{"id":35656,"date":"2019-04-19T00:30:21","date_gmt":"2019-04-19T03:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=35656"},"modified":"2019-04-19T04:47:14","modified_gmt":"2019-04-19T07:47:14","slug":"a-ascensao-da-okaida-faccao-criminosa-com-6-mil-soldados-na-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/04\/19\/a-ascensao-da-okaida-faccao-criminosa-com-6-mil-soldados-na-paraiba\/","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o da Okaida, fac\u00e7\u00e3o criminosa com 6 mil &#8216;soldados&#8217; na Para\u00edba"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Era para ser uma esp\u00e9cie de clipe musical sobre o crime na Para\u00edba. Sete jovens est\u00e3o com os rostos cobertos por panos brancos. Ao viol\u00e3o, um deles toca uma melodia roqueira. Tr\u00eas garotos, mais atr\u00e1s, carregam facas e fazem movimentos de dan\u00e7a como se estivessem golpeando algu\u00e9m. \u00c0 frente, o vocalista nomeia a m\u00fasica: &#8220;Mago do Fac\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A letra come\u00e7a assim: &#8220;Pensamento eloquente me leva a mais um aviso \/ poder do crime fica cada vez mais infinito&#8221;. O refr\u00e3o, por sua vez, explica quem \u00e9 o protagonista do som: &#8220;Nossa uni\u00e3o \u00e9 massa em v\u00e1rias quebradas \/ fechamento forte \/ fac\u00e7\u00e3o Okaida&#8221;.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo, gravado em uma pris\u00e3o e publicado no YouTube em maio de 2017, mostra duas caracter\u00edsticas da fac\u00e7\u00e3o que hoje praticamente domina o crime paraibano: juventude e autopromo\u00e7\u00e3o em redes sociais.<\/p>\n<p>Composta de jovens e adolescentes, a Okaida cresceu nos \u00faltimos anos: atualmente, domina v\u00e1rios munic\u00edpios, expandiu seus bra\u00e7os para Pernambuco e conta com 6 mil membros &#8220;batizados&#8221; na Para\u00edba, segundo investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual paraibano.<\/p>\n<p>Como compara\u00e7\u00e3o, o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior e mais poderosa fac\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, tinha pouco mais 30 mil &#8220;filiados&#8221; em 2017 &#8211; recentemente, o grupo fez uma campanha para aumentar seu &#8220;ex\u00e9rcito&#8221;.<\/p>\n<p>Em outubro do ano passado, os &#8220;soldados&#8221; da Okaida deram outra demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de for\u00e7a: promoveram queimas de fogos de artif\u00edcio para comemorar o anivers\u00e1rio da sigla em seis cidades da Para\u00edba, como Jo\u00e3o Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Guarabira. V\u00eddeos da festa est\u00e3o nas redes sociais e no YouTube.<\/p>\n<p>Em bairros mais pobres da capital paraibana, a Okaida dita at\u00e9 um c\u00f3digo de conduta para seus integrantes e moradores. As proibi\u00e7\u00f5es s\u00e3o pintadas nos muros: n\u00e3o pode usar drogas na frente de crian\u00e7as, roubar na comunidade, escutar som alto tarde da noite e andar de moto em alta velocidade.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A origem da Okaida<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2719\/production\/_106490001_okainda.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2719\/production\/_106490001_okainda.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Em v\u00eddeo no Youtube, jovens cantam m\u00fasica 'Mago do Fac\u00e3o', que faz refer\u00eancia ao 'poder' da Okaida\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Em v\u00eddeo no YouTube, jovens cantam m\u00fasica &#8216;Mago do Fac\u00e3o&#8217;, que faz refer\u00eancia ao poder da Okaida. Direito de imagem REPRODU\u00c7\u00c3O\/YOUTUBE<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>H\u00e1 hist\u00f3rias diferentes sobre a origem da fac\u00e7\u00e3o. Okaida \u00e9 uma forma abrasileirada do nome da rede terrorista que j\u00e1 foi comandada por Osama bin Laden, a Al-Qaeda. Mas a vers\u00e3o brasileira n\u00e3o tem nenhum aspecto religioso por tr\u00e1s.