{"id":33891,"date":"2019-02-22T02:46:47","date_gmt":"2019-02-22T05:46:47","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=33891"},"modified":"2019-02-22T04:52:03","modified_gmt":"2019-02-22T07:52:03","slug":"bndes-e-integro-nao-funcionou-como-a-petrobras-luciano-coutinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/02\/22\/bndes-e-integro-nao-funcionou-como-a-petrobras-luciano-coutinho\/","title":{"rendered":"&#8220;BNDES \u00e9 \u00edntegro, n\u00e3o funcionou como a Petrobras&#8221;. Luciano Coutinho"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Presidente mais longevo do banco de desenvolvimento, Luciano Coutinho fala pela primeira vez sobre cr\u00edticas a seus quase dez anos de gest\u00e3o, como as de que haveria favorecimento pol\u00edtico e falta de transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>O ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho deu poucas entrevistas \u00e0 imprensa ap\u00f3s deixar a presid\u00eancia do banco de desenvolvimento. O legado da sua gest\u00e3o, a mais longeva da hist\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o&nbsp;(2007 a 2016), foi um dos temas em debate na campanha eleitoral de 2018. Nos dias que antecederam o segundo turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial, o BNDES foi o principal tema de conversa em centenas de grupos acompanhados pelo projeto &#8220;Monitor do Whatsapp&#8221;.<\/p>\n<p>Nesta entrevista \u00e0 DW, Coutinho fala pela primeira vez sobre as cr\u00edticas \u00e0 sua administra\u00e7\u00e3o, durante os governos Lula e Dilma. O economista defende a chamada pol\u00edtica das campe\u00e3s nacionais e recha\u00e7a a ideia de favorecimento pol\u00edtico. Tais suspeitas o levaram a sofrer uma condu\u00e7\u00e3o coercitiva em 2017 e, um ano depois, a enfrentar um indiciamento pela Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Coutinho tamb\u00e9m comentou as acusa\u00e7\u00f5es de falta de transpar\u00eancia do BNDES, exploradas pelo grupo pol\u00edtico do presidente Jair Bolsonaro.&nbsp;&#8220;Existem duas<em>&nbsp;fake news<\/em>. A primeira, que o BNDES era uma caixa-preta. A segunda, essa estrat\u00e9gia de arrombar uma porta aberta, mostrar coisas que j\u00e1 eram acess\u00edveis a qualquer cidad\u00e3o. Isso faz parte meramente de um marketing meio raso, que tem como objetivo, \u00e0s vezes, desviar a aten\u00e7\u00e3o de outros temas mais relevantes para o pa\u00eds.&#8221;<span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<div class=\"picBox full\">\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/47580864_303.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ex-Chef Brasiliens Development Bank BNDES Luciano Coutinho (Marcelo Camargo\/Abr)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/47580864_303.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ex-Chef Brasiliens Development Bank BNDES Luciano Coutinho (Marcelo Camargo\/Abr)\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ex BNDES Luciano Coutinho (Marcelo Camargo\/Abr)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p><strong>DW: O que justifica, sob sua gest\u00e3o, uma concentra\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande de aportes do BNDES a um grupo seleto de empresas, a chamada pol\u00edtica de campe\u00e3s nacionais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luciano Coutinho:<\/strong>&nbsp;Essa cr\u00edtica omite todos os casos de sucesso de internacionaliza\u00e7\u00e3o de empresas. N\u00e3o houve sele\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria. N\u00f3s