{"id":40252,"date":"2019-09-23T01:30:54","date_gmt":"2019-09-23T04:30:54","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=40252"},"modified":"2019-09-22T19:23:32","modified_gmt":"2019-09-22T22:23:32","slug":"a-nova-revolta-da-vacina-estamos-vivendo-uma-nova-revolta-da-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/09\/23\/a-nova-revolta-da-vacina-estamos-vivendo-uma-nova-revolta-da-vacina\/","title":{"rendered":"A nova revolta da vacina  Estamos vivendo uma nova revolta da vacina?"},"content":{"rendered":"<p>Como a ideia de que a imuniza\u00e7\u00e3o faz mal ou \u00e9 desnecess\u00e1ria est\u00e1 provocando a volta de doen\u00e7as como o sarampo<\/p>\n<p>]\u00c9 fim de tarde em Ubatuba, no Litoral Norte de S\u00e3o Paulo, e a fam\u00edlia de Maximiliano Giacone, de 31 anos, joga futebol na praia. Os tr\u00eas filhos, de 8 anos, 6 anos e 2 anos e meio correm descal\u00e7os na areia. A fam\u00edlia \u00e9 de origem argentina, mas mora no Brasil. As crian\u00e7as comem comida saud\u00e1vel, se exercitam, dormem cedo, raramente usam medica\u00e7\u00e3o alop\u00e1tica. E n\u00e3o tomam vacinas. Giacone diz que n\u00e3o acredita na necessidade dessas imuniza\u00e7\u00f5es. O filho mais velho e o mais novo n\u00e3o foram vacinados, e o do meio, seu enteado, tomou apenas a BCG, dada a rec\u00e9m-nascidos para prevenir a tuberculose. \u201cA n\u00e3o vacina\u00e7\u00e3o vem com uma filosofia de vida. Meus filhos s\u00e3o saud\u00e1veis. Utilizamos rem\u00e9dios alternativos, homeopatia, medicina por meio das plantas, raramente algo de farm\u00e1cia\u201d, contou Giacone, ex-propriet\u00e1rio de uma escola em Buenos Aires.<\/p>\n<p>Recentemente, ele soube de casos de fam\u00edlias que foram obrigadas pela Justi\u00e7a a vacinar seus filhos. Uma vez, contou, ele e a mulher foram repreendidos por um m\u00e9dico que criticou a recusa de dar vacinas. \u201cJ\u00e1 conversei com algumas pessoas e li a respeito da falta de necessidade de ir ao m\u00e9dico com frequ\u00eancia. N\u00e3o lembro exatamente as fontes. Outras pessoas falam em epidemias. Pode ser. Mas me baseio no que vou encontrando na vida. N\u00e3o falo para as pessoas vacinarem ou n\u00e3o vacinarem. Seguimos nossa verdade\u201d, afirmou. Giacone disse ter consci\u00eancia de que muitas de suas a\u00e7\u00f5es despertam rea\u00e7\u00f5es e assombram outras pessoas. \u201cAs pessoas v\u00e3o ao m\u00e9dico e esperam ouvir tudo que devem fazer. Somos educados assim. Mas gosto de ver como minhas crian\u00e7as sabem que elas t\u00eam o poder de ficar doentes ou n\u00e3o. Que elas t\u00eam o poder de se curar. N\u00e3o somos s\u00f3 o corpo f\u00edsico\u201d, disse. Giacone afirmou que n\u00e3o vai se opor se os filhos decidirem se vacinar quando crescerem. Ele foi vacinado quando crian\u00e7a. \u201cN\u00e3o vou dizer que est\u00e1 certo, mas acredito em levar a vida como cada um quiser\u201d, completou.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--vertical\">\n<p><figure style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960895-5d6-398\/FT450A\/xvacina.jpg.pagespeed.ic.yv_gRt6fCX.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960895-5d6-398\/FT450A\/xvacina.jpg.pagespeed.ic.yv_gRt6fCX.jpg?resize=450%2C740&#038;ssl=1\" alt=\"Maximiliano Giacone com a mulher e os filhos no litoral paulista. \u201cA n\u00e3o vacina\u00e7\u00e3o vem com uma filosofia de vida. Meus filhos s\u00e3o saud\u00e1veis. Utilizamos rem\u00e9dios alternativos, homeopatia, medicina por meio das plantas, raramente algo de farm\u00e1cia\u201d, disse. Foto: Edilson Dantas \/ Ag\u00eancia O Globo\" width=\"450\" height=\"740\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960895-5d6-398\/FT450A\/xvacina.jpg.pagespeed.ic.yv_gRt6fCX.jpg\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Maximiliano Giacone com a mulher e os filhos no litoral paulista. \u201cA n\u00e3o vacina\u00e7\u00e3o vem com uma filosofia de vida. Meus filhos s\u00e3o saud\u00e1veis. Utilizamos rem\u00e9dios alternativos, homeopatia, medicina por meio das plantas, raramente algo de farm\u00e1cia\u201d, disse. Foto: Edilson Dantas \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os membros do que se convencionou chamar de movimento antivacina t\u00eam motiva\u00e7\u00f5es variadas e n\u00e3o conhecem fronteiras. A cerca de 2.300 quil\u00f4metros de Ubatuba, Gisleangela dos Santos, de Girau do Ponciano, munic\u00edpio a quase tr\u00eas horas de Macei\u00f3, Alagoas, tamb\u00e9m faz restri\u00e7\u00f5es \u00e0s campanhas de imuniza\u00e7\u00e3o. A cidade de cerca de 40 mil habitantes, que vive de agricultura e funcionalismo p\u00fablico, \u00e9 descrita pela servidora de 37 anos como \u201cquase o fim do mundo\u201d. Mas a desinforma\u00e7\u00e3o chegou at\u00e9 l\u00e1 pela internet. Santos passou a duvidar das vacinas depois de assistir a um v\u00eddeo em que um suposto enfermeiro dizia que o v\u00edrus da zika n\u00e3o existia, e que a microcefalia era causada por uma vacina vencida dada pelo governo. Ela teve zika no in\u00edcio da segunda gesta\u00e7\u00e3o, mas, quando a filha nasceu com microcefalia, n\u00e3o culpou o mosquito. Com base no v\u00eddeo, seu reflexo foi achar que a microcefalia tinha sido causada por uma vacina que tomou antes de engravidar. \u201cSempre via no YouTube, Facebook e tamb\u00e9m recebi no WhatsApp v\u00eddeos sobre vacinas. Quando come\u00e7aram os casos de zika e microcefalia, teve um v\u00eddeo em que um homem que se dizia enfermeiro contava que tinha descoberto que o governo estava enganando o povo. Que a microcefalia n\u00e3o tinha nada a ver com a zika, mas com uma vacina vencida que t\u00ednhamos tomado. Fiquei com medo\u201d, contou. Santos, a filha mais velha, de 14 anos, e a ca\u00e7ula, hoje com 3 anos, pararam de tomar vacina. Os pais de Santos tamb\u00e9m rejeitaram a campanha da