{"id":39900,"date":"2019-09-12T02:00:08","date_gmt":"2019-09-12T05:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=39900"},"modified":"2019-09-12T04:43:03","modified_gmt":"2019-09-12T07:43:03","slug":"como-o-ingles-ultrapassou-o-alemao-e-virou-a-lingua-universal-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/09\/12\/como-o-ingles-ultrapassou-o-alemao-e-virou-a-lingua-universal-da-ciencia\/","title":{"rendered":"Como o ingl\u00eas ultrapassou o alem\u00e3o e virou a l\u00edngua &#8216;universal&#8217; da ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><span style=\"color: #222222; font-family: Verdana, Geneva, sans-serif; font-size: 15px;\">A l\u00edngua se tornou uma esp\u00e9cie de idioma universal na academia e permite que pesquisadores de todas as partes do mundo possam compartilhar ideias, descobertas e opini\u00f5es.<\/span><\/h1>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Mas nem sempre foi assim.<\/p>\n<p>Muitos textos cient\u00edficos importantes publicados h\u00e1 um s\u00e9culo ou mais est\u00e3o escritos em alem\u00e3o, russo, japon\u00eas ou chin\u00eas, entre outros idiomas.<\/p>\n<p>Quem tem por volta de 50 anos deve se lembrar como, em sua \u00e9poca de estudante, os professores recomendavam que se aprendesse alem\u00e3o<\/p>\n<p>Mas quando o ingl\u00eas se transformou no idioma da ci\u00eancia por excel\u00eancia? E o que permitiu essa mudan\u00e7a?<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Boicote<\/h2>\n<p>Como explicou \u00e0 BBC Michael Gordin, historiador da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, &#8220;at\u00e9 os anos 1950, o ingl\u00eas representava cerca de 50% dos textos publicados em ci\u00eancias naturais. A R\u00fassia ocupava o segundo lugar, com cerca de 20%&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Mas foi nos anos 1970 que o ingl\u00eas despontou como idioma da ci\u00eancia e que se percebeu um encolhimento dos textos em russo, franc\u00eas e chin\u00eas at\u00e9 o ponto em que, hoje, mais de 90% das publica\u00e7\u00f5es de elite em ci\u00eancias naturais est\u00e3o em ingl\u00eas&#8221;, diz.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/169C6\/production\/_108641629_gettyimages-3423754.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/169C6\/production\/_108641629_gettyimages-3423754.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Alemanha nazista\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Com o surgimento do nazismo na Alemanha, o alem\u00e3o perdeu seu lugar no mundo da ci\u00eancia. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Desde 1880 &#8211; data a partir da qual h\u00e1 dados confi\u00e1veis dispon\u00edveis -, quando se analisa publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, percebe-se que cerca de um ter\u00e7o das publica\u00e7\u00f5es era em ingl\u00eas, um ter\u00e7o em franc\u00eas e outro em alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas este equilibrio &#8220;come\u00e7ou a se desestabilizar no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando se nota uma queda no franc\u00eas, um crescimento leve do ingl\u00eas e uma r\u00e1pida expans\u00e3o do alem\u00e3o&#8221;, diz Gordin.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu tivesse dito em 1900 que haveria uma \u00fanica l\u00edngua para a ci\u00eancia no ano 2000, as pessoas teriam inicialmente dado risada, e depois apostariam que este idioma seria o alem\u00e3o&#8221;, diz o historiador.<\/p>\n<p>&#8220;A pergunta agora n\u00e3o \u00e9 tanto o que aconteceu com o ingl\u00eas, mas o que houve com o alem\u00e3o&#8221;, continua. &#8220;O alem\u00e3o sofreu uma s\u00e9rie de transfoma\u00e7\u00f5es descritas como catastr\u00f3ficas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia. Elas come\u00e7am na Primeira Guerra Mundial em meio ao poderosos antagonismos nacionalistas que surgem na \u00e9poca (&#8230;) e ao boicote iniciado pelos franceses, belgas, americanos e brit\u00e2nicos contra os acad\u00eamicos alem\u00e3es e austr\u00edacos.&#8221;<\/p>\n<p>Isso, continua o historiador, significou um duro golpe para os alem\u00e3es. E, quando a Alemanha come\u00e7ava a se recuperar, o nazismo se estabeleceu em 1933.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O alem\u00e3o perde seu lugar<\/h2>\n<p>A chegada dos nazistas teve um efeito duplo.