{"id":32450,"date":"2019-01-08T00:20:53","date_gmt":"2019-01-08T03:20:53","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=32450"},"modified":"2019-01-07T15:34:09","modified_gmt":"2019-01-07T18:34:09","slug":"brasil-tem-empresas-estatais-demais-5-perguntas-sobre-privatizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/01\/08\/brasil-tem-empresas-estatais-demais-5-perguntas-sobre-privatizacao\/","title":{"rendered":"Brasil tem empresas estatais demais? 5 perguntas sobre privatiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\">\n<p>O Brasil tem 138 empresas estatais federais. Se contabilizadas as companhias que pertencem a Estados e munic\u00edpios, e n\u00e3o apenas \u00e0 Uni\u00e3o, o total passa de 400, de acordo com levantamento feito pelo Observat\u00f3rio das Estatais, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>O n\u00famero j\u00e1 foi maior. Na d\u00e9cada de 1990, o pa\u00eds privatizou 119 estatais, com a gera\u00e7\u00e3o de US$ 70,3 bilh\u00f5es em receita, segundo o coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Armando Castelar.<\/p>\n<p>Os valores, diz ele, fazem da privatiza\u00e7\u00e3o brasileira daquela \u00e9poca uma das maiores em todo o mundo, ao lado de pa\u00edses como M\u00e9xico, Austr\u00e1lia e Reino Unido.<\/p>\n<p>Na conta entram desde a venda de geradoras de energia e de bancos estaduais \u00e0 concess\u00e3o de rodovias e \u00e0 quebra do monop\u00f3lio p\u00fablico do setor de telecomunica\u00e7\u00f5es \u2013 incluindo a privatiza\u00e7\u00e3o da Telebras, a maior do per\u00edodo, que levantou R$ 22 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 desde empresas j\u00e1 consideradas eficientes na \u00e9poca, como a mineradora Vale, a estatais que eram bastante deficit\u00e1rias. &#8220;No caso da Embraer e da CSN, era privatizar ou fechar&#8221;, ilustra o economista.<\/p>\n<div class=\"social-embed\">\n<div class=\"social-embed-post social-embed-youtube\">\n<div class=\"embed embed-iframe-rendered\" style=\"border: 0px; color: inherit; font-style: inherit; font-variant: inherit; font-stretch: inherit; font-family: inherit; font-size: 14px; font-weight: inherit; letter-spacing: inherit; line-height: inherit; margin: 0px; padding: 0px; vertical-align: baseline;\" data-iframe=\"<iframe width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; src=&quot;https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dbl0ZE7i4Co?feature=oembed&quot; frameborder=&quot;0&quot; allow=&quot;accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture&quot; allowfullscreen><\/iframe>&#8220;><\/p>\n<div class=\"embed-region embed-core-hidden\" role=\"region\" aria-label=\"YouTube post de BBC News Brasil\"><a class=\"off-screen jump-link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-46538732#jump-linkhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dbl0ZE7i4Co\">Pule YouTube post de BBC News Brasil<\/a><\/p>\n<div class=\"embed embed-iframe-inner youtube-video\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dbl0ZE7i4Co?feature=oembed\" width=\"480\" height=\"270\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Paulo Guedes, o &#8220;superministro&#8221; da Economia do presidente Jair Bolsonaro, tem sinalizado que pretende retomar o ciclo, que arrefeceu durante os anos de gest\u00e3o petista, entre 2003 e 2016.<\/p>\n<p>Ele decidiu manter a estrutura do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), montada durante o governo Temer para coordenar as dezenas de privatiza\u00e7\u00f5es propostas por sua equipe, e criar uma Secretaria-Geral de Desestatiza\u00e7\u00f5es para dar f\u00f4lego ao processo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E2C7\/production\/_104955085_estataispaises.png?resize=624%2C416&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico\" width=\"624\" height=\"416\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/span><\/figure>\n<p>O tema divide n\u00e3o apenas a opini\u00e3o p\u00fablica, mas tamb\u00e9m especialistas. Apesar da vit\u00f3ria de Bolsonaro, que defendeu abertamente a venda de estatais em seu