{"id":35293,"date":"2019-04-08T00:20:46","date_gmt":"2019-04-08T03:20:46","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=35293"},"modified":"2019-04-07T16:30:44","modified_gmt":"2019-04-07T19:30:44","slug":"como-uma-eventual-saida-sem-acordo-do-reino-unido-da-ue-poderia-custar-ate-10-mil-empregos-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/04\/08\/como-uma-eventual-saida-sem-acordo-do-reino-unido-da-ue-poderia-custar-ate-10-mil-empregos-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Como uma eventual sa\u00edda sem acordo do Reino Unido da UE poderia custar at\u00e9 10 mil empregos ao Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"byline\">\n<p class=\"story-body__introduction\">A poss\u00edvel sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia (UE) sem um acordo &#8211; o chamado hard Brexit &#8211; significaria &#8220;um caos&#8221; para a economia global, na vis\u00e3o de analistas, e o Brasil poderia sentir esse impacto, em um primeiro momento, &#8220;no bolso&#8221; e no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Um estudo do Instituto Halle de Pesquisa Econ\u00f4mica (IWH), da Alemanha, que considera o cen\u00e1rio em 43 pa\u00edses, calcula que quase 10 mil trabalhadores em territ\u00f3rio brasileiro poderiam ser afetados em dezenas de setores ligados \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, mas principalmente na agricultura, atividade em que o pa\u00eds se destaca como maior fornecedor da UE.<\/p>\n<p>Internacionalmente, h\u00e1 previs\u00e3o de que o hard Brexit afete 600 mil empregos, com um baque maior na Alemanha. Sozinho, o pa\u00eds teria aproximadamente 100 mil vagas &#8220;em risco&#8221;, a maioria em fun\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio na ind\u00fastria automotiva. Pa\u00edses como China, Fran\u00e7a, Pol\u00f4nia e It\u00e1lia, seriam, nessa ordem, os outros quatro da lista mais afetados.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, os efeitos seriam indiretos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/14DE\/production\/_106324350_portoriodejaneirogetty1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/14DE\/production\/_106324350_portoriodejaneirogetty1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Porto do Rio de Janeiro\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Porto do Rio de Janeiro. Sa\u00edda do Reino Unido da UE sem acordo afetaria sobretudo exporta\u00e7\u00f5es do setor agr\u00edcola no Brasil. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Mais de 5 mil dos 10 mil empregos estariam em risco na agricultura brasileira. Outras atividades sentiriam menos&#8221;, diz em entrevista \u00e0 BBC News Brasil Oliver Holtem\u00f6ller, chefe do departamento de macroeconomia e vice-presidente do instituto, umthink tankmembro da Associa\u00e7\u00e3o Leibniz, que re\u00fane institutos de pesquisa alem\u00e3es de diversos ramos de estudo.<\/p>\n<p>No entanto, especialistas ressalvam que tamb\u00e9m poderiam haver oportunidades para o Brasil em poss\u00edveis negocia\u00e7\u00f5es individuais com o Reino Unido.<\/p>\n<p>O Halle foi fundado em 1992 por um acordo entre o governo da Alemanha e o Estado federal da Sax\u00f4nia-Anhalt para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas econ\u00f4micas emp\u00edricas, institucionais e para terceiros, nas \u00e1reas de din\u00e2mica e estabilidade macroecon\u00f4mica, institui\u00e7\u00f5es e normas sociais, produtividade, inova\u00e7\u00e3o, estabilidade financeira e regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Holtem\u00f6ller, um dos autores do estudo sobre os potenciais efeitos de um hard Brexit no mercado de trabalho internacional, explica que o cen\u00e1rio turbulento \u00e9 previsto diante da perspectiva de o Brexit reduzir exporta\u00e7\u00f5es de pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia para o Reino Unido em um percentual que estima em 25%. A queda ocorreria caso a sa\u00edda seja efetivada sem o chamado &#8220;acordo de retirada&#8221; &#8211; que o governo brit\u00e2nico negociou com os l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia, mas que j\u00e1 foi rejeitado tr\u00eas vezes pelo Parlamento.