vacina contra a gripe no ano passado. \u201cAntes eu tomava vacina, gostava de deixar as vacinas de minhas filhas em dia. Quando vi isso, parei. E parei de dar para elas tamb\u00e9m\u201d, disse. A fam\u00edlia s\u00f3 retomou a vacina\u00e7\u00e3o por causa de um tratamento da ca\u00e7ula. \u201cLevei minha filha menor para fazer um tratamento em uma cidade vizinha. Quando chegamos, a m\u00e9dica exigiu que todo mundo tomasse vacina. A press\u00e3o foi grande. Mas ainda fico com receio\u201d, contou. Santos disse que um exame comprovou a zika durante a gravidez e que a doen\u00e7a afetou o beb\u00ea. Contou ainda que na cidade falta saneamento b\u00e1sico e sobram mosquitos e que muitas pessoas ali adoecem tamb\u00e9m com a dengue. Mas \u00e0s vezes titubeia. \u201cO v\u00eddeo falava na vacina vencida. Vivemos em um pa\u00eds t\u00e3o corrupto que acabamos acreditando. Vejo m\u00e3es que tiveram zika durante a gravidez e os filhos nasceram saud\u00e1veis. Por qu\u00ea? Talvez meu caso tenha sido de imunidade. Muitas vezes nem os m\u00e9dicos sabem responder com certeza. E ainda tenho d\u00favidas.\u201d&nbsp;<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\">\n<p><figure style=\"width: 1086px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960903-f2e-913\/FT1086A\/652\/x84642296.jpg.pagespeed.ic.bA86fINOlt.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960903-f2e-913\/FT1086A\/652\/x84642296.jpg.pagespeed.ic.bA86fINOlt.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"Gisleangela dos Santos, de Girau do Ponciano, em Alagoas, e a filha que nasceu com microcefalia. A m\u00e3e n\u00e3o cr\u00ea que tenha sido por causa do mosquito. Foto: Dado Galdieri \/ Hilaea Media\" width=\"696\" height=\"418\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960903-f2e-913\/FT1086A\/652\/x84642296.jpg.pagespeed.ic.bA86fINOlt.jpg\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Gisleangela dos Santos, de Girau do Ponciano, em Alagoas, e a filha que nasceu com microcefalia. A m\u00e3e n\u00e3o cr\u00ea que tenha sido por causa do mosquito. Foto: Dado Galdieri \/ Hilaea Media<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"article__picture-caption\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>A vacina \u00e9 uma suspens\u00e3o que cont\u00e9m o v\u00edrus inativado ou morto de determinada doen\u00e7a que, introduzido no organismo, induz a forma\u00e7\u00e3o de anticorpos. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica de que vacinas causem doen\u00e7as ou contaminem o organismo. Pelo contr\u00e1rio. Gra\u00e7as \u00e0s vacinas, especialistas em sa\u00fade dizem que foi poss\u00edvel erradicar no Brasil enfermidades s\u00e9rias como coqueluche, rub\u00e9ola, poliomielite e t\u00e9tano. Ironicamente, ao tirar essas e outras doen\u00e7as graves de vista, as campanhas de vacina\u00e7\u00e3o bem-sucedidas do passado criaram nas gera\u00e7\u00f5es seguintes a sensa\u00e7\u00e3o de que as doen\u00e7as desapareceram ou de que ao menos n\u00e3o s\u00e3o mais uma amea\u00e7a como eram outrora. \u201cHistoricamente, a cultura da vacina\u00e7\u00e3o se imp\u00f4s no Brasil pelo medo de doen\u00e7as. Hoje, o medo \u00e9 da vacina\u201d, disse a antrop\u00f3loga Marcia Couto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). E o fen\u00f4meno \u00e9 global.<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio anual sobre os dez maiores riscos \u00e0 sa\u00fade, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) incluiu em 2019 a \u201chesita\u00e7\u00e3o em se vacinar\u201d. Ela figura na lista ao lado de v\u00edrus como os de ebola, HIV, dengue e influenza, segundo a OMS, \u201cporque amea\u00e7a reverter o progresso feito no combate \u00e0s doen\u00e7as evit\u00e1veis por meio de vacina\u00e7\u00e3o\u201d. Outro relat\u00f3rio recente da OMS indica que os casos de sarampo no mundo triplicaram neste ano. O n\u00famero de casos globais notificados nos primeiros sete meses de 2019, mais de 360 mil, j\u00e1 \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior que o registrado no mesmo per\u00edodo de 2018. No Brasil, os dados mais recentes, divulgados em 13 de setembro e referentes aos 90 dias anteriores, somam 3.339 casos confirmados de sarampo em 16 estados. O surto maior \u00e9 no estado de S\u00e3o Paulo, onde j\u00e1 foram registradas pelo menos tr\u00eas mortes em decorr\u00eancia da doen\u00e7a. As v\u00edtimas foram um homem de 42 anos e dois beb\u00eas. Outra crian\u00e7a faleceu em Pernambuco. Em nenhum dos quatro casos, disse o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, foi comprovada a imuniza\u00e7\u00e3o contra o sarampo.<\/p>\n<p><em style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 17px; text-align: center;\"><strong>]GISLEANGELA DOS SANTOS \u00c9 UMA DAS V\u00cdTIMAS DA DESINFORMA\u00c7\u00c3O. ELA ACREDITOU QUE A MICROCEFALIA DA FILHA TINHA SIDO CAUSADA POR UMA VACINA VENCIDA. SUA FONTE FOI UM V\u00cdDEO DE UMA REDE SOCIAL\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<blockquote class=\"quote\">\n<div class=\"quote__author\">\n<div class=\"quote__author-name\">\u00ad<\/div>\n<div class=\"quote__author-description\">\u00ad<\/div>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo a OMS, a vacina\u00e7\u00e3o evita de 2 milh\u00f5es a 3 milh\u00f5es de mortes por ano \u2014 e outros 1,5 milh\u00f5es poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacina\u00e7\u00e3o melhorasse. Em nota a \u00c9POCA, o \u00f3rg\u00e3o afirmou ter estudado as raz\u00f5es pelas quais as pessoas escolhem n\u00e3o se vacinar. \u201cA OMS identificou complac\u00eancia, inconveni\u00eancia no acesso a vacinas e falta de confian\u00e7a entre as principais raz\u00f5es subjacentes \u00e0 hesita\u00e7\u00e3o\u201d, disse o \u00f3rg\u00e3o, que completou: \u201cA relut\u00e2ncia ou a recusa em vacinar, apesar da disponibilidade de vacinas, amea\u00e7a reverter o progresso feito no combate a doen\u00e7as evit\u00e1veis por vacina\u00e7\u00e3o\u201d. A OMS afirmou ainda que neste ano vai intensificar esfor\u00e7os para eliminar o c\u00e2ncer do colo de \u00fatero no mundo, aumentando a cobertura da vacina contra o HPV. Espera-se tamb\u00e9m que 2019 seja o ano em que a transmiss\u00e3o do v\u00edrus da poliomielite seja interrompida no Afeganist\u00e3o e no Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>A queda nas taxas de vacina\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel. E a baixa cobertura contribui para a introdu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as j\u00e1 eliminadas no Brasil, como aconteceu com o sarampo, que voltou e virou surto. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade atribuiu o problema \u00e0 queda da vacina\u00e7\u00e3o. A tr\u00edplice viral, que protege contra sarampo, rub\u00e9ola e caxumba, encerrou o ano passado com taxa de vacina\u00e7\u00e3o de 90,5% do p\u00fablico-alvo, menos do que os 95% recomendados pelas autoridades de sa\u00fade. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caso. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, todas as vacinas destinadas a crian\u00e7as menores de 2 anos t\u00eam registrado queda desde 2011, com maior redu\u00e7\u00e3o a partir de 2016. Um balan\u00e7o mostra que, de oito vacinas obrigat\u00f3rias para crian\u00e7as no calend\u00e1rio nacional de imuniza\u00e7\u00f5es, sete delas encerraram o ano passado com a taxa de cobertura abaixo da meta. Apenas a vacina BCG alcan\u00e7ou o n\u00edvel desejado.<\/p>\n<p>A \u00fanica vacina que a dona de casa Sueli Maximiliano, de S\u00e3o Paulo, tomou foi justamente a BCG, quando crian\u00e7a. Na vida adulta, ela continuou sem imuniza\u00e7\u00f5es. Aos 48 anos, disse desconfiar da composi\u00e7\u00e3o das doses e rejeita campanhas de vacina\u00e7\u00e3o em massa. \u201cFui criada por minha av\u00f3, que n\u00e3o me vacinava. Depois que cresci, senti que n\u00e3o me fazia falta. A\u00ed decidi continuar sem vacinas nem rem\u00e9dios\u201d, disse. Ela contou que vacinou a filha, hoje com 23 anos, s\u00f3 por insist\u00eancia do marido. Mas afirmou que tem \u201ca sa\u00fade melhor\u201d do que a filha e que n\u00e3o v\u00ea necessidade de vacinas, pois nunca precisou de medica\u00e7\u00e3o nem interna\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o gosto da ideia de o governo ditar algo e a popula\u00e7\u00e3o seguir em peso. Para mim, \u00e9 uma forma de manipula\u00e7\u00e3o. E ter algo injetado no corpo \u00e9 muito invasivo. S\u00f3 n\u00e3o falo nem ensino isso para ningu\u00e9m. \u00c9 uma decis\u00e3o pessoal\u201d, completou.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\">\n<p><figure style=\"width: 1086px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960911-550-994\/FT1086A\/652\/x83853135_SO-Sao-PauloSP26-07-2019-Producao-de-vacina-contra-dengue-no-In.jpg.pagespeed.ic.-n0jZp4EI7.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960911-550-994\/FT1086A\/652\/x83853135_SO-Sao-PauloSP26-07-2019-Producao-de-vacina-contra-dengue-no-In.jpg.pagespeed.ic.-n0jZp4EI7.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"Refer\u00eancia nacional na produ\u00e7\u00e3o de soros e vacinas, o Instituto Butantan, em S\u00e3o Paulo, se prepara para intensificar a produ\u00e7\u00e3o. Foto: Edilson Dantas \/ Ag\u00eancia O Globo\" width=\"696\" height=\"418\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960911-550-994\/FT1086A\/652\/x83853135_SO-Sao-PauloSP26-07-2019-Producao-de-vacina-contra-dengue-no-In.jpg.pagespeed.ic.-n0jZp4EI7.jpg\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Refer\u00eancia nacional na produ\u00e7\u00e3o de soros e vacinas, o Instituto Butantan, em S\u00e3o Paulo, se prepara para intensificar a produ\u00e7\u00e3o. Foto: Edilson Dantas \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A ideia da imuniza\u00e7\u00e3o como quest\u00e3o individual de opini\u00e3o est\u00e1 no centro do debate sobre a queda na vacina\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Quem n\u00e3o se vacina pode se manter saud\u00e1vel, dependendo do rumo que a vida tomar. Mas especialistas alertam que, se essa pessoa entrar em contato com o v\u00edrus e adoecer, pela falta de imuniza\u00e7\u00e3o, existe, al\u00e9m do risco pessoal, o perigo de cont\u00e1gio de outras pessoas que n\u00e3o tomaram a vacina por contraindica\u00e7\u00e3o. \u201cExiste uma fun\u00e7\u00e3o coletiva da vacina que \u00e9 proteger diretamente aquela pessoa que n\u00e3o foi vacinada porque n\u00e3o pode. \u00c9 o caso de gr\u00e1vidas, beb\u00eas que ainda n\u00e3o alcan\u00e7aram a idade indicada, pessoas imunodeprimidas, em tratamento contra o c\u00e2ncer etc. Quando a cobertura contra o v\u00edrus come\u00e7a a cair em uma popula\u00e7\u00e3o, a prote\u00e7\u00e3o cai junto. Vacinar \u00e9 tamb\u00e9m um pacto social\u201d, explicou a m\u00e9dica pediatra Carolina Barbieri, docente da Universidade Cat\u00f3lica de Santos. A antrop\u00f3loga Marcia Couto completou: \u201cEmbora a cultura da vacina\u00e7\u00e3o persista no pa\u00eds, ao longo do tempo acostumou-se a responsabilizar as fam\u00edlias pela vacina\u00e7\u00e3o, ou assim parecia ser. \u00c9 como se a vacina\u00e7\u00e3o fosse um ato individual, quando na verdade \u00e9 um projeto de sa\u00fade p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p>Barbieri e Couto acompanharam fam\u00edlias em S\u00e3o Paulo para entender como elas lidavam com as vacinas no contexto de cuidado dos filhos. A hesita\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina \u00e9 vis\u00edvel principalmente nas fam\u00edlias de centros urbanos e com renda e escolaridade m\u00e9dias e altas. \u201cSe antes o problema das vacinas era a dificuldade de acesso, hoje \u00e9 a falta de confian\u00e7a. O primeiro fator citado entre as fam\u00edlias que n\u00e3o vacinavam ou escolhiam as vacinas foi que n\u00e3o viam mais as doen\u00e7as como na \u00e9poca dos pais ou av\u00f3s. Mas destacavam os efeitos adversos da vacina. O caso de febre, de rea\u00e7\u00e3o, aparecia mais\u201d, disse Barbieri. Os pais entrevistados na pesquisa tamb\u00e9m citaram desconfian\u00e7a sobre a a\u00e7\u00e3o das vacinas no sistema imunol\u00f3gico das crian\u00e7as. S\u00e3o frequentes as cr\u00edticas a uma \u201cmedicaliza\u00e7\u00e3o\u201d no cuidado infantil.