{"id":40886,"date":"2019-10-14T02:30:17","date_gmt":"2019-10-14T05:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=40886"},"modified":"2019-10-13T18:21:02","modified_gmt":"2019-10-13T21:21:02","slug":"como-a-corrida-mundial-pelo-processamento-de-dados-pode-colonizar-o-brasil-e-outros-paises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/10\/14\/como-a-corrida-mundial-pelo-processamento-de-dados-pode-colonizar-o-brasil-e-outros-paises\/","title":{"rendered":"Como a corrida mundial pelo processamento de dados pode &#8216;colonizar&#8217; o Brasil e outros pa\u00edses?"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">A crescente diferen\u00e7a entre os pa\u00edses na capacidade de processamento de dados faz com que muitos deles, entre os quais o Brasil, corram o risco de se tornarem v\u00edtimas de &#8220;colonialismo digital&#8221; perante a China e os Estados Unidos, aponta um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas publicado em setembro. Essas pot\u00eancias lideram os avan\u00e7os digitais, controlando sozinhas mais de 90% do valor de capitaliza\u00e7\u00e3o de mercado das 70 maiores empresas online do mundo.<\/p>\n<p>O paralelo com a coloniza\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pelo risco de submiss\u00e3o e depend\u00eancia econ\u00f4mica das na\u00e7\u00f5es frente \u00e0s superplataformas chinesas e americanas, conforme o relat\u00f3rio publicado pela Confer\u00eancia para Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (UNCTAD), \u00f3rg\u00e3o da ONU para o desenvolvimento do com\u00e9rcio. Sem a capacidade de processar os pr\u00f3prios dados, pa\u00edses como o Brasil se tornam apenas fontes de conte\u00fado bruto e eternos clientes na compra de servi\u00e7os digitais.<\/p>\n<p>Pela din\u00e2mica atual, os usu\u00e1rios da internet cedem de gra\u00e7a muitas informa\u00e7\u00f5es a respeito de si mesmos, como idade, escolaridade, locais que frequentam, compras que realizam, perfis dos amigos. S\u00e3o dados que, isoladamente, n\u00e3o possuem valor, mas, quando observados em conjunto, revelam a personalidade e os gostos da pessoa.<\/p>\n<p>De posse desse conhecimento, as plataformas mapeiam o perfil dos indiv\u00edduos e seu poder de consumo, transformando-os em &#8220;produto&#8221; ao revenderem com grande lucro as an\u00e1lises a terceiros. Os compradores s\u00e3o normalmente empresas que buscam atingir a um p\u00fablico alvo do qual o indiv\u00edduo faz parte \u2014 esse \u00e9 o processamento de dados ao qual a ONU se refere em seu relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O efeito \u00e9 similar ao ciclo colonial, durante o qual se exportavam produtos de baixo valor agregado e se importavam bens de consumo acabados \u2014 uma din\u00e2mica de desequil\u00edbrio e domina\u00e7\u00e3o que remonta a essas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas assim\u00e9tricas do passado, alerta o relat\u00f3rio da UNCTAD.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\">\n<aside class=\"parrot\" role=\"region\" aria-label=\"Talvez tamb\u00e9m te interesse\"><span style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 27px;\">Depend\u00eancia digital<\/span><\/aside>\n<\/div>\n<p>Nesse caso, na pr\u00e1tica, o &#8220;produto de baixo valor&#8221; que pa\u00edses como o Brasil exportam s\u00e3o os dados crus que seus usu\u00e1rios oferecem gratuitamente nas redes (da selfie que voc\u00ea bate com a roupa nova de gin\u00e1stica e posta no Facebook ao tipo de t\u00eanis que busca no Google para comprar). Por sua vez, os &#8220;bens acabados&#8221; s\u00e3o a an\u00e1lise processada desses dados, que \u00e9 revendida pelas plataformas estrangeiras a empresas locais (redes de artigos esportivos, para ficar nesse exemplo).<\/p>\n<p>O documento da ONU aponta que sete superplataformas chinesas e americanas det\u00eam sozinhas dois ter\u00e7os do valor total do mercado digital no mundo todo: Microsoft, Apple, Amazon, Alphabet\/Google, Facebook, Tencent\/WeChat e AliBaba. Em conjunto, elas controlam um mercado que, em 2017, foi estimado em US$ 7,1 trilh\u00f5es \u2014 individualmente, o valor de cada uma supera os US$ 250 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para pa\u00edses como o Brasil, que apenas &#8220;exportam&#8221; o conte\u00fado bruto, a consequ\u00eancia \u00e9 que, ao pagar \u00e0s plataformas estrangeiras para ter acesso \u00e0 intelig\u00eancia gerada com base na sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, suas empresas nacionais, menores, n\u00e3o conseguem se desenvolver. E o pa\u00eds acaba dependente desse com\u00e9rcio deficit\u00e1rio de modo praticamente irrevers\u00edvel, diz a ONU.