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que a quadrilha cresceu em paralelo com seu maior rival, a fac\u00e7\u00e3o Estados Unidos, criada em meados dos anos 2000.<\/p>\n<p>O conflito entre os dois grupos de criminosos j\u00e1 dura alguns anos nas ruas e nos pres\u00eddios &#8211; e, ironicamente, emula a guerra empreendida pelos americanos contra o terrorismo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dessa d\u00e9cada, enquanto a Okaida dominava bairros de Jo\u00e3o Pessoa como a Ilha do Bispo, S\u00e3o Jos\u00e9 e Alto do Mateus, os membros dos Estados Unidos estavam presentes nas regi\u00f5es de Mandacaru, Bola da Rede e Novais.<\/p>\n<p>Os dois grupos tamb\u00e9m se diferenciam pelas tatuagens de seus integrantes, como registra uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado conclu\u00edda em 2015 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Feito pelo tenente-coronel Carlos Eduardo Santos, da Pol\u00edcia Militar da Para\u00edba, o estudo mapeou os s\u00edmbolos marcados na pele dos filiados \u00e0s fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 da Okaida costuma marcar a pele com palha\u00e7os ou com o personagem Chucky, do filme&nbsp;<i>Brinquedo Assassino<\/i>. J\u00e1 os membros da Estados Unidos tatuam a bandeira americana ou o desenho de um peixe.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, o crescimento da Okaida praticamente suplantou sua rival em n\u00famero e for\u00e7a, ainda que a Estados Unidos continue ocupando alguns poucos bairros e pavilh\u00f5es de cadeias de Jo\u00e3o Pessoa, segundo agentes de seguran\u00e7a.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A presen\u00e7a do PCC<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">&nbsp;<\/span><\/figure>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre as duas fac\u00e7\u00f5es locais tem forte influ\u00eancia de um elemento &#8220;forasteiro&#8221;: o PCC. At\u00e9 2010, a Okaida era mais pr\u00f3xima do grupo paulista, que fornecia parte da droga vendida nas ruas. Mas um assassinato, que teria sido cometido a mando do PCC sem o aval dos paraibanos, afastou os grupos e criou um antagonismo violento entre eles.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, o grupo de S\u00e3o Paulo se aliou \u00e0 Estados Unidos, aumentando o conflito local. A guerra foi promovida dentro e fora dos pres\u00eddios com epis\u00f3dios de barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Segundo pesquisadores, desde o \u00ednico da d\u00e9cada passada, o PCC decidiu atuar no atacado e fornecer a droga para grupos menores venderem nas capitais.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio dos anos 2000, o PCC chegou nas fronteiras e conseguiu importar a droga, que ele repassa para aliados menores&#8221;, diz Bruno Paes Manso, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e um dos autores do livro&nbsp;<i>A Guerra: a ascens\u00e3o do PCC e o mundo do crime no Brasil<\/i>&nbsp;(Ed. Todavia).<\/p>\n<p>A chegada dos paulistas no Nordeste e a maior oferta de drogas aumentaram rivalidades entre traficantes locais, avalia Paes Manso. &#8220;Como \u00e9 um mercado ilegal, as disputas se d\u00e3o pela for\u00e7a. E como o PCC tamb\u00e9m colocou armas na regi\u00e3o, essa din\u00e2mica produziu mais viol\u00eancia e assassinatos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na Para\u00edba, por exemplo, a taxa de homic\u00eddios cresceu bastante nesse per\u00edodo. Em 1996, o Estado registrava 19,2 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Viol\u00eancia. J\u00e1 em 2011, seu pico, o n\u00famero chegou a 42,5 mortes por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Norte, que tamb\u00e9m enfrenta problemas com fac\u00e7\u00f5es criminosas, o aumento foi mais dram\u00e1tico. Em 1996, o Estado registrava 9,4 assassinatos por 100 mil &#8211; em 2016, foram 53,3, alta de 466% em 20 anos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os jovens da Okaida<\/h2>\n<p>Um dos motores do crescimento da Okaida foi sua pol\u00edtica de filiar menores de idade &#8211; embora a Estados Unidos tamb\u00e9m utilize adolescentes, seu aliado PCC evita batiz\u00e1-los, segundo agentes de seguran\u00e7a da Para\u00edba.