<\/p>\n<h5><strong><span style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 19px; font-style: italic; text-align: center;\">\u201cFAM\u00cdLIAS COM RENDA ALTA EST\u00c3O ENTRE AS QUE HESITAM EM VACINAR OS FILHOS, SEGUNDO UMA PESQUISA EM S\u00c3O PAULO. PODE PARECER CONTRADIT\u00d3RIO, MAS O SUCESSO DE IMUNIZA\u00c7\u00d5ES NO PASSADO DIMINUIU O MEDO DE FICAR DOENTE\u201d<\/span><\/strong><\/h5>\n<blockquote class=\"quote\">\n<div class=\"quote__author\">\n<div class=\"quote__author-name\">\u00ad<\/div>\n<div class=\"quote__author-description\">\u00ad<\/div>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p>A psicoterapeuta Mariah (ela prefere preservar a identidade), de 30 anos, m\u00e3e de um menino de 3 anos e meio, vacinou o filho apenas at\u00e9 os 2 meses, pois precisou fazer uma viagem internacional com ele rec\u00e9m-nascido. \u201cAcredito que haja estudos cient\u00edficos que, de fato, comprovem algumas vacinas como necess\u00e1rias. Mas acredito que a grande maioria n\u00e3o tenha de ser aplicada. Algo que sempre me incomodou, ao perceber muitas crian\u00e7as vacinadas a meu redor, era que elas estavam sempre gripadas ou desenvolvendo algum tipo de doen\u00e7a\u201d, contou. Mariah disse que assumiu essa postura \u201cpor feeling e observa\u00e7\u00e3o\u201d. Explicou que criou uma rotina de cuidados para fortalecer o sistema imunol\u00f3gico do filho. \u201cN\u00e3o acredito na aus\u00eancia de vacina\u00e7\u00e3o se a crian\u00e7a for criada de forma \u2018solta\u2019 e com a alimenta\u00e7\u00e3o \u2018padr\u00e3o\u2019\u201d, afirmou. \u201cEle n\u00e3o se alimenta de latic\u00ednios com frequ\u00eancia, que provocam mucos e aumentam catarro e inflama\u00e7\u00f5es, nem carne, que exige energia demais do corpo para ser digerida, e invisto em org\u00e2nicos e produtos locais. Tamb\u00e9m me mudei para a praia, onde ele corre, toma sol todo dia, tem contato com a natureza, anda descal\u00e7o e lida com diferentes ambientes e bact\u00e9rias, que pouco a pouco fortalecem seu sistema.\u201d Ela contou ser bastante criticada por essa posi\u00e7\u00e3o. \u201cAt\u00e9 as vacinas que penso em dar eu evito falar, para n\u00e3o ter de lidar com as enfermeiras que fazem um esc\u00e2ndalo se nego alguma vacina. Por\u00e9m, olho para meu filho de 3 anos e meio e vejo uma crian\u00e7a saud\u00e1vel, inteligente e que nunca teve uma doen\u00e7a s\u00e9ria. O m\u00e1ximo que teve foi uma laringite em \u00e9poca de frio, mas que tamb\u00e9m acompanhou o c\u00e2ncer de laringe de meu pai e que entendi como psicossom\u00e1tica.\u201d Mariah admite que sua realidade \u00e9 diferente da maioria das fam\u00edlias. \u201cMuitos n\u00e3o podem oferecer a alimenta\u00e7\u00e3o e os cuidados que ofere\u00e7o, ent\u00e3o entendo que sa\u00fade \u00e9 uma quest\u00e3o de consci\u00eancia e informa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de todas as medidas socioculturais e pol\u00edticas que promovam o bem-estar integral da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\">\n<p><figure style=\"width: 1086px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960914-d68-383\/FT1086A\/652\/x84179207_Sao-Paulo-SP-26-07-2019Campanha-de-vacinacao-contra-sarampoAc.jpg.pagespeed.ic.SZo-fz9xGX.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960914-d68-383\/FT1086A\/652\/x84179207_Sao-Paulo-SP-26-07-2019Campanha-de-vacinacao-contra-sarampoAc.jpg.pagespeed.ic.SZo-fz9xGX.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"Campanha de imuniza\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, onde tr\u00eas pessoas j\u00e1 morreram por causa de sarampo neste ano. Foto: Aloisio Mauricio \/ Fotoarena \/ Ag\u00eancia O Globo\" width=\"696\" height=\"418\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960914-d68-383\/FT1086A\/652\/x84179207_Sao-Paulo-SP-26-07-2019Campanha-de-vacinacao-contra-sarampoAc.jpg.pagespeed.ic.SZo-fz9xGX.jpg\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Campanha de imuniza\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, onde tr\u00eas pessoas j\u00e1 morreram por causa de sarampo neste ano. Foto: Aloisio Mauricio \/ Fotoarena \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>N\u00e3o \u00e9 simples explicar todos os motivos de resist\u00eancias \u00e0s vacinas. Se, h\u00e1 mais de 100 anos, na chamada Revolta da Vacina, centenas de pessoas protestaram nas ruas do Rio de Janeiro contra a lei que obrigava a imuniza\u00e7\u00e3o contra a var\u00edola, em um projeto de saneamento liderado pelo ent\u00e3o prefeito Pereira Passos e pelo sanitarista Oswaldo Cruz, hoje o movimento \u00e9 puxado de maneira discreta. Veio por influ\u00eancia do exterior, de pa\u00edses como Estados Unidos e It\u00e1lia, onde h\u00e1 grupos organizados contr\u00e1rios \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o. Em maio, em Sacramento, na Calif\u00f3rnia, v\u00e1rias m\u00e3es protestaram contra uma lei que fecharia uma brecha que permitia a alguns pais evitar as exig\u00eancias das vacinas, desde que tivessem um atestado de que suas crian\u00e7as n\u00e3o poderiam ser vacinadas por quest\u00f5es m\u00e9dicas. O milion\u00e1rio Bernard Selz, gestor de um fundo de investimentos em Nova York, doou mais de US$ 3 milh\u00f5es nos \u00faltimos anos para grupos que espalham a ideia de que as imuniza\u00e7\u00f5es s\u00e3o perigosas. Nos EUA, n\u00e3o por coincid\u00eancia, casos de sarampo voltaram a aumentar. Na It\u00e1lia, o movimento ganhou aliados na pol\u00edtica. Massimiliano Fedriga, pol\u00edtico do partido Liga Norte, virou o maior porta-voz do movimento antivacina no pa\u00eds. Em mar\u00e7o, por\u00e9m, teve de se afastar de suas atividades. Pegou catapora.