{"id":38910,"date":"2019-08-09T05:00:18","date_gmt":"2019-08-09T08:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=38910"},"modified":"2019-08-09T07:56:10","modified_gmt":"2019-08-09T10:56:10","slug":"quando-nem-bolsa-integral-basta-para-sonho-da-faculdade-sera-que-vou-sobreviver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/08\/09\/quando-nem-bolsa-integral-basta-para-sonho-da-faculdade-sera-que-vou-sobreviver\/","title":{"rendered":"Quando nem bolsa integral basta para sonho da faculdade: \u2018Ser\u00e1 que vou sobreviver?\u2019"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Bruno do Nascimento, de 32 anos, foi o primeiro da fam\u00edlia a entrar no ensino superior. Formado por uma escola p\u00fablica e autodeclarado negro, ele come\u00e7ou a estudar Publicidade e Propaganda em 2014, quando conseguiu uma bolsa integral pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni), na Universidade Presbiteriana Mackenzie, no centro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ler o pr\u00f3prio nome na lista de aprovados trouxe al\u00edvio a Nascimento, depois de tantos investimentos e horas de estudos para o vestibular. Para a m\u00e3e, Vera L\u00facia, de 60 anos, a conquista foi um sopro de esperan\u00e7a. Ter filho formado significa ver a trajet\u00f3ria de dificuldades da fam\u00edlia mudar.<\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">Bruno do Nascimento, de 32 anos, foi o primeiro da fam\u00edlia a entrar no ensino superior. Formado por uma escola p\u00fablica e autodeclarado negro, ele come\u00e7ou a estudar Publicidade e Propaganda em 2014, quando conseguiu uma bolsa integral pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni), na Universidade Presbiteriana Mackenzie, no centro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ler o pr\u00f3prio nome na lista de aprovados trouxe al\u00edvio a Nascimento, depois de tantos investimentos e horas de estudos para o vestibular. Para a m\u00e3e, Vera L\u00facia, de 60 anos, a conquista foi um sopro de esperan\u00e7a. Ter filho formado significa ver a trajet\u00f3ria de dificuldades da fam\u00edlia mudar.<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/151B5\/production\/_108235468_51966216_2095443930562457_4086213451414765568_n.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/151B5\/production\/_108235468_51966216_2095443930562457_4086213451414765568_n.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A estudante Veridiana Santana\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Moradora de Campo Limpo, Veridiana Santana, de 22 anos, estuda Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na FGV e recebe bolsa de estudos. Direito de imagem ARQUIVO PESSOAL<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em geral, a escolaridade no Brasil \u00e9 um fator determinante do n\u00edvel de renda e at\u00e9 dos limites de sal\u00e1rio. Em um pa\u00eds em que a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de quem tem ensino m\u00e9dio completo \u00e9 de R$ 1.000, o valor salta para R$ 4.600 para quem concluiu uma faculdade. Estatisticamente, ter pais que frequentaram a faculdade amplia as chances de os filhos atingirem o mesmo patamar.<\/p>\n<p>Mas, antes mesmo de pisar na universidade, Nascimento percebeu que os desafios tinham apenas come\u00e7ado. Morador de Campo dos Alem\u00e3es, bairro na periferia de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), o jovem precisou mudar para a capital do Estado \u2013 a alternativa seria se deslocar 105 km por dia, algo invi\u00e1vel financeira e fisicamente.<\/p>\n<p>Sem emprego, mesmo com a gratuidade no transporte municipal, os gastos com alimenta\u00e7\u00e3o e aluguel do im\u00f3vel que dividia com um amigo ultrapassavam o teto de R$ 400 de seu or\u00e7amento pessoal. Mesmo um emprego tempor\u00e1rio n\u00e3o foi suficiente para equilibrar as contas.