{"id":34043,"date":"2019-02-27T00:07:16","date_gmt":"2019-02-27T03:07:16","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=34043"},"modified":"2019-02-27T06:15:23","modified_gmt":"2019-02-27T09:15:23","slug":"esse-foi-meu-erro-apego-a-poder-dinheiro-e-um-vicio-afirma-cabral-sobre-o-acerto-da-propina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/02\/27\/esse-foi-meu-erro-apego-a-poder-dinheiro-e-um-vicio-afirma-cabral-sobre-o-acerto-da-propina\/","title":{"rendered":"&#8216;Esse foi meu erro, apego a poder, dinheiro&#8230; \u00e9 um v\u00edcio&#8217;, afirma Cabral sobre o acerto da propina"},"content":{"rendered":"<p>No primeiro depoimento \u00e0 Justi\u00e7a Federal em que admite o recebimento de propina, o ex-governador&nbsp;&nbsp;<strong>S\u00e9rgio Cabral<\/strong>&nbsp;&nbsp;disse nesta ter\u00e7a-feira que o seu &#8220;erro de postura&#8221; durante o per\u00edodo em que comandou o Estado do Rio foi se apegar ao poder e ao dinheiro. Ao citar um acerto de pagamentos il\u00edcitos na \u00e1rea de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os na Sa\u00fade com o empres\u00e1rio Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur, o ex-governador afirmou que isso se tornou um v\u00edcio<\/p>\n<p>\u2014 Pagava-se propina, isso me dito pelo Arthur, em governos anteriores. E&nbsp;a\u00ed&nbsp;falei com o S\u00e9rgio C\u00f4rtes (ex-secret\u00e1rio de Sa\u00fade): vou ficar com 3% e voc\u00ea fica com 2% (da propina). Esse meu erro de postura, de apego a dinheiro, a poder, a tudo isso. Isso \u00e9 um v\u00edcio. E o S\u00e9rgio Cortes se sentiu muito \u00e0 vontade para me introduzir o Miguel&nbsp;Iskin &#8211; afirmou Cabral, sobre o acerto de propina logo no in\u00edcio de seu governo.<\/p>\n<p>Miguel Iskin \u00e9 um empres\u00e1rio, tamb\u00e9m alvo da Lava-Jato e amigo de C\u00f4rtes, que tamb\u00e9m pagou propina a Cabral e ao ex-secret\u00e1rio, segundo o ex-governador confessou no depoimento desta ter\u00e7a-feira. De acordo com o emedebista, a divis\u00e3o da propina paga por Iskin era de 3% para ele e e 2% para C\u00f4rtes e que, depois, passou o rateio a ser meio a meio. A audi\u00eancia de hoje era relativa ao recebimento de vantagens indevidas de R$ 16 milh\u00f5es na \u00e1rea da Sa\u00fade, pagos por Iskin. O emedebista diz que deve ter recebido de 30% a 40% desse valor.<\/p>\n<p>De Arthur Soares, Cabral disse que recebeu R$ 6 milh\u00f5es para sua campanha de 2006, R$ 3 milh\u00f5es para a campanha do ex-prefeito Eduardo Paes, ambas as contribui\u00e7\u00f5es por meio de caixa dois, e R$ 30 milh\u00f5es em propina.<\/p>\n<h2>US$ 100 milh\u00f5es no exterior<\/h2>\n<p>O ex-governador come\u00e7ou a audi\u00eancia declarando que resolveu &#8220;falar a verdade&#8221; por conta de sua fam\u00edlia, do momento hist\u00f3rico e para ficar bem com ele mesmo. A Bretas, ele pediu desculpas por ter mentido em depoimentos anteriores.<\/p>\n<p>\u2014 Em nome da minha mulher, dos meus filhos e da hist\u00f3ria, resolvi falar a verdade e ficar bem comigo mesmo. Hoje, sou um homem muito mais aliviado \u2014 afirmou o emedebista no depoimento que durou uma hora e meia.<\/p>\n<p>O ex-governador&nbsp;admitiu que eram seus os US$ 100 milh\u00f5es&nbsp;que estavam em contas no exterior, e que foram entregues pelos doleiros delatores Marcelo e Renato Chebar. Os irm\u00e3os eram quem administravam parte da propina do ex-governador. Eles fizeram dela\u00e7\u00e3o e devolveram o dinheiro \u00e0 Justi\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 Quero dizer ao senhor que \u00e9 verdade de que o dinheiro dos irm\u00e3os do&nbsp;Chebar&nbsp;era meu dinheiro sim.&nbsp;Era todo meu \u2014 disse o ex-governador a Bretas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de C\u00f4rtes, Cabral citou que o ex-secret\u00e1rio da Casa Civil R\u00e9gis Fichtner recebia propina e que o escrit\u00f3rio dele tamb\u00e9m era beneficiado. O ex-governador, no entanto, citou alguns ex-secret\u00e1rios com os quais nunca conversou sobre propina: Renato Villela e Joaquim Levy, que ocuparam a secretaria de Fazenda e Nelson Maculan e Wilson Risolia, que foram secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira vez que Cabral admitiu o recebimento de propina foi em depoimento ao MPF no \u00faltimo dia 21 de fevereiro. Em trechos divulgados pela TV Globo, o ex-governador admitiu cobran\u00e7a de propina em obras como a Linha 4 do metr\u00f4 e a reforma do Maracan\u00e3, al\u00e9m de citar o empres\u00e1rio Eike Batista e o ex-prefeito Eduardo Paes, ao falar de repasses irregulares para campanhas eleitorais.&nbsp;No depoimento ao MPF, antes de falar \u00e0 Justi\u00e7a Federal, Cabral confessou que ter recebido US$ 16 milh\u00f5es da empresa de Eike Batista durante a campanha eleitoral.<\/p>\n<h2>Vers\u00e3o combinada<\/h2>\n<p>Na oitiva, Cabral foi indagado sobre a declara\u00e7\u00e3o de C\u00f4rtes durante um dos depoimentos de que o dinheiro recebido pelo ex-secret\u00e1rio de Sa\u00fade seria para uma poss\u00edvel estreia em campanha eleitorais.<\/p>\n<p>&#8211; Mentira, isso foi um combinado meu com ele na pris\u00e3o &#8211; afirmou Cabral. &#8211; Combinei vers\u00f5es com ele e tamb\u00e9m com o&nbsp;Miguel Iskin e com o&nbsp;Gustavo (Gustavo Estelita, s\u00f3cio de Iskin) &#8211; completou.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de postura do ex-governador acontece ap\u00f3s a substitui\u00e7\u00e3o de advogado. Cabral agora \u00e9 assistido por M\u00e1rcio Delambert, o mesmo que defende o ex-deputado estadual Edson Albertassi, preso desde novembro de 2017. Esse foi o primeiro depoimento do emedebista ao juiz Marcelo Bretas depois da troca.<\/p>\n<p>Cabral foi reinterrogado nesta ter\u00e7a-feira a pedido da defesa. No primeiro depoimento desse processo sobre propina na \u00e1rea da Sa\u00fade, o emedebista ficou em sil\u00eancio. O novo advogado, ent\u00e3o, pediu essa nova audi\u00eancia. S\u00e9rgio C\u00f4rtes estava presente.<\/p>\n<p>No depoimento desta ter\u00e7a-feira, Cabral isentou a mulher, Adriana Ancelmo, de culpa.<\/p>\n<p>&#8211; Ela tinha o escrit\u00f3rio dela e eu contaminei o escrit\u00f3rio quando pedi o repasse de caixa dois, que ela n\u00e3o sabia, para o dono da Rica &#8211; afirmou, completando: &#8211; Eu&nbsp;a enganei&nbsp;e a prejudiquei e&nbsp;ela&nbsp;entrou como&nbsp;Orcrim (imputa\u00e7\u00e3o de pertencimento \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o criminosa) de uma maneira que me&nbsp;d\u00f3i&nbsp;muito o cora\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<h2>Campanha e propina de Pez\u00e3o<\/h2>\n<p>Cabral disse no depoimento que a campanha do ex-governador Luiz Fernando Pez\u00e3o em 2014 custou R$ 400 milh\u00f5es. Oficialmente, na Justi\u00e7a Eleitoral, as despesas declaradas foram de R$ 45 milh\u00f5es. O ex-governador disse ainda que o apoio do Solidariedade \u00e0 campanha de Pez\u00e3o foi comprado.<\/p>\n<p>Cabral afirmou ainda que Pez\u00e3o recebeu propina em sua gest\u00e3o, na condi\u00e7\u00e3o de vice-governador e secret\u00e1rio de Obras., no valor de R$ 150 mil.<\/p>\n<p>\u2014 Ele recebia como vice e secret\u00e1rio de Obras e trouxe para trabalhar com ele o Hudson Braga, que era o bra\u00e7o operacional dele \u2014 disse Cabral, confirmando ainda que existia na secretaria de Obras a chamada taxa de oxig\u00eanio, o equivalente a 1% de propina nos contratos da pasta.<\/p>\n<p>A defesa de Pez\u00e3o n\u00e3o retornou ao contato do GLOBO.<\/p>\n<p>O ex-governador afirmou ainda que a campanha de Eduardo Paes \u00e0 prefeitura do Rio em 2008 recebeu recursos de caixa dois tanto de Miguel Iskin quanto de Arthur Soares.<\/p>\n<p>&#8211; Em 2008,&nbsp;o Iskin&nbsp;deu R$ 1 milh\u00e3o para a campanha dele (Paes). O Arthur Soares, que havia sido o maior contribuinte da minha&nbsp;campanha&nbsp;em 2006 com R$ 5 ou R$ 6 milh\u00f5es, deu para a campanha do&nbsp;Paes&nbsp;de R$ 3 a R$ 4 milh\u00f5es. E (Arthur) reclamou muito porque servi\u00e7os n\u00e3o foram dados para ele \u2013 afirmou Cabral, dizendo que, depois, o empres\u00e1rio ganhou a licita\u00e7\u00e3o do Centro de Opera\u00e7\u00f5es para satisfaz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Em nota, Paes disse que todos os valores recebidos durante a campanha foram devidamente declarados na Justi\u00e7a eleitoral, sendo&nbsp; todos aprovados.