programa, pesquisa do Datafolha divulgada em dezembro apontou que 7 em cada 10 brasileiros eram contra privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Parte dos economistas acredita que faz sentido que existam estatais em setores considerados estrat\u00e9gicos \u2013 seja como mecanismo de promo\u00e7\u00e3o de desenvolvimento ou de indu\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outros, por sua vez, questionam o conceito de &#8220;estrat\u00e9gico&#8221; e avaliam que o Estado pode promover crescimento econ\u00f4mico sem necessariamente ser dono de empresas, com um bom marco regulat\u00f3rio, boas ag\u00eancias de fiscaliza\u00e7\u00e3o e promovendo a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o Brasil tem um n\u00famero excessivo de estatais? Faz sentido para o Estado se desfazer delas? Privatizar \u00e9 bom ou ruim para a economia?<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13D8E\/production\/_104749218_estataisraiox.png?resize=624%2C495&#038;ssl=1\" alt=\"Grandes n\u00fameros\" width=\"624\" height=\"495\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/span><\/figure>\n<p>A seguir, a BBC News Brasil explica as privatiza\u00e7\u00f5es em 5 perguntas:<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">1) A Uni\u00e3o \u00e9 dona de mais de 100 empresas \u2013 isso \u00e9 muito?<\/h2>\n<p>Em uma lista de 39 pa\u00edses compilada pela OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico) com dados de 2015, as 134 estatais federais que o Brasil tinha na \u00e9poca colocavam o pa\u00eds em quarto lugar, atr\u00e1s de \u00cdndia (270), Hungria (370) e China (51.341).<\/p>\n<p>Vizinhos como Argentina e Col\u00f4mbia tinham, respectivamente, 59 e 39 estatais federais e economias desenvolvidas como Alemanha e Fran\u00e7a, 71 e 51. Estados Unidos e Reino Unido tinham 16 cada uma.<\/p>\n<p>O economista-s\u00eanior da OCDE respons\u00e1vel pela \u00e1rea de monitoramento da economia brasileira, Jens Arnold, afirma que o Brasil est\u00e1 no grupo de pa\u00edses em que as estatais t\u00eam peso importante \u2013 com faturamento total equivalente a cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto).<\/p>\n<p>Mas ressalta que, quando o assunto s\u00e3o empresas p\u00fablicas, &#8220;n\u00e3o existe um n\u00famero \u00f3timo&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F9AB\/production\/_104751936_petrobras.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F9AB\/production\/_104751936_petrobras.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Plataforma da Petrobras\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A Petrobras \u00e9 uma estatal de economia mista, com a\u00e7\u00f5es negociadas em bolsa.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;REUTERS<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Contanto que elas tenham bom desempenho e boa governan\u00e7a (nenhum n\u00famero pode ser considerado excessivo)&#8221;, afirma o economista alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Levando isso em considera\u00e7\u00e3o, contudo, ele avalia que o pa\u00eds tem espa\u00e7o, de um lado, para melhorar a estrutura de parte das empresas p\u00fablicas e, de outro, para privatizar.<\/p>\n<p>&#8220;A privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ser um debate ideol\u00f3gico, mas algo pragm\u00e1tico&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em sua vis\u00e3o, o excesso de indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u2013 que muitas vezes acaba abrindo caminho para a corrup\u00e7\u00e3o \u2013 e a falta de metas concretas de performance na maioria das estatais brasileiras tornam sua gest\u00e3o, de forma geral, menos eficiente do que no setor privado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">2) O que aconteceu com as empresas que o Brasil j\u00e1 privatizou?<\/h2>\n<p>Um estudo amplo publicado em 2005 por pesquisadores da USP, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas e da Universidade Presbiteriana Mackenzie com 102 empresas privatizadas entre 1987 e 2000 concluiu que, grosso modo, elas melhoraram o desempenho desde que passaram a ser geridas pela iniciativa privada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/08F6\/production\/_104749220_celular.