pintura.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7FF4\/production\/_104965723_van-gogh-gaugin-pintura.jpg?resize=696%2C552&#038;ssl=1\" alt=\"Van Gogh pintando girass\u00f3is, em retrato de Gauguin\" width=\"696\" height=\"552\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Van Gogh pintando girass\u00f3is, em retrato de Gauguin.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Van Gogh viu o quadro e disse: &#8220;Este sou eu, mas eu louco.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Gauguin, depois que mostrou o quadro a Van Gogh, os dois foram a um bar. Van Gogh pediu um copo de absinto e jogou no colega. Gauguin se esquivou, levou Vincent para casa e o colocou na cama.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, Van Gogh acordou dizendo: &#8220;Meu querido Gauguin, tenho uma vaga lembran\u00e7a de que te ofendi \u00e0 noite.&#8221;<\/p>\n<p>Seus sonhos de fraternidade art\u00edstica estavam se tornando pesadelos, e Van Gogh estava perdendo o controle de sua fr\u00e1gil sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era s\u00f3 isso: uma de suas pinturas cont\u00e9m uma pista de outro assunto que o incomodava naquele momento.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A carta no quadro<\/h2>\n<p>No Museu Kroller-Muller, no interior da Holanda, h\u00e1 um quadro pouco conhecido de Van Gogh.<\/p>\n<p>\u00c9 uma das primeiras pinturas que ele fez ap\u00f3s a noite em que cortou sua orelha e d\u00e1 ind\u00edcios sobre seu estado mental naquela noite.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/31D4\/production\/_104965721_van-gogh-carta.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/31D4\/production\/_104965721_van-gogh-carta.jpg?resize=696%2C527&#038;ssl=1\" alt=\"&quot;Garrafa com cachimbo, cebolas e cera&quot;, de Vincent van Gogh\" width=\"696\" height=\"527\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">&#8220;Garrafa com cachimbo, cebolas e cera&#8221;, de Vincent van Gogh. Um dos primeiros quadros pintados por Van Gogh ap\u00f3s se automutilar trouxe pistas sobre seu estado mental.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>No canto inferior direito, h\u00e1 uma carta que ele recebeu na manh\u00e3 do dia em que se passou o incidente.<\/p>\n<p>Sabe-se que a carta \u00e9 de seu irm\u00e3o, pois sua letra \u00e9 discern\u00edvel e porque leva o selo 67, da casa de correios que Theo usava. Al\u00e9m disso, a marca na carta \u00e9 uma que s\u00f3 se usava no Natal e no Ano Novo, comprovando que ela fora enviada em dezembro.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses levantadas pelos estudiosos da vida e da obra do artista \u00e9 que a carta trazia o recado de Theo de ele iria se casar com Johanna Bonger.<\/p>\n<p>Theo era o melhor amigo de Vincent. Era seu apoio emocional e financeiro. Se a not\u00edcia o fez ficar com medo de perder o irm\u00e3o, isso&nbsp;<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/curiosidades-37839683\">pode ter contribu\u00eddo para o decl\u00ednio de sua sa\u00fade mental<\/a>.<\/p>\n<p>Van Gogh recebeu a not\u00edcia do noivado do irm\u00e3o em 23 de dezembro, mesmo dia em que Guaguin lhe disse que estava indo embora.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A orelha do centuri\u00e3o<\/h2>\n<p>O pr\u00f3prio Gauguin mais tarde registrou a conversa err\u00e1tica de Van Gogh naquele dia.<\/p>\n<p>&#8220;Ele mencionou novelas g\u00f3ticas, em que o her\u00f3i era atormentado pela loucura. Refletiu sobre os assassinatos de prostitutas que sa\u00edam nos jornais e sobre a trai\u00e7\u00e3o de Cristo no Jardim de Getsemani, quando S\u00e3o Pedro cortou a orelha de um centuri\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4ED0\/production\/_104967102_gettyimages-672509054.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4ED0\/production\/_104967102_gettyimages-672509054.jpg?resize=696%2C570&#038;ssl=1\" alt=\"Pintura bizantina, encontrada no Museu Diocesano de Jaca, na Espanha\" width=\"696\" height=\"570\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pintura bizantina retrata a trai\u00e7\u00e3o no jardim de Getsemani: Judas beija Jesus e Pedro corta a orelha do centuri\u00e3o.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Estava t\u00e3o estranho que n\u00e3o aguentei&#8221;, esceveu Gauguin. &#8220;Inclusive ele me disse: &#8216;Vai embora?&#8217;, e quando eu disse &#8216;sim&#8217; ele cortou uma frase de um jornal e colocou na minha m\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ela dizia: &#8216;O assassino escapou&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Horrorizado, Gauguin foi passar a noite em um hotel, deixando Van Gogh sozinho com seus dem\u00f4nios.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Rachel<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria de Gauguin e de Theo estava bem esclarecida quando Bernadette Murphy come\u00e7ou a investigar o que se passou com o artista.