{"id":36909,"date":"2019-06-07T01:05:55","date_gmt":"2019-06-07T04:05:55","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=36909"},"modified":"2019-06-07T04:42:10","modified_gmt":"2019-06-07T07:42:10","slug":"perspectivas-desoladoras-para-o-desemprego-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/06\/07\/perspectivas-desoladoras-para-o-desemprego-no-brasil\/","title":{"rendered":"Perspectivas desoladoras para o desemprego no Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Mesmo que a conjuntura melhore, milh\u00f5es de brasileiros devem continuar sem trabalho na pr\u00f3xima d\u00e9cada, em meio \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o e ao abismo entre baixa qualifica\u00e7\u00e3o profissional e exig\u00eancias dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>O economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV IBRE), divulgou nesta semana progn\u00f3sticos desoladores: com um crescimento econ\u00f4mico anual projetado de menos de 2%, s\u00f3 em 2033 o desemprego no Brasil retroceder\u00e1 novamente para abaixo dos 10%.<\/p>\n<p>No momento, 12,5% da popula\u00e7\u00e3o economicamente&nbsp;ativa est\u00e1 sem trabalho, depois de um m\u00ednimo de 6,2% em 2013. Contudo, na \u00e9poca o governo pagou caro por esse n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o, com um d\u00e9ficit estatal alto \u2013 muito mais gastos do que arrecada\u00e7\u00e3o \u2013 e pre\u00e7os elevados de energia e transporte, por exemplo. A economia do pa\u00eds sofre at\u00e9 hoje as consequ\u00eancias dessa &#8220;pol\u00edtica de emprego&#8221;.<span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><span dir=\"ltr\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<div class=\"picBox full\">\n<figure style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/48260461_303.jpeg?ssl=1\" rel=\"nofollow\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Funcion\u00e1rios de call-center\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.dw.com\/image\/48260461_303.jpeg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Funcion\u00e1rios de call-center\" width=\"696\" height=\"392\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Call center \u00e9 sa\u00edda para cada vez mais universit\u00e1rios e jovens com ensino m\u00e9dio completo<\/figcaption><\/figure>\n<p>Hoje s\u00e3o 13,2 milh\u00f5es de desempregados, e os n\u00fameros s\u00e3o ainda mais desoladores, se considerados tamb\u00e9m os que est\u00e3o subempregados ou desistiram de procurar trabalho, com o total de afetados chegando a 28,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o: com 512&nbsp;milh\u00f5es de habitantes, ou seja, cerca de duas vezes e meia a popula\u00e7\u00e3o do Brasil, a Uni\u00e3o Europeia tem 16&nbsp;milh\u00f5es de desempregados, al\u00e9m de redes de assist\u00eancia social ausentes no Brasil. E&nbsp;isso apesar de alguns Estados do bloco europeu tamb\u00e9m apresentarem taxa alta de desemprego.<\/p>\n<p>Por mais sombrios que soem os progn\u00f3sticos de Duque, \u00e9 preciso notar que eles se baseiam em estimativas conjunturais otimistas. Um crescimento m\u00e9dio do PIB de cerca de 2% ao ano \u00e9 bem superior ao que o Brasil tem apresentado&nbsp;historicamente. Desde 1980 o crescimento per capita tem estado bem abaixo da m\u00e9dia da economia mundial, limitando-se a cerca de 1% ao ano.<\/p>\n<p>O pa\u00eds ainda n\u00e3o tomou consci\u00eancia da bomba prestes a explodir em seu mercado de trabalho. Pois o desemprego ainda deve crescer, quando, devido \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, ainda mais cidad\u00e3os perderem seus empregos. A recess\u00e3o e o mercado fechado, com pouca concorr\u00eancia, proporcionou \u00e0s empresas nacionais uma pausa para respirar, em termos de moderniza\u00e7\u00e3o e automatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas a produtividade das empresas brasileiras est\u00e1 estagnada. Por\u00e9m os planos de abertura do mercado as for\u00e7am agora a modernizar suas unidades&nbsp;\u2013&nbsp;do contr\u00e1rio, n\u00e3o ter\u00e3o chance contra os produtos importados, e muito menos poder\u00e3o competir na exporta\u00e7\u00e3o: a palavra-chave \u00e9 &#8220;ind\u00fastria 4.0&#8221;. Nesse processo de reestrutura\u00e7\u00e3o, os brasileiros perder\u00e3o postos de trabalho em massa, acompanhando a reviravolta estrutural que se realiza em todo o mundo.<\/p>\n<p>A grande diferen\u00e7a \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o profissional dos brasileiros \u00e9 especialmente deficiente. Um exemplo: a firma Atento, que opera redes de call centers e telemarketing e se apresenta como maior empregadora do pa\u00eds, recentemente anunciou 1.200 vagas na bolsa de empregos de S\u00e3o Paulo. Apresentaram-se 600 interessados, e apenas sete vagas foram preenchidas. A rede de supermercados P\u00e3o de A\u00e7\u00facar tamb\u00e9m ofereceu 2&nbsp;mil empregos: 700 pessoas pareciam ser adequadas para vagas, mas somente 32 postos foram ocupados at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Segundo Ricardo Patah, presidente da Uni\u00e3o Geral do Trabalhadores (UGT), o motivo para tantas vagas abertas em meio ao alto desemprego \u00e9 a falta de candidatos que dominem as opera\u00e7\u00f5es aritm\u00e9ticas b\u00e1sicas, saibam se expressar e possuam conhecimentos m\u00ednimos de inform\u00e1tica que lhes permitam trabalhar no caixa ou operar um PC com monitor.<\/p>\n<p>O abismo entre as exig\u00eancias dos empres\u00e1rios e a qualifica\u00e7\u00e3o existente fica cada vez maior: dos 13,4&nbsp;milh\u00f5es de desempregados no primeiro trimestre de 2019, 635&nbsp;mil eram considerados dif\u00edceis de colocar no mercado \u2013 mais do que o dobro do que em 2014, antes da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Fabio Bentes, economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC), calcula que dentro de dez anos 1,4&nbsp;milh\u00e3o de brasileiros n\u00e3o ter\u00e3o qualquer chance de conseguir emprego por falta de qualifica\u00e7\u00e3o, mesmo que o pa\u00eds volte a crescer economicamente. Cada vez mais universit\u00e1rios ou jovens com ensino m\u00e9dio completo assumem fun\u00e7\u00f5es simples, de caixa ou num call center, os quais, a rigor, s\u00e3o empregos t\u00edpicos de baixa qualifica\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Ainda assim, h\u00e1 um lampejo de esperan\u00e7a no mercado de trabalho brasileiro: pela primeira vez em quatro anos, no primeiro semestre de 2019 aumentou o n\u00famero dos empregados fixos.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 07\/06\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo que a conjuntura melhore, milh\u00f5es de brasileiros devem continuar sem trabalho na pr\u00f3xima d\u00e9cada, em meio \u00e0 digitaliza\u00e7\u00e3o e ao abismo entre baixa qualifica\u00e7\u00e3o profissional e exig\u00eancias dos empres\u00e1rios. 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