demos oportunidade \u00e0s empresas que se apresentaram para o programa de internacionaliza\u00e7\u00e3o. Elas chegaram ao BNDES por si s\u00f3 ou foram trazidas por grandes bancos de investimento. Quem trouxe para a JBS as oportunidades de aquisi\u00e7\u00e3o de empresas nos EUA foi o J.P. Morgan. A ideia era que o Brasil pudesse dar o passo de internacionalizar empresas em setores nos quais tinha competitividade comercial clara. Por exemplo, por ser um grande exportador, como na \u00e1rea de celulose, prote\u00edna animal e outras \u00e1reas do agroneg\u00f3cio, al\u00e9m da ind\u00fastria. V\u00e1rios setores receberam apoio. Bem ou mal, temos a oitava empresa de software, que \u00e9 a TOTVS, para sistemas de gest\u00e3o empresarial. Temos hoje empresas de escala internacional nos setores de celulose, c\u00edtricos, cimento, siderurgia, petroqu\u00edmica. H\u00e1 algumas tamb\u00e9m na \u00e1rea de bens de consumo que se internacionalizaram com sucesso.<\/p>\n<p>Antes, t\u00ednhamos um n\u00famero muito restrito de empresas internacionais. Basicamente, Petrobras, Vale e Embraer, todas produto de pol\u00edticas de Estado. Al\u00e9m dessas, havia dois grupos privados, como a Gerdau, que se internacionalizou por m\u00e9rito pr\u00f3prio, apesar de sempre ter tido apoio do BNDES em per\u00edodos anteriores \u00e0 minha gest\u00e3o. Havia tamb\u00e9m o grupo Ambev, que o fez via financiamentos junto ao mercado. Parava por a\u00ed. Era um n\u00famero pequeno de empresas com proje\u00e7\u00e3o internacional, inclusive quando comparado a economias menos desenvolvidas, como algumas da \u00c1sia. O mesmo vale para a compara\u00e7\u00e3o com n\u00fameros do passado de economias como a da China e Coreia do Sul, que se desenvolveram desde os anos 1970 e 1980 multiplicando o n\u00famero de empresas com porte internacional. Os pr\u00f3prios bancos de desenvolvimento e bra\u00e7os de investimentos europeus sempre apoiaram e continuam a apoiar as empresas de capital nacional europeias. Nos anos 1950 e 1960, incentivaram a cria\u00e7\u00e3o de empresas transeuropeias para resistir \u00e0 entrada avassaladora das multinacionais americanas no continente<\/p>\n<p><strong>Os cr\u00edticos acusam sua gest\u00e3o de favorecimento pol\u00edtico.<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 um falseamento grosseiro. Nosso projeto tinha uma abrang\u00eancia limitada porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transformar uma empresa incompetente, n\u00e3o competitiva, num campe\u00e3o. O que se buscou foi realmente apoiar empresas que mostrassem capacidade competitiva. O apoio a esse processo de expans\u00e3o foi apoiado principalmente pela BNDESPar (subsidi\u00e1ria) por meio de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, e n\u00e3o atrav\u00e9s de empr\u00e9stimos. Al\u00e9m disso, os recursos do BNDESPar sempre foram aplicados a custos de mercado e nunca vieram do Tesouro Nacional. A BNDESPAR \u00e9 detentora de uma carteira de a\u00e7\u00f5es bastante rent\u00e1vel, que o banco faz girar, vendendo a\u00e7\u00f5es para comprar e investir em empresas com o potencial de competir e inovar, o que gerou dividendos muito expressivos. Essa rota\u00e7\u00e3o de ativos foi feita a custo de mercado, sem nunca haver um centavo de subs\u00eddio. Afirmar o contr\u00e1rio \u00e9 desonesto.