{"id":40236,"date":"2019-09-23T05:00:02","date_gmt":"2019-09-23T08:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=40236"},"modified":"2019-09-23T08:46:25","modified_gmt":"2019-09-23T11:46:25","slug":"com-radares-desligados-acidentes-graves-crescem-em-estradas-federais-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/09\/23\/com-radares-desligados-acidentes-graves-crescem-em-estradas-federais-no-pais\/","title":{"rendered":"Com radares desligados, acidentes graves crescem em estradas federais no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Em meio a &#8216;apag\u00e3o&#8217; na fiscaliza\u00e7\u00e3o de velocidade, rodovias t\u00eam alta de acidentes com v\u00edtimas nos sete primeiros meses do ano pela primeira vez desde 2011<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u2014 O desligamento dos radares coloca em risco quem vive \u00e0 margem das rodovias. Na pr\u00e1tica, estamos sem controle de velocidade nas rodovias federais porque sequer os policiais podem atuar. Os radares que est\u00e3o operando funcionam por decis\u00e3o judicial ou contratual \u2014 diz Rizzotto, ponderando que os dados n\u00e3o contabilizam o per\u00edodo ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o de que a PRF use radares port\u00e1teis.<\/p>\n<p>Procurado para comentar o crescimento dos acidentes graves e dos feridos nas estradas, o Minist\u00e9rio de Infraestrutura n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>Perito em acidentes de tr\u00e2nsito, Rodrigo Klein\u00fcbing diz que os efeitos da mudan\u00e7a na pol\u00edtica de fiscaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7am a ser contabilizados, mas s\u00f3 ser\u00e3o robustos em per\u00edodos de maior movimento nas estradas.<\/p>\n<p>\u2014 Os motoristas est\u00e3o come\u00e7ando a pisar mais no acelerador. As pessoas ainda t\u00eam d\u00favida sobre onde tem e onde n\u00e3o tem radar, est\u00e3o em uma fase de adapta\u00e7\u00e3o. A tend\u00eancia \u00e9 se acostumarem e correrem mais. O reflexo por enquanto \u00e9 pequeno. \u00c9 poss\u00edvel que, com a chegada do ver\u00e3o e das festas de fim de ano, tenhamos aumento dos casos \u2014 afirma Klein\u00fcbing.<\/p>\n<h2>Aparelhos previstos<\/h2>\n<p>Segundo o Dnit, h\u00e1 previs\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o de 1,4 mil aparelhos, ap\u00f3s um acordo firmado com o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), homologado pela Justi\u00e7a Federal. No in\u00edcio do ano, o governo suspendeu a instala\u00e7\u00e3o de novos radares, prevista para os pr\u00f3ximos cinco anos, em oito mil pontos. Em abril, a 5\u00aa Vara Federal do Distrito Federal determinou que a Uni\u00e3o n\u00e3o retirasse radares e renovasse contratos prestes a vencer. O acordo para a instala\u00e7\u00e3o de novos equipamentos foi firmado em julho e prev\u00ea prazo de dois meses para a apresenta\u00e7\u00e3o de estudos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>Ainda assim, mesmo com os novos equipamentos, as estradas federais contar\u00e3o com quase mil radares a menos que o registrado no in\u00edcio do mandato de Bolsonaro \u2014 em 4 de janeiro, havia 2.830 \u2014, al\u00e9m dos 414 aparelhos em opera\u00e7\u00e3o nas estradas concedidas \u00e0 iniciativa privada, que compreendem somente 9,6 mil quil\u00f4metros dos mais de 120 mil quil\u00f4metros da malha federal e onde, segundo a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), n\u00e3o houve retirada de radares.<\/p>\n<p>Por enquanto, em 16 estados, entre os quais Rio e S\u00e3o Paulo, n\u00e3o h\u00e1 radares em opera\u00e7\u00e3o nas estradas sob responsabilidade do Dnit. Minas Gerais, que registra o maior n\u00famero de mortes nas estradas federais, foi o estado que mais perdeu equipamentos (388) e conta com 64 em opera\u00e7\u00e3o, de acordo com o Dnit. A previs\u00e3o \u00e9 que mais 138 sejam instalados.