{"id":33213,"date":"2019-02-01T00:04:16","date_gmt":"2019-02-01T03:04:16","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=33213"},"modified":"2019-01-31T19:59:52","modified_gmt":"2019-01-31T22:59:52","slug":"as-doencas-negligenciadas-pela-industria-farmaceutica-que-afetam-milhoes-de-pessoas-no-mundo-e-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/02\/01\/as-doencas-negligenciadas-pela-industria-farmaceutica-que-afetam-milhoes-de-pessoas-no-mundo-e-no-brasil\/","title":{"rendered":"As doen\u00e7as negligenciadas pela ind\u00fastria farmac\u00eautica que afetam milh\u00f5es de pessoas no mundo e no Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Cerca de um bilh\u00e3o de pessoas no mundo \u2013 um sexto de todos os humanos no planeta \u2013 s\u00e3o afetados pelas chamadas &#8220;doen\u00e7as negligenciadas&#8221;: enfermidades que a ind\u00fastria farmac\u00eautica n\u00e3o tem interesse em pesquisar, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>O motivo? &#8220;Elas est\u00e3o relacionadas \u00e0 pobreza, n\u00e3o t\u00eam muito interesse para o mercado porque n\u00e3o d\u00e3o um retorno lucrativo&#8221;, explica Sinval Brand\u00e3o, pesquisador da Fiocruz e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT).<\/p>\n<p>A OMS classifica 17 patologias como doen\u00e7as tropicais negligenciadas. Elas s\u00e3o diferentes uma da outra, mas t\u00eam em comum o fato de atingirem principalmente pessoas de baixa renda ou em condi\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, em lugares pobres e em pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Algumas das patologias s\u00e3o conhecidas h\u00e1 s\u00e9culos, explica Ethel Maciel, epidemiologista da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES).<\/p>\n<p>V\u00e1rias delas voc\u00ea j\u00e1 deve ter estudado na escola: ten\u00edase, lepra, doen\u00e7a de Chagas, esquistossomose, doen\u00e7a do sono, tracoma, oncocercose, filariose linf\u00e1tica, entre outras.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FE74\/production\/_105304156_gettyimages-1029243086.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FE74\/production\/_105304156_gettyimages-1029243086.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Bra\u00e7o de crian\u00e7a caindo de uma maca\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Dengue, doen\u00e7a de Chagas, leishmaniose, hansen\u00edase, mal\u00e1ria, esquistossomose e tuberculose s\u00e3o consideradas prioridades para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Para muitos que vivem em grandes centros urbanos no Primeiro Mundo, h\u00e1 a impress\u00e3o (err\u00f4nea) de que s\u00e3o doen\u00e7as do passado, que j\u00e1 foram erradicadas. Afinal, em extensas partes do mundo nas quais as condi\u00e7\u00f5es de vida e de higiene melhoraram, elas n\u00e3o s\u00e3o mais um problema.<\/p>\n<p>Mas elas continuam bem presentes, concentradas em regi\u00f5es pobres do mundo, em \u00e1reas rurais remotas, em favelas e \u00e1reas urbanas sem saneamento &#8211; inclusive (e em grande quantidade) no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil foi respons\u00e1vel por 70% das mortes no mundo por doen\u00e7a de Chagas em 2017; contribuiu com 93% dos novos casos de hansen\u00edase e 96% dos casos de leishmaniose visceral do continente, s\u00f3 para citar alguns exemplos&#8221;, diz Jardel Katz, gerente de pesquisa e desenvolvimento da DNDI (Iniciativa Medicamentos para Doen\u00e7as Negligenciadas).<\/p>\n<p>Se tanta gente \u00e9 afetada, por que n\u00e3o se fala mais dessas doen\u00e7as? Elas s\u00e3o silenciosas,&nbsp;<a class=\"story-body__link-external\" href=\"http:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/primeiro_relatorio_oms_doencas_tropicais.pdf\">diz a OMS<\/a>, &#8220;porque as pessoas afetadas ou em risco tem pouca voz pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes em que chamam a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 quando saem do circuito de baixa renda e locais pobres em que normalmente s\u00e3o end\u00eamicas e atingem a classe m\u00e9dia, bairros ricos&#8221;, diz Ethel Maciel. &#8220;\u00c9 o caso da dengue, por exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>Algumas entidades consideram um grupo maior de enfermidades na lista das negligenciadas. O projeto G-Finder cita 33 enfermidades em seu relat\u00f3rio anual sobre doen\u00e7as negligenciadas, incluindo tuberculose e mal\u00e1ria na lista. O projeto \u00e9 organizado pelo centro de estudos Policy Cures Research, dedicado a buscar formas de promover avan\u00e7os na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o mais pobre no mundo, e patrocinado pela funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14C94\/production\/_105304158_gettyimages-1068351500.