{"id":34210,"date":"2019-03-05T00:05:40","date_gmt":"2019-03-05T03:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=34210"},"modified":"2019-03-05T09:15:29","modified_gmt":"2019-03-05T12:15:29","slug":"cresce-numero-de-nem-nem-maduros-pessoas-entre-50-e-64-que-nao-trabalham-e-nao-estao-aposentados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/03\/05\/cresce-numero-de-nem-nem-maduros-pessoas-entre-50-e-64-que-nao-trabalham-e-nao-estao-aposentados\/","title":{"rendered":"Cresce n\u00famero de \u2018nem-nem\u2019 maduros, pessoas entre 50 e 64 que n\u00e3o trabalham e n\u00e3o est\u00e3o aposentados"},"content":{"rendered":"<header class=\"article-header article-header--\">\n<div class=\"article-header__container\">\n<figure class=\"article-header__picture\"><figcaption class=\"article__picture-caption\">A reforma da Previd\u00eancia, que come\u00e7ou a tramitar no Congresso com a proposta de idade m\u00ednima de 62 (mulher) e 65 anos (homem) para a aposentadoria e aumento de 15 para 20 anos no tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o, vai obrigar o brasileiro a ficar mais tempo no mercado de trabalho se for aprovada. Esse desafio ser\u00e1 ainda maior para um segmento da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o para de crescer: pessoas entre 50 e 64 anos que n\u00e3o trabalham e nem est\u00e3o aposentadas. S\u00e3o os chamados \u201cnem-nem\u201d maduros. Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), esse contingente dobrou nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, chegando a 7,3 milh\u00f5es de brasileiros em 2017, dado mais recente. Em comum, t\u00eam a baixa escolaridade, que dificulta o acesso ao emprego formal.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article__content-container protected-content\">\n<p>De acordo com a autora do estudo, a pesquisadora do Ipea Ana Am\u00e9lia Camarano, essa condi\u00e7\u00e3o vem crescendo de forma mais expressiva entre os homens, embora eles sejam minoria no grupo. S\u00e3o 1,7 milh\u00e3o de homens entre os \u201cnem-nem\u201d maduros, alta de 282% desde 1999. J\u00e1 o crescimento entre as mulheres \u00e9 menos acelerado, com uma taxa de 75% na mesma compara\u00e7\u00e3o. Em 2017, elas eram 5,6 milh\u00f5es \u201cnem-nem\u201d maduras.<\/p>\n<p><strong>Trabalho sem registro<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, os homens s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 pobreza porque, geralmente, as mulheres sem trabalho e sem aposentadoria nessa faixa et\u00e1ria est\u00e3o inseridas em arranjos familiares de apoio. Contam com a renda do marido ou t\u00eam maior assist\u00eancia de filhos e outros parentes. Os homens sem trabalho e sem escolaridade nessa faixa et\u00e1ria s\u00e3o respons\u00e1veis pela renda da fam\u00edlia ou vivem sozinhos.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Santos Oliveira, de 59 anos, e Carlos dos Santos, 61, t\u00eam perfis t\u00edpicos desse grupo. Moradores de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, ambos nasceram no interior da Bahia. Migraram j\u00e1 adultos em busca de trabalho, mas as dificuldades para conseguir emprego sempre os acompanharam por causa da pouca instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Oliveira estudou at\u00e9 a s\u00e9tima s\u00e9rie do ensino fundamental. Santos abandou a escola ainda mais cedo, mas pelo mesmo motivo: teve que come\u00e7ar a trabalhar ainda na inf\u00e2ncia para ajudar a fam\u00edlia. No Rio, eles tiveram ocupa\u00e7\u00f5es como pedreiro, vigilante, porteiro e auxiliar de servi\u00e7os gerais, mas a maior parte delas sem carteira assinada. Assim, n\u00e3o t\u00eam tempo de contribui\u00e7\u00e3o suficiente para se aposentar.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\" data-wp-editing=\"1\">\n<p><figure style=\"width: 1086px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23499530-d4a-9ec\/FT1086A\/652\/x81128557_EC-Rio-de-Janeiro-RJ-15-02-2019Mudancas-no-BPC-Podem-Aumentar-Po.jpg.pagespeed.ic.CzB_43-83z.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23499530-d4a-9ec\/FT1086A\/652\/x81128557_EC-Rio-de-Janeiro-RJ-15-02-2019Mudancas-no-BPC-Podem-Aumentar-Po.jpg.pagespeed.ic.CzB_43-83z.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"Sem carteira. Jos\u00e9 Santos Oliveira, de 59 , vive de bicos em pequenas obras Foto: F\u00e1bio Guimar\u00e3es \/ Ag\u00eancia O Globo\" width=\"696\" height=\"418\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/23499530-d4a-9ec\/FT1086A\/652\/x81128557_EC-Rio-de-Janeiro-RJ-15-02-2019Mudancas-no-BPC-Podem-Aumentar-Po.jpg.pagespeed.ic.CzB_43-83z.jpg\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Sem carteira. Jos\u00e9 Santos Oliveira, de 59 , vive de bicos em pequenas obras Foto: F\u00e1bio Guimar\u00e3es \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Com o avan\u00e7ar da idade, os obst\u00e1culos s\u00f3 aumentaram. O peso da idade, problemas de sa\u00fade e o sumi\u00e7o das vagas com a crise econ\u00f4mica iniciada em 2014 tiraram os dois de vez do mercado. Moram sozinhos, em barracos constru\u00eddos por eles mesmos em uma comunidade de Santa Cruz e praticamente n\u00e3o t\u00eam renda fixa. Oliveira faz bicos como ajudante de pedreiro, cada vez mais raros. Santos junta latas e outros materiais recicl\u00e1veis pelas ruas para vender. Para comer, muitas vezes contam com doa\u00e7\u00f5es de vizinhos.<\/p>\n<p>\u2014 Se eu pudesse me aposentar e ganhar ao menos um sal\u00e1rio m\u00ednimo, poderia voltar para a Bahia \u2014 sonha Oliveira, que deixou para tr\u00e1s mulher e filhos em Jacobina, onde nasceu, h\u00e1 duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Santos, que tem problemas de mem\u00f3ria e limita\u00e7\u00f5es motoras decorrentes de um acidente vascular cerebral, tem sonho mais modesto:<\/p>\n<p>\u2014 Queria pelo menos ter dinheiro para comprar p\u00e9s de galinha, que gosto de comer.<\/p>\n<p>Ambos dizem desconhecer o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC), que tende a ser a sa\u00edda para quem envelhece na pobreza como eles, sem emprego e sem contribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima para se aposentar. Atualmente, idosos nessa situa\u00e7\u00e3o em fam\u00edlias de baixa renda t\u00eam direito a um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 998) a partir dos 65 anos, um tipo de BPC.<\/p>\n<p>A reforma prev\u00ea que o BPC seja antecipado para os 60 anos, o que poderia beneficiar gente como Oliveira e Santos com uma renda fixa mais cedo, mas com benef\u00edcio menor: R$ 400. Pela proposta enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso, s\u00f3 quando o benefici\u00e1rio completar 70 anos passar\u00e1 a receber o m\u00ednimo. \u00c9 um dos pontos da reforma que mais t\u00eam recebido cr\u00edticas. O secret\u00e1rio da Previd\u00eancia, Rog\u00e9rio Marinho, defende a mudan\u00e7a nas regras do BPC justamente para diferenci\u00e1-lo dos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, deixando claro para a sociedade o que \u00e9 assist\u00eancia (programas que n\u00e3o preveem contrapartida de contribui\u00e7\u00e3o por parte do benefici\u00e1rio) e o que \u00e9 Previd\u00eancia (renda obtida na velhice gra\u00e7as a um per\u00edodo de contribui\u00e7\u00e3o durante a idade ativa).<\/p>\n<p><strong>4,5 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o governo federal, o BPC tinha 4,5 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios em 2017 (sendo dois milh\u00f5es de idosos e 2,5 milh\u00f5es de pessoas com defici\u00eancia), o que representa um crescimento de 1.200% em rela\u00e7\u00e3o aos atendidos em 1996. No mesmo per\u00edodo, o custo anual dessas pens\u00f5es passou de R$ 172 milh\u00f5es para R$ 50 bilh\u00f5es, refletindo o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Especialistas alertam que o pa\u00eds precisa investir em pol\u00edticas p\u00fablicas como educa\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o profissional para promover a inser\u00e7\u00e3o social dos \u201cnem-nem\u201d maduros, sob pena de eles continuarem engrossando o n\u00famero de dependentes do BPC.<\/p>\n<p>\u2014 O BPC \u00e9 mais comum entre analfabetos, sem instru\u00e7\u00e3o. Funciona como uma esp\u00e9cie de compensa\u00e7\u00e3o pela defici\u00eancia do Estado para oferecer educa\u00e7\u00e3o \u2014 diz Marcelo Neri, diretor do FGV Social.