{"id":36888,"date":"2019-06-07T01:00:51","date_gmt":"2019-06-07T04:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=36888"},"modified":"2019-06-07T04:35:41","modified_gmt":"2019-06-07T07:35:41","slug":"06-06-1944-as-ultimas-testemunhas-do-dia-d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/06\/07\/06-06-1944-as-ultimas-testemunhas-do-dia-d\/","title":{"rendered":"06\/06\/1944: As \u00faltimas testemunhas do Dia D"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Passados 75 anos da invas\u00e3o da Normandia pelas tropas aliadas, muitos dos sobreviventes j\u00e1 est\u00e3o na casa dos 90 anos. Um veterano e moradores da regi\u00e3o relembram a batalha que mudou os rumos da Segunda Guerra.<\/p>\n<p>Um peda\u00e7o solit\u00e1rio de concreto na areia da praia de Omaha, na Normandia, foi batizado recentemente pela administra\u00e7\u00e3o da cidade de Colleville-sur-Mer de Rocha do Ray, lembrando o veterano da Segunda Guerra Mundial, Ray Lambert. O m\u00e9dico usou a rocha para proteger seus pacientes feridos dos tiros alem\u00e3es 75 anos atr\u00e1s, durante o ataque do desembarque do Dia D, que libertou a Normandia e mudou os rumos do conflito.<\/p>\n<p>No ano passado, a cidade, que abriga o cemit\u00e9rio americano, colocou uma placa na rocha com o nome de Lambert e de seus colegas m\u00e9dicos. &#8220;Eu posso vir aqui e ver meus homens e sei que eles est\u00e3o sendo lembrados. Seus nomes est\u00e3o aqui permanentemente agora&#8221;, diz&nbsp;Lambert diante do monumento. &#8220;Alguns t\u00eam a&nbsp;minha idade hoje, e muitos deles morreram.&#8221;<span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<div class=\"picBox full\">\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/49067938_303.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Veterano da Segunda Guerra americano Ray Lambert diante da placa em sua homenagem, na praia de Omaha\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/49067938_303.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Veterano da Segunda Guerra americano Ray Lambert diante da placa em sua homenagem, na praia de Omaha\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Veterano da Segunda Guerra americano Ray Lambert diante da placa em sua homenagem, na praia de Omaha<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Enquanto os l\u00edderes mundiais, incluindo o presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se re\u00fanem nas praias da regi\u00e3o para celebrar o 75\u00ba anivers\u00e1rio dos desembarques do Dia D, \u00e9 prov\u00e1vel que esta seja a \u00faltima grande comemora\u00e7\u00e3o oficial que conte com a participa\u00e7\u00e3o de veteranos da Segunda Guerra Mundial, que est\u00e3o agora na casa dos 90 anos.<\/p>\n<p>Lambert, de 98 anos, retornou ao longo dos anos para falar nessas cerim\u00f4nias, e ele veio sozinho, disse. &#8220;Apenas para&nbsp;estar aqui e olhar para o canal e lembrar dos meus homens&#8221;, frisa.<\/p>\n<p>Ele ressalta que esta \u00e9 a \u00faltima vez que viaja \u00e0 Normandia. Crescidos na zona rural do estado do Alabama, Lambert e seu irm\u00e3o Bill se alistaram para o Ex\u00e9rcito dos EUA. Eles combateram no norte da \u00c1frica em 1943 e depois na Sic\u00edlia. Ray Lambert foi ferido em ambas as miss\u00f5es e foi condecorado por bravura.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os enfrentaram juntos o banho de sangue da praia de Omaha&nbsp;no Dia D, 6 de junho de 1944. &#8220;N\u00f3s pod\u00edamos ouvir as balas nas rampas como se fossem granizo, ent\u00e3o sab\u00edamos que quando a rampa ca\u00edsse balas entrariam e matariam alguns dos nossos homens, mas n\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos quem&#8221;, lembra&nbsp;Lambert.<\/p>\n<div class=\"picBox full rechts \">\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/49068020_401.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Fotografia em preto e branco de Ray Lambert quando soldado\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/49068020_401.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fotografia em preto e branco de Ray Lambert quando soldado\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ray Lambert foi condecorado por suas atua\u00e7\u00f5es no norte da \u00c1frica e na Sic\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Lambert disse que algo \u2013 uma bala ou bomba \u2013 atingiu seu cotovelo. Ele mergulhou na \u00e1gua e chegou \u00e0 praia, onde ficou ainda mais exposto, enquanto tentava ajudar seus companheiros feridos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o havia nada para proteg\u00ea-los, ent\u00e3o eu estava olhando em volta e vi essa pedra e disse aos meus homens que ter\u00edamos que colocar aqueles caras atr\u00e1s da rocha&#8221;, lembra Lambert.<\/p>\n<p>Lambert e sua equipe de m\u00e9dicos continuaram correndo de volta para a linha de fogo para arrastar soldados feridos para tr\u00e1s do bloco de concreto, mesmo ap\u00f3s Lambert ser gravemente ferido, dessa vez na perna. Ele acordou mais tarde em um hospital militar ao lado de seu irm\u00e3o, que tamb\u00e9m havia sido ferido.<\/p>\n<p><strong>Em mem\u00f3ria dos&nbsp;companheiros<\/strong><\/p>\n<p>Entre junho e agosto de 1944, cerca de 225 mil militares foram mortos, feridos ou desapareceram na invas\u00e3o da Normandia, a Opera\u00e7\u00e3o Overlord.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o de Lambert, Bill, morreu em 2010. Apesar de terem passado por tr\u00eas invas\u00f5es juntos, ele diz que n\u00e3o discutiram muito entre si sobre a guerra quando esta acabou. Lambert, como muitos veteranos da Segunda Guerra Mundial, tamb\u00e9m n\u00e3o contava&nbsp;suas experi\u00eancias aos outros.<\/p>\n<div class=\"col3 right\">\n<div class=\"group\">\n<div class=\"standaloneWrap\">\n<div class=\"imgTeaserL video\" data-media-id=\"49082739\">\n<div class=\"mediaItem\" data-media-id=\"49082739\">\n<div class=\"teaserContentWrap information\">\n<h2>Dia D: imagens da Normandia 75 anos depois<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, percebi que&nbsp;se n\u00e3o contasse essas hist\u00f3rias sobre meus homens, eles n\u00e3o poderiam faz\u00ea-lo&#8221;, disse Lambert. &#8220;Senti que era minha responsabilidade e obriga\u00e7\u00e3o contar \u00e0s pessoas sobre a guerra e o que eles fizeram.&#8221;<\/p>\n<p>Agora, a Rocha de Ray vai lembrar Lambert e seus bravos m\u00e9dicos ainda por muito tempo ap\u00f3s a morte dele, assim como seu rec\u00e9m-publicado livro de mem\u00f3rias sobre aquele dia horripilante,&nbsp;<em>Every Man a Hero<\/em>&nbsp;(Todo homem um her\u00f3i, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Antes de voltar para os Estados Unidos, Lambert diz que vai tomar um \u00faltimo copo de calvados, o destilado de ma\u00e7\u00e3 t\u00edpico da regi\u00e3o. &#8220;Eu n\u00e3o sei se vai me curar ou me matar&#8221;, diz, rindo.<\/p>\n<p><strong>Lembran\u00e7as de moradores&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00famero de franceses da regi\u00e3o que se lembram do dia em que os aliados chegaram&nbsp;tamb\u00e9m est\u00e1 diminuindo. Marguerite e R\u00e9my Cassigneul viveram sob ocupa\u00e7\u00e3o nazista durante quatro anos em Tailleville, nos arredores&nbsp;da praia de Juno, quando os aliados chegaram.<\/p>\n<p>R\u00e9my disse que os alem\u00e3es fizeram com que os homens vigiassem as ferrovias e cortassem \u00e1rvores para colocar nos campos para evitar que avi\u00f5es pousassem. Eles tamb\u00e9m impuseram um severo toque de recolher \u00e0s 22h.<\/p>\n<div class=\"picBox full rechts \">\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/49071535_401.jpg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Marguerite e R\u00e9my Cassigneul\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/49071535_401.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Marguerite e R\u00e9my Cassigneul\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Marguerite e R\u00e9my Cassigneul viveram durante quatro anos sob ocupa\u00e7\u00e3o nazista<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Marguerite, ent\u00e3o com 17 anos, lembra-se de acordar ao som alto de explos\u00f5es e tiros. Por volta das 3h, ela e sua fam\u00edlia fugiram de casa para se esconder&nbsp;em uma trincheira que haviam cavado, e depois abrigaram-se em um est\u00e1bulo com cerca de 30 outros.<\/p>\n<p>\u00c0s 17h do dia seguinte, uma baioneta apareceu na porta e soldados gritaram para eles em franc\u00eas, pedindo para levantarem as m\u00e3os. O calor da batalha havia diminu\u00eddo, e os canadenses haviam chegado. Marguerite disse que eles serviram calvados aos soldados.<\/p>\n<p>Eles pensaram que a guerra havia acabado, mas ent\u00e3o viram dois soldados canadenses mortos na estrada por metralhadoras alem\u00e3s. Os soldados os fizeram deixar suas casas para o caso de os alem\u00e3es retornarem. Marguerite e sua prima desceram a praia de Juno para ver o resultado da batalha.<\/p>\n<p>&#8220;Havia barcos at\u00e9 onde a vista alcan\u00e7ava&#8221;, disse ela, sentada \u00e0 sua mesa de jantar em Saint-Aubin-sur-Mer. Aos 92 anos, ela ainda chora ao contar sobre as&nbsp;fileiras de corpos na praia de Juno, onde as tropas canadenses desembarcaram. Desde ent\u00e3o, ela n\u00e3o gosta de ir \u00e0 praia. &#8220;Isso vai ficar com a gente&#8221;, conta. &#8220;Ainda hoje, n\u00e3o entendo como as pessoas podem se divertir nas praias.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:&nbsp; Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 07\/06\/2019<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Imagens da Normandia 75 anos depois do &quot;Dia D&quot;\" width=\"696\" height=\"522\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LHCKoaZEZ2k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 75 anos da invas\u00e3o da Normandia pelas tropas aliadas, muitos dos sobreviventes j\u00e1 est\u00e3o na casa dos 90 anos. 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