{"id":35250,"date":"2019-04-05T01:14:30","date_gmt":"2019-04-05T04:14:30","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=35250"},"modified":"2019-04-05T09:43:58","modified_gmt":"2019-04-05T12:43:58","slug":"desastres-ligam-alerta-em-barragem-de-rejeitos-radioativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/04\/05\/desastres-ligam-alerta-em-barragem-de-rejeitos-radioativos\/","title":{"rendered":"Desastres ligam alerta em barragem de rejeitos radioativos"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Ap\u00f3s Brumadinho e Mariana, lixo nuclear de usina de ur\u00e2nio desativada h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas em Minas preocupa autoridades. Antes de 2050, a descontamina\u00e7\u00e3o completa n\u00e3o deve acontecer.<\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\">H\u00e1 24 anos de portas fechadas, a primeira f\u00e1brica de explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio no Brasil, em Po\u00e7os de Caldas (MG), ainda n\u00e3o sabe dizer quando a \u00e1rea ser\u00e1, efetivamente, descontaminada. Pressionada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) a dar um fim \u00e0 unidade que produzia o min\u00e9rio usado no reator nuclear de Angra I, a Ind\u00fastria Nuclear Brasileira (INB)&nbsp;aguarda o resultado de estudos para dar uma resposta.<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>&#8220;Existiram v\u00e1rias tentativas ao longo do tempo, mas n\u00e3o tiveram sucesso&#8221;, alega sobre a demora Fernando Teixeira, gerente de descomissionamento da unidade. Antes de 2050, o trabalho de descontamina\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ficar pronto. &#8220;Estudos anteriores, de 2012, estimavam um prazo de 40 a 50 anos&#8221;, complementa,&nbsp;em entrevista \u00e0 DW Brasil.<\/p>\n<p>Inaugurado em 1982 pelo governo militar, o complexo ainda abriga a cava da mina com lama e res\u00edduos radioativos, uma f\u00e1brica de beneficiamento, equipamentos e uma barragem com 1,97 milh\u00e3o de metros c\u00fabicos de rejeitos radioativos,&nbsp;contendo ur\u00e2nio e t\u00f3rio.<\/p>\n<p>Preocupados com os riscos que v\u00eam da antiga unidade, procuradores buscam na Justi\u00e7a uma solu\u00e7\u00e3o definitiva h\u00e1 pelo menos 20 anos. Entre os problemas e d\u00favidas relatados em 1.200 p\u00e1ginas de processo, o MPF apontou falhas graves.<\/p>\n<p>A mais recente delas \u00e9 o n\u00e3o cumprimento do Plano de A\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia da Barragem de Rejeitos. Descrito apenas no papel, a INB tinha at\u00e9 o fim de mar\u00e7o para comprovar que o plano foi posto em pr\u00e1tica. Ap\u00f3s avaliar o material entregue, o MPF apontou diversas lacunas.<\/p>\n<p>&#8220;Faltou a comprova\u00e7\u00e3o de treinamento com equipe da INB, de simulado de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em conjunto com prefeituras e Defesa Civil, al\u00e9m da falta da instala\u00e7\u00e3o de sistema de alarme&#8221;, diz a procuradora Gabriela de Azevedo Hossri, citando alguns pontos.<\/p>\n<p>Isso significa que os moradores das cidades no entorno de Po\u00e7o de Caldas n\u00e3o saberiam o que fazer, ou para onde ir, em caso de rompimento da barragem de rejeitos. &#8220;Faremos uma visita t\u00e9cnica \u00e0 unidade e, se for o caso, tomaremos medidas adequadas&#8221;, afirma&nbsp;Hossri.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es do Plano de A\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia ainda n\u00e3o s\u00e3o p\u00fablicas. Segundo o coordenador de descomissionamento da INB, os dados s\u00f3 ser\u00e3o divulgados ap\u00f3s a entrega do material para todas as autoridades envolvidas.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vazamento fora do normal<\/strong><\/p>\n<p>Depois de anos movendo duas a\u00e7\u00f5es contra a INB nos \u00e2mbitos estadual e federal, o Minist\u00e9rio P\u00fablico fechou, em agosto de 2018, um acordo de descomissionamento com a empresa. As trag\u00e9dias provocadas pelo rompimento das barragens da Samarco em Mariana, em 2015, e da Vale em Brumadinho, em janeiro \u00faltimo, aumentaram a preocupa\u00e7\u00e3o em Po\u00e7os de Caldas.<\/p>\n<p>&#8220;Em janeiro recebemos o comunicado da INB sobre uma \u00e1gua turva que estava escorrendo da barragem. Isso fez a gente rever os prazos do acordo&#8221;, afirma a procuradora Hossri. Segundo a INB, provid\u00eancias imediatas foram tomadas, e o problema n\u00e3o se repetiu.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da barragem de rejeitos, a forma\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de \u00e1gua \u00e1cida \u00e9 apontada como ponto cr\u00edtico. Quando chuva e oxig\u00eanio entram em contato com os &#8220;bota-foras&#8221;, que s\u00e3o pilhas com baixo teor de ur\u00e2nio espalhadas pelo p\u00e1tio desde quando a unidade funcionava, \u00e1gua \u00e1cida se forma contendo elementos como ura\u0302nio, to\u0301rio e ra\u0301dio.<\/p>\n<p>Embora a INB tenha um sistema para captar essa \u00e1gua, existe &#8220;a possibilidade concreta de o l\u00edquido \u00e1cido estar escorrendo do complexo&#8221;, afirma Lucas Gualtieri, procurador do MPF. &#8220;Hoje, esse tratamento n\u00e3o abarca todas as \u00e1guas geradas&#8221;.<\/p>\n<p>Fernando Teixeira, da INB, concorda que grande parte do passivo ambiental atualmente \u00e9 gerado a partir desse efeito. &#8220;H\u00e1 a coleta e tratamento das \u00e1guas. Mas n\u00e3o pode permanecer assim eternamente porque existe um limite. Estudos est\u00e3o sendo feitos com o objetivo de determinar a origem das \u00e1guas \u00e1cidas para reduzir ou eliminar essa gera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>Inexperi\u00eancia e falta de planejamento<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existem dados oficiais sobre a contamina\u00e7\u00e3o de moradores e os poss\u00edveis efeitos da radia\u00e7\u00e3o. &#8220;Existem boatos. Mas n\u00e3o temos nada ainda cientificamente comprovado. Esse \u00e9 um&nbsp; dados que queremos conferir&#8221;, afirma a procuradora que acompanha o caso.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Teixeira, da INB, o processo de descontamina\u00e7\u00e3o, apesar do longo prazo estimado para conclus\u00e3o, est\u00e1 no caminho certo. &#8220;H\u00e1 um entendimento que o descomissionamento tem que ser feito em conjunto com as autoridades e passa pelo plano acordado com o MPF&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>Como justificativa para os 24 anos de espera, Teixeira aponta a inexperi\u00eancia. &#8220;\u00c9 a primeira mina de ur\u00e2nio no Brasil. Todos os \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o estavam preparados. Houve falta de orienta\u00e7\u00e3o, falta de um roteiro que levasse \u00e0 descontamina\u00e7\u00e3o e que levou a essa demora como um todo&#8221;.<\/p>\n<p>Lucas Gualtieri, do MPF, critica a aus\u00eancia de lei espec\u00edfica no pa\u00eds. &#8220;A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o se preocupa com isso, o licenciamento n\u00e3o se preocupa como vai lidar com a situa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a explora\u00e7\u00e3o&#8221;, pontua.<\/p>\n<p>Segundo Gualtieri, a falta de dinheiro tamb\u00e9m \u00e9 um entrave. &#8220;Projetos de descomissionamento s\u00e3o caros e demorados. Temos visto em outros pa\u00edses que o licenciamento exige a cria\u00e7\u00e3o de fundo para que empresa destine dinheiro para essa fase, para se preparar ao longo dos anos para quando a atividade acabar&#8221;, cita exemplos.<\/p>\n<p>As pesquisas em busca de ur\u00e2nio no Brasil come\u00e7aram ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra, em 1945, com apoio dos Estados Unidos e ainda movida por interesses b\u00e9licos. A produ\u00e7\u00e3o industrial em Po\u00e7os de Caldas, iniciada em 1982, foi comemorada pelos governo da Ditadura Militar como um avan\u00e7o rumo \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia energ\u00e9tica, aponta um levantamento hist\u00f3rico publicado em 2002 numa tese de doutorado da Unicamp.<\/p>\n<p>Com funcionamento irregular, a produ\u00e7\u00e3o total no complexo, que tratou 2,09 milh\u00f5es de toneladas do min\u00e9rio, alcan\u00e7ou apenas&nbsp; 27% da capacidade instalada, segundo estudos publicados.&nbsp; Avaliada como pouco rent\u00e1vel, a unidade encerrou a explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio em 1995 e, desde ent\u00e3o, mant\u00e9m o monitoramento das instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o e diretrizes nacionais de seguran\u00e7a, a CNEN (Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear) tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3cia majorit\u00e1ria da INB, com 99% das a\u00e7\u00f5es, segundo o MPF. Consultada, a CNEN n\u00e3o se pronunciou at\u00e9 o fechamento dessa reportagem.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 05\/04\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s Brumadinho e Mariana, lixo nuclear de usina de ur\u00e2nio desativada h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas em Minas preocupa autoridades. Antes de 2050, a descontamina\u00e7\u00e3o completa n\u00e3o deve acontecer. 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