<\/p>\n<p>Em 2015, Bruno trancou o curso e voltou a morar com a m\u00e3e em Campo dos Alem\u00e3es. Hoje, trabalha como designer, al\u00e9m de fazer frilas como analista de dados. O servi\u00e7o garante sua renda mensal, em torno de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, em m\u00e9dia. &#8220;A sensa\u00e7\u00e3o de fracasso me acompanha todos os dias desde que vim embora, n\u00e3o v\u00eam sendo f\u00e1cil&#8221;, diz o jovem, que tem pouca esperan\u00e7a de concluir a universidade t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea trancar a faculdade por um fator que n\u00e3o \u00e9 sua culpa \u00e9 pior. Trabalho, eu lembro que procurei em todo lugar, e n\u00e3o estava dando certo. Parece que n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea estar l\u00e1&#8221;, diz Nascimento.<\/p>\n<p>Criado em 2004, o ProUni concede bolsas integrais ou parciais em universidades privadas para estudantes que conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio em escolas p\u00fablicas ou que tiveram bolsas em escolas particulares. Em 2018, foram 117 mil beneficiados. O benef\u00edcio \u00e9 vinculado \u00e0 nota obtida pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) e a uma faixa de renda familiar mensal espec\u00edfica.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/178C5\/production\/_108235469_img-20190807-wa0029.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/178C5\/production\/_108235469_img-20190807-wa0029.jpg?resize=696%2C498&#038;ssl=1\" alt=\"Retrato de Bruno do Nascimento\" width=\"696\" height=\"498\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Bruno do Nascimento \u00e9 ex-aluno de Publicidade e morador do Campo dos Alem\u00e3es. Direito de imagem ARQUIVO PESSOAL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Dados mais recentes do Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o mostram que desde o in\u00edcio do ProUni at\u00e9 o primeiro semestre de 2017, mais de 115 mil bolsistas deixaram a universidade por evas\u00e3o. Entre os estudantes negros, essa taxa retrata a realidade de 63 mil alunos (pretos e pardos), ou 54%. J\u00e1 entre os estudantes brancos, essa taxa representa 48 mil alunos, ou 41%. A propor\u00e7\u00e3o de evas\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0 divis\u00e3o das vagas nas duas categorias \u2013 em 2018, dos 117 mil bolsistas, 71 mil eram pretos e pardos (61%) e 43 mil, brancos (37%).<\/p>\n<p>&#8220;A dificuldade no acompanhamento de estudos e a financeira s\u00e3o alguns [motivos] que podem resultar na evas\u00e3o, como tamb\u00e9m a ideia do complexo de impostor, que \u00e9 o entendimento dessas dificuldades como algo individual e n\u00e3o fruto de uma realidade social&#8221;, explica Dyane Brito Reis, professora e pesquisadora de Acesso e Perman\u00eancia de Jovens das Comunidades Negras no Ensino Superior da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo Baiano (UFRB).<\/p>\n<p>As inscri\u00e7\u00f5es do ProUni deste ano est\u00e3o abertas at\u00e9 30 de setembro para estudantes j\u00e1 matriculados.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Barreiras \u00e0 perman\u00eancia<\/h2>\n<p>Um das principais medidas adotadas para auxiliar estudantes de baixa renda no ensino superior \u00e9 o programa de bolsas de aux\u00edlio perman\u00eancia. O governo federal destina R$ 400 mensais para financiar os custos de estudantes do programa com bolsa integral do ProUni.<\/p>\n<p>As universidades privadas tamb\u00e9m t\u00eam seus pr\u00f3prios programas.<\/p>\n<p>Veridiana Santana, de 22 anos, moradora do Campo Limpo, na periferia de S\u00e3o Paulo, continua a lutar pelo sonho do diploma. Ela acorda \u00e0s 4h para chegar \u00e0s 7h na Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) no centro de S\u00e3o Paulo, onde tem uma bolsa de estudos e cursa Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Em geral, ela s\u00f3 volta para casa \u00e0 meia-noite.<\/p>\n<p>Na sala dela, dos 40 alunos, apenas outros cinco s\u00e3o negros como Veridiana Santana. Nacionalmente, apesar da pol\u00edtica de cotas, 34% dos estudantes universit\u00e1rios s\u00e3o negros, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Como o curso \u00e9 oferecido apenas em per\u00edodo integral, Santana n\u00e3o tem tempo para trabalhar. A m\u00e3e, Anisia Rodrigues, de 58 anos, \u00e9 quem custeia as faculdades da jovem e sua irm\u00e3 na universidade. Aposentada, ela ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas e trabalha como diarista para complementar a renda da sua casa. &#8220;Minha m\u00e3e sempre foi muito realista comigo. Sempre me diz: &#8216;Estuda, se n\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir melhorar de vida'&#8221;, conta.