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/08F6\/production\/_104749220_celular.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mulher com celular\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">O setor de telecomunica\u00e7\u00f5es mostra a complexidade da discuss\u00e3o sobre o efeito das privatiza\u00e7\u00f5es: economistas ponderam que o servi\u00e7o melhorou, mas que brasileiro ainda paga caro.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Com base em 15 indicadores de performance, calculados a partir das informa\u00e7\u00f5es divulgadas nos relat\u00f3rios financeiros anuais das empresas, o levantamento assinala especialmente um aumento na lucratividade e na efici\u00eancia operacional das companhias, afirma Francisco Anuatti Neto, professor do Departamento de Economia da USP de Ribeir\u00e3o Preto e um dos autores do trabalho.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caso, por exemplo, da Vale, objeto de estudo dos professores do departamento de Economia da PUC-Rio Vinicius Carrasco e Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello.<\/p>\n<p>Fazendo uma an\u00e1lise dos retornos das American Depositary Receipts (as ADRs, que s\u00e3o recibos de a\u00e7\u00f5es emitidos nos EUA para negociar a\u00e7\u00f5es de empresas de fora do pa\u00eds na Bolsa de Nova York) da Vale, eles verificaram que elas geraram um retorno nominal em d\u00f3lar de mais de 3.000% entre 1997, ano da privatiza\u00e7\u00e3o, e 2011.<\/p>\n<p>Os pesquisadores reconhecem que parte do desempenho foi impulsionado pelo aumento da demanda da China por min\u00e9rio de ferro. Ainda assim, quando se comparam os resultados da Vale no per\u00edodo com os de outra empresa do setor de minera\u00e7\u00e3o, a australiana Rio Tinto, os da brasileira seguem sendo bastante superiores.<\/p>\n<p>Parte desses ganhos, ressalta Carrasco, voltou para os cofres do governo na forma de impostos, um dos benef\u00edcios que ele considera &#8220;ignorados&#8221; nos processos de privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico da Vale, ele acrescenta, o governo ainda ganhou com sua participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria na empresa, atrav\u00e9s do BNDESPar \u2013 o bra\u00e7o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social que administra participa\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica de fomento em outras empresas.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do BNDES, o governo ainda det\u00e9m pouco mais de 7% das a\u00e7\u00f5es da mineradora.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 583px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/120BB\/production\/_104751937_compacionariavale.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/120BB\/production\/_104751937_compacionariavale.jpg?resize=583%2C631&#038;ssl=1\" alt=\"Gr\u00e1fico\" width=\"583\" height=\"631\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Composi\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria da Vale: BNDESPar tem pouco mais de 7% das a\u00e7\u00f5es da mineradora.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;VALE\/REPRODU\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Um das cr\u00edticas feitas \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da Vale se personifica no caso da Samarco, que \u00e9 subsidi\u00e1ria da mineradora, e da cidade mineira de Mariana.<\/p>\n<p>Em 2015, a barragem de Fund\u00e3o da Samarco, com milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito de min\u00e9rio de ferro, se rompeu, destruiu completamente tr\u00eas distritos, deixou milhares de desabrigados e causou o maior desastre ambiental que o pa\u00eds j\u00e1 viu.<\/p>\n<p>Esse seria um reflexo negativo da gest\u00e3o pela iniciativa privada, mais focada em cortar custos para garantir retorno aos acionistas do que em garantir condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a adequadas em seus empreendimentos.