{"id":32859,"date":"2019-01-22T00:06:19","date_gmt":"2019-01-22T03:06:19","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=32859"},"modified":"2019-01-21T13:56:45","modified_gmt":"2019-01-21T16:56:45","slug":"fragatas-de-trindade-a-luta-para-salvar-ave-brasileira-que-nao-consegue-construir-ninhos-em-ilha-devastada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/01\/22\/fragatas-de-trindade-a-luta-para-salvar-ave-brasileira-que-nao-consegue-construir-ninhos-em-ilha-devastada\/","title":{"rendered":"Fragatas-de-trindade: a luta para salvar ave brasileira que n\u00e3o consegue construir ninhos em ilha devastada"},"content":{"rendered":"<p>Elas existem s\u00f3 ali. Na remota ilha de Trindade,a 1,3 mil km da costa do Esp\u00edrito Santo, as trinta \u00faltimas aves da esp\u00e9cie&nbsp;<i>Fregata trinitatis&nbsp;<\/i>procuram por \u00e1rvores para se reproduzir.<\/p>\n<p>Conhecidas como fragatas-de-trindade, essas aves marinhas s\u00e3o end\u00eamicas da ilha. Com apenas 30 indiv\u00edduos vivos vivendo na natureza, s\u00e3o consideradas criticamente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Habituada \u00e0 vida no mar, a fragata-de-trindade se alimenta de peixes e \u00e9 capaz de voar grandes dist\u00e2ncias sem pousar em terra firme. Mas ela n\u00e3o consegue se reproduzir sem \u00e1rvores para fazer seu ninho.<\/p>\n<p>Enquanto procuram um local ideal sob o sol, as aves s\u00e3o observadas pelos cientistas da UFES (Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade), que sabem que, infelizmente, elas n\u00e3o v\u00e3o encontrar \u00e1rvores por ali.<\/p>\n<p>A ilha n\u00e3o t\u00eam nenhum morador fixo, mas as paradas que os homens fizeram em Trindade h\u00e1 centenas de anos foram suficientes para acabar com a vegeta\u00e7\u00e3o do local.<\/p>\n<p>Ao longo dos s\u00e9culos, os navegadores que passaram por ali queimaram parte das \u00e1rvores e deixaram ratos, cabras e porcos &#8211; que n\u00e3o t\u00eam predadores naturais na regi\u00e3o e acabaram se multiplicando,comendo e destruindo o resto da vegeta\u00e7\u00e3o. A ilha tem 9,2 km\u00b2.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/690F\/production\/_105259862_praia_do_prncipe.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/690F\/production\/_105259862_praia_do_prncipe.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Praia do Pr\u00edncipe, na ilha de Trindade, cont\u00e9m pouca vegeta\u00e7\u00e3o\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cies invasoras introduzidas por humanos destru\u00edram a vegeta\u00e7\u00e3o das ilhas, como se v\u00ea na Praia do Pr\u00edncipe, na ilha de Trindade.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;ICMBIO<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o foi tanta, explica a analista ambiental Patr\u00edcia Serafini, do Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de Aves Silvestres, que at\u00e9 o solo se perdeu. Atualmente, a ilha abriga cerca de 130 esp\u00e9cies, entre plantas, peixes, aves, crust\u00e1ceos e r\u00e9pteis.<\/p>\n<p>Segundo ela, com a destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, as aves terrestres que existiam ali acabaram morrendo por n\u00e3o ter como se alimentar. As esp\u00e9cies terrestres que eram end\u00eamicas \u00e0 regi\u00e3o foram todas extintas.<\/p>\n<p>&#8220;As aves marinhas, que se alimentam de peixe, conseguiram sobreviver, mas a falta de \u00e1rvores amea\u00e7a sua reprodu\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Serafini.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisadores da UFES, do ICMBio e de outras oito institui\u00e7\u00f5es estuda como recompor a vegeta\u00e7\u00e3o da ilha, mas isso deve levar anos \u2013 se depender apenas disso, at\u00e9 a mata nativa estar recuperada, todas as fragatas j\u00e1 ter\u00e3o morrido sem conseguir produzir descendentes.<\/p>\n<p>Reproduzir os animais em cativeiro n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tem como mant\u00ea-las em laborat\u00f3rio, elas n\u00e3o sobrevivem e n\u00e3o conseguem se reproduzir em cativeiro&#8221;, explica Serafini.<\/p>\n<p>&#8220;Ou fazemos a fragata voltar a se reproduzir em seu ambiente natural ou a esp\u00e9cie vai entrar em extin\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ninhos artificiais<\/h2>\n<p>A \u00faltima esperan\u00e7a dos pesquisadores \u00e9 tentar estimular as fragatas a se reproduzirem com a cria\u00e7\u00e3o de postes que imitam \u00e1rvores e t\u00eam ninhos artificiais.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17EC1\/production\/_105258979_aveartificial_crditospatriciaserafini.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17EC1\/production\/_105258979_aveartificial_crditospatriciaserafini.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"R\u00e9plica de fragata-de-trindade que ser\u00e1 colocada no ninho\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">R\u00e9plica de fragata-de-trindade que ser\u00e1 colocada no ninho. Alguns dos ninhos ter\u00e3o tamb\u00e9m aves empalhadas para estimular as fragatas-de-trindade reais a us\u00e1-los.