<\/p>\n<p>&nbsp;&#8220;Como afirmou em seu depoimento o pr\u00f3prio ex-governador&nbsp; S\u00e9rgio Cabral, ali\u00e1s como j\u00e1 v\u00e1rios delatores o fizeram anteriormente, Eduardo Paes jamais pediu qualquer tipo de propina ou beneficiou qualquer empresa.&nbsp; Muito menos fez parte de qualquer organiza\u00e7\u00e3o criminosa como pode se ver nos trechos do depoimento \u00e0 seguir&#8221;, disse em nota o ex-prefeito.<\/p>\n<h2>Arquidiocese<\/h2>\n<p>No depoimento, Cabral falou sobre a situa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Sociais (OSs) que administram hospitais e afirmou que uma delas, a Pr\u00f3-Sa\u00fade, tinha um esquema de recursos que envolvia religiosos:<\/p>\n<p>&#8211; Por exemplo, n\u00e3o tenho d\u00favida que deve ter havido esquema de propina com a OS da Igreja Cat\u00f3lica, a Pr\u00f3-sa\u00fade. N\u00e3o tenho d\u00favida. O Dom Orani devia ter interesse nisso, com todo respeito ao Dom Orani, mas ele tinha interesse nisso. O Dom Paulo, que era padre, e tinha interesse nisso. E o S\u00e9rgio Cortes nomeou a pessoa que era o gestor do Hospital S\u00e3o Francisco, que fazia um belo trabalho, c\u00e1 entre n\u00f3s (&#8230;). Essa Pr\u00f3-Sa\u00fade certamente tinha esquema de recurso que envolvia inclusive religiosos. N\u00e3o tenho a menor d\u00favida.<\/p>\n<p>Procurada, a Arquidiocese afirmou que &#8220;a Igreja Cat\u00f3lica no Rio de Janeiro e seu Arcebispo t\u00eam o \u00fanico interesse que organiza\u00e7\u00f5es sociais cumpram seus objetivos, na forma da lei, em vista do bem comum&#8221;.<\/p>\n<h2>Em busca da redu\u00e7\u00e3o de pena<\/h2>\n<p>Com a mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia, Cabral busca a redu\u00e7\u00e3o de pena. Preso desde novembro de 2016, o ex-governador responde a 28 processos e j\u00e1 foi condenado a mais de 200 anos de pris\u00e3o. Ele tinha a inten\u00e7\u00e3o de fazer dela\u00e7\u00e3o premiada, mas o MPF n\u00e3o se interessou.<\/p>\n<p>Ao longo do per\u00edodo em que esteve preso, o emedebista j\u00e1 prestou v\u00e1rios depoimentos \u00e0 Justi\u00e7a e, neles, j\u00e1 adotou diversas posturas. Na primeira oitiva \u00e0 Justi\u00e7a, ao ex-juiz Sergio Moro, Cabral ficou em sil\u00eancio. Ao juiz Bretas, na primeira vez em que falou sobre a acusa\u00e7\u00e3o de que cobrava 5% de propina em cima dos valores das obras no estado, disse que isso era uma &#8220;maluquice&#8221;.<\/p>\n<p>\u2014 Nunca houve propina. Houve apoio. Vejo que o Minist\u00e9rio P\u00fablico se refere a delatores que falam que pedi 5%. Nunca houve 5%. Que 5% \u00e9 esse? Que hist\u00f3ria \u00e9 essa de que esses 5% era algo que vigia no governo? Que maluquice \u00e9 essa? \u2014 em audi\u00eancia em julho de 2017.<\/p>\n<p>Depois, Cabral passou a admitir que usou sobras de campanha para pagar despesas pessoais, mas, at\u00e9 ent\u00e3o, vinha negando o recebimento de propina. Bretas perguntou por que Cabral demorou tanto para admitir a propina.<\/p>\n<p>&#8211; D\u00f3i muito algu\u00e9m que tem uma carreira pol\u00edtica reconhecida pela popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma dor muito profunda (dizer que robou) &#8211; afirmou.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Juliana Castro\/ O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 27\/02\/2019<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro depoimento \u00e0 Justi\u00e7a Federal em que admite o recebimento de propina, o ex-governador&nbsp;&nbsp;S\u00e9rgio Cabral&nbsp;&nbsp;disse nesta ter\u00e7a-feira que o seu &#8220;erro de postura&#8221; durante o per\u00edodo em que comandou o Estado do Rio foi se apegar ao poder e ao dinheiro. 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