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 602px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1D1D\/production\/_108235470_veridianasantana.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1D1D\/production\/_108235470_veridianasantana.png?resize=602%2C261&#038;ssl=1\" alt=\"aluna veridiana santana\" width=\"602\" height=\"261\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A alimenta\u00e7\u00e3o se tornou um dos primeiros obst\u00e1culos no percurso acad\u00eamico de Veridiana Santana. Direito de imagem ARQUIVO PESSOAL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o se tornou um dos primeiros obst\u00e1culos no seu percurso acad\u00eamico. O custo mensal com as refei\u00e7\u00f5es \u00e9 de R$ 400. S\u00e3o R$ 20 di\u00e1rios que incluem almo\u00e7o, caf\u00e9 da manh\u00e3 e caf\u00e9 da tarde no restaurante da universidade \u2013 um valor negociado ap\u00f3s uma longa discuss\u00e3o entre a FGV e o grupo de bolsistas. Mesmo assim, equivale a 20% do sal\u00e1rio mensal da m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8220;Foram tr\u00eas anos tentando pular essa porta do acesso que est\u00e1 fechada. Mas, agora, eu questiono: ser\u00e1 que eu vou sobreviver tanto academicamente e at\u00e9 em quest\u00f5es f\u00edsicas mesmo, sabe?&#8221;<\/p>\n<p>Os aux\u00edlios que a FGV oferece a jovens com dificuldades financeiras funcionam como um financiamento estudantil: s\u00e3o bolsas semestrais para custos com alimenta\u00e7\u00e3o, transporte, moradia e material escolar, cujos valores precisam ser restitu\u00eddos \u00e0 institui\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o fim da gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os gastos anuais de Santana chegariam a R$ 10 mil, o equivalente a toda a renda familiar. Em outras palavras, inviabiliza o recurso porque ela n\u00e3o conseguiria pagar a d\u00edvida.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Alcance limitado do programa<\/h2>\n<p>O ex-bolsista do ProUni Bruno Nascimento chegou a buscar informa\u00e7\u00f5es sobre a bolsa-perman\u00eancia oferecida pelo Governo Federal, mas ela exige um m\u00ednimo de seis horas di\u00e1rias de aula e tr\u00eas anos de dura\u00e7\u00e3o em um curso presencial. A carga hor\u00e1ria m\u00e9dia di\u00e1ria de Nascimento era de quatro horas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11781\/production\/_108235517__103915035_gettyimages-903609746.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11781\/production\/_108235517__103915035_gettyimages-903609746.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Sala de aula\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Os dados mais recentes do Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o mostram que desde o in\u00edcio do ProUni at\u00e9 o primeiro semestre de 2017, mais de 115 mil bolsistas deixaram a universidade. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os pr\u00e9-requisitos praticamente inviabilizam o benef\u00edcio. Dados do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o mostram que, no ano passado, apenas 523 dos 22.866 cursos inscritos no ProUni atendiam aos crit\u00e9rios exigidos para concess\u00e3o de bolsa perman\u00eancia. Dos 702 mil estudantes bolsistas matriculados em 2018, apenas 8 mil recebiam o aux\u00edlio perman\u00eancia.<\/p>\n<p>Um projeto de lei de 2016 tentou mudar os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o \u00e0 bolsa perman\u00eancia. De autoria do deputado Wadson Ribeiro (PCdoB-MG), a finalidade era incluir os alunos que tivessem trabalho comprovado e at\u00e9 seis horas di\u00e1rias de aula. Al\u00e9m disso, previa a cria\u00e7\u00e3o de um Fundo Nacional de Perman\u00eancia Estudantil para o financiamento das bolsas. O texto chegou a ser analisado pela Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara, mas foi rejeitado e arquivado.