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m das incertezas sobre como foi o corte da orelha, outro aspecto confuso era a identidade de Rachel, a jovem que Van Gogh procurou naquele noite.<\/p>\n<p>Saber quem era ela poderia ajudar a entender o que levou o artista a procur\u00e1-la.<\/p>\n<p>Murphy concentrou sua investiga\u00e7\u00e3o no \u00faltimo lugar em que ele foi visto no dia do epis\u00f3dio: a rua de Bout d&#8217;Arles, a 100 metros da Casa Amarela.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1E6B\/production\/_104978770_stary-night.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1E6B\/production\/_104978770_stary-night.jpg?resize=696%2C537&#038;ssl=1\" alt=\"Noite estrelada de Vincent Van Gogh\" width=\"696\" height=\"537\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">As noites estreladas no campo foram um tema frequente para o artista.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>\u00c9 fato conhecido que Van Gogh era um cliente frequente de bord\u00e9is, porque ele falava abertamente sobre isso com seu irm\u00e3o em suas cartas.<\/p>\n<p>&#8220;Na Fran\u00e7a do s\u00e9culo 19, os bord\u00e9is eram regulados pelo Estado. Se chamavam Casas de Toler\u00e2ncia&#8221;, explica Murphy \u00e0 BBC.<\/p>\n<p>&#8220;As prostitutas e as cafetinas eram registradas no censo da cidade, com eufemismo para seus trabalhos. As madames eram registradas como&nbsp;<i>limonadier<\/i>, que pode ser tanto algu\u00e9m que vende limonada quanto algu\u00e9m que dirige um bordel. As prostitutas eram registradas como &#8216;<i>fille soumise<\/i>&#8216; \u2013 garota submissa, em franc\u00eas&#8221;, conta Murphy.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DDD3\/production\/_104978765_documento-limonada.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DDD3\/production\/_104978765_documento-limonada.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Arquivo oficial da cidade de Arles\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Prostitutas e cafetinas eram registradas no censo da cidade com eufeminismos como &#8216;limonadier&#8217; e &#8216;fille soumise&#8217;.&nbsp;Image caption<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Mas entre as registradas no censo da \u00e9poca n\u00e3o h\u00e1 nenhuma Rachel, que \u00e9 um nome pouco comum nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Murphy encontrou um velho artigo de jornal que ajudava a resolver o mist\u00e9rio. O texto citava o policial que investigou o caso dizendo que o nome da jovem era Gaby.<\/p>\n<p>Revisando os registros, a historiadora notou que muitos dos nomes das prostitutas apareciam seguidos pelas palavras&nbsp;<i>dite Rachel<\/i>, ou seja, &#8220;chamada Rachel&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Rachel n\u00e3o era um nome real \u2013 era apenas um apelido. Ent\u00e3o talvez Gaby fosse o verdadeiro nome da jovem&#8221;, explica Murphy.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15669\/production\/_104975678_049860278-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15669\/production\/_104975678_049860278-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mulher observa quadro de Van Gogh\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Mulher observa quadro de Van Gogh. Arles era cercada por campos de trigo que o artista gostava de pintar.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;REUTERS<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Em Arles de 1888 havia 31 mulheres chamadas Gabrielle, ou &#8220;Gaby&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de muitas pistas falsas e frustra\u00e7\u00f5es, Murphy encontrou um livro pouco conhecido sobre Van Gogh que dizia: &#8220;Rachel, que se chamava Gaby, morreu em 1952 aos 80 anos.&#8221;<\/p>\n<p>S\u00f3 uma Gabrielle havia morrido nesse ano, com essa idade. Com a identidade verdadeira da jovem, a historiadora conseguiu descobrir que seus descendentes viviam fora de Arles. Eles pediram anonimato, mas confirmaram que sua parente Gabrielle era a mo\u00e7a chamada de Rachel na hist\u00f3ria de Van Gogh.<\/p>\n<p>Murphy descobriu depois que Gabrielle n\u00e3o era prostituta, mas um jovem que fazia faxina no bordel e em v\u00e1rios dos lugares favoritos de Van Gogh na Place Lamartine.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15BF4\/production\/_104967098_cafe.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15BF4\/production\/_104967098_cafe.jpg?resize=696%2C546&#038;ssl=1\" alt=\"O caf\u00e9 noturno na Place Lamartine en Arles, de Vincent Van Gogh\" width=\"696\" height=\"546\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Vincent visitava bastante o caf\u00e9 da Place Lamartine, seu local preferido da cidade.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A mo\u00e7a que Van Gogh foi procurar naquela noite parece ter sido uma amiga, n\u00e3o uma prostituta \u2013 uma amiga que ele provavelmente conheceu em Paris.<\/p>\n<p>Murphy encontrou mais tarde evid\u00eancias de que Gabrielle havia sido enviada ao Instituto Pasteur em janeiro de 1888 para ser tratada ap\u00f3s ser mordida por um cachorro contaminado com raiva.