{"id":33163,"date":"2019-01-31T00:10:22","date_gmt":"2019-01-31T03:10:22","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=33163"},"modified":"2019-01-30T12:46:41","modified_gmt":"2019-01-30T15:46:41","slug":"tragedia-em-brumadinho-o-perigo-a-saude-que-vem-da-lama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/01\/31\/tragedia-em-brumadinho-o-perigo-a-saude-que-vem-da-lama\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia em Brumadinho: o perigo \u00e0 sa\u00fade que vem da lama"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">O perigo em&nbsp;Brumadinho&nbsp;n\u00e3o se limita ao poss\u00edvel rompimento de novas barragens na regi\u00e3o. A lama que arrastou parte da mina da Vale, constru\u00e7\u00f5es e estradas traz consigo riscos imediatos e futuros \u00e0 sa\u00fade para quem teve contato com o barro e tamb\u00e9m quem vive pr\u00f3ximo ao rio Paraopeba.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos ouvidos pela BBC News Brasil alertam para o risco de infec\u00e7\u00f5es, contamina\u00e7\u00f5es e, num futuro pr\u00f3ximo, at\u00e9 de c\u00e2ncer e doen\u00e7as autoimunes.<\/p>\n<p>&#8220;As doen\u00e7as infectocontagiosas ou parasit\u00e1rias podem surgir agora. Como \u00e9 barro, \u00e9 c\u00f3rrego, pode ter leptospirose, aumento da dengue e de febre amarela&#8221;, afirma o m\u00e9dico Marcelo Lopes Ribeiro, diretor assistencial da Fhemig (Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar do Estado de Minas Gerais).<\/p>\n<p>Ribeiro observa ainda que h\u00e1 subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e t\u00f3xicas no local, o que aumenta o risco de contamina\u00e7\u00f5es e intoxica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1B2F\/production\/_105395960_tv051972092.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1B2F\/production\/_105395960_tv051972092.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Lama em Brumadinho\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Bombeiros que atuam no resgate tomam rem\u00e9dio para minimizar riscos do contato com lama e sofrem com efeitos colaterais.&nbsp;Direito de imagemAFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O m\u00e9dico Luis Fernando Correia, comentarista da r\u00e1dio CBN e do canal de TV GloboNews, afirma que, al\u00e9m das doen\u00e7as a curto prazo, h\u00e1 o risco de exposi\u00e7\u00e3o a elementos qu\u00edmicos que podem ser altamente prejudiciais \u00e0 sa\u00fade a m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>&#8220;A qualidade da \u00e1gua dos rios e dos peixes precisam ser monitorados e a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o precisa ser acompanhada. Daqui a dez anos podem surgir casos de c\u00e2ncer e de doen\u00e7as autoimunes e podemos n\u00e3o associ\u00e1-las ao rompimento da barragem&#8221;, afirma Correia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Produtos qu\u00edmicos na lama<\/h2>\n<p>O m\u00e9dico cita um estudo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que identificou 13 elementos qu\u00edmicos, entre eles n\u00edquel, magn\u00e9sio e c\u00e1dmio, usados na minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do quadril\u00e1tero ferr\u00edfero em Minas.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o chamados elementos tra\u00e7o e mesmo em quantidade pequena podem ser prejudiciais. O problema \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel medir qual a concentra\u00e7\u00e3o a qual as pessoas foram expostas&#8221;, avalia Correia.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo Br\u00e1ulio Magalh\u00e3es Fonseca, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), diz que rejeito de minera\u00e7\u00e3o cont\u00e9m, basicamente, \u00f3xido de ferro, am\u00f4nia, muita s\u00edlica, silte e argila. Barragens muito antigas podem ter elementos altamente t\u00f3xicos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/84A7\/production\/_105395933_tv051972081.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/84A7\/production\/_105395933_tv051972081.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Resgate em Brumadinho\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A Vale est\u00e1 fazendo uma an\u00e1lise laboratorial do rejeito para saber se o material representa risco para a sa\u00fade.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Podem conter at\u00e9 merc\u00fario e ars\u00eanio&#8221;, afirma o professor.<\/p>\n<p>Somam-se a isso outras subst\u00e2ncias armazenadas nos galp\u00f5es da Vale e at\u00e9 mesmo as que estavam no caminho por onde a lama passou.<\/p>\n<p>&#8220;Os rejeitos que chegam aos rios da regi\u00e3o podem contaminar a fauna e a flora, eventualmente afetando a cadeia alimentar. Para os humanos os riscos s\u00e3o, principalmente, o consumo de peixes que tenham tido contato com os res\u00edduos e rejeitos acumulados no fundo dos rios. Os resultados poder\u00e3o ser percebidos somente daqui a d\u00e9cadas&#8221;, diz Luis Fernando Correia.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Marcelo Ribeiro conta que alguns dos seis sobreviventes da trag\u00e9dia atendidos no hospital Jo\u00e3o XXIII chegaram a engolir lama e apresentaram irrita\u00e7\u00e3o ocular. O servi\u00e7o de toxicologia do hospital pediu \u00e0 Vale, dona da mina, a lista de subst\u00e2ncias para tentar medicar os pacientes, mas que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha sido enviada.<\/p>\n<p>&#8220;Falaram que est\u00e1 em estudo&#8221;, diz Ribeiro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16B1F\/production\/_105395929_tv051973317.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16B1F\/production\/_105395929_tv051973317.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Lama em Brumadinho\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">M\u00e9dicos alertam para risco imediato de infec\u00e7\u00f5es, leishmaniose e dengue, al\u00e9m de risco futuro de c\u00e2ncer e doen\u00e7as autoimune.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A Vale est\u00e1 fazendo uma an\u00e1lise laboratorial do rejeito para saber se o material representa risco para a sa\u00fade. O laudo deve ficar pronto em at\u00e9 15 dias.<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira, o coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flavio Godinho, chegou a dizer que alguns bombeiros tiveram intoxica\u00e7\u00e3o por causa do contato com a lama em Brumadinho.<\/p>\n<p>Mas o Corpo de Bombeiros explicou que os militares est\u00e3o tomando medicamentos para minimizar os efeitos do contato com material org\u00e2nico.<\/p>\n<p>&#8220;Esses medicamentos podem ocasionar n\u00e1useas e diarreia. S\u00e3o efeitos colaterais&#8221;, explicou a corpora\u00e7\u00e3o, por meio da assessoria de imprensa.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Fernanda Odilla d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em Belo Horizonte &#8211; dispon\u00edvel na internet 31\/01\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O perigo em&nbsp;Brumadinho&nbsp;n\u00e3o se limita ao poss\u00edvel rompimento de novas barragens na regi\u00e3o. A lama que arrastou parte da mina da Vale, constru\u00e7\u00f5es e estradas traz consigo riscos imediatos e futuros \u00e0 sa\u00fade para quem teve contato com o barro e tamb\u00e9m quem vive pr\u00f3ximo ao rio Paraopeba. 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