{"id":39861,"date":"2019-09-11T02:45:46","date_gmt":"2019-09-11T05:45:46","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=39861"},"modified":"2019-09-11T04:55:25","modified_gmt":"2019-09-11T07:55:25","slug":"mulheres-sao-maioria-nas-universidades-brasileiras-mas-tem-mais-dificuldades-em-encontrar-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/09\/11\/mulheres-sao-maioria-nas-universidades-brasileiras-mas-tem-mais-dificuldades-em-encontrar-emprego\/","title":{"rendered":"Mulheres s\u00e3o maioria nas universidades brasileiras, mas t\u00eam mais dificuldades em encontrar emprego"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Mulheres brasileiras t\u00eam 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior do que seus pares do sexo masculino, mas tamb\u00e9m menos chances de conseguir emprego. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do relat\u00f3rio&nbsp;<i>Education at Glance 2019<\/i>, uma esp\u00e9cie de raio-X da&nbsp;educa\u00e7\u00e3o&nbsp;divulgado nesta ter\u00e7a-feira (10\/9) pela OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico, tamb\u00e9m chamada de &#8220;clube dos pa\u00edses ricos&#8221; e \u00e0 qual o Brasil almeja entrar).<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tra\u00e7a um panorama da educa\u00e7\u00e3o nos 36 pa\u00edses-membros da OCDE e em outros dez pa\u00edses, incluindo o Brasil &#8211; e a edi\u00e7\u00e3o atual foca sobretudo em educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>&#8220;Embora a disparidade de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o favore\u00e7a as mulheres, a situa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho \u00e9 ao rev\u00e9s&#8221;, afirma o relat\u00f3rio, destacando que a preval\u00eancia feminina na educa\u00e7\u00e3o superior brasileira \u00e9 uma das maiores entre todos os pa\u00edses estudados.<\/p>\n<p>Enquanto 18% dos homens brasileiros de 25 a 34 anos t\u00eam ensino superior, essa porcentagem sobe para 25% entre as mulheres da mesma faixa et\u00e1ria (mesmo assim, muito abaixo das m\u00e9dias da OCDE, de 38% para homens e 51% para mulheres, segundo dados de 2018).<\/p>\n<p>&#8220;Existe realmente uma tend\u00eancia entre os pa\u00edses membros e parceiros da OCDE de mulheres serem maioria no ensino superior. No ensino superior, essa disparidade pode ser observada tanto no acesso (mais mulheres entram) quanto na conclus\u00e3o (entre os que entram, a taxa de conclus\u00e3o \u00e9 maior entre mulheres)&#8221;, explica por email \u00e0 BBC News Brasil Camila de Moraes, analista de educa\u00e7\u00e3o da OCDE no pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FC8C\/production\/_108725646_37649671694_bd45b59fa5_k.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FC8C\/production\/_108725646_37649671694_bd45b59fa5_k.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Estudantes em foto de 2018\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Disparidades entre meninos e meninas come\u00e7a ainda no ensino b\u00e1sico. Direito de imagem LUIS FORTES\/MEC<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Ela destaca, por\u00e9m, que isso reflete um &#8220;ac\u00famulo de disparidades&#8221; que come\u00e7a muito antes do ensino superior, nas etapas b\u00e1sicas de ensino.<\/p>\n<p>&#8220;A taxa de conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio, por exemplo, j\u00e1 \u00e9 consideravelmente mais elevada entre meninas que meninos. Al\u00e9m disso, meninos t\u00eam uma tend\u00eancia maior de repetir o ano e de abandonar a escola que meninas.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Acesso ao mercado de trabalho<\/h2>\n<p>O relat\u00f3rio olhou tamb\u00e9m para a outra ponta &#8211; o mercado de trabalho. A conclus\u00e3o \u00e9 de que a empregabilidade de mulheres brasileiras de 25 a 34 anos com ensino superior \u00e9 de 82% e cai para 63% entre mulheres com ensino t\u00e9cnico e para 45% entre mulheres sem essa capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre homens brasileiros, esses \u00edndices s\u00e3o todos mais altos: a taxa de empregabilidade dos que t\u00eam ensino superior \u00e9 de 89%; de 76% dos que t\u00eam ensino t\u00e9cnico e 76% dos que n\u00e3o tem nenhuma forma\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>O que explica, ent\u00e3o, que as mulheres tenham mais dificuldades em se inserir no mercado de trabalho?<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres est\u00e3o significativamente hiper-representadas nos campos de educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancias sociais, jornalismo e informa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os homens s\u00e3o hiper-representados em campos como tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o, engenharia e constru\u00e7\u00e3o. (&#8230;) No Brasil, 25% das graduandas brasileiras escolhe estudar educa\u00e7\u00e3o, enquanto 19% dos graduandos homens escolhe engenharia, produ\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/171BC\/production\/_108725649_gettyimages-976325944.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/171BC\/production\/_108725649_gettyimages-976325944.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Estudantes\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pa\u00eds tem baixas taxas de estudantes com t\u00edtulos de mestrado e doutorado. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Ou seja, uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para a dificuldade de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho &#8211; seja no Brasil ou em outros pa\u00edses em situa\u00e7\u00e3o semelhante &#8211; \u00e9 a escolha de cursos superiores, que pode levar a carreiras com empregabilidade e renda diferentes. Mas, para Camila de Moraes, h\u00e1 mais motivos por tr\u00e1s das diferen\u00e7as de emprego entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>&#8220;A \u00e1rea de conhecimento n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar toda a disparidade de g\u00eanero em termos de taxa de emprego nem em termos de rendimento&#8221;, diz a analista da OCDE.