{"id":38640,"date":"2019-08-03T01:30:06","date_gmt":"2019-08-03T04:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=38640"},"modified":"2019-08-02T19:35:49","modified_gmt":"2019-08-02T22:35:49","slug":"uma-nova-corrida-armamentista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/08\/03\/uma-nova-corrida-armamentista\/","title":{"rendered":"Uma nova corrida armamentista?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 claro que acordo de armas nucleares INF tinha lacunas. Mas, em vez de enterr\u00e1-lo completamente, as pot\u00eancias nucleares deveriam t\u00ea-lo modernizado. S\u00f3 que falta vontade para tal, opina jornalista Bernd Riegert.<\/p>\n<p>O tratado que proibia os EUA e a R\u00fassia de desenvolver m\u00edsseis terrestres e de cruzeiro de m\u00e9dio alcance, equip\u00e1-los com armas nucleares e posicion\u00e1-los ficou para tr\u00e1s&nbsp;a partir desta sexta-feira (02\/08).<\/p>\n<p>Isso \u00e9 um fardo para a arquitetura de seguran\u00e7a na Europa, porque foi para esse continente que o Tratado de For\u00e7as Nucleares de Alcance Intermedi\u00e1rio (INF) foi assinado h\u00e1 32 anos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a corrida armamentista que precedeu o acordo, os EUA e a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica concordaram em abolir uma completa categoria de armamentos. Uma amea\u00e7a sup\u00e9rflua e onerosa foi eliminada por americanos e sovi\u00e9ticos, tamb\u00e9m em benef\u00edcio de seus respectivos aliados europeus.<\/p>\n<p>Assim, um campo de batalha em solo europeu tornou-se ainda mais improv\u00e1vel. No entanto, a l\u00f3gica de dissuas\u00e3o at\u00f4mica \u2013 quem atira primeiro \u00e9 o segundo a morrer \u2013 permanece v\u00e1lida at\u00e9 hoje, por\u00e9m num n\u00edvel mais baixo. No final da d\u00e9cada de 1980, os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ainda possu\u00edam 12 mil ogivas at\u00f4micas. Hoje existem por volta de 1,6 mil em cada lado.<\/p>\n<p>O fim do tratado INF mostra a crescente desconfian\u00e7a dos EUA e Otan, de um lado, e a R\u00fassia, do outro. Desde 2008, Moscou se tornou cada vez mais agressiva. A guerra na Ge\u00f3rgia, a ocupa\u00e7\u00e3o da Crimeia, o conflito no leste da Ucr\u00e2nia, o apoio ao regime de Bashar al-Assad na S\u00edria: as provoca\u00e7\u00f5es na fronteira leste da Otan s\u00e3o amea\u00e7adoras do posto de vista ocidental.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, o aumento do poderio militar que se observa o mais tardar desde 2014 (ou seja, n\u00e3o apenas sob o ca\u00f3tico presidente dos EUA, Donald Trump, mas muito antes), com os novos m\u00edsseis de cruzeiro russos, justifica o fim do tratado INF por parte dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o acordo n\u00e3o se encaixava mais no ambiente estrat\u00e9gico. Ele n\u00e3o inclu\u00eda pa\u00edses como a China, que por sua vez posicionou armas terrestres de m\u00e9dio alcance. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o oferecia nenhuma orienta\u00e7\u00e3o para abordar os novos sistemas de defesa antim\u00edsseis, que embora estejam sendo instalados em territ\u00f3rio da Otan contra amea\u00e7as do Ir\u00e3 ou da Coreia do Norte, enfrentam dura resist\u00eancia do Kremlin.<\/p>\n<p>A R\u00fassia, a Otan e os EUA, no entanto, n\u00e3o deveriam ter enterrado o acordo, mas deveriam moderniz\u00e1-lo com a participa\u00e7\u00e3o de outros parceiros, como a China. Poderiam ter sido considerados novos tipos de armas na internet ou rob\u00f4s assassinos. A oportunidade foi perdida pela R\u00fassia, e os EUA a perseguiram apenas de maneira pouco entusiasta.<\/p>\n<p>Agora, naturalmente, a consequ\u00eancia ser\u00e1 uma nova corrida armamentista. Os EUA j\u00e1 anunciaram o teste de novos m\u00edsseis de cruzeiro. O secret\u00e1rio-geral da Otan, Jens Stoltenberg, observou nesta sexta-feira que, nos anos 1980, precisou-se apenas um &#8220;retrofit armamentista&#8221; do Ocidente para fazer com que o Leste economicamente inferior assinasse o tratado.<\/p>\n<p>Tomara que as duas principais pot\u00eancias nucleares consigam pelo menos salvar o Novo Tratado Intercontinental de Armas de Fogo (New START), que visa reduzir o n\u00famero de armas nucleares de aniquilamento m\u00fatuo. A renegocia\u00e7\u00e3o desse acordo tamb\u00e9m deveria envolver, imperiosamente, outras pot\u00eancias nucleares, como Paquist\u00e3o, \u00cdndia, Israel, Coreia do Norte ou Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Tendo em vista o clima acirrado e a forte desconfian\u00e7a entre os atuais l\u00edderes da Casa Branca e do Kremlin, \u00e9 question\u00e1vel se isso pode ter sucesso. O controle armamentista \u00e9 urgentemente necess\u00e1rio, mas o caminho at\u00e9 l\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil de reconhecer.<\/p>\n<p>O rec\u00e9m-enterrado tratado INF s\u00f3 foi assinado em 1987, depois que os cabe\u00e7as-duras na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica foram substitu\u00eddos pelo secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev.<\/p>\n<p>Tomara que n\u00e3o tenhamos que esperar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o do Kremlin para poder negociar um acordo sensato de limita\u00e7\u00e3o de armamentos. Mas mesmo no lado americano, podem-se ter d\u00favidas leg\u00edtimas se o atual governo \u00e9 capaz de realizar conversas significativas sobre desarmamento.<\/p>\n<p>Um presidente imprevis\u00edvel que provoca muitos danos na \u00e1rea de pol\u00edtica externa e se cerca de falc\u00f5es n\u00e3o \u00e9 exatamente o que se pode chamar de uma figura encorajadora.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Bernd Riegert\/Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 03\/08\/2019<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 claro que acordo de armas nucleares INF tinha lacunas. Mas, em vez de enterr\u00e1-lo completamente, as pot\u00eancias nucleares deveriam t\u00ea-lo modernizado. S\u00f3 que falta vontade para tal, opina jornalista Bernd Riegert. 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