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;PATR\u00cdCIA SERAFINI<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O projeto, criado pela UFES e o pelo ICMBio com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza, desenvolveu ninhos especialmente adaptados para as fragatas-de-trindade. Alguns deles t\u00eam at\u00e9 r\u00e9plicas de aves e sons dos bichos se acasalando &#8211; a ideia \u00e9 estimular a reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os ninhos artificiais ter\u00e3o a base de metal e uma plataforma onde as aves podem pousar e trazer seus pr\u00f3prios gravetos. Ele tamb\u00e9m usar\u00e3o r\u00e9plicas &#8211; aves taxidermizadas &#8211; para tentar atra\u00ed-las.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 que as aves ou\u00e7am os sons, se sintam atra\u00eddas, cheguem perto para investigar o que est\u00e1 acontecendo e percebam que podem se reproduzir ali, at\u00e9 que tragam elas mesmas seus gravetinhos&#8221;, explica Serafini.<\/p>\n<p>Os pesquisadores testaram v\u00e1rios prot\u00f3tipos feitos de diferentes materiais at\u00e9 chegar no modelo final, que est\u00e1 sendo testado no Rio Grande do Sul antes de ser levado para Trindade.<\/p>\n<p>&#8220;Tivemos que encontrar uma estrutura capaz de sustentar uma plataforma e resistir aos fort\u00edssimos ventos da ilha&#8221;, afirma a ambientalista.<\/p>\n<p>Os bi\u00f3logos ainda n\u00e3o sabem se os ninhos cumprir\u00e3o sua fun\u00e7\u00e3o. Outras iniciativas do tipo j\u00e1 tiveram sucesso no mundo \u2013 a bi\u00f3loga Elizabeth Schreiber fez um trabalho bem sucedido com ninhos artificiais para outras esp\u00e9cies de fragata no Pac\u00edfico \u2013 mas o projeto em Trindade \u00e9 a primeira tentativa de fazer isso no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Precis\u00e1vamos de uma estrat\u00e9gia r\u00e1pida. Essa pode ser a \u00faltima chance dessa esp\u00e9cie&#8221;, diz Serafini.<\/p>\n<p>Outras esp\u00e9cies, como a noivinha, a fragrata-grande, o atob\u00e1-de-p\u00e9-vermelho e a petral-de-trindade tamb\u00e9m ser\u00e3o ajudadas pelo programa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Recuperar as ilhas<\/h2>\n<p>A ideia \u00e9 manter as esp\u00e9cies vivas enquanto ornit\u00f3logos, bot\u00e2nicos e outros cientistas trabalham na recupera\u00e7\u00e3o da flora local, com a transposi\u00e7\u00e3o de mudas para as ilhas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/55EB\/production\/_105259912_aaaaaaadsc_9730.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/55EB\/production\/_105259912_aaaaaaadsc_9730.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pesquisadores montam ninho artificial para teste\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pesquisadores montam ninho artificial para teste. Os ninhos artificiais est\u00e3o sendo testados no Rio Grande do Sul antes de serem levados para a ilha de Trindade.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;LEANDRO BUGONI<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo Serafini, as cobras foram retiradas da regi\u00e3o em 2005, mas outras esp\u00e9cies invasoras ainda s\u00e3o um desafio &#8211; os ratos, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso analisar o impacto que eles t\u00eam, pode ser que estejam comendo as sementes das plantas, por exemplo. Nesse caso ter\u00edamos que pensar em como erradic\u00e1-los, o que n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil&#8221;, diz a ambientalista.<\/p>\n<p>O processo \u00e9 lento. &#8220;\u00c9 preciso analisar o que tem que ser feito, onde a vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1 conseguindo se recompor. Depois \u00e9 preciso recompor o solo para que flora possa crescer.&#8221;<\/p>\n<p>Se tudo der certo, o trabalho com as aves vai ajudar nisso: as fezes dos animais no ch\u00e3o da ilha ajudam a adubar.<\/p>\n<p>&#8220;Queremos recriar um ciclo positivo, em que as aves ajudem a manter as mudas e as novas \u00e1rvores permitam que haja mais \u00e1rvores.&#8221;<\/p>\n<p>Para uma recupera\u00e7\u00e3o total, tamb\u00e9m \u00e9 preciso proteger a vida marinha de pesca ilegal ao redor das ilhas &#8211; o arquip\u00e9lago \u00e9 hoje uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, com a pesca proibida em ber\u00e7\u00e1rios de animais marinhos.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:&nbsp;<span class=\"byline__name\">Let\u00edcia Mori da<\/span><span class=\"byline__title\">&nbsp;BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 22\/01\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas existem s\u00f3 ali. Na remota ilha de Trindade,a 1,3 mil km da costa do Esp\u00edrito Santo, as trinta \u00faltimas aves da esp\u00e9cie&nbsp;Fregata trinitatis&nbsp;procuram por \u00e1rvores para se reproduzir. Conhecidas como fragatas-de-trindade, essas aves marinhas s\u00e3o end\u00eamicas da ilha. Com apenas 30 indiv\u00edduos vivos vivendo na natureza, s\u00e3o consideradas criticamente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Habituada \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":32860,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-32859","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/fragata.jpg?fit=624%2C351&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32859\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}