<\/p>\n<p>Aqui, ocorre o novo e complexo \u201cmovimento de hesita\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina\u201d. Ele inclui pais que atrasam o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o acreditando que mais tarde o sistema imunol\u00f3gico dos filhos estar\u00e1 mais desenvolvido e preparado para receber as vacinas, pais que selecionam quais vacinas aplicar, aqueles que d\u00e3o apenas uma das doses previstas no calend\u00e1rio nacional ou s\u00f3 uma vacina por vez e, finalmente, os pais que n\u00e3o d\u00e3o vacina alguma. As justificativas s\u00e3o parecidas aqui e l\u00e1 fora. V\u00e3o da aus\u00eancia dos surtos do passado, que motivaram a vacina\u00e7\u00e3o, \u00e0 desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o das doses e \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s gigantes farmac\u00eauticas, al\u00e9m de religiosidade, da divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas no universo sem lei da internet e das redes sociais e da nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Muitas das informa\u00e7\u00f5es em que os pais se baseiam v\u00eam do exterior, onde o movimento de resist\u00eancia \u00e0 vacina est\u00e1 mais consolidado. A expans\u00e3o da internet facilitou a difus\u00e3o. Por aqui, o debate acontece em grupos de redes sociais e tamb\u00e9m em canais como o YouTube, onde pessoas que se apresentam como m\u00e9dicos questionam a necessidade de algumas vacinas para crian\u00e7as. A enxurrada de informa\u00e7\u00f5es causa confus\u00e3o entre as fam\u00edlias, principalmente em um momento delicado como o da maternidade\/paternidade.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\">\n<figure style=\"width: 1086px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960915-bab-a81\/FT1086A\/652\/x76365916_RI-Rio-Janeiro-RJ-24-04-2018-Comeca-nesta-terca-feira-no-Rio-a-camp.jpg.pagespeed.ic.H7BcAUJnQK.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" style=\"width: 616px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960915-bab-a81\/FT1086A\/652\/x76365916_RI-Rio-Janeiro-RJ-24-04-2018-Comeca-nesta-terca-feira-no-Rio-a-camp.jpg.pagespeed.ic.H7BcAUJnQK.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"No Rio de Janeiro, fila para tomar a vacina da gripe. Foto: Pablo Jacob \/ Ag\u00eancia O Globo\" width=\"696\" height=\"418\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960915-bab-a81\/FT1086A\/652\/x76365916_RI-Rio-Janeiro-RJ-24-04-2018-Comeca-nesta-terca-feira-no-Rio-a-camp.jpg.pagespeed.ic.H7BcAUJnQK.jpg\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">No Rio de Janeiro, fila para tomar a vacina da gripe. Foto: Pablo Jacob \/ Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure><\/dt>\n<\/dl>\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>Em julho, o deputado Diego Garcia (Podemos-PR), relator da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados, foi contr\u00e1rio a um projeto de lei do deputado Luciano Ducci (PSB-PR) que prop\u00f4s a obrigatoriedade de apresenta\u00e7\u00e3o da carteirinha de vacina\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de at\u00e9 9 anos para a matr\u00edcula em escolas p\u00fablicas e privadas. \u201cH\u00e1 pais que n\u00e3o imunizam seus filhos por convic\u00e7\u00f5es religiosas, outros por n\u00e3o acreditarem na efic\u00e1cia da imuniza\u00e7\u00e3o, estes, inclusive, com respaldo de algumas correntes m\u00e9dicas, e outros ainda por causa das v\u00e1rias den\u00fancias acerca de contamina\u00e7\u00e3o no processo de fabrica\u00e7\u00e3o das vacinas e em sua m\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o, o que acarretaria s\u00e9rios riscos para a sa\u00fade das crian\u00e7as\u201d, afirmou Garcia na ocasi\u00e3o. O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), sancionado em 1990, estabelece que a vacina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 obrigat\u00f3ria nos casos recomendados pelas autoridades sanit\u00e1rias. O descumprimento pode acarretar desde infra\u00e7\u00e3o administrativa, com multa de tr\u00eas a 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos, at\u00e9 deten\u00e7\u00e3o de dois meses a mais de dez anos. \u201cA falta de vacina\u00e7\u00e3o pode ser qualificada como crime de maus-tratos\u201d, explicou Paulo Roberto Fadigas C\u00e9sar, juiz titular da Vara da Inf\u00e2ncia e da Juventude de Penha de Fran\u00e7a, na Zona Leste de S\u00e3o Paulo. Geralmente, s\u00e3o as escolas e unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade que comunicam o Conselho Tutelar e da\u00ed uma den\u00fancia \u00e9 encaminhada \u00e0 Justi\u00e7a. \u201cA fam\u00edlia pode ser intimada a vacinar a crian\u00e7a. A obrigatoriedade est\u00e1 prevista em lei. E a recusa pode levar, em alguns casos, \u00e0 perda de guarda ou perda do poder familiar. N\u00e3o s\u00e3o casos frequentes, mas podem acontecer, de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o de cada caso\u201d, disse o juiz, que afirmou perceber um aumento de den\u00fancias envolvendo a falta de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A hesita\u00e7\u00e3o \u00e0s vacinas tem um marco internacional: fevereiro de 1998, quando o m\u00e9dico brit\u00e2nico Andrew Wakefield apresentou uma pesquisa na qual afirmava que 12 crian\u00e7as tinham desenvolvido comportamento autista e