<\/p>\n<p>Para estimar os impactos, por pa\u00eds e ind\u00fastria, o instituto construiu coeficientes que indicam quantas pessoas empregadas s\u00e3o necess\u00e1rias para produzir nas unidades de produ\u00e7\u00e3o, baseando seus c\u00e1lculos em informa\u00e7\u00f5es extra\u00eddas do Banco de Dados Mundial de Insumo-Produto (WIOD, da sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mas o que \u00e9 Brexit e em que p\u00e9 ele est\u00e1?<\/h2>\n<p>Brexit \u00e9 uma abrevia\u00e7\u00e3o para &#8220;British exit&#8221; (&#8220;sa\u00edda brit\u00e2nica&#8221;, na tradu\u00e7\u00e3o literal para o portugu\u00eas) e \u00e9 o termo mais comumente usado quando se fala sobre a decis\u00e3o do Reino Unido de deixar a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Ele foi aprovado em um referendo em 23 de junho de 2016, quando os brit\u00e2nicos foram perguntados se o Reino Unido deveria permanecer ou deixar a Uni\u00e3o Europeia. A maioria &#8211; 52% contra 48% &#8211; decidiu em um referendo que o pa\u00eds deveria deixar o bloco. Mas a sa\u00edda n\u00e3o aconteceu de imediato e acabou virando um processo cheio de incertezas.<\/p>\n<p>Diante de impasses envolvendo o acordo que prev\u00ea como seria essa retirada, a probabilidade de um n\u00e3o-acordo, ou&nbsp;<i>hard&nbsp;<\/i>Brexit, segundo analistas, s\u00f3 cresce. A data do Brexit em si tamb\u00e9m \u00e9 incerta. Originalmente, estava marcado para 29 de mar\u00e7o. O prazo acabou adiado para 12 de abril com possibilidade de novas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Nesta sexta-feira, a primeira-ministra brit\u00e2nica, Theresa May, pediu oficialmente uma nova prorroga\u00e7\u00e3o, desta vez para 30 de junho. No entanto, a editora da BBC na Europa, Katya Adler, foi informada por uma fonte na UE de que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, vai propor uma extens\u00e3o &#8220;flex\u00edvel&#8221; de 12 meses, com a op\u00e7\u00e3o de abreviar este prazo.<\/p>\n<p>O pedido de May foi feito em meio a tentativas de chegar a um entendimento com a oposi\u00e7\u00e3o para destravar o caminho de sa\u00edda do bloco e precisa ser aprovado por unanimidade pelos l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia, na pr\u00f3xima quarta-feira, 10 de abril.<\/p>\n<p>Ela prop\u00f4s que, se os parlamentares brit\u00e2nicos aprovarem um acordo a tempo, o Reino Unido saia do bloco antes das elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu, que ter\u00e3o in\u00edcio em 23 de maio. Mas afirmou que o pa\u00eds se preparar\u00e1 para participar dessas elei\u00e7\u00f5es caso nenhum acordo seja aprovado at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Efeitos indiretos de um n\u00e3o-acordo<\/h2>\n<p>Em um horizonte em que o Brexit ocorra sem esse acordo, o Instituto Halle analisa que os produtos da Uni\u00e3o Europeia passariam a ser tarifados nas negocia\u00e7\u00f5es com o Reino Unido, o que os deixaria mais caros e reduziria o apetite brit\u00e2nico para consumi-los.<\/p>\n<p>Os efeitos disso, afirma, se alastrariam pela cadeia produtiva que abastece esse mercado e acabariam chegando de forma &#8220;indireta&#8221; a v\u00e1rios pa\u00edses, inclusive ao Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Os efeitos n\u00e3o est\u00e3o relacionados \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para o Reino Unido (que n\u00e3o foram objeto do estudo), mas a insumos intermedi\u00e1rios que as empresas brasileiras entregam a exportadoras de produtos da UE para o Reino Unido&#8221;, disse Holtem\u00f6ller.