<\/p>\n<p>&#8220;Os que se dizem integrantes de fac\u00e7\u00f5es no nosso Estado s\u00e3o pessoas bastante jovens, inclusive admitindo-se adolescentes entre os faccionados&#8221;, diz o promotor Manoel Cacimiro Neto, do Gaeco (Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial Contra o Crime Organizado) do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Para\u00edba.<\/p>\n<p>Diverg\u00eancias com as &#8220;doutrinas&#8221; do PCC, ali\u00e1s, explicam tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de outra fac\u00e7\u00e3o nordestina, o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte. O grupo potiguar surgiu depois que criminosos questionaram a obriga\u00e7\u00e3o do PCC de submeter decis\u00f5es a chefes em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Essa presen\u00e7a massiva da juventude nas fac\u00e7\u00f5es do Nordeste tem impacto negativo no \u00edndice de homic\u00eddios dessa faixa et\u00e1ria &#8211; s\u00e3o eles as maiores v\u00edtimas dos conflitos.<\/p>\n<p>Segundo o Atlas da Viol\u00eancia, que re\u00fane dados at\u00e9 2016, a taxa de mortes violentas entre jovens paraibanos de 15 a 29 anos chegou a 70,4 pessoas por grupo de 100 mil habitantes. Embora o n\u00famero seja considerado muito alto, ainda \u00e9 menor que os de Estados vizinhos, como Cear\u00e1 (87,6) e Pernambuco (105,3) &#8211; a m\u00e9dia nacional \u00e9 65.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Norte, cuja quadrilha Sindicato do Crime tamb\u00e9m aposta no aliciamento de jovens e adolescentes, o \u00edndice de assassinatos entre eles chega a 125,5 por 100 mil habitantes &#8211; alta de 734% em 20 anos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Rede de fac\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Segundo Marcelo Gerv\u00e1sio, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Agentes Penitenci\u00e1rios da Para\u00edba, os maiores pres\u00eddios do Estado t\u00eam alas separadas para integrantes da Okaida, Estados Unidos e PCC, mas a primeira ganha em n\u00famero.<\/p>\n<p>&#8220;Essa divis\u00e3o ocorre para garantir uma certa seguran\u00e7a do preso&#8221;, afirma.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A818\/production\/_96823034_7dcad1f1-8884-4254-afe1-80c81c13bc32.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A818\/production\/_96823034_7dcad1f1-8884-4254-afe1-80c81c13bc32.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Rebeli\u00e3o em Alca\u00e7uz\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">No pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, na regi\u00e3o metropolitana de Natal, ao menos 26 presos da fac\u00e7\u00e3o Sindicato do Crime foram mortos por integrantes do PCC. Direito de imagem AFP<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Do lado de fora das pris\u00f5es, a Okaida se aliou ao Sindicato do Crime em uma rede de fac\u00e7\u00f5es que se contrap\u00f5em \u00e0 presen\u00e7a do PCC no Norte e no Nordeste &#8211; tamb\u00e9m fazem parte o Comando Vermelho, do Rio, e a Fam\u00edlia do Norte, que atua na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Essa divis\u00e3o causou tr\u00eas massacres de presos em cadeias da regi\u00e3o em 2017 &#8211; os dois primeiros em Manaus e Boa Vista. O \u00faltimo ocorreu no pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, na Grande Natal &#8211; ao menos 26 homens ligados ao Sindicato do Crime foram mortos por detentos do PCC. O motim seria uma vingan\u00e7a pelo ataque em Manaus, quando dezenas de integrantes da fac\u00e7\u00e3o paulista foram assassinados por membros da Fam\u00edlia do Norte.