inflama\u00e7\u00e3o intestinal grave depois de serem vacinadas. Elas teriam, segundo ele, vest\u00edgios do v\u00edrus do sarampo no corpo. Wakefield levantou uma poss\u00edvel associa\u00e7\u00e3o dos problemas com a vacina tr\u00edplice viral, que protege contra sarampo, rub\u00e9ola e caxumba e que havia sido aplicada em 12 crian\u00e7as acompanhadas por ele. Wakefield escreveu que as vacinas poderiam causar os problemas gastrointestinais, que, por sua vez, levariam a uma inflama\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro e, da\u00ed, talvez ao autismo. O estudo foi publicado na conceituada revista&nbsp;<em>Lancet<\/em>&nbsp;com grande repercuss\u00e3o, e os \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o despencaram no Reino Unido. Anos depois, Wakefield foi desmascarado e seu diploma foi cassado. Um m\u00e9dico que o auxiliou na pesquisa revelou que n\u00e3o havia encontrado o v\u00edrus do sarampo em nenhuma das 12 crian\u00e7as estudadas, mas que Wakefield teria ignorado o fato para n\u00e3o comprometer a divulga\u00e7\u00e3o do estudo. Al\u00e9m disso, veio \u00e0 tona que, antes da publica\u00e7\u00e3o na&nbsp;<em>Lancet<\/em>&nbsp;, Wakefield tinha registrado um pedido de patente para uma vacina contra sarampo, que seria concorrente da criticada por ele. Mesmo assim, as correntes antivacina existentes se fortaleceram, e o p\u00e2nico se estendeu a outros pa\u00edses.<\/p>\n<figure class=\"article__picture article__picture--horizontal\">\n<p><figure style=\"width: 1086px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960919-9d8-242\/FT1086A\/652\/x84651774_The-crowd-listens-to-head-organizer-Kelsey-Curtis-kickoff-the-Arizo.jpg.pagespeed.ic.UhOzvCp072.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article__picture-image image--loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960919-9d8-242\/FT1086A\/652\/x84651774_The-crowd-listens-to-head-organizer-Kelsey-Curtis-kickoff-the-Arizo.jpg.pagespeed.ic.UhOzvCp072.jpg?resize=696%2C418&#038;ssl=1\" alt=\"O movimento antivacina nos Estados Unidos recebe doa\u00e7\u00f5es de milion\u00e1rios do setor financeiro de Nova York. Foto: Jesse Rieser\" width=\"696\" height=\"418\" data-src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/epoca\/23960919-9d8-242\/FT1086A\/652\/x84651774_The-crowd-listens-to-head-organizer-Kelsey-Curtis-kickoff-the-Arizo.jpg.pagespeed.ic.UhOzvCp072.jpg\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">O movimento antivacina nos Estados Unidos recebe doa\u00e7\u00f5es de milion\u00e1rios do setor financeiro de Nova York. Foto: Jesse Rieser<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Nos EUA, o alvo de desconfian\u00e7a foi o timerosal, uma subst\u00e2ncia derivada do merc\u00fario e usada como conservante antibacteriano em frascos multidoses de vacinas. H\u00e1 alguns anos, surgiram teorias que vinculavam o timerosal ao autismo, o que foi descartado tempos depois. A subst\u00e2ncia chegou a ser tirada da composi\u00e7\u00e3o de vacinas em pa\u00edses da Europa e nos EUA, mas casos de autismo n\u00e3o deixaram de surgir por causa disso. No Brasil, a subst\u00e2ncia \u00e9 usada nas vacinas em quantidade regulamentada pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, a Anvisa, nos frascos que cont\u00eam mais de uma dose. Autoridades de sa\u00fade afirmam que a dosagem \u00e9 m\u00ednima e segura.<\/p>\n<p>Outro ponto de debate sobre as vacinas \u00e9 se elas estariam relacionadas ao desenvolvimento de alergias e doen\u00e7as autoimunes. Pesquisas sobre o tema n\u00e3o comprovam rela\u00e7\u00e3o direta entre elas. A ressalva para a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 em caso de alergias j\u00e1 conhecidas. Pessoas com alergia comprovada a ovo, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o aconselhadas a tomar vacinas em que o v\u00edrus \u00e9 replicado em ovos, como \u00e9 o caso da imuniza\u00e7\u00e3o contra a gripe. Mas casos de uma nova alergia a partir de uma vacina n\u00e3o foram evidenciados pela ci\u00eancia. Algumas vacinas podem, sim, causar rea\u00e7\u00f5es como febre e, em casos rar\u00edssimos, rea\u00e7\u00f5es graves, mas especialistas consideram que o benef\u00edcio em termos de sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 muito maior. \u201cCada pa\u00eds tem seu sistema de farmacovigil\u00e2ncia. Em nosso caso, \u00e9 a Anvisa. Todas as vacinas passam por um monitoramento r\u00edgido de qualidade, pot\u00eancia e efeitos adversos. Se h\u00e1 qualquer problema, o produto \u00e9 interrompido. Foi assim com a vacina pentavalente, que monitoramos\u201d, afirmou o m\u00e9dico J\u00falio Croda, diretor do Departamento de Imuniza\u00e7\u00f5es e Doen\u00e7as Transmiss\u00edveis do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Em julho, cinco lotes da vacina pentavalente produzidos por uma empresa indiana foram proibidos pela Anvisa de circular devido a \u201cresultados insatisfat\u00f3rios no ensaio de aspecto\u201d. A ag\u00eancia afirmou, na \u00e9poca, ter encontrado problemas na an\u00e1lise que verifica cor, odor e caracter\u00edsticas da embalagem de um produto. A importa\u00e7\u00e3o e o uso dos lotes dessa empresa foram suspensos. \u201c\u00c9 um equ\u00edvoco dizer que o controle de qualidade \u00e9 burlado pelo sistema. Teorias de conspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam justificativa. A vacina \u00e9 a medida mais custo-efetiva na medicina. Previne adoecimento e \u00f3bito e \u00e9 a prova de um Estado que garante o acesso universal da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade\u201d, afirmou Croda. Essa \u00e9 a mensagem que o movimento antivacina se nega a ouvir.