<\/p>\n<p>&#8220;O setor alem\u00e3o de fabrica\u00e7\u00e3o de produtos aliment\u00edcios, por exemplo, exportaria menos para o Reino Unido e, portanto, tamb\u00e9m importaria menos insumos intermedi\u00e1rios do setor agr\u00edcola do Brasil&#8221;. O impacto \u00e9 visto num horizonte de curto prazo.<\/p>\n<p>A longo prazo a expectativa \u00e9 que &#8220;as empresas possam se ajustar \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Retra\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Enquanto essa acomoda\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegasse, por\u00e9m, uma vez reduzidas as exporta\u00e7\u00f5es para o bloco, as empresas atingidas reduziriam suas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o, demitiriam pessoal ou diminuiriam seus hor\u00e1rios de trabalho, segundo proje\u00e7\u00f5es de Holtem\u00f6ller.<\/p>\n<p>&#8220;Existem tamb\u00e9m outras possibilidades. As empresas podem reduzir os pre\u00e7os, o que pode levar a lucros menores ou a aumentos salariais mais baixos.&#8221;<\/p>\n<p>O Departamento de Intelig\u00eancia e Competitividade da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Alimentos (ABIA) confirmou em nota \u00e0 BBC News Brasil &#8211; sem estimar poss\u00edveis impactos no mercado de trabalho &#8211; que &#8220;uma sa\u00edda n\u00e3o negociada do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia implicaria, no curto prazo, em maior custo de aquisi\u00e7\u00e3o destas mercadorias pelas empresas do Reino Unido, com impactos financeiros negativos para as vendas de alimentos do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Essa dificuldade&#8221;, segundo a associa\u00e7\u00e3o, poderia ser superada por um futuro acordo comercial entre o Brasil e o Reino Unido. &#8220;Todavia este processo demanda tempo, e tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito a imprevistos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a import\u00e2ncia da UE e do Reino Unido para o com\u00e9rcio do Brasil<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (MDIC), a Uni\u00e3o Europeia e a Europa (bloco que considera a UE, a R\u00fassia e outros pa\u00edses) det\u00eam juntas o posto de segundo principal destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras hoje.<\/p>\n<p>A fatia que abocanham das exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 de aproximadamente 28% e segue de perto a da \u00c1sia &#8211; para quem perderam a lideran\u00e7a a partir de 2017.<\/p>\n<p>Excluindo o Oriente M\u00e9dio, o chamado bloco \u00c1sia compra atualmente 30% do que o Brasil vende l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Mas a for\u00e7a do com\u00e9rcio Brasil-UE resiste e \u00e9 ressaltada pela pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia, que mant\u00e9m uma p\u00e1gina dizendo que o Brasil \u00e9 o seu 10\u00ba maior parceiro comercial e tamb\u00e9m seu maior fornecedor de produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>A lista do que compra inclui, por exemplo, carnes, soja, caf\u00e9, milho, algod\u00e3o, frutas, sucos e outros subprodutos.<\/p>\n<p>Isoladamente, o Reino Unido tamb\u00e9m \u00e9 um parceiro importante para diversos setores brasileiros, incluindo ramos do setor agr\u00edcola e da ind\u00fastria de alimentos.<\/p>\n<p>Dados do MDIC levantados pela BBC News Brasil mostram que a regi\u00e3o &#8211; que engloba Inglaterra, Pa\u00eds de Gales, Irlanda do Norte e Esc\u00f3cia &#8211; \u00e9 a 17\u00ba principal compradora internacional dos produtos brasileiros, em meio a 253 parceiros.<\/p>\n<p>Dentro da Uni\u00e3o Europeia, \u00e9 a sexta mais importante, atr\u00e1s de Holanda, Alemanha, Espanha, It\u00e1lia e B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>S\u00f3 no ano passado, as exporta\u00e7\u00f5es totais do Brasil para o mercado brit\u00e2nico alcan\u00e7aram US$ 3 bilh\u00f5es.