<\/p>\n<p>Para o economista da PUC-Rio, epis\u00f3dios como esse seriam evitados com melhor regula\u00e7\u00e3o. &#8220;Exigindo-se multas vultosas do culpados, por exemplo, at\u00e9 para mandar um sinal para os outros players (e desestimular condutas negligentes).&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A536\/production\/_104749224_bentorodrigues.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A536\/production\/_104749224_bentorodrigues.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Distrito de Bento Rodrigues dias ap\u00f3s o rompimento da barragem de Fund\u00e3o\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cr\u00edticos \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es atribuem epis\u00f3dios como o desastre de Mariana, causado pelo rompimento de barragem da Samarco em MG, \u00e0 busca por maximiza\u00e7\u00e3o do lucro pela iniciativa privada, que deixaria em segundo plano fatores como a seguran\u00e7a dos empreendimentos.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;ROG\u00c9RIO ALVES\/TV SENADO<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Professor da UFRJ e pesquisador associado da Universidade de Sussex, Caetano Penna ilustra a complexidade da discuss\u00e3o sobre as privatiza\u00e7\u00f5es com o caso do setor de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O economista pondera que o servi\u00e7o melhorou depois que passou a ser prestado pelo setor privado, &#8220;mas ele ainda n\u00e3o \u00e9 exatamente competitivo, e o consumidor brasileiro paga caro quando comparado ao de outros pa\u00edses&#8221;.<\/p>\n<p>Um estudo de 2014 da Uni\u00e3o Internacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (UIT), ligada \u00e0 ONU, mostrava que a telefonia m\u00f3vel no Brasil era uma das mais caras do mundo, com pre\u00e7o da liga\u00e7\u00e3o superior ao praticado em todos os pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>Entre 166 na\u00e7\u00f5es avaliadas, em apenas 47 os custos eram inferiores aos do Brasil.<\/p>\n<p>Olhando para os aspectos positivos da quebra do monop\u00f3lio p\u00fablico do setor de telecomunica\u00e7\u00f5es, Armando Castelar, do Ibre-FGV, destaca a universaliza\u00e7\u00e3o da telefonia fixa, possibilitada pelo desenho de um subs\u00eddio cruzado no processo de privatiza\u00e7\u00e3o: consumidores de regi\u00f5es mais ricas pagavam inicialmente mais caro para possibilitar que o servi\u00e7o chegasse a \u00e1reas mais remotas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse seria, em sua vis\u00e3o, um exemplo de como o Estado conseguiu assegurar um benef\u00edcio social por meio do contrato de privatiza\u00e7\u00e3o e do modelo regulat\u00f3rio do setor.<\/p>\n<p>&#8220;O Estado n\u00e3o precisa necessariamente ser dono para tomar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">3) E quando a privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o funciona?<\/h2>\n<p>Entre 2000 e 2017, o mundo viu pelo menos 835 casos de &#8220;remunicipaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, de acordo com o&nbsp;<i>think tank<\/i>&nbsp;Transnational Institute (TNI), baseado na Holanda.<\/p>\n<p>No levantamento h\u00e1 mais de uma centena de casos de empresas de gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia na Alemanha e a reestatiza\u00e7\u00e3o de empresas de \u00e1gua e esgoto em mais de dez cidades francesas, como Paris, Marselha e Bordeaux.<\/p>\n<p>Entre os problemas observados durante a gest\u00e3o privada estavam o n\u00e3o cumprimento de investimentos previstos em contrato, a queda na qualidade do servi\u00e7o, a falta de transpar\u00eancia e o aumento de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O trabalho se concentrou em seis setores: energia, educa\u00e7\u00e3o, transporte, sa\u00fade e assist\u00eancia social, gest\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos locais e \u00e1gua e saneamento.<\/p>\n<p>S\u00f3 nessa \u00faltima \u00e1rea foram mapeados 267 casos \u2013 e as hist\u00f3rias, de forma geral, s\u00e3o muito parecidas, diz Satoko Kishimoto, pesquisadora do TNI.