<\/p>\n<p><strong>O que o senhor tem a dizer sobre a acusa\u00e7\u00e3o de que o BNDES \u00e9 uma &#8220;caixa-preta&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>O BNDES \u00e9 o banco mais transparente do Brasil e tamb\u00e9m entre os pares de bancos de desenvolvimento. N\u00f3s j\u00e1 v\u00ednhamos aperfei\u00e7oando o processo de transpar\u00eancia e esse processo continua at\u00e9 o presente. A lista dos 50 maiores tomadores de empr\u00e9stimo j\u00e1 era conhecida. Existem duas&nbsp;<em>fake news<\/em>. Primeiro, que o BNDES era uma caixa-preta. Segunda, essa estrat\u00e9gia de arrombar uma porta aberta, mostrar coisas que j\u00e1 eram acess\u00edveis a qualquer cidad\u00e3o. Isso faz parte meramente de um marketing meio raso, que tem como objetivo, \u00e0s vezes, desviar a aten\u00e7\u00e3o de outros temas mais relevantes para o pa\u00eds. A imprensa s\u00e9ria sabe que o trabalho de transpar\u00eancia do BNDES j\u00e1 vinha sendo feito h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Desde que ficou evidente o envolvimento de empreiteiras em il\u00edcitos, o banco, ainda na minha gest\u00e3o, suspendeu as opera\u00e7\u00f5es com essas empresas at\u00e9 que os processos de regulariza\u00e7\u00e3o de leni\u00eancia se concretizassem. Fico muito aborrecido quando vejo pessoas mal informadas relacionando o banco a redes de corrup\u00e7\u00e3o. As auditorias feitas pelos presidentes que me sucederam n\u00e3o revelam nenhuma participa\u00e7\u00e3o de executivos e funcion\u00e1rios do banco em corrup\u00e7\u00e3o. Todas as empreiteiras fizeram dela\u00e7\u00e3o premiada. Nenhuma delas apontou qualquer linha de envolvimento do BNDES em corrup\u00e7\u00e3o. Acho que h\u00e1 um oportunismo ideol\u00f3gico, que fantasia a hip\u00f3tese de o BNDES ter funcionado como a Petrobras. N\u00e3o \u00e9 verdadeiro. O BNDES \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o \u00edntegra, com governan\u00e7a e processos colegiados de decis\u00e3o. Isso previne o envolvimento da institui\u00e7\u00e3o pr\u00e1ticas ilegais. As sucessivas auditorias t\u00eam mostrado isso.<\/p>\n<p><strong>Os cr\u00edticos da sua gest\u00e3o no BNDES apontam preju\u00edzos ao Tesouro por subs\u00eddios dados ao banco. Qual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o do&nbsp;<em>spread&nbsp;<\/em>negativo do Tesouro, que captava juros pela taxa Selic e nos emprestava pela TJLP (taxa de juros de longo prazo, mais baixas), foi uma medida que entend\u00edamos como transit\u00f3ria. Era inconveniente, sem d\u00favidas. Mas uma avalia\u00e7\u00e3o equilibrada deve considerar os ganhos obtidos com os empr\u00e9stimos do BNDES para custear investimentos. N\u00e3o s\u00f3 em infraestrutura, mas em outros setores importantes da economia. Al\u00e9m disso, h\u00e1 v\u00e1rios estudos mostrando que o retorno do multiplicador de renda e emprego a partir de investimentos adicionais na economia produziram mais receita tribut\u00e1ria para o governo em v\u00e1rios n\u00edveis. Portanto, de um lado da balan\u00e7a, deve-se colocar a conta dos subs\u00eddios &#8211; diferen\u00e7a entre TJLP e Selic multiplicada pelo volume de aportes ao BNDES &#8211; e, do outro, um conjunto de contribui\u00e7\u00f5es importantes. A\u00ed entram os dividendos pagos pelo banco ao Tesouro, os impostos que pagamos diretamente \u00e0 Uni\u00e3o e os que as empresas pagam em consequ\u00eancia dos investimentos alavancados pelos empr\u00e9stimos que concedemos, fora o impacto econ\u00f4mico indireto dos investimentos realizados por terceiros.<\/p>\n<p><strong>Qual seria esse impacto?