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A for\u00e7a dos bens intermedi\u00e1rios<\/h2>\n<p>Um levantamento do Departamento de Intelig\u00eancia e Competitividade da ABIA, realizado a pedido da BBC News Brasil, mostra que, s\u00f3 no ano passado, as exporta\u00e7\u00f5es de alimentos in natura e de alimentos industrializados do Brasil para os brit\u00e2nicos alcan\u00e7aram US$ 859,7 milh\u00f5es &#8211; ou seja, 28,65% do total de US$ 3 bi negociados com esse mercado no per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8220;Deste montante, mais de dois ter\u00e7os podem ser classificados como bens intermedi\u00e1rios, bens manufaturados ou mat\u00e9rias-primas empregados na produ\u00e7\u00e3o de outros bens intermedi\u00e1rios ou de produtos finais&#8221;, diz a associa\u00e7\u00e3o, acrescentando que &#8220;as cadeias produtivas de valor brit\u00e2nicas, inclusive as ind\u00fastrias de alimentos e bebidas, dependem fortemente de mat\u00e9rias-primas importadas, sendo o Brasil um de seus principais fornecedores.&#8221;<\/p>\n<p>Do ponto de vista global, o Instituto Halle destaca que &#8220;tanto para bens intermedi\u00e1rios quanto para uso final, a UE \u00e9 o parceiro comercial quantitativamente mais importante do Reino Unido&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">E o acordo do Brexit?<\/h2>\n<p>O acordo de retirada do Reino Unido do bloco foi negociado entre a primeira-ministra, Theresa May, e os pa\u00edses remanescentes em 25 de novembro de 2018.<\/p>\n<p>O documento estabelece que a rela\u00e7\u00e3o comercial de produtos entre as duas partes deve ser o mais pr\u00f3xima poss\u00edvel da atual, viabilizando a facilidade de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Isto significa uma \u00e1rea de livre com\u00e9rcio de mercadorias&#8221;, explica o Instituto Halle no material de divulga\u00e7\u00e3o do estudo.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, o professor do Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de S\u00e3o Paulo (IRI-USP), Kai Enno Lehmann, complementa que &#8220;com um poss\u00edvel acordo come\u00e7aria um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o e durante esse per\u00edodo as regras da Uni\u00e3o Europeia continuariam se aplicando ao Reino Unido&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso de n\u00e3o acordo, &#8220;no minuto em que o Reino Unido sair da Uni\u00e3o Europeia vai perder qualquer acordo que a Uni\u00e3o Europeia tenha com outro pa\u00eds. Todos os acordos que regem de um lado a rela\u00e7\u00e3o entre Reino Unido e Uni\u00e3o Europeia e, de outro, a da Uni\u00e3o Europeia com o resto do mundo n\u00e3o teriam mais validade&#8221;.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Reino Unido nesse caso, segundo o professor, seria &#8220;dram\u00e1tica&#8221; economicamente.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;Potencial caos&#8221;, mas tamb\u00e9m &#8220;oportunidades&#8221;<\/h2>\n<p>&#8220;O problema com uma sa\u00edda abrupta seria o potencial caos que se criaria. O Reino Unido simplesmente perderia do dia para a noite a base do seu com\u00e9rcio mundial, teria que renegociar seus acordos individualmente&#8221;, explica Lehmann. &#8220;O impacto seria global simplesmente porque o Reino Unido \u00e9 uma das maiores economias da Uni\u00e3o Europeia e do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, como n\u00e3o existe um acordo de livre com\u00e9rcio vigente &#8211; mas sim em negocia\u00e7\u00e3o &#8211; entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia, a repercuss\u00e3o da sa\u00edda do Reino Unido seria menos intensa do que em outros mercados, na avalia\u00e7\u00e3o dele, e tamb\u00e9m poderia haver um lado positivo.