<\/p>\n<p>A BR-101 foi a rodovia federal com maior n\u00famero de radares fixos desligados em 2019, de acordo com dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o. Foram desativados 398 equipamentos na estrada que atravessa boa parte do litoral brasileiro, do Nordeste ao Sul do pa\u00eds, \u2014 63 s\u00f3 no trecho que passa pelo Estado do Rio, onde, segundo o \u00f3rg\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nenhum radar em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, os 4.650 quil\u00f4metros da estrada t\u00eam o monitoramento de 87 equipamentos e outros 209 devem ser instalados pelo governo, ap\u00f3s acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico. A BR \u00e9 a rodovia federal com maior n\u00famero de acidentes graves no pa\u00eds, ainda que, entre 2014 e 2018, os casos tenham despencado 21%.<\/p>\n<p>O GLOBO percorreu na semana passada o trecho da estrada que vai da cidade do Rio a Mangaratiba, na Costa Verde. Logo ap\u00f3s a sa\u00edda da Avenida Brasil, um aplicativo que monitora as condi\u00e7\u00f5es do tr\u00e2nsito a partir de informa\u00e7\u00f5es dos motoristas alertou que os radares \u00e0 frente n\u00e3o estavam mais em opera\u00e7\u00e3o. No trecho pr\u00f3ximo ao shopping P\u00e1tiomix Costa Verde, em Itagua\u00ed, foram encontrados suportes vazios, sem c\u00e2meras. Por outro lado, ao menos em quatro pontos at\u00e9 Mangaratiba, aparelhos que, segundo o Dnit, foram desligados continuam na estrada. Procurado, o departamento n\u00e3o explicou o motivo de permanecerem na rodovia e n\u00e3o confirmou se de fato os radares est\u00e3o desativados.<\/p>\n<p>Moradores dos bairros do Engenho e Coroa Grande, em Itagua\u00ed, cidade na rota entre a capital fluminense e Santos, no litoral paulista, convivem com os acidentes. Maria L\u00facia Teodoro conta que, h\u00e1 cerca de dois anos, o trecho em frente \u00e0 sua casa passou a ser fiscalizado com um radar. O equipamento, segundo a costureira, facilitou a travessia na pista e reduziu o n\u00famero de mortes e acidentes. O pardal continua na regi\u00e3o. Por enquanto, os motoristas ainda desaceleram, intimidados pela c\u00e2mera detectada por aplicativos de tr\u00e2nsito, e, por isso, moradores do entorno relatam que ainda n\u00e3o perceberam mudan\u00e7as nos \u00faltimos meses. Maria L\u00facia torce para que n\u00e3o esteja desligado. Antes de o equipamento chegar, ela perdeu a poucos metros dali o pai, Jos\u00e9 Teodoro, atropelado aos 61 anos, quando sa\u00eda para trabalhar.<\/p>\n<p>\u2014 Sem radar, vai piorar. Mesmo com ele, j\u00e1 tem muito acidente \u2014 alerta.<\/p>\n<p>Alessandra Travaglia, inspetora da Escola Municipal Vereador Americo Amorim, em Itagua\u00ed, diz que houve redu\u00e7\u00e3o dos acidentes em frente ao col\u00e9gio ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o do equipamento, mas pondera que se sente insegura quando precisa reduzir a velocidade na rodovia, conhecida pela alta incid\u00eancia de assaltos. O radar que fiscaliza o trecho em Coroa Grande tamb\u00e9m consta na lista de contratos encerrados pelo governo, mas permanece na pista.<\/p>\n<p>\u2014 Sei que os radares ajudam, mas, em certos hor\u00e1rios, me sinto insegura, principalmente no ver\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Marlen Couto\/ O Globo &#8211; dispon\u00edvel na internet 22\/09\/2019<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a &#8216;apag\u00e3o&#8217; na fiscaliza\u00e7\u00e3o de velocidade, rodovias t\u00eam alta de acidentes com v\u00edtimas nos sete primeiros meses do ano pela primeira vez desde 2011 \u2014 O desligamento dos radares coloca em risco quem vive \u00e0 margem das rodovias. 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