{"id":36112,"date":"2019-05-06T01:00:10","date_gmt":"2019-05-06T04:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=36112"},"modified":"2019-05-05T20:07:03","modified_gmt":"2019-05-05T23:07:03","slug":"economia-demora-a-reagir-e-desemprego-corroi-renda-das-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/05\/06\/economia-demora-a-reagir-e-desemprego-corroi-renda-das-familias\/","title":{"rendered":"Economia demora a reagir, e desemprego corr\u00f3i renda das fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<div class=\"paywall__site-container\">\n<article><main class=\"main-content\"><\/p>\n<article class=\"article\">\n<header class=\"article-header article-header--\">\n<div class=\"article-header__container\">\n<div class=\"article-header__content\">\n<div class=\"article__subtitle\">Redu\u00e7\u00e3o em atividades de lazer e at\u00e9 mesmo venda de utens\u00edlios da casa s\u00e3o feitas para organizar o or\u00e7amento. Foram o ar-condicionado, o teclado, o cavaquinho e, por \u00faltimo, o smartphone. Deram lugar \u00e0s compras de supermercado na casa de Priscilla Carlos, de 27 anos, Wagner Carlos, de 40, e dos tr\u00eas filhos, de 11 anos, 6 anos e 8 meses. Nos \u00faltimos cinco meses, a fam\u00edlia de Mesquita, na Baixada Fluminense, viu a <strong>renda<\/strong> despencar de R$ 3 mil mensais para zero, com a <strong>demiss\u00e3o<\/strong>&nbsp;dos dois no fim do ano passado.<\/div>\n<div>00<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article__content-container protected-content\">\n<p>\u2014 Ou vend\u00edamos para comer ou pass\u00e1vamos fome. Chegamos ao ponto de olhar um pro outro e chorar. Os meninos t\u00eam merenda na escola. De noite, comemos feij\u00e3o com farinha. N\u00e3o tem arroz \u2014 diz Priscilla, demitida de uma empresa de servi\u00e7os gerais.<\/p>\n<p>Os economistas n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos a projetar uma economia mais fraca este ano \u2014 do avan\u00e7o de 2,5%, estimado no in\u00edcio de 2019, para 1,7% agora. Com a demora de sinais de melhora no mercado de trabalho, a inseguran\u00e7a aumenta nas fam\u00edlias ap\u00f3s mais de quatro anos de alto desemprego e renda estagnada.<\/p>\n<p>O medo do&nbsp;<strong>desemprego<\/strong>&nbsp;, que chegou a cair com a expectativa do novo governo, voltou a subir para 57 pontos, de acordo com pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). O indicador s\u00f3 foi maior no in\u00edcio dos anos 2000 \u2014 o levantamento \u00e9 feito desde 1996 \u2014, logo ap\u00f3s a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial que fez a economia estagnar no ano seguinte. Entre os que ganham menos, como a fam\u00edlia de Priscilla e Wagner, esse medo sobe para 68 pontos. A m\u00e9dia hist\u00f3rica \u00e9 de 49,9.<\/p>\n<h2>Necessidade de reformas<\/h2>\n<p>Para analistas, a perspectiva de reformas como a da Previd\u00eancia e a tribut\u00e1ria, que podem melhorar as contas p\u00fablicas e aumentar a confian\u00e7a dos empres\u00e1rios para investir, pode significar uma luz no fim do t\u00fanel do mercado de trabalho. Desde que o Brasil registrou a menor taxa de desemprego, de 6,2% no \u00faltimo trimestre de 2013, o \u00edndice dobrou e n\u00e3o cede. O pa\u00eds j\u00e1 tem 13,4 milh\u00f5es de desocupados, 7,4 milh\u00f5es a mais que no fim de 2013.<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil tem que fazer as reformas sim, mas sem perder o olhar para desigualdade. Tem que resolver a quest\u00e3o fiscal e sair dessa situa\u00e7\u00e3o de incerteza, para dar um choque de confian\u00e7a e reativar o mercado de trabalho \u2014 diz Marcelo Neri, diretor da FGV Social.<\/p>\n<p>Ele lembra que o mercado de trabalho chegou a recuar seis anos em seis meses e que o bem-estar (indicador que une desemprego e desigualdade) desceu a ladeira ap\u00f3s 2014:<\/p>\n<p>\u2014Estamos num momento pior que antes de 2012. O PIB teve alguma retomada (a economia cresceu 1% em 2017 e em 2018), mas, no \u00edndice de bem-estar, houve perda.<\/p>\n<h2>Falta dinheiro at\u00e9 para o \u00f4nibus<\/h2>\n<p>O desemprego derrubou a qualidade de vida na casa de Irani Pac\u00edfico e Ednaldo Moraes. Ela foi dispensada do emprego de vigilante h\u00e1 dez meses e se juntou \u00e0s tr\u00eas filhas, de 20, 26 e 31 anos, todas desempregadas. Ednaldo, que trabalha na constru\u00e7\u00e3o civil, \u00e9 o \u00fanico sal\u00e1rio da casa. A renda da fam\u00edlia caiu de R$ 4 mil para R$ 1.800 por m\u00eas. Agora, eles t\u00eam que decidir quem sai para procurar emprego. N\u00e3o h\u00e1 dinheiro para a passagem de \u00f4nibus para as quatro desempregadas ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>\u2014 Compras no mercado, luz, g\u00e1s e \u00e1gua n\u00e3o podem faltar. Cart\u00e3o de cr\u00e9dito, com juros, pode esperar. A gente balanceia uma, balanceia outra, e vai vivendo \u2014 diz Ednaldo.