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14C94\/production\/_105304158_gettyimages-1068351500.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Favela em pa\u00eds da am\u00e9rica latina\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">As doen\u00e7as negligenciadas se concentram em \u00e1reas pobres, como favelas urbanas e zonas rurais remotas.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo Jardel Katz, da DNDI, todas as 33 doen\u00e7as consideradas pelo G-Finder est\u00e3o presentes no Brasil, em maior ou menor medida dependendo da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade definiu em 2008 sete doen\u00e7as negligenciadas como prioridade no pa\u00eds, com base em dados sobre seu impacto no Brasil: dengue, doen\u00e7a de Chagas, leishmaniose, hansen\u00edase, mal\u00e1ria, esquistossomose e tuberculose.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, justamente em uma \u00e1rea t\u00e3o dependente de investimento p\u00fablico, o gasto governamental com pesquisa e desenvolvimento vem caindo. Segundo um relat\u00f3rio da G-Finder publicado recentemente, o governo fez um corte de 42% em verbas para pesquisa em doen\u00e7as negligenciadas entre 2016 e 2017.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Tratamento antigo<\/h2>\n<p>A falta de interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica faz com que essas doen\u00e7as tenham tratamentos muito antigos, com limita\u00e7\u00f5es, baixa efic\u00e1cia e rea\u00e7\u00f5es adversas, explica Jadel Katz.<\/p>\n<p>Um dos principais tratamentos para a leishmaniose, por exemplo, \u00e9 feito com uma subst\u00e2ncia chamada antimoniato, que mata o protozo\u00e1rio causador da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um tratamento que tem mais de cem anos e \u00e9 muito t\u00f3xico. A pessoa entra no tratamento e pode ter problema card\u00edaco, renal&#8221;, explica o epidemiologista Guilherme Werneck, doutor em sa\u00fade p\u00fablica por Harvard e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um outro rem\u00e9dio, a Anfotericina B lipossomal, mas que \u00e9 muito cara e tamb\u00e9m \u00e9 bastante t\u00f3xica&#8221;, diz Werneck.<\/p>\n<p>Ethel Maciel explica que a dificuldade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para tratamentos, mas tamb\u00e9m em preven\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>&#8220;No combate \u00e0 dengue, a forma de se combater o vetor (o mosquito transmissor do v\u00edrus) \u00e9 a mesma desde os anos 1980 na maior parte do pa\u00eds&#8221;, diz ela. No caso da dengue, hoje ainda n\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio espec\u00edfico e apenas uma vacina, que tem baixa efic\u00e1cia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Pesquisa e desenvolvimento<\/h2>\n<p>&#8220;Para essas doen\u00e7as \u00e9 o setor p\u00fablico quem financia mais pesquisas, e isso gera descobertas importantes. Mas para quest\u00f5es de inova\u00e7\u00e3o e tratamento, a parceria com a iniciativa privada \u00e9 essencial&#8221;, diz Werneck.<\/p>\n<p>Isso porque, explica Jadel Katz, quando se fala de avan\u00e7os na \u00e1rea da sa\u00fade em geral, normalmente as universidades e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas fazem a maior parte das chamadas pesquisas em ci\u00eancia b\u00e1sica (estudando os agentes causadores e como combat\u00ea-los).<\/p>\n<p>O estudo sobre a cria\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios propriamente ditos acaba ficando com a iniciativa privada, que tem mais dinheiro e estrutura &#8211; al\u00e9m do interesse econ\u00f4mico nisso. &#8220;Eles cuidam mais dessa etapa onde h\u00e1 as quest\u00f5es regulat\u00f3rias, os testes cl\u00ednicos, que exigem participa\u00e7\u00e3o de pacientes, dinheiro&#8221;, diz Katz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma terceira etapa, de fabrica\u00e7\u00e3o, que exige infraestrutura de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso das doen\u00e7as negligenciadas, no entanto, praticamente toda a pesquisa e desenvolvimento \u00e9 feita pelo setor p\u00fablico ou por institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, principalmente estrangeiras.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6234\/production\/_105304152_gettyimages-157530061.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6234\/production\/_105304152_gettyimages-157530061.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Perna de pessoa afetada por hansen\u00edase\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A hansen\u00edase \u00e9 uma das doen\u00e7as que atingem milhares de pessoas mas s\u00e3o negligenciadas pela ind\u00fastria de rem\u00e9dios.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;\u00c9 uma \u00e1rea extremamente dependente de investimento p\u00fablico&#8221;, explica Sinval Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas mesmo que o setor p\u00fablico e a academia invistam em pesquisa, o avan\u00e7o \u00e9 muito mais dif\u00edcil sem a infraestrutura da ind\u00fastria, principalmente na cria\u00e7\u00e3o de tratamentos e na fabrica\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>No Brasil, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como o laborat\u00f3rio de rem\u00e9dios Farmanguinhos, da Fiocruz, fazem esse trabalho, mas elas ainda s\u00e3o poucas e n\u00e3o conseguem ter um n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel ao da iniciativa privada.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 um business puro, \u00e9 preciso ter alternativas de desenvolvimento&#8221;, diz Katz. &#8220;Trazer parceiros para conversar, tanto na esfera governamental e de ci\u00eancia b\u00e1sica, quanto pensando em ter um parceiro industrial. \u00c9 preciso ter diferentes parceiros, que dominam diferentes est\u00e1gios de produ\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Queda no investimento<\/h2>\n<p>No Brasil, h\u00e1 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com a queda de investimentos do governo nessas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da G-Finder sobre investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) em doen\u00e7as negligenciadas, o investimento no Brasil caiu muito nos \u00faltimos anos &#8211; apesar de ter crescido no mundo, onde atingiu seu maior patamar em 2017.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, publicada na semana passada, o total de investimento na \u00e1rea no Brasil foi de R$ 29 milh\u00f5es em 2017, 42% a menos do que em 2016, o que tirou o Brasil da lista de doze maiores financiadores globais.<\/p>\n<p>&#8220;Sentimos diretamente essa redu\u00e7\u00e3o nos cortes or\u00e7ament\u00e1rios&#8221;, afirma Sinval Brand\u00e3o, da SBMT. &#8220;A redu\u00e7\u00e3o de investimento, que j\u00e1 se vinha sentindo nos \u00faltimos anos, em 2017 e 2018 foi muito maior, interrompendo projetos e fechando laborat\u00f3rios.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, entre 2016 e 2017 a diminui\u00e7\u00e3o no financiamento p\u00fablico foi resultado do teto de gastos estabelecido pelo governo, que causou cortes de duas ag\u00eancias financiadoras: o Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), que teve uma redu\u00e7\u00e3o de R$ 15 milh\u00f5es no investimento; e a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), que cortou R$ 14 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Essa redu\u00e7\u00e3o geral \u00e9 extremamente significativa em uma \u00e1rea que tem t\u00e3o pouco interesse do setor privado&#8221;, afirma Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso afetou praticamente todas as patologias negligenciadas consideradas priorit\u00e1rias pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Brasil.<\/p>\n<p>O investimento em pesquisas sobre mal\u00e1ria caiu 15%. Para leishmaniose, a redu\u00e7\u00e3o de verbas foi de 63%. Para tuberculose, o corte foi de 45%.<\/p>\n<p>Para doen\u00e7a de Chagas &#8211; problema para o qual o Brasil foi, durante cinco anos, o segundo maior financiador de pesquisas &#8211; o corte foi de 74%.<\/p>\n<p>S\u00f3 duas doen\u00e7as tiveram aumento no investimento. Uma delas foi a dengue, que cresceu 41%.<\/p>\n<p>A outra foi a esquistossomose, que teve um aumento consider\u00e1vel, de R$ 500 mil em 2016 para R$ 2,8 milh\u00f5es em 2017 &#8211; aumento de 460%. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, cerca de 1,5 milh\u00f5es de pessoas viverem em \u00e1reas sob risco de contrair a doen\u00e7a.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O que diz o governo<\/h2>\n<p>Quando aprovou o teto de gastos, em 2016, o governo disse reiteradamente que o limite no or\u00e7amento n\u00e3o afetaria as \u00e1reas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u2013 v\u00e1rios defensores da medida fizeram essa afirma\u00e7\u00e3o, incluindo os ministros Henrique Meirelles (que estava no Minist\u00e9rio da Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento).<\/p>\n<p>Questionado pela BBC News Brasil, o Minist\u00e9rio do Planejamento afirmou que quem deveria se pronunciar sobre o assunto \u00e9 o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. &#8220;O dinheiro sai do or\u00e7amento para o \u00f3rg\u00e3o. Ele \u00e9 que decide onde e como gastar&#8221;, disse a pasta, em nota.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6B30\/production\/_105304472_gettyimages-162681545.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6B30\/production\/_105304472_gettyimages-162681545.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Idoso deitado na cama em ambiente insal\u00fabre\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">S\u00e3o doen\u00e7as que t\u00eam a transmiss\u00e3o facilitada por condi\u00e7\u00f5es ambientais, como umidade.&nbsp;Direito de imagem&nbsp;GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>J\u00e1 o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade diz que seu Departamento de Ci\u00eancia e Tecnologia (Decit) n\u00e3o fez cortes em doen\u00e7as negligenciadas e que mant\u00e9m pesquisas por meios de parcerias com \u00f3rg\u00e3os governamentais como CNPq e Finep, mas que n\u00e3o responde por cortes feitos por ag\u00eancias financiadoras.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio tamb\u00e9m afirma que o Brasil tem &#8220;alta carga de doen\u00e7as n\u00e3o-transmiss\u00edveis, al\u00e9m das doen\u00e7as transmiss\u00edveis e negligenciadas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Isto faz com que os recursos para pesquisa sejam destinados para diversas frentes de conhecimento. Em rela\u00e7\u00e3o especificamente \u00e0s doen\u00e7as negligenciadas, podem ocorrer destina\u00e7\u00f5es de recursos maiores ou menores para determinadas doen\u00e7as a partir de necessidades espec\u00edficas. Por exemplo, em 2016 e 2017, com a emerg\u00eancia em Zika, houve investimento maior em pesquisas relacionadas ao mosquito&nbsp;<i>Aedes aegypti<\/i>.&#8221;<\/p>\n<p>A pasta destaca dados do relat\u00f3rio G-Finder que apontam o Decit como com um dos maiores financiadores de pesquisas relacionadas a controle vetorial do mosquito em 2017. Diz ainda que outras \u00e1reas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e do Governo Federal &#8220;financiam pesquisas e n\u00e3o est\u00e3o contemplados no relat\u00f3rio&#8221;, mas n\u00e3o especificou quais, para quais doen\u00e7as e nem quanto foi investido.<\/p>\n<p>No entanto, o minist\u00e9rio destacou uma lista de a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0s doen\u00e7as neglig\u00eanciadas que n\u00e3o envolvem pesquisa e desenvolvimento (e por isso n\u00e3o est\u00e3o no relat\u00f3rio G-Finder), como &#8220;repasses extras anuais superiores a R$ 10 milh\u00f5es para intensifica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de controle da mal\u00e1ria nos Estados com maior registro de casos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto a hansen\u00edase, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade realiza anualmente campanha para alertar a popula\u00e7\u00e3o sobre sinais da doen\u00e7as, estimular a procura pelos servi\u00e7os de sa\u00fade e mobilizar profissionais de sa\u00fade na busca ativa de casos, favorecendo assim o diagn\u00f3stico precoce, o tratamento oportuno e a preven\u00e7\u00e3o das incapacidades&#8221;, diz a pasta, em nota.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m destacou o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Sa\u00fade P\u00fablica, lan\u00e7ado no ano passado, e a &#8220;atua\u00e7\u00e3o em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de sa\u00fade no controle das leishmanioses&#8221;, al\u00e9m do diagn\u00f3stico e tratamento gratuito oferecido no SUS para as doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Let\u00edcia Mori d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 01\/02\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de um bilh\u00e3o de pessoas no mundo \u2013 um sexto de todos os humanos no planeta \u2013 s\u00e3o afetados pelas chamadas &#8220;doen\u00e7as negligenciadas&#8221;: enfermidades que a ind\u00fastria farmac\u00eautica n\u00e3o tem interesse em pesquisar, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). O motivo? &#8220;Elas est\u00e3o relacionadas \u00e0 pobreza, n\u00e3o t\u00eam muito interesse para o mercado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":33216,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-33213","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/doen%C3%A7AS.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33213\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}