<\/p>\n<p>Para cumprir, ainda que parcialmente, os investimentos com os quais haviam se comprometido nos contratos de privatiza\u00e7\u00e3o, as empresas tomaram empr\u00e9stimos no setor privado \u2013 em geral mais caros do que os captados no setor p\u00fablico \u2013 e aumentaram progressivamente seu n\u00edvel de endividamento.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/436A\/production\/_105085271_0df3d16f-27ba-42b6-8791-ad9170250567.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/436A\/production\/_105085271_0df3d16f-27ba-42b6-8791-ad9170250567.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Protesto contra privatiza\u00e7\u00e3o da Cedae, no Rio\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Manifestantes contr\u00e1rios \u00e0 proposta de privatiza\u00e7\u00e3o da empresa de saneamento do Rio de Janeiro, a Cedae: tema divide opini\u00f5es.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;TOMAZ SILVA\/AG. BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Com o passar do tempo, para arcar com o servi\u00e7o e ao mesmo tempo garantir o n\u00edvel de rentabilidade entre 11% e 12%, a m\u00e9dia do setor, os prestadores de servi\u00e7o acabaram elevando as tarifas, o que fez com que o consumidor final pagasse cada vez mais caro.<\/p>\n<p>O roteiro \u00e9 semelhante ao que aconteceu na cidade de Itu (SP), onde o servi\u00e7o de saneamento, ap\u00f3s dez anos gerido pela iniciativa privada, voltou a ser administrado pela prefeitura em 2017.<\/p>\n<p>O caso do munic\u00edpio paulista \u00e9 um dos 12 que a TNI est\u00e1 verificando para incluir no mapeamento de 2018 das remunicipaliza\u00e7\u00f5es do setor de \u00e1gua e esgoto.<\/p>\n<p>&#8220;O que temos observado \u00e9 que a tend\u00eancia se mant\u00e9m. Essa \u00e1rea \u00e9 um caso cl\u00e1ssico em que a administra\u00e7\u00e3o privada falhou&#8221;, avalia Kishimoto.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">4) O que o governo Bolsonaro pretende privatizar?<\/h2>\n<p>O saneamento \u00e9 um dos focos do PPI \u2013 e, portanto, uma das \u00e1reas em que as privatiza\u00e7\u00f5es devem ser retomadas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estariam na fila a Eletrobras, cuja privatiza\u00e7\u00e3o foi proposta pelo governo Temer em janeiro de 2018 e segue parada no Congresso, e da BR Distribuidora, subsidi\u00e1ria da Petrobras.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6A7A\/production\/_105085272_65e29f6d-5f27-4887-8073-be2a54122a72.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6A7A\/production\/_105085272_65e29f6d-5f27-4887-8073-be2a54122a72.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Paulo Guedes\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Discurso de Paulo Guedes e Bolsonaro sobre privatiza\u00e7\u00f5es se afastou na reta final da campanha.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;FABIO RODRIGUES POZZEBOM\/AG. BRASIL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A nova administra\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o apresentou, contudo, um programa concreto de privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mais que isso, os discursos de Bolsonaro e Paulo Guedes sobre o assunto se afastaram no fim da campanha eleitoral do ano passado: o futuro ministro da Economia sempre defendeu uma ampla privatiza\u00e7\u00e3o, enquanto o agora presidente, depois de adotar inicialmente essa posi\u00e7\u00e3o, afirmou, por exemplo, que uma eventual venda da Petrobras preservaria seu &#8220;n\u00facleo&#8221; e disse que n\u00e3o colocaria Caixa e Banco do Brasil \u00e0 venda.<\/p>\n<p>Nesse sentido, especialistas como Caetano Penna, da UFRJ, veem um poss\u00edvel conflito entre a equipe econ\u00f4mica e os ministros e altos funcion\u00e1rios militares de Bolsonaro, vistos como mais nacionalistas.<\/p>\n<p>&#8220;A &#8216;febre privatizante&#8217; vai ser contrabalan\u00e7ada pelos militares, pela tens\u00e3o interna entre eles e a equipe do Paulo Guedes&#8221;, concorda Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras.<\/p>\n<p>Para ele, um dos focos de estresse vai ser justamente a estatal de energia, j\u00e1 que o ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Costa Lima Leite, tamb\u00e9m vem das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16EDB\/production\/_104751939_itaipu.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16EDB\/production\/_104751939_itaipu.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Usina de Itaipu\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A usina de Itaipu, que tem como acionistas os governos brasileiros e paraguaio, \u00e9 uma das subsidi\u00e1rias da Eletrobras.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;ALEXANDRE MARCHETTI\/ITAIPUBINACIONAL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Ele n\u00e3o falou abertamente que \u00e9 contra a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se mostrou a favor&#8221;, diz Rosa, que \u00e9 professor do Programa de Planejamento Energ\u00e9tico da Coppe\/UFRJ.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Minas e Energia, a pasta da Defesa tamb\u00e9m \u00e9 chefiada por um militar, Fernando Azevedo e Silva. Os militares ocupam ainda o Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional, com o general da reserva Augusto Heleno Ribeiro, e a Vice-Presid\u00eancia, com o general Hamilton Mour\u00e3o.<\/p>\n<p>Na outra ponta estariam o Secret\u00e1rio-Geral da Presid\u00eancia, Gustavo Bebianno, que j\u00e1 presidiu o PSL e que estar\u00e1 encarregado de tocar o PPI, e membros do alto escal\u00e3o como o presidente da Caixa, Pedro Guimar\u00e3es, especializado em privatiza\u00e7\u00f5es, e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que defendeu a venda da estatal em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo durante a greve dos caminheiros do ano passado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">5) Afinal, ter estatais \u00e9 bom ou ruim para a economia?<\/h2>\n<p>Entre as economias desenvolvidas h\u00e1 desde pa\u00edses em que as estatais t\u00eam um peso forte, como \u00e9 o caso da Noruega e de Cingapura, at\u00e9 aqueles em que elas s\u00e3o escassas, como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe um \u00fanico modelo de sucesso&#8221;, diz a professora da FGV Direito-SP Mariana Pargendler.<\/p>\n<p>Ela e o professor da Universidade de Columbia Curtis J. Milhaupt estudaram aqueles e outros cinco pa\u00edses para avaliar os desafios de gest\u00e3o de estatais de capital aberto em diferentes regi\u00f5es \u2013 como funcionam as leis \u00e0s quais elas est\u00e3o sujeitas, se est\u00e3o suscet\u00edveis a interfer\u00eancia pol\u00edtica e que import\u00e2ncia elas t\u00eam no contexto geral da economia local.<\/p>\n<p>No caso de Cingapura, a administra\u00e7\u00e3o do Partido da A\u00e7\u00e3o Popular criou, desde a independ\u00eancia do pa\u00eds da Mal\u00e1sia nos anos 1960, uma s\u00e9rie de &#8220;empresas ligadas ao governo&#8221; (<i>government linked companies<\/i>, GLC), nas quais tem participa\u00e7\u00e3o por meio de uma holding, a Temasek.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8863\/production\/_104751943_noruega.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8863\/production\/_104751943_noruega.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Plataforma de petr\u00f3leo pr\u00f3ximo a Olen, na Noruega\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Plataforma pr\u00f3ximo a Olen, na Noruega: parte do lucro do petr\u00f3leo do pa\u00eds foi destinado a um fundo social.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A holding controla hoje 23 das maiores empresas do pa\u00eds, com valor de mercado correspondente a 40% da capitaliza\u00e7\u00e3o do mercado de a\u00e7\u00f5es (ou seja, do valor de mercado das empresas de capital aberto) de Cingapura.<\/p>\n<p>Segundo Pargendler, o desenho regulat\u00f3rio que d\u00e1 uma orienta\u00e7\u00e3o comercial \u00e0s empresas e o fato de que entre o governo em si e as estatais h\u00e1 um intermedi\u00e1rio (a Temasek) reduzem a influ\u00eancia pol\u00edtica sobre as empresas p\u00fablicas a um m\u00ednimo.