<\/p>\n<p>As empresas estrangeiras saem ganhando n\u00e3o apenas ao lucrarem com os dados, mas tamb\u00e9m ao se fortalecem politicamente \u2014 e se consolidam em uma posi\u00e7\u00e3o monopol\u00edstica compar\u00e1vel \u00e0s companhias mar\u00edtimas comerciais europeias na \u00e9poca colonial.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Voc\u00ea \u00e9 o produto&#8217;<\/h2>\n<p>Redes como o Facebook oferecem servi\u00e7os aparentemente gratuitos, mas coletam em troca as informa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o guardadas em &#8220;silos&#8221; (sistemas de armazenagem que fragmentam os dados e impedem que fontes externas acessem a totalidade da informa\u00e7\u00e3o armazenada). Esses dados alimentam os algoritmos das redes, que os exploram comercialmente \u2014 com a venda de espa\u00e7o publicit\u00e1rio, por exemplo.<\/p>\n<p>Muitos usu\u00e1rios ainda hoje n\u00e3o est\u00e3o cientes que a l\u00f3gica por tr\u00e1s dessa barganha \u00e9 a do &#8220;se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 pagando pelo produto, voc\u00ea \u00e9 o produto&#8221;, afirmam especialistas na ind\u00fastria da tecnologia.<\/p>\n<p>&#8220;Por que voc\u00ea est\u00e1 no Facebook? Porque todos seus amigos est\u00e3o no Facebook. Quando a rede atinge uma quantidade cr\u00edtica de usu\u00e1rios, ela passa a explor\u00e1-los. A plataforma se torna monopol\u00edstica na economia real&#8221;, explica o diretor do n\u00facleo de competitividade global da institui\u00e7\u00e3o de ensino IMD de Lausanne, Arturo Bris.<\/p>\n<p>&#8220;O perigo que vemos para o Brasil e outros pa\u00edses \u00e9 que essas grandes empresas de dados operam como as ind\u00fastrias extrativistas, que retiram os minerais, o petr\u00f3leo, refinam, vendem de volta e se beneficiam desproporcionalmente dessa troca&#8221;, explicou \u00e0 BBC News Brasil Pilar Fajarnes, uma das autoras do relat\u00f3rio e oficial da UNCTAD na divis\u00e3o de Tecnologia e Log\u00edstica.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12478\/production\/_100627847_sharing.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12478\/production\/_100627847_sharing.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pessoas com celulares\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Redes sociais como o Facebook coletam informa\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios em troca da gratuidade de seus servi\u00e7os. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;As plataformas tamb\u00e9m se tornam monopol\u00edsticas financeiramente. Quando elas v\u00e3o em busca de investidores, eles s\u00f3 querem investir nelas. Eles n\u00e3o querem apostar em uma pequena empresa desconhecida do Brasil, porque lucrar\u00e3o muito mais investindo no Google, por exemplo&#8221;, completa Bris, explicando um efeito conhecido como &#8220;the winner takes all&#8221;, ou &#8220;o vencedor leva tudo&#8221;, no jarg\u00e3o popular das empresas de tecnologia.<\/p>\n<p>Segundo o professor de Lausanne, embora entendam que est\u00e3o sendo &#8220;usados&#8221;, os usu\u00e1rios permanecem nas redes para n\u00e3o perder suas conex\u00f5es \u2014 o que refor\u00e7a o monop\u00f3lio e representa mais uma dificuldade para que empresas nacionais prosperem nesse mercado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do modelo da neg\u00f3cios publicit\u00e1rio de redes como o Facebook, as op\u00e7\u00f5es de uso comercial das informa\u00e7\u00f5es dos usu\u00e1rios s\u00e3o diversas.<\/p>\n<p>Outro exemplo concreto dessa din\u00e2mica &#8220;colonialista&#8221;, citado pelo relat\u00f3rio da ONU, se aplica ao agroneg\u00f3cio brasileiro: \u00e9 um servi\u00e7o da fabricante de pesticidas e sementes Monsanto, chamado &#8220;Fieldview&#8221;, que acumula dados da lavoura e condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas das planta\u00e7\u00f5es. Com eles, produz relat\u00f3rios de intelig\u00eancia e depois os revende aos pr\u00f3prios propriet\u00e1rios das fazendas, como consultoria sobre produtividade.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O Brasil na lanterna<\/h2>\n<p>O Brasil est\u00e1 na lanterna da corrida digital. Em 2017, segundo dados da Uni\u00e3o Europeia citados no relat\u00f3rio da ONU, o impacto direto do valor da ind\u00fastria da informa\u00e7\u00e3o na economia brasileira foi de apenