{"id":35286,"date":"2019-04-06T07:13:24","date_gmt":"2019-04-06T10:13:24","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=35286"},"modified":"2019-04-06T10:03:01","modified_gmt":"2019-04-06T13:03:01","slug":"pesquisa-da-fiocruz-indica-35-milhoes-de-usuarios-de-drogas-ilicitas-governo-rejeita-dados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/04\/06\/pesquisa-da-fiocruz-indica-35-milhoes-de-usuarios-de-drogas-ilicitas-governo-rejeita-dados\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Fiocruz  indica 3,5 milh\u00f5es de usu\u00e1rios de drogas il\u00edcitas; governo rejeita dados"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">Pesquisa da <strong>Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz<\/strong>&nbsp;mostra que 3,563 milh\u00f5es de brasileiros consumiram&nbsp;<strong>drogas il\u00edcitas<\/strong>&nbsp;em per\u00edodo recente. Dos entrevistados, 208 mil disseram ter usado crack nos 30 dias anteriores ao levantamento. Conclu\u00eddo em 2017, o estudo permanecia in\u00e9dito at\u00e9 o in\u00edcio desta semana. Observadores atribuem a omiss\u00e3o aos resultados, que poderiam desidratar o discurso do governo de que h\u00e1 uma epidemia de crack no Pa\u00eds.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 main-news\">\n<div id=\"pw-P_1.2781461\" class=\"pw-container\" data-acesso=\"0\" data-coluna=\"\" data-categoria=\"\">\n<div id=\"sw-P_1.2781461\" class=\"pw-container\">\n<div class=\"row n--noticia__body\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-content col-center\">\n<div class=\"box area-select\">\n<div class=\"n--noticia__state \">\n<div class=\"n--noticia__state-desc\">\n<p>Segundo o&nbsp;<strong>Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a<\/strong>, n\u00e3o houve divulga\u00e7\u00e3o porque a metodologia usada estava em desacordo com o estabelecido no edital do trabalho, o que a Fiocruz nega.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n--noticia__content content\">\n<p>Ainda segundo a pesquisa, 9,9% dos brasileiros relatam ter usado drogas il\u00edcitas uma vez \u2013 7,7% da popula\u00e7\u00e3o consumiu&nbsp;<strong>maconha<\/strong>, haxixe ou skank, 3,1%,&nbsp;<strong>coca\u00edna<\/strong>, 2,8%, solventes e 0,9%,&nbsp;<strong>crack<\/strong>. Al\u00e9m de drogas il\u00edcitas, o estudo mapeou o consumo de&nbsp;<strong>\u00e1lcool<\/strong>: 16,5% dos participantes indicaram abusar na dosagem. Homens consumiam numa \u00fanica ocasi\u00e3o cinco doses ou mais de bebidas; e mulheres, quatro doses ou mais.<\/p>\n<p>Feito com base em entrevistas domiciliares, o trabalho da Fiocruz adotou a metodologia da&nbsp;<strong>Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad)<\/strong>. Mas, para o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, os dados reunidos no projeto, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 300 pesquisadores e t\u00e9cnicos, n\u00e3o permitia a compara\u00e7\u00e3o com pesquisas anteriores. A pesquisa custou aos cofres p\u00fablicos R$ 7 milh\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"mm_conteudo blog-multimidia foto loaded\" data-config=\"{&quot;tipo&quot;:&quot;FOTO&quot;,&quot;id&quot;:&quot;985796&quot;,&quot;provider&quot;:&quot;AGILE&quot;}\">\n<figure class=\"n--noticia__image modulo-noticia\">\n<p><figure style=\"width: 932px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.estadao.com.br\/resources\/jpg\/0\/3\/1554516818330.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/img.estadao.com.br\/resources\/jpg\/0\/3\/1554516818330.jpg?resize=696%2C391&#038;ssl=1\" alt=\"Crack\" width=\"696\" height=\"391\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Crack. O n\u00famero nacional de 208 mil usu\u00e1rios \u00e9 menor do que o apontado por trabalho anterior da funda\u00e7\u00e3o, de 370 mil Foto: Robson Fernandjes\/Estad\u00e3o (30\/04\/2014)<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cIgnorar os dados da pesquisa \u00e9 de uma irresponsabilidade enorme. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais para pensar nas pol\u00edticas voltadas para essa popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a professora da Universidade de Bras\u00edlia (<strong>UnB<\/strong>) Andrea Gallassi. Por contrato, a Fiocruz n\u00e3o teve permiss\u00e3o para divulgar os indicadores. Nesta semana, o teor da pesquisa foi divulgado pelo site&nbsp;<em>The Intercept Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Batizado de 3.\u00ba Levantamento Nacional Domiciliar sobre o Uso de Drogas, o trabalho provocou uma crise entre o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e a Fiocruz. A funda\u00e7\u00e3o sustenta que n\u00e3o s\u00f3 atendeu aos requisitos, como tamb\u00e9m entregou dados que n\u00e3o haviam sido requisitados.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio, por sua vez, enviou esta semana um of\u00edcio para a presid\u00eancia da Fiocruz. E avisou que vai solicitar a arbitragem da C\u00e2mara de Concilia\u00e7\u00e3o da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/agu-advocacia-geral-da-uniao\"><strong>AGU<\/strong><\/a>), que intermedeia conflitos entre \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. A Fiocruz seguir\u00e1 pelo mesmo caminho e deve recorrer ao Minist\u00e9rio P\u00fablico para arbitragem.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Resultados<\/h3>\n<p>Observadores atribuem a pol\u00eamica aos resultados revelados pela pesquisa da Fiocruz. O n\u00famero identificado de uso de crack, de 208 mil pessoas, \u00e9 menor do que o apontado por outro trabalho da funda\u00e7\u00e3o, que indicava 370 mil que consumiam a droga em cracol\u00e2ndias e outras cenas de uso em 2013. Para observadores, integrantes do governo ficaram desapontados com resultados e temiam que os indicadores pudessem desidratar o discurso sobre a \u201cepidemia do crack\u201d.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a nos dados, no entanto, n\u00e3o surpreendeu pesquisadores da Fiocruz. Isso porque a maior parte dos usu\u00e1rios vive em grupos que se formam para o consumo da droga. Seria muito mais f\u00e1cil encontr\u00e1-los nesses locais do que em resid\u00eancias fixas, onde a pesquisa foi realizada. Mas o levantamento, como o pr\u00f3prio nome j\u00e1 afirma, \u00e9 sobre drogas em geral, n\u00e3o apenas crack.<\/p>\n<p>A Fiocruz afirma que a resist\u00eancia come\u00e7ou a se formar no fim do governo de&nbsp;<strong>Michel Temer<\/strong>. Segundo a funda\u00e7\u00e3o, ao longo de todo o per\u00edodo de realiza\u00e7\u00e3o do trabalho, equipes do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a acompanharam os resultados parciais. Pagamentos das parcelas do projeto somente eram liberados depois do cumprimento de metas estabelecidas. J\u00e1 havia uma perspectiva de lan\u00e7amento do trabalho, que foi adiada em virtude das sucessivas mudan\u00e7as de equipes no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A maior cr\u00edtica feita pela equipe do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a atual \u00e9 de que a metodologia usada no trabalho impede a compara\u00e7\u00e3o dos resultados com o primeiro e o segundo levantamentos. A pasta considera ainda que oficialmente n\u00e3o recebeu a pesquisa da Fiocruz. \u201cDessa forma, n\u00e3o det\u00e9m propriedade intelectual sobre os dados da mesma, n\u00e3o os utiliza e n\u00e3o os divulga.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Compara\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A Fiocruz sustenta que a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 feita. Mas observa que, em raz\u00e3o do grande intervalo entre as pesquisas, mudan\u00e7as sociodemogr\u00e1ficas ocorreram, o que, por si s\u00f3, limita a capacidade de compara\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o em virtude de limita\u00e7\u00f5es da equipe de pesquisa, mas sim das altera\u00e7\u00f5es esperadas de um pa\u00eds, que conta hoje com mais de 208 milh\u00f5es de habitantes e profundamente heterog\u00eaneo.\u201d<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a argumenta ainda que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, por meio da pesquisa, saber se o uso de drogas no Brasil \u00e9 superior ou inferior ao de outros pa\u00edses. \u201cIsto inviabiliza de forma significativa o uso da pesquisa especificamente para o desenho da Pol\u00edtica Nacional de Drogas.\u201d, declarou a pasta, em nota.<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio do&nbsp;<strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong>, Erno Harzheim diz n\u00e3o conhecer a pesquisa. \u201cTecnicamente a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encaixa como epidemia, que se caracteriza por um aumento expressivo do n\u00famero de casos. Seja como for, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os n\u00fameros de crack no Pa\u00eds s\u00e3o preocupantes.\u201d O secret\u00e1rio afirma que uma das estrat\u00e9gias para atender pacientes com uso de drogas s\u00e3o os Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial de \u00c1lcool e outras Drogas. \u201cO tratamento dos pacientes n\u00e3o pode ser feito com uma forma \u00fanica. \u00c9 preciso ter uma rede com oferta de v\u00e1rios servi\u00e7os, mas sempre com atendimento todos os dias da semana, 24 horas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: L\u00edgia Formenti, O Estado de S.Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 06\/04\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz&nbsp;mostra que 3,563 milh\u00f5es de brasileiros consumiram&nbsp;drogas il\u00edcitas&nbsp;em per\u00edodo recente. 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