<\/p>\n<p>O modelo de Cingapura, destacado por organiza\u00e7\u00f5es como o Banco Mundial e a OCDE, h\u00e1 anos inspira pa\u00edses como a China.<\/p>\n<p>Na Noruega, ainda segundo o estudo, a estatiza\u00e7\u00e3o ganhou f\u00f4lego ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, em um cen\u00e1rio em que o mercado de capitais enfraquecido limitava a capacidade do setor privado de investir.<\/p>\n<p>Uma das maiores empresas do pa\u00eds \u00e9 a estatal de petr\u00f3leo, a Statoil, criada em 1972 depois da descoberta de um grande volume de reservas.<\/p>\n<p>Parte da renda arrecadada com a explora\u00e7\u00e3o da commodity \u00e9 encaminhada desde os anos 1990 a um fundo soberano destinado a financiar pol\u00edticas sociais e a servir de &#8220;colch\u00e3o&#8221; para a economia quando o petr\u00f3leo se esgotar.<\/p>\n<p>A pesquisadora pondera que n\u00e3o faltam exemplos de empresas p\u00fablicas demasiadamente suscet\u00edveis \u00e0 influ\u00eancia pol\u00edtica ou usadas pelo Estado como vacas leiteiras (&#8220;<i>cash cow<\/i>&#8220;, no jarg\u00e3o em ingl\u00eas) \u2013 ou seja, de onde s\u00f3 se tiram recursos at\u00e9 que eles se esgotem.<\/p>\n<p>O setor de \u00f3leo e g\u00e1s, ali\u00e1s, tem uma s\u00e9rie de casos pol\u00eamicos nesse sentido \u2013 como a petroleira da Col\u00f4mbia, a Ecopetrol, onde, segundo ela, a influ\u00eancia pol\u00edtica interfere negativamente na gest\u00e3o da empresa, e a pr\u00f3pria Petrobras, objeto de um dos maiores esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 uma vis\u00e3o manique\u00edsta colocar as estatais de um lado (como ineficientes) e as privadas de outro&#8221;, ressalva.<\/p>\n<p>Para que as privatiza\u00e7\u00f5es efetivamente funcionem, diz Castelar, do Ibre-FGV, o Estado precisa desenhar um bom modelo regulat\u00f3rio, estar &#8220;bem aparelhado para fiscalizar&#8221; e desenhar bons contratos, que condicionem a gest\u00e3o privada a fazer novos investimentos para que a desestatiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m gere eventuais benef\u00edcios sociais \u2013 no caso espec\u00edfico do saneamento, a universaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, j\u00e1 que metade dos brasileiros ainda n\u00e3o tem acesso a esgoto tratado.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso criar m\u00e9tricas para monitorar a qualidade do servi\u00e7o, ter boas ag\u00eancias reguladoras e competi\u00e7\u00e3o entre as empresas&#8221;, acrescenta Carrasco, da PUC-RJ.<\/p>\n<p>Penna, da UFRJ, pondera que a defesa das privatiza\u00e7\u00f5es &#8220;\u00e0s vezes se d\u00e1 sobre argumentos muito te\u00f3ricos&#8221;. &#8220;\u00c9 a ideia de que o Estado \u00e9 propenso \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 inefici\u00eancia, mas tudo isso tem que ser verificado caso a caso.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse sentido, ele pontua que, ap\u00f3s reestatizada, a empresa de saneamento de Paris voltou a dar lucro e reduziu os pre\u00e7os. J\u00e1 em Londres, onde o servi\u00e7o foi privatizado, um estudo da Universidade de Greenwich publicado em 2017 apontava que os contribuintes estavam pagando 2,3 bilh\u00f5es de libras a mais por ano.<\/p>\n<p>&#8220;Privatizar ou n\u00e3o \u00e9 um falso dilema. A quest\u00e3o \u00e9 como, \u00e9 definir o que \u00e9 estrat\u00e9gico, fazer uma an\u00e1lise de custo-benef\u00edcio nas empresas p\u00fablicas e, se elas forem ineficientes, tentar entender o porqu\u00ea&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camilla Veras Mota d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 08\/01\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem 138 empresas estatais federais. Se contabilizadas as companhias que pertencem a Estados e munic\u00edpios, e n\u00e3o apenas \u00e0 Uni\u00e3o, o total passa de 400, de acordo com levantamento feito pelo Observat\u00f3rio das Estatais, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). O n\u00famero j\u00e1 foi maior. 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