<\/p>\n<p>Com a crise no mercado de trabalho, a massa de renda dos trabalhadores n\u00e3o cresce desde novembro, afetando o consumo. Quase metade do or\u00e7amento das fam\u00edlias est\u00e1 comprometido com d\u00edvidas. S\u00e3o 63 milh\u00f5es de inadimplentes, afastados do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Com o poder de compra comprometido, a ind\u00fastria, que historicamente elegia a alta carga tribut\u00e1ria como o principal problema, come\u00e7a a ver a demanda insuficiente como o principal entrave aos neg\u00f3cios. Foi essa a leitura de quase 40% dos empres\u00e1rios industriais em mar\u00e7o, de acordo com a sondagem da ind\u00fastria da CNI.<\/p>\n<p>\u2014 Os que est\u00e3o empregados est\u00e3o vendo que n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil conseguir se recolocar. Soma-se a isso a aus\u00eancia de boas not\u00edcias na atividade econ\u00f4mica \u2014 diz Marcelo Azevedo, economista da CNI. \u2014 As empresas est\u00e3o com estoque acima do planejado. A situa\u00e7\u00e3o financeira, que vinha melhorando aos poucos, voltou a piorar. H\u00e1 v\u00e1rios sinais preocupantes para atividade, produ\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de capacidade instalada.<\/p>\n<p>Os profissionais de maior renda n\u00e3o escapam do desemprego. A advogada Maria \u00c2ngela Teixeira, 50 anos, e o engenheiro civil Julio Cesar Smiderle, 56, tiveram que cortar boa parte dos gastos ap\u00f3s a demiss\u00e3o dele de uma empresa de constru\u00e7\u00e3o civil, em janeiro de 2018: reduziram gastos com lazer, instalaram kit g\u00e1s no carro, trocaram a viagem a Fortaleza por Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p>Julio j\u00e1 tentou ser motorista de aplicativo e vendedor de plano de sa\u00fade. N\u00e3o conseguiu entrevista na sua \u00e1rea. Depois que a renda caiu de R$ 15 mil mensais para R$ 5 mil, parou de contribuir para o INSS, o que o faz ficar preocupado com a aposentadoria no futuro:<\/p>\n<p>\u2014 D\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o, mas entre o amanh\u00e3 e o hoje, penso primeiro no hoje.<\/p>\n<p>Embora a infla\u00e7\u00e3o siga sem amea\u00e7ar a meta do Banco Central, de 4,25% ao ano, a alta de 2% dos alimentos em mar\u00e7o, a maior desde junho de 2018, faz diferen\u00e7a no cotidiano de quem est\u00e1 no aperto h\u00e1 muito tempo. Em 12 meses, o tomate subiu 28,5%. Batata e feij\u00e3o carioca saltaram 91% e 135%, respectivamente. Tamb\u00e9m subiram energia el\u00e9trica, combust\u00edveis e transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>Segundo Silvia Matos, economista da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, a satisfa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o atual, medida pelas sondagens do consumidor, praticamente n\u00e3o cresceu ap\u00f3s o fim da recess\u00e3o em 2016.<\/p>\n<p>\u2014 As fam\u00edlias viram que a melhora foi pouca, porque o desemprego continua alto e, nos primeiros meses do ano, a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos, que tem peso maior no or\u00e7amento das fam\u00edlias mais pobres, voltou a subir. Alta de pre\u00e7os de alimentos e do desemprego \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o muito desfavor\u00e1vel \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<h2>Colch\u00e3o de transfer\u00eancias<\/h2>\n<p>De acordo com dados da Tend\u00eancias Consultoria, as classes D\/E, que concentravam 51,9% das fam\u00edlias em 2014, passaram a representar 55,4%. J\u00e1 a parcela da Classe C caiu de 28,7% para 26,1%. E a desigualdade persiste. A renda na Classe C ficou estagnada e nas classes D\/E caiu 0,5%. Na Classe A, subiu 7%.<\/p>\n<p>\u2014 Essa divis\u00e3o de classes de 2014 s\u00f3 deve voltar em 2023, 2024. N\u00e3o vai ter o boom de com\u00e9rcio e servi\u00e7os, que crescia o dobro do PIB e impulsionou a Classe C. Esse panorama n\u00e3o veremos mais \u2014 diz Camila Saito, da Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>Na casa de Wagner, que teve que vender os instrumentos para comer, a aposentadoria da m\u00e3e dele, Vera L\u00facia, ajuda nas compras do m\u00eas. E a fam\u00edlia entrou com pedido para receber o Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u2014 Minha sogra d\u00e1 dinheiro para comprar passagem e comida para as crian\u00e7as. \u00c9 um anjo que caiu do c\u00e9u \u2014 diz Priscilla, mulher de Wagner.<\/p>\n<p>Para o soci\u00f3logo Elimar Nascimento, da UnB, os efeitos de uma crise prolongada seriam maiores sem o colch\u00e3o de transfer\u00eancias do governo e a solidariedade.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o apaga a situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria, mas reduz o sofrimento cotidiano \u2014 diz Nascimento, acrescentando que o maior dano da atual estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 coletivo. \u2014 H\u00e1 um esgar\u00e7amento do tecido social, da coes\u00e3o social, e uma descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: C\u00e1ssia Almeida, Daiane Costa e Pedro Capetti (Estagi\u00e1rio sob supervis\u00e3o de Daiane Costa) \/O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 06\/05\/2019 &nbsp;<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<p><\/main><\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Redu\u00e7\u00e3o em atividades de lazer e at\u00e9 mesmo venda de utens\u00edlios da casa s\u00e3o feitas para organizar o or\u00e7amento. 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