<\/p>\n<p>&#8220;Sem esse acordo vai ter impacto? N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Vai ser uma coisa negativa? Com certeza tamb\u00e9m. Uma ruptura brusca seria ruim para todos os estados membros da UE, embora o impacto seja muito pior para o Reino Unido. A economia brit\u00e2nica sofreria bastante e isso teria impacto em todos os seus parceiros comerciais, inclusive o Brasil&#8221;, diz o professor, observando, por\u00e9m, que como o Reino Unido &#8220;ficaria muito fr\u00e1gil e com menor poder de barganha&#8221;, poderia haver vantagens para o Brasil em poss\u00edveis negocia\u00e7\u00f5es individuais, mas n\u00e3o no curto prazo.<\/p>\n<p>&#8220;Para o Brasil e v\u00e1rios setores as oportunidades s\u00e3o grandes, caso o pa\u00eds assuma um pensamento estrat\u00e9gico e estabele\u00e7a o que quer do Reino Unido e de um acordo de livre com\u00e9rcio. Se eu fosse representante de um setor estrat\u00e9gico faria muita press\u00e3o no governo (para assumir essa postura) e tentar se aproveitar dessa situa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcelos, faz coro. Segundo ele, os produtores do setor esperam, em vez de queda com o Brexit, impulsionar as vendas para o Reino Unido, para onde seguem atualmente, por exemplo, 26% de todo o mel\u00e3o que o Brasil exporta.<\/p>\n<p>A fruta \u00e9 a que os brit\u00e2nicos mais importam dos produtores brasileiros, mas uvas, mangas, melancias e lim\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o na lista.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 buscar um acordo nos moldes do que estamos negociando com a comunidade europeia e tentar reduzir o imposto de importa\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 de 8,8%, para zero&#8221;, diz Barcelos. &#8220;O percentual vai caindo ao longo de 10 anos at\u00e9 zerar&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;Acordo crucial&#8221;<\/h2>\n<p>Lehmann, da USP, diz que apesar das poss\u00edveis oportunidades que um&nbsp;<i>hard&nbsp;<\/i>Brexit pode trazer, um acordo seria crucial, uma vez que &#8220;o processo de sa\u00edda do pa\u00eds do bloco seria ordenado&#8221;.<\/p>\n<p>Holtem\u00f6ller tamb\u00e9m afirmou que &#8220;no caso de um acordo que implique o livre com\u00e9rcio entre UE e o Reino Unido, os efeitos sobre o emprego seriam muito menores&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No entanto, sem um acordo formal, se aplicariam tarifas nas transa\u00e7\u00f5es entre o Reino Unido e a UE. Carros e pe\u00e7as de autom\u00f3veis, por exemplo, seriam tributados em 10%. As tarifas agr\u00edcolas s\u00e3o ainda maiores&#8221;, prev\u00ea o instituto em nota para apresenta\u00e7\u00e3o do estudo.<\/p>\n<p>Em um texto publicado no site, em que tamb\u00e9m analisa os dados, o economista ressalta que &#8220;um Brexit sem acordo desestabilizaria as cadeias globais de valor (ou seja, o conjunto de atividades necess\u00e1rias para produzir e entregar o produto ao consumidor final&#8221; e que &#8220;\u00e9 por isso que a retirada desordenada da Gr\u00e3-Bretanha da UE tem o potencial de causar uma perda significativa de riqueza&#8221;.<\/p>\n<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico, defende, &#8220;\u00e9 crucial que um acordo ainda possa ser alcan\u00e7ado&#8221;.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Renata Moura d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em Londres &#8211; dispon\u00edvel na internet 08\/04\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poss\u00edvel sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia (UE) sem um acordo &#8211; o chamado hard Brexit &#8211; significaria &#8220;um caos&#8221; para a economia global, na vis\u00e3o de analistas, e o Brasil poderia sentir esse impacto, em um primeiro momento, &#8220;no bolso&#8221; e no mercado de trabalho. 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