<\/p>\n<p>No Mackenzie, institui\u00e7\u00e3o onde Nascimento estudava em Higien\u00f3polis, regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo, as mensalidades variam entre R$ 912 e R$ 3.291. Os alunos em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade econ\u00f4mica s\u00e3o encaminhados para as chamadas &#8220;bolsas-m\u00e9rito&#8221;, uma esp\u00e9cie de trabalho remunerado dentro da universidade por servi\u00e7os como monitoria e pesquisas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Mas Nascimento afirma que nunca foi orientado pela universidade a esta alternativa e, pouco tempo depois de perder o emprego, trancou sua matr\u00edcula. Dois anos depois, tentou retornar a S\u00e3o Paulo, mas logo deu adeus de novo, pelos mesmos motivos e n\u00e3o conseguiu voltar mais aos estudos. A institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o esclareceu como acontece a divulga\u00e7\u00e3o das bolsas-m\u00e9rito at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/09F9\/production\/_108235520_gettyimages-75940801.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/09F9\/production\/_108235520_gettyimages-75940801.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Sala de aula\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Dos 702 mil estudantes prounistas matriculados em 2018, s\u00f3 8 mil eram beneficiados com o aux\u00edlio perman\u00eancia. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Soci\u00f3logo e gerente de Tecnologias Educacionais do Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria (CENPEC), Wagner Santos reconhece avan\u00e7os na inclus\u00e3o e na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 universidade conquistados pelo ProUni e por a\u00e7\u00f5es afirmativas nas universidades , mas enfatiza a falta de a\u00e7\u00f5es complementares para assistir aos bolsistas. &#8220;As pol\u00edticas, quando associadas \u00e0 moradia, alimenta\u00e7\u00e3o e transporte, s\u00e3o muito importantes para a perman\u00eancia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para Dyane Brito, da UFRB, h\u00e1 muito o que se avan\u00e7ar no pa\u00eds para transformar a universidade em um ambiente que realmente aceite a diversidade. &#8220;A gente precisa entender que n\u00e3o temos mais um \u00fanico p\u00fablico na universidade, n\u00f3s temos estudantes que t\u00eam trajet\u00f3rias de vida distintas, que a universidade precisa perceber esses indiv\u00edduos como sujeitos ativos dentro do espa\u00e7o universit\u00e1rio&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para ela, atualmente os coletivos estudantis s\u00e3o importantes para o processo de forma\u00e7\u00e3o e coletividade nas universidades.<\/p>\n<p>&#8220;Nos coletivos, a gente encontra estudantes que v\u00e3o se descobrir negros no espa\u00e7o universit\u00e1rio, entender a perspectiva racial dentro desse espa\u00e7o. S\u00e3o grupos que v\u00e3o dividir alimenta\u00e7\u00e3o, dividir xerox do texto mas que, sobretudo, s\u00e3o grupos que v\u00e3o ter um suporte pol\u00edtico e emocional ao estudante para a sua perman\u00eancia para o ensino superior&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Questionado sobre a possibilidade de revis\u00e3o de crit\u00e9rios da bolsa-perman\u00eancia do ProUni e sobre poss\u00edveis projetos de assist\u00eancia aos alunos prounistas, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o afirma que concede o benef\u00edcio aos estudantes que atendem aos crit\u00e9rios exigidos e n\u00e3o indicou a possibilidade de alterar os crit\u00e9rios ou de criar novos projetos de assist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camila da Silva da <\/span><span class=\"byline__title\">Ag\u00eancia \u00c9nois para a BBC News Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 09\/08\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno do Nascimento, de 32 anos, foi o primeiro da fam\u00edlia a entrar no ensino superior. 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