<\/p>\n<p>Segundo o promotor Manoel Cacimiro Neto, do Gaeco, essa rede anti-PCC consegue abastecer a regi\u00e3o com drogas e armas vindas de pa\u00edses fronteiri\u00e7os, como Col\u00f4mbia e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>J\u00e1 o delegado Braz Morroni, ex-chefe da delegacia de narc\u00f3ticos da Para\u00edba, aponta que a Okaida consegue carregamentos oriundos do chamado &#8220;pol\u00edgono da maconha&#8221;, regi\u00e3o de Pernambuco conhecida por produzir grandes quantidades de&nbsp;<i>cannabis<\/i>.<\/p>\n<p>Para o deputado estadual paraibano Walber Virgolino (Patriotas), que foi secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria da Para\u00edba e do Rio Grande do Norte, um dos principais objetivos das fac\u00e7\u00f5es locais \u00e9 impedir que o PCC domine o tr\u00e1fico de drogas na regi\u00e3o. &#8220;Hoje, o PCC s\u00f3 n\u00e3o tem o controle da Para\u00edba por causa da Okaida&#8221;, diz o parlamentar, hoje na oposi\u00e7\u00e3o ao governador Jo\u00e3o Azevedo (PSB).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A &#8216;nova doutrina&#8217;<\/h2>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, houve uma cis\u00e3o na Okaida. Integrantes ficaram descontentes com o ent\u00e3o chefe do grupo, o detento Andr\u00e9 Quirino da Silva, conhecido como F\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns membros ficaram muito irritados com a viol\u00eancia praticada por esse l\u00edder. F\u00e3o mandava matar pessoas da pr\u00f3pria fac\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Braz Morroni, hoje titular da delegacia de roubos e furtos.<\/p>\n<p>Surgiu uma dissid\u00eancia chamada Okaida RB (iniciais dos apelidos de presos conhecidos como Ro Psicopata e Betinho, criadores do novo grupo). Rapidamente, a nova fac\u00e7\u00e3o ganhou milhares de adeptos (6 mil, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico), assumindo a maior parte do poder da antiga.<\/p>\n<p>Embora a Okaida RB ainda seja inimiga declarada do PCC, ela passou a seguir parte de suas &#8220;doutrinas&#8221;, segundo Morroni. A nova estrat\u00e9gia, que inclui ditar um c\u00f3digo de conduta nos bairros, tenta diminuir os assassinatos e roubos pr\u00f3ximos de pontos de venda de droga &#8211; com isso, a fac\u00e7\u00e3o evita a presen\u00e7a da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>&#8220;O foco s\u00e3o os neg\u00f3cios e n\u00e3o mais a viol\u00eancia extrema. Antigamente, d\u00edvidas de tr\u00e1fico eram punidas com a morte. Hoje, a Okaida negocia outras formas de pagamento &#8220;, afirma o delegado.<\/p>\n<p>Para o promotor Manoel Cacimiro Neto, a Okaida &#8220;n\u00e3o possui uma estrutura hierarquizada r\u00edgida, a exemplo do PCC&#8221;. Ou seja, apesar de existirem chefes com maior influ\u00eancia, a fac\u00e7\u00e3o &#8220;pulverizou&#8221; o poder em v\u00e1rios territ\u00f3rios, segundo Neto.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16E44\/production\/_94246739_gettyimages-631961530.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16E44\/production\/_94246739_gettyimages-631961530.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Siglas de fac\u00e7\u00f5es pichadas nas paredes da Penitenci\u00e1ria Estadual de Alca\u00e7uz durante rebeli\u00e3o no Rio Grande do Norte\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Os muros do pres\u00eddio de Alca\u00e7uz, no Rio Grande do Norte, mostram diversas siglas de fac\u00e7\u00f5es: PCC, Sindicato do Crime, Fam\u00edlia do Norte e Comando Vermelho. Direito de imagem ANDRESSA ANHOLETE\/AFP\/GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A expans\u00e3o<\/h2>\n<p>A ascens\u00e3o da Okaida coincide com uma sequ\u00eancia de quedas dos homic\u00eddios na Para\u00edba. Segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro da Seguran\u00e7a P\u00fablica, que compila dados das secretarias estaduais da \u00e1rea, o Estado registrou 1.286 assassinatos em 2017 &#8211; baixa de 16,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2014.