<\/p>\n<p>Por um lado, muitos cientistas, sobretudo f\u00edsicos (na maioria judeus, socialistas ou estudiosos que por outros motivos n\u00e3o quiseram continuarr ali) emigraram da Alemanha.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/42A8\/production\/_108646071_gettyimages-545919811.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/42A8\/production\/_108646071_gettyimages-545919811.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"sala de aula\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Gra\u00e7as \u00e0s restri\u00e7\u00f5es em vistos, menos estudantes foram estudar na Alemanha durante o regime nazista. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Isso significou que muitos cientistas que eram a elite da elite foram para o Reino Unido ou os Estados Unidos e por isso acabaram adotando o ingl\u00eas&#8221;, comenta Gordin.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m contribuiram com o decl\u00ednio alem\u00e3o na ci\u00eancia as restri\u00e7\u00f5es impostas pelo regime nazista na emiss\u00e3o de vistos. Como era mais dif\u00edcil entrar, menos estudantes chegaram ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Todos esses fatores fizeram com que se &#8220;quebrassem uma s\u00e9rie de redes interconectadas entre os acad\u00eamicos, que acabaram se reconstruindo depois da Segunda Guerra Mundial, desta vez centralizadas em Nova York, S\u00e3o Francisco, Boston, Princeton, e n\u00e3o nos aredores de Frankfurt, Colonia ou Viena&#8221;, diz o historiador.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Desvantagens<\/h2>\n<p>Uma l\u00edngua comum facilita, sem d\u00favida, a comunica\u00e7\u00e3o entre cientistas de pa\u00edses distintos. Mas tamb\u00e9m tem suas desvantagens.<\/p>\n<p>&#8220;Por um lado, perde-se a riqueza do registros da fala nativa&#8221;, diz Gordin, em refer\u00eancia \u00e0 necessidade de simplificar a l\u00edngua para facilitar e agilizar a comunica\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m permite que a escrita seja mais f\u00e1cil para n\u00e3o-nativos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/90C8\/production\/_108646073_gettyimages-962695586-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Confer\u00eancia\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Boa parte das grandes confer\u00eancias cient\u00edficas s\u00e3o realizadas em ingl\u00eas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 muitas pessoas no mundo com um potencial imenso estudando ci\u00eancias, mas elas acabam ficando \u00e0 margem da carreira gra\u00e7as a dificuldades idiom\u00e1ticas.<\/p>\n<p>&#8220;A medida que avan\u00e7am em seus campos, o ing\u00eas se torna mais importante: os cientistas precisam dele para entender textos avan\u00e7ados e para participar de confer\u00eancias. E, em um certo momento, algu\u00e9m que pode ser muito talentoso no \u00e2mbito da ci\u00eancia pode ter que abandonar a carreira porque n\u00e3o tem o mesmo talento do ponto de vista lingu\u00edstico&#8221;, diz o historiador.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Portugu\u00eas no futuro?<\/h2>\n<p>Assim como o alem\u00e3o ou o franc\u00eas perderam seu lugar de destaque na ci\u00eancia, o ingl\u00eas tamb\u00e9m n\u00e3o tem um reinado garantido.<\/p>\n<p>Segundo Gordin, em um futuro pr\u00f3ximo, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que outro idioma roube o lugar do ingl\u00eas.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, a longo prazo, a tend\u00eancia da hist\u00f3ria \u00e9 sempre a mudan\u00e7a&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acho que o ingl\u00eas ser\u00e1 substitu\u00eddo por um \u00fanico idioma nos pr\u00f3ximos 150 anos, mas \u00e9 mais poss\u00edvel que voltemos ao modelo do s\u00e9culo 19, no qual haviam tr\u00eas idiomas principais&#8221;, afirma o historiador.<\/p>\n<p>&#8220;E, entre os idiomas que posso imaginar, vejo ainda o ingl\u00eas, junto ao mandarim e talvez o espanhol ou o portugu\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: BBC Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 12\/09\/2019<\/strong><\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A l\u00edngua se tornou uma esp\u00e9cie de idioma universal na academia e permite que pesquisadores de todas as partes do mundo possam compartilhar ideias, descobertas e opini\u00f5es. 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