<\/p>\n<p>A historiadora tamb\u00e9m encontrou uma carta de Van Gogh em que ele mencionava as pobres meninas tratadas por raiva na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Gabrielle ficou em Paris por 18 dias e depois voltou para Arles. Van Gogh chegou \u00e0 cidade no m\u00eas seguinte.<\/p>\n<p>Segundo a estudiosa, \u00e9 poss\u00edvel que Gabrielle tenha sido o motivo que levou Van Gogh a Arles \u2013 e isso sugere uma nova interpreta\u00e7\u00e3o sobre o que se passou na noite do corte.<\/p>\n<p>&#8220;Van Gogh sempre se sentiu atra\u00eddo por pessoas em dificuldades, anjos feridos que ele queria ajudar&#8221;, explica Murphy. &#8220;Al\u00e9m disso, alimentava fantasias como o mart\u00edrio de Cristo pelos pobres&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Parece que, em sua ang\u00fastia, enxergou a entrega de sua orelha a Gaby como um ato de autosacrif\u00edcio e compaix\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 uma teoria dif\u00edcil de comprovar, mas descobrir a identidade de Rachel foi mais um passo importante para entender o que se passou naquela noite.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Juntando o quebra-cabe\u00e7a<\/h2>\n<p>Juntando todas as pistas recolhidas por Murphy em suas pesquisas, \u00e9 poss\u00edvel ter uma vis\u00e3o um pouco mais clara de o que se passou na Casa Amarela no dia em que Van Gogh cortou sua pr\u00f3pria orelha.<\/p>\n<p>Ele estava em seu est\u00fadio, cercado por todas essas incr\u00edveis pinturas que n\u00e3o conseguia vender.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/104E3\/production\/_104978766_locura.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/104E3\/production\/_104978766_locura.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Van Gogh e seus girass\u00f3is\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Os girass\u00f3is eram um tema frequenta nas pinturas do artista.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Perturbado pela carta do irm\u00e3o e pelo abandono de Gauguin, pensou em sua vida, pegou uma navalha e cortou sua pr\u00f3pria orelha de cima a baixo.<\/p>\n<p>Sem querer, cortou tamb\u00e9m a art\u00e9ria atr\u00e1s da orelha, e mais tarde foram encontrados os trapos que usou para conter o fluxo de sangue.<\/p>\n<p>Mas, em vez de chamar um m\u00e9dico, escondeu a ferida com os panos e um chap\u00e9u e saiu de casa. Envolveu a orelha cortada em um jornal e se dirigiu ao bordel, onde entregou o pacote \u00e0 Gaby.<\/p>\n<p>Depois foi para casa, onde a pol\u00edcia o encontrou ensanguentado e em posi\u00e7\u00e3o fetal, mas vivo.<\/p>\n<p>Van Gogh morreria apenas 18 meses depois, em um epis\u00f3dio tamb\u00e9m muito tr\u00e1gico.<\/p>\n<p>Ele saiu de manh\u00e3 do albergue Ravoux, onde estava morando na cidade de Auvers-sur-Oise. Quando voltou \u00e0 noite, estava sangrando, com um tiro no ventre, e disse aos donos do hotel que havia tentado se matar.<\/p>\n<p>Um m\u00e9dico foi chamado, e tamb\u00e9m o irm\u00e3o do pintor, Theo, que chegou a tempo de conversar com ele antes de sua morte. O artista n\u00e3o resistiu ao ferimento e morreu na manh\u00e3 de 29 de julho de 1890.<\/p>\n<p>No entanto, assim como no caso da orelha cortada, h\u00e1 bi\u00f3grafos que desconfiam dessa vers\u00e3o \u2013 um livro publicado h\u00e1 alguns anos afirma que ele fingiu tentar se matar para&nbsp;<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2011\/10\/111017_vangogh_suicidio_cc\">proteger dois amigos que haviam atirado nele por acidente<\/a>.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12BF3\/production\/_104978767_van-gogh-tumba.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12BF3\/production\/_104978767_van-gogh-tumba.jpg?resize=696%2C570&#038;ssl=1\" alt=\"L\u00e1pide de Van Gogh, no cemit\u00e9rio da cidade francesa de Auvers-sur-Oise\" width=\"696\" height=\"570\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">&#8216;Aqui repousa Vincent van Gogh&#8217;, diz a l\u00e1pide do pintor, enterrado ao lado de seu irm\u00e3o, Theo, em Auvers-sur-Oise.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>*<i>Esta reportagem foi baseada no document\u00e1rio&nbsp;<\/i>The Mystery of Van Gogh&#8217;s Ear<i>, ou&nbsp;<\/i>O Mist\u00e9rio da Orelha de Van Gogh,&nbsp;<i>em que a BBC acompanhou Bernadette Murphy em suas pesquisas. A historiadora publicou em 2016 o livro&nbsp;<\/i>Van Gogh&#8217;s Ear: The True Story&nbsp;<i>ou&nbsp;<\/i>A Orelha de Van Gogh: A Verdadeira Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: BBC Brasil &#8211;&nbsp; dispon\u00edvel na internet 08\/01\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1888, na cidade francesa de Arles, aconteceu um dos epis\u00f3dios mais famosos da hist\u00f3ria da&nbsp;arte: um estrangeiro foi at\u00e9 um bordel da cidade e entregou a uma garota que estava no local um pacote com um peda\u00e7o sangrento de sua pr\u00f3pria carne. Era Vincent van Gogh, que acabara de cortar a pr\u00f3pria orelha. 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