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, boa parte da queda est\u00e1 relacionada ao programa de redu\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios do governo estadual, o &#8220;Para\u00edba Unida pela Paz&#8221;, que conseguiu diminuir a taxa de homic\u00eddios para 31,9 mortes a cada 100 mil habitantes em sete anos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a Okaida expandiu seus bra\u00e7os para outros cidades paraibanas. A fac\u00e7\u00e3o atua em munic\u00edpios como Cachoeira dos \u00cdndios e Campina Grande, a segunda maior cidade do Estado.<\/p>\n<p>Reportagem do jornal Correio da Para\u00edba mostrou que v\u00e1rios bairros da periferia de Campina Grande j\u00e1 est\u00e3o ocupados pelo grupo criminoso &#8211; em um deles, por exemplo, integrantes da fac\u00e7\u00e3o t\u00eam o controle at\u00e9 das chaves de uma escola p\u00fablica.<\/p>\n<p>Ao sul, c\u00e9lulas da Okaida tamb\u00e9m foram desmontadas pela pol\u00edcia em cidades de Pernambuco.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o do ano passado, uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil descobriu que integrantes da Okaida estavam organizando roubos e o tr\u00e1fico de drogas em Camutanga, munic\u00edpio na zona da mata pernambucana. Outra c\u00e9lula foi descoberta neste m\u00eas em Afogados, bairro do Recife.<\/p>\n<p>Os pres\u00eddios pernambucanos tamb\u00e9m t\u00eam presen\u00e7a de integrantes da Okaida, segundo Jo\u00e3o Carvalho, presidente do sindicato dos agentes penitenci\u00e1rios local. &#8220;Nas cadeias de Pernambuco, a for\u00e7a das fac\u00e7\u00f5es se divide entre PCC, Okaida e Comando Vermelho&#8221;, diz.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os pres\u00eddios e o que dizem os governos<\/h2>\n<p>Tanto a Para\u00edba quanto Pernambuco t\u00eam superlota\u00e7\u00e3o em suas cadeias. Aliada \u00e0 precariedade estrutural dos espa\u00e7os, o aumento exponencial da massa carcer\u00e1ria facilita, em tese, o aliciamento de novos &#8220;soldados&#8221; pelas fac\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>Segundo o Conselho Nacional de Justi\u00e7a, a Para\u00edba apresenta um d\u00e9ficit de 5.430 vagas no sistema carcer\u00e1rio &#8211; no total, o Estado tem 13.189 presos. O governo diz que tem investido na cria\u00e7\u00e3o de novos pres\u00eddios.<\/p>\n<p>J\u00e1 Pernambuco tem 32.884 detentos para 11.689 vagas &#8211; d\u00e9ficit de mais de 21 mil. O governo de Paulo C\u00e2mara (PSB) afirma que &#8220;criou nos \u00faltimos quatro anos 2.374 vagas nos pres\u00eddios&#8221; para diminuir a superlota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a expans\u00e3o da Okaida, o governo da Para\u00edba diz que programas estaduais de redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia t\u00eam dado certo. &#8220;O resultado foi a queda de crimes contra a vida durante sete anos consecutivos no Estado e tamb\u00e9m nos primeiros tr\u00eas meses de 2019.&#8221;<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Leandro Machado d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 19\/04\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era para ser uma esp\u00e9cie de clipe musical sobre o crime na Para\u00edba. Sete jovens est\u00e3o com os rostos cobertos por panos brancos. Ao viol\u00e3o, um deles toca uma melodia roqueira. Tr\u00eas garotos, mais atr\u00e1s, carregam facas e fazem movimentos de dan\u00e7a como se estivessem golpeando algu\u00e9m. \u00c0 frente, o vocalista nomeia a m\u00fasica: &#8220;Mago [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":35657,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-35656","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/106490003_okaidacorreiodapb.jpg?fit=624%2C351&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35656\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}