<\/p>\n<p>&#8220;O rendimento de mulheres n\u00e3o \u00e9 maior que o rendimento de homens em nenhuma \u00e1rea de conhecimento em nenhum pa\u00eds com dados dispon\u00edveis no relat\u00f3rio. Isso indica que outros fatores como progress\u00e3o de carreira, a natureza do trabalho (mesmo que dentro de um mesmo setor), tipos de contrato e vida familiar podem ter uma influ\u00eancia maior na disparidade de g\u00eanero.&#8221;<\/p>\n<p>Ela acrescenta que muitos estudos t\u00eam tentado entender o fen\u00f4meno da presen\u00e7a feminina maior na educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns apontam, por exemplo, justamente para o fato de homens sem ensino superior terem uma taxa de emprego maior e rendimentos mais elevados que mulheres tamb\u00e9m sem ensino superior. Dessa forma, o incentivo pra eles trabalharem ao inv\u00e9s de cursarem o ensino superior pode ser relativamente maior&#8221;, explica Moraes.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil especificamente, n\u00f3s observamos que a taxa de emprego dos homens aumenta s\u00f3 um pouco com maiores n\u00edveis de escolaridade. J\u00e1 para mulheres, a taxa de emprego aumenta consideravelmente &#8211; podendo ser esse um incentivo maior para elas cursarem o ensino superior. Esses s\u00e3o alguns&nbsp;<i>insights<\/i>&nbsp;que emergem dos dados, por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar especificamente as causas da disparidade no Brasil. Isso requereria um estudo mais aprofundado do contexto do pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Baixas taxas de mestrado e doutorado<\/h2>\n<p>O relat\u00f3rio traz outros dados sobre o ensino superior do Brasil que, embora evidenciem avan\u00e7os, colocam o pa\u00eds ainda distante das m\u00e9dias internacionais.<\/p>\n<p>S\u00f3 0,8% dos brasileiros entre 25 e 34 anos t\u00eam mestrado e 0,2% t\u00eam doutorado, contra 13% e 1,1% (respectivamente) na m\u00e9dia entre os pa\u00edses estudados pela OCDE (os dados, de 2018, ainda n\u00e3o refletem o atual contingenciamento de recursos e bolsas no ensino superior p\u00fablico promovido pelo governo federal).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1700\/production\/_103588850_mulheresabr.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1700\/production\/_103588850_mulheresabr.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mulheres caminhando em rua brasileira, em foto de arquivo\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">&#8220;Embora a disparidade de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o favore\u00e7a as mulheres (na educa\u00e7\u00e3o), a situa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho \u00e9 ao rev\u00e9s&#8221;, afirma o relat\u00f3rio da OCDE. Direito de imagem ROOSEWELT PINHEIRO ABR<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O indicador \u00e9 importante porque reflete a forma\u00e7\u00e3o de profissionais mais especializados e, por consequ\u00eancia, mais produtivos e aptos a gerar riqueza.<\/p>\n<p>&#8220;Em todos os pa\u00edses da OCDE, indiv\u00edduos com mestrado ou doutorado t\u00eam rendimento maior que aqueles com apenas o bacharelado&#8221;, explica Camila de Moraes.<\/p>\n<p>&#8220;O mesmo vale para a taxa de emprego. No Brasil, por exemplo, a taxa de emprego entre adultos com doutorado em 2018 era de 91%, comparado a 84% entre adultos com mestrado e 82% entre aqueles com bacharelado. Al\u00e9m disso, esses n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o fortemente ligados \u00e0 pesquisa e desenvolvimento do pa\u00eds, (importantes) para o crescimento econ\u00f4mico e social.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Panorama do ensino superior<\/h2>\n<p>Considerando-se apenas cursos de gradua\u00e7\u00e3o, o relat\u00f3rio da OCDE diz que apenas um ter\u00e7o dos estudantes brasileiros conclui os estudos no tempo teoricamente previsto (de quatro ou cinco anos, a depender do curso).<\/p>\n<p>Para os estudantes que passam tr\u00eas anos adicionais no curso, essa taxa de conclus\u00e3o sobe desses 33% para 50%.<\/p>\n<p>&#8220;Dos estudantes restantes que n\u00e3o se formam nesse per\u00edodo, cerca de um ter\u00e7o continua matriculado no curso superior, e dois ter\u00e7os abandonam o sistema sem se formar&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, o n\u00famero de brasileiros de 25 a 34 anos com t\u00edtulo superior subiu de 11% para 21%. Em compara\u00e7\u00e3o, a m\u00e9dia nos pa\u00edses estudados pela OCDE \u00e9 de mais que o dobro: 44%.<\/p>\n<p>&#8220;A propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira com ensino superior \u00e9 a menor entre todos os pa\u00edses das OCDE (empatado com o M\u00e9xico). Mas mesmo no M\u00e9xico, a propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com mestrado \u00e9 maior que a do Brasil&#8221;, afirma Moraes.<\/p>\n<p>Por fim, o estudo aponta que mais de 75% dos estudantes de gradua\u00e7\u00e3o no Brasil est\u00e3o em universidades privadas, &#8220;em grande contraste com a maioria dos pa\u00edses da OCDE, em que essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de menos de um ter\u00e7o dos alunos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 tamb\u00e9m um contraste com todos os demais n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o no Brasil: mais de 80% dos estudantes do ensino prim\u00e1rio at\u00e9 o t\u00e9cnico frequentam institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;A predomin\u00e2ncia de institui\u00e7\u00f5es que cobram mensalidades e o n\u00famero limitado de vagas em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas criam um ambiente complexo para criadores de pol\u00edticas p\u00fablicas que tentem garantir que o acesso ao ensino superior n\u00e3o seja prejudicado pelo status socioecon\u00f4mico dos estudantes.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres brasileiras t\u00eam 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior do que seus pares do sexo masculino, mas tamb\u00e9m menos chances de conseguir emprego. 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