<\/strong><\/p>\n<p>Nele est\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o de renda e a gera\u00e7\u00e3o de empregos formais, o que contribuiu para o Tesouro tanto via receitas tribut\u00e1rias quanto previdenci\u00e1rias. Feita a conta completa, mostramos em v\u00e1rios momentos que o resultado era positivo. Ou, no m\u00ednimo, a depender da diferen\u00e7a entre Selic e TJLP, uma fra\u00e7\u00e3o muit\u00edssimo menor do que a apresentada pelos cr\u00edticos.<\/p>\n<p><strong>A opera\u00e7\u00e3o com as taxas era um obst\u00e1culo necess\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, essa quest\u00e3o era um retrato de uma incompletude do sistema de cr\u00e9dito brasileiro, sempre muito enviesado para o curto prazo. O funding (financiamento) dos pr\u00f3prios bancos privados sempre foi de horizonte muito curto, e a \u00fanica entidade capacitada a prover financiamentos de longo prazo, apoiar projetos de infraestrutura no pa\u00eds, ainda \u00e9 o BNDES. A pr\u00f3pria Selic \u00e9 outra deforma\u00e7\u00e3o do nosso sistema. Durante quase 30 anos, o Brasil foi campe\u00e3o de juros de curto prazo. Poucos pa\u00edses mantiveram uma taxa de juros t\u00e3o alta quanto a nossa. Ante essa profunda deforma\u00e7\u00e3o, infelizmente, nossa forma de financiar tamb\u00e9m era imperfeita. Mas, insisto, deve ser analisada dentro do contexto do mercado de cr\u00e9dito brasileiro. \u00c9 muito f\u00e1cil para os cr\u00edticos esquec\u00ea-lo, considerando s\u00f3 o lado do custo. Fazem isso ideologicamente motivados pelo liberalismo exacerbado, que distorce os fatos para defender a tese da extin\u00e7\u00e3o do BNDES ou diminuir a sua relev\u00e2ncia como banco de desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Ao assumir o BNDES, Joaquim Levy disse que um dos focos de sua gest\u00e3o seria neg\u00f3cios ligados \u00e0 infraestrutura, mas tudo orientado pelo mercado de capitais e parcerias com o setor privado, inclusive bancos. Como o senhor v\u00ea essa estrat\u00e9gia?<\/strong><\/p>\n<p>A prioridade \u00e0 infraestrutura \u00e9 um consenso. Este pa\u00eds subinveste em infraestrutura. A taxa atual \u00e9 inferior a 1,5% do PIB, quando dever\u00edamos investir entre 4,5% e 5%. Ent\u00e3o, anualmente, teria de haver investimentos adicionais da ordem de 3,5% da renda nacional s\u00f3 em infraestrutura, o que, a pre\u00e7os de hoje, representa cerca de 250 bilh\u00f5es de reais. Supondo que, desses 250 bilh\u00f5es, 30% venha do setor privado, por lucros retidos, restariam, ainda 175 bilh\u00f5es a mais a financiar, al\u00e9m do que se faz hoje. A \u00fanica institui\u00e7\u00e3o capaz de alavancar esse volume \u00e9 o BNDES.<\/p>\n<p><strong>Alguns economistas dizem que o mercado de deb\u00eantures oferecer\u00e1 isso.<\/strong><\/p>\n<p>Ora, o mercado de deb\u00eantures de longo prazo conseguiu emitir 10 bilh\u00f5es de reais em 2017. No ano passado, alcan\u00e7ou algo pr\u00f3ximo a 25 bilh\u00f5es de reais. O potencial do mercado de deb\u00eantures fica muito aqu\u00e9m da necessidade de financiamento do pa\u00eds. Salvo se as deb\u00eantures vierem receber vantagens fiscais expressivas. Em uma hip\u00f3tese bastante otimista, de que as debentures possam suprir a metade do que precisamos (87,5 bilh\u00f5es anuais), o que \u00e9 pouco veross\u00edmil para o mercado de capitais brasileiro nas condi\u00e7\u00f5es atuais, o BNDES ainda teria de entrar com a outra metade. Isso significaria superar o per\u00edodo de auge do banco, em que chegou a financiar em infraestrutura cerca de 70 bilh\u00f5es de reais anuais. E falo s\u00f3 de infraestrutura. Se considerarmos ind\u00fastrias intensivas em capital, como siderurgia, petroqu\u00edmica e outras, as necessidades de financiamento de longo prazo s\u00e3o ainda maiores. Portanto, a tese de que os mercados ser\u00e3o capazes de suprir todo o financiamento de longo prazo no Brasil \u00e9 duvidosa.