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Elisa Martins\/\u00c9poca &#8211; dispon\u00edvel na internet 23\/09\/2019<\/strong><\/p>\n<hr>\n<div>\n<section class=\"bg-gray-extra\">\n<div class=\"container container-full-width\">\n<div class=\"row head-cover\">\n<div class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 head-cover-title\">\n<h1 class=\"txt-serif center-wall\" style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Estamos vivendo uma nova revolta da vacina?&nbsp;<\/strong><\/span>Onda de desinforma\u00e7\u00e3o aumenta os casos de doen\u00e7as na popula\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section>\n<div class=\"container container-full-width mt-20 mb-20\">\n<div class=\"row\">\n<div id=\"esquerda_8_12_1\" class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 col-md-6 mb-35 js-tools-fixed-parent\">\n<article>\n<nav class=\"nav-fix hidden-print js-tools-fixed mb-xs-10 active\" data-id=\"call-action\">\n<div class=\"nav-fix__highlight\">&nbsp;<\/div>\n<\/nav>\n<div id=\"rs_read_this2\" class=\"txt-serif js-article-box article-box mt-15  article-box-capitalize\">\n<div>Brasil e outros pa\u00edses est\u00e3o registrando o aumento de mais de tr\u00eas vezes os casos sarampo em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2018. Segundo a Unicef, a maior causa \u00e9 a falta de vacina\u00e7\u00e3o, pois 169 milh\u00f5es de crian\u00e7as n\u00e3o receberam a primeira dose de 2010 a 2017. Desse n\u00famero, 940 mil est\u00e3o no Brasil e 2,5 milh\u00f5es est\u00e3o no Estados Unidos.&nbsp;<\/div>\n<div>\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/3vnhGI_fiprZE8SrBonyG1Z3Wlg=\/360x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163302480542u.jpg 360w\" media=\"(max-width: 767px)\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/I1zy1pagIyRF5mGATuCVlxFt33o=\/675x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163302480542u.jpg 675w\" media=\"(max-width: 1365px)\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/uAJcetakAAhE07dhYR8_C73onCU=\/820x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163302480542u.jpg 820w\" media=\"(min-width: 1366px)\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/4H9KQaFLh-sJN-ZT_a3hDvKzUdw=\/332x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163302480542u.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" title=\"A diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o e as \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/i.em.com.br\/lkhGxzRP3xATLfO9YpZbex1W6Ls%3D\/790x\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163302480542u.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"A diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o e as \"><\/picture><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">A diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o e as &#8220;fake news&#8221; est\u00e3o fazendo retornar doen\u00e7as que foram erradicadas.<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Adaptado\/Minist\u00e9rio da Sa\u00fade)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade americanos e brasileiros acusam que h\u00e1 &#8220;fake news&#8221; proliferando na internet e usu\u00e1rios de redes sociais afirmando que as vacinas n\u00e3o s\u00e3o seguras, impedindo que as campanhas tenham a efic\u00e1cia desejada. Para combater isso, a cidade de Nova Iorque est\u00e1 impondo multas \u00e0s pessoas que se recusarem a tomar a vacina tr\u00edplice viral para sarampo. A medida tem causado muita pol\u00eamica, especialmente entre os judeus ortodoxos que invocam motivos religiosos para n\u00e3o vacinar suas crian\u00e7as. Esse contexto de falta de confian\u00e7a nas autoridades se aparenta com um movimento popular que incendiou a cidade do Rio de Janeiro na virada do s\u00e9culo XIX para o XX: a Revolta da Vacina.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>olta da Vacina foi um motim popular que aconteceu entre os dias 10 e 16 de novembro de 1905, na ent\u00e3o capital do Brasil, Rio de Janeiro. Ela se deu como uma revolta da popula\u00e7\u00e3o contra a lei que obrigava a vacina\u00e7\u00e3o contra a var\u00edola, mas que foi um estopim de uma s\u00e9rie de problemas sociais.<\/p><\/div>\n<div class=\"col-xs-12 ads ads__with-bg hidden-print p-0 mt-25 mb-25\">\n<div id=\"em-publicidade-retangulo-interna\" data-ads-callback=\"event.isEmpty &amp;&amp; (elmtg.parentNode.style.display = &quot;none&quot;)\" data-google-query-id=\"CJai8b255eQCFYbI4wcdIbcC4A\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div>Nesse per\u00edodo, com o fim da escravid\u00e3o e da monarquia, havia um grande n\u00famero de ex-escravos e imigrantes europeus se encontravam em um movimento migrat\u00f3rio em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro. Sob forte processo de industrializa\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o da cidade passou dos 522.000, em 1890, para os 811.000 em 1906. Com esse r\u00e1pido crescimento, a demanda por habita\u00e7\u00e3o crescia consideravelmente, de modo que os donos de grandes casar\u00f5es passaram a dividir seus c\u00f4modos, criando pequenos cub\u00edculos, que eram alugados para fam\u00edlias inteiras. Esse foi o surgimento dos corti\u00e7os e pens\u00f5es do in\u00edcio do s\u00e9culo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Quando o presidente Rodrigues Alves assumiu o governo, em 1902, nas ruas da cidade do Rio de Janeiro acumulavam-se toneladas de lixo. Desta maneira, o v\u00edrus da var\u00edola se espalhava. Proliferavam ratos e mosquitos transmissores de doen\u00e7as fatais, como a peste bub\u00f4nica e a febre amarela, que matavam milhares de pessoas anualmente.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Decidido a sanear e reurbanizar a capital, Rodrigues Alves nomeou o engenheiro Pereira Passos para prefeito e o m\u00e9dico Oswaldo Cruz para Diretor da Sa\u00fade P\u00fablica. Apesar de necess\u00e1rias, as obras n\u00e3o foram bem executadas e n\u00e3o houve uma preocupa\u00e7\u00e3o do impacto social. Ruas foram alargadas e os corti\u00e7os foram destru\u00eddos, retirando a popula\u00e7\u00e3o pobre de suas moradias, e dando in\u00edcio \u00e0 faveliza\u00e7\u00e3o dos morros, em condi\u00e7\u00f5es ainda mais prec\u00e1rias que as anteriores. Como resultado das demoli\u00e7\u00f5es os alugu\u00e9is subiram de pre\u00e7o, deixando a popula\u00e7\u00e3o cada vez mais indignada.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em paralelo a essas a\u00e7\u00f5es, o diretor geral de Sa\u00fade P\u00fablica Oswaldo Cruz ficou encarregado de realizar o saneamento urbano, com o objetivo de erradicar a febre amarela, a peste bub\u00f4nica e a var\u00edola. Primeiro, o governo anunciou que pagaria a popula\u00e7\u00e3o por cada rato que fosse entregue \u00e0s autoridades. O resultado foi o surgimento de fraudes com&nbsp; &#8220;empres\u00e1rios&#8221; construindo criat\u00f3rios desses roedores para receber os recursos. Havia tamb\u00e9m uma campanha de saneamento, onde as casas eram invadidas e vasculhadas sem nenhum esclarecimento.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>No ano de 1904, o governo instituiu a lei que fazia com que a vacina\u00e7\u00e3o fosse obrigat\u00f3ria, apesar da maioria da popula\u00e7\u00e3o ser contr\u00e1ria. Em conjun\u00e7\u00e3o com a lei, Oswaldo Cruz trouxe uma regulamenta\u00e7\u00e3o ainda mais problem\u00e1tica. O governo passava a exigir comprovantes de vacina\u00e7\u00e3o para que as pessoas pudessem matricular seus filhos nas escolas, iniciar novos empregos, viajar, se hospedar na cidade e at\u00e9 mesmo se casar. Quem se negasse a ser vacinado seria multado.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Havia muitos boatos absurdos em torno da vacina\u00e7\u00e3o. Um deles dizia que quem se vacinava ficava com fei\u00e7\u00f5es bovinas, j\u00e1 que havia l\u00edquido de p\u00fastulas de vacas doentes na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da vacina. Al\u00e9m disso, integrantes de classes mais abastadas se recusaram a deixar que vacinassem suas filhas e esposas, pois ficariam &#8220;partes a mostra&#8221; dos seus corpos para os agentes de sa\u00fade. Por fim, a imprensa n\u00e3o perdoava Oswaldo Cruz, ironizando a efic\u00e1cia da vacina por meio de charges cru\u00e9is.<\/div>\n<div>\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\">\n<figure><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/nPbkyUE7hxDNQm_L3ogG3oor1zc=\/360x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163736768008u.jpg 360w\" media=\"(max-width: 767px)\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/advHV4QVim3__tqaLU4PLEyf1Ns=\/675x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163736768008u.jpg 675w\" media=\"(max-width: 1365px)\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/igpiIuE9DNpE0bC4_dTw2JUr_Vs=\/820x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163736768008u.jpg 820w\" media=\"(min-width: 1366px)\"><source srcset=\"https:\/\/i.em.com.br\/DGpNQN_1htshSDBcyVJ-X_beMHQ=\/332x0\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163736768008u.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" title=\"Charges depreciativas das a\u00e7\u00f5es de Oswaldo Cruz o tornaram muito impopular.(foto: Acervo Fiocruz)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/i.em.com.br\/EsJkdMXxn4ABdL4AC3w4ZQbXFFA%3D\/790x\/smart\/imgsapp.em.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2019\/04\/25\/1048944\/20190425163736768008u.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Charges depreciativas das a\u00e7\u00f5es de Oswaldo Cruz o tornaram muito impopular.(foto: Acervo Fiocruz)\"><\/picture><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\">Charges depreciativas das a\u00e7\u00f5es de Oswaldo Cruz o tornaram muito impopular.(foto: Acervo Fiocruz)<\/picture><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>Quando a proposta de vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de Oswaldo Cruz chegou \u00e0s m\u00e3os da imprensa, o povo iniciou a maior revolta urbana do Rio de Janeiro at\u00e9 ent\u00e3o. Espalhando-se por v\u00e1rios bairros da cidade, o conflito envolveu uma violenta repress\u00e3o policial. A revolta popular teve o apoio de militares que tentaram usar a massa insatisfeita para derrubar, sem sucesso, o presidente Rodrigues Alves. Nos seis dias de revolta, 945 pessoas foram presas, 110 feridas, 30 mortas e mais 461 deportadas para o Estado do Acre.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>De fato, a falta de tato do governo no esclarecimento acerca da vacina e o contexto de higieniza\u00e7\u00e3o urbana levaram a popula\u00e7\u00e3o a se revoltar, causando um dos principais conflitos populares da hist\u00f3ria do Brasil. A Lei da Vacina Obrigat\u00f3ria teve seu texto modificado, tornando o uso da medica\u00e7\u00e3o facultativo. Em 1908, o Rio foi atingido pela mais violenta epidemia de var\u00edola de sua hist\u00f3ria, e a popula\u00e7\u00e3o correu para ser vacinada, em um epis\u00f3dio avesso \u00e0 Revolta da Vacina. Pouco tempo depois, a var\u00edola estava erradicada do pa\u00eds. Eventos como esse demonstram cada vez mais a import\u00e2ncia de se conhecer a Hist\u00f3ria para que os erros do passado n\u00e3o se repitam.<\/div>\n<div><strong>Cr\u00e9dito: <span class=\"ml-10\">Percurso Pr\u00e9-vestibular\/O Estado de Minas &#8211; dispon\u00edvel na internet 23\/09\/2019<\/span><\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a ideia de que a imuniza\u00e7\u00e3o faz mal ou \u00e9 desnecess\u00e1ria est\u00e1 provocando a volta de doen\u00e7as como o sarampo ]\u00c9 fim de tarde em Ubatuba, no Litoral Norte de S\u00e3o Paulo, e a fam\u00edlia de Maximiliano Giacone, de 31 anos, joga futebol na praia. 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