<\/p>\n<p>Para Ana Am\u00e9lia Camarano, do Ipea, al\u00e9m de capacita\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso estimular empregadores a investir na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, com sa\u00fade ocupacional, para incentivar a contrata\u00e7\u00e3o de maduros menos escolarizados:<\/p>\n<p>\u2014 Para eles, hoje, n\u00e3o h\u00e1 alternativa. \u00c9 o BPC ou a pobreza nas ruas.<\/p>\n<p><strong>Mesmo entre os mais educados, manter-se no mercado \u00e9 um desafio<\/strong><\/p>\n<p>A baixa escolaridade \u00e9 um dos principais fatores que limitam a empregabilidade dos maduros, mas um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), divulgado em 2016, mostra que mesmo os mais instru\u00eddos enfrentam barreiras para se manter no mercado de trabalho ap\u00f3s os 50 anos em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>O trabalho concluiu que \u00e9 comum que empresas tenham uma percep\u00e7\u00e3o negativa dos trabalhadores com mais de 50 anos por causa da dificuldade que eles t\u00eam de se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e organizacionais. Al\u00e9m disso, os sal\u00e1rios dos mais experientes podem crescer em descompasso com sua produtividade.<\/p>\n<p>Quando um profissional \u00e9 demitido entre 50 e 64 anos pode ser dif\u00edcil encontrar um novo trabalho formal para seguir contribuindo visando \u00e0 aposentadoria. Para Karin Parodi, fundadora e presidente da Career Center, assessoria especializada em gest\u00e3o de carreiras, aumentar a empregabilidade passa por esse profissional entender que o mercado de trabalho n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo e que eles precisar\u00e3o se qualificar para se manterem atraentes para as empresas ou buscarem novos segmentos, ainda que ganhando menos:<\/p>\n<section class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\">\n<div class=\"block__advertising-header\">\u2014 Os empregos n\u00e3o est\u00e3o mais s\u00f3 nas grandes companhias ou nas multinacionais. Empresas de menor porte t\u00eam sido mais receptivas aos profissionais maduros porque precisam de sua experi\u00eancia para comandar times juniores. O mesmo ocorre com empresas que est\u00e3o crescendo rapidamente ou passando por reestrutura\u00e7\u00e3o. Elas precisam de pessoas com experi\u00eancia para cargos de lideran\u00e7a.<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p><strong>Investimento em cursos<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Karin, esses profissionais tamb\u00e9m precisam se mostrar mais dispostos a aceitar contratos tempor\u00e1rios e aprender a se organizar como aut\u00f4nomos. Ela recomenda o investimento em cursos e eventos voltados \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e novas tecnologias. A atitude na hora da entrevista para uma vaga tamb\u00e9m \u00e9 determinante:<\/p>\n<p>\u2014 Se esse profissional tem brilho no olho, energia e mostra-se atualizado, antenado, tem mais chances de contrata\u00e7\u00e3o, independentemente da idade.<\/p>\n<p>Pesquisa realizada pelo N\u00facleo de Estudos em Organiza\u00e7\u00f5es e Pessoas (Neop) da FGV-SP em 2013 e no ano passado identificou que muitas empresas j\u00e1 reconhecem nos profissionais maduros diferenciais importantes para a estrutura organizacional: maior comprometimento, assiduidade e conhecimento da cultura da empresa. No entanto, isso ainda n\u00e3o se reverteu em maior absor\u00e7\u00e3o dessa m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>\u2014 Talvez a atual conjuntura, de baixo crescimento e alto desemprego, deturpe um pouco a identifica\u00e7\u00e3o de uma maior aceita\u00e7\u00e3o desses profissionais \u2014 pondera a coordenadora do Neop, Maria Jos\u00e9 Tonelli.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Daiane Costa\/O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 05\/03\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma da Previd\u00eancia, que come\u00e7ou a tramitar no Congresso com a proposta de idade m\u00ednima de 62 (mulher) e 65 anos (homem) para a aposentadoria e aumento de 15 para 20 anos no tempo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o, vai obrigar o brasileiro a ficar mais tempo no mercado de trabalho se for aprovada. 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