<\/p>\n<p><strong>Outros focos da nova gest\u00e3o ser\u00e3o o apoio a empresas de m\u00e9dio porte e prioridade a&nbsp;neg\u00f3cios ligados \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e responsabilidade ambiental. O que o senhor pensa a esse respeito?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o prioridades corretas. Mas lembro o seguinte: os empr\u00e9stimos atuais para micro e pequenas empresas ca\u00edram a menos de 30% do volume que n\u00f3s oper\u00e1vamos em nosso per\u00edodo (2007-2016). O que est\u00e3o fazendo hoje \u00e9 uma fra\u00e7\u00e3o muito pequena do que n\u00f3s j\u00e1 fizemos. Sobre a inova\u00e7\u00e3o, n\u00f3s chegamos a operar, entre 2013 e 2015, n\u00edveis de aprova\u00e7\u00e3o e desembolso para a inova\u00e7\u00e3o em torno de 7 bilh\u00f5es de reais por ano. Isso caiu para 1,5 bilh\u00e3o. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que o BNDES deve apoiar a inova\u00e7\u00e3o, pois envolve riscos mais altos, que o setor privado n\u00e3o quer assumir. E n\u00f3s o fizemos.<\/p>\n<p>Quanto ao financiamento \u00e0 pequena empresa, sem d\u00favidas, \u00e9 um desafio. Em nossa gest\u00e3o, desenvolvemos ferramentas que foram muito exitosas, principalmente o Cart\u00e3o BNDES, que chegou a desembolsar cerca de 10 bilh\u00f5es de reais por ano, em valores n\u00e3o corrigidos. Eram financiamentos m\u00e9dios, de 14 mil reais, para pequenas empresas como padarias, sal\u00f5es de beleza, lanchonetes. Tivemos a emiss\u00e3o de mais de 2 milh\u00f5es de cart\u00f5es. Embora o BNDES tenha sido criado para ser um banco de atacado, voltado a grandes projetos, conseguimos desenvolver uma ferramenta muito eficaz para a pequena empresa. \u00c9 uma agenda que tem todo o m\u00e9rito. Sei que est\u00e3o sendo desenvolvidas novas ferramentas digitais para ampliar o apoio \u00e0s PME. Mas, dado o porte dessas empresas, ainda que multiplic\u00e1ssemos o cr\u00e9dito a elas, por meio dessas novas ferramentas, continuaria a ser de pequena escala quando se compara com a infraestrutura.<\/p>\n<p>J\u00e1 no meio ambiente, conseguimos subir a escala dos financiamentos ambientais. As infraestruturas foram se tornando mais &#8220;green&#8221;, como no caso das energias renov\u00e1veis e do transporte de massa urbano sobre trilhos, que n\u00e3o emitem CO2. At\u00e9 mesmo os corredores urbanos de \u00f4nibus tiram milhares de ve\u00edculos individuais da rua, embora a ideia original fosse desenvolver uma ind\u00fastria de \u00f4nibus el\u00e9tricos. Ent\u00e3o, esses investimentos em transporte coletivo e toda a cadeia de energia e\u00f3lica que surgiu no Brasil, por exemplo, s\u00f3 aconteceram gra\u00e7as ao suporte do BNDES. Chegamos a desembolsar 25 bilh\u00f5es de reais com meio ambiente. Estas miss\u00f5es s\u00e3o nobres e relevantes, mas de escala moderada. As necessidades brasileiras de financiamento em infraestrutura, energia e outros setores importantes n\u00e3o encontram cr\u00e9dito de longo prazo no sistema financeiro privado. Ent\u00e3o, reduzir ainda mais o tamanho e papel do BNDES, parte do projeto de liberalismo extremado \u00e9 desservi\u00e7o ao desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Na opera\u00e7\u00e3o Bullish, da Pol\u00edcia Federal, \u00e9 dito que o senhor seria respons\u00e1vel por crimes contra o sistema financeiro e a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nos empr\u00e9stimos nos empr\u00e9stimos do BNDES \u00e0 JBS. J\u00e1 na Opera\u00e7\u00e3o Acr\u00f4nimo, aponta-se que teria inviabilizado financiamento para a fus\u00e3o dos grupos P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e Carrefour. O que tem a dizer sobre esses processos?<\/strong><\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do relat\u00f3rio da Policia Federal s\u00e3o improcedentes, sem fundamentos.&nbsp;Somente aqueles que ignoram a estrutura organizacional e decis\u00f3ria do BNDES poderiam supor que \u00e9 poss\u00edvel interfer\u00eancia pessoal no processo de aprova\u00e7\u00e3o de linhas de financiamento ou participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria da institui\u00e7\u00e3o. Todas as decis\u00f5es tomadas pelo BNDES s\u00e3o colegiadas. Todas as decis\u00f5es tomadas pelo BNDES s\u00e3o colegiadas. Elas resultam de avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que envolvem diversas \u00e1reas do banco, assegurando integridade \u00e0s delibera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Reitero o rigor de minha conduta e impessoalidade frente \u00e0 condu\u00e7\u00e3o do banco, sempre pautada pela ades\u00e3o ao interesse p\u00fablico, lisura e respeito \u00e0 lei. Al\u00e9m de prestar contas regularmente aos \u00f3rg\u00e3os de controle e a comiss\u00f5es do Congresso Nacional, o BNDES foi submetido nos \u00faltimos anos a v\u00e1rios escrut\u00ednios, entre eles duas Comiss\u00f5es Parlamentares de Inqu\u00e9rito (CPIs) e Comiss\u00f5es de Apura\u00e7\u00e3o Interna (CAI), essas \u00faltimas realizadas ap\u00f3s a minha gest\u00e3o. Esses processos de escrut\u00ednio, em especial a CAI relativa \u00e0s opera\u00e7\u00f5es com o grupo JBS\/J&amp;F \u2013 que concluiu seus trabalhos em junho passado \u2013 n\u00e3o identificou quaisquer ind\u00edcios de il\u00edcitos. Da mesma forma, a auditoria externa, ainda em curso, realizada por empresa internacional independente, n\u00e3o encontrou, at\u00e9 o momento, nenhuma evid\u00eancia de irregularidades ou vantagens indevidas ao grupo J&amp;F.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 opera\u00e7\u00e3o Acr\u00f4nimo, esta n\u00e3o prosperou. Diante das conclus\u00f5es de comiss\u00e3o de apura\u00e7\u00e3o interna, que isentou taxativamente funcion\u00e1rios do banco e minha pessoa de quaisquer irregularidades, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, em decis\u00e3o de janeiro \u00faltimo, n\u00e3o acatou as conclus\u00f5es do relat\u00f3rio da Pol\u00edcia Federal e devolveu o mesmo \u00e0 PF.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 22\/02\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente mais longevo do banco de desenvolvimento, Luciano Coutinho fala pela primeira vez sobre cr\u00edticas a seus quase dez anos de gest\u00e3o, como as de que haveria favorecimento pol\u00edtico e falta de transpar\u00eancia. O ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho deu poucas entrevistas \u00e0 imprensa ap\u00f3s deixar a presid\u00eancia do banco de desenvolvimento. O legado da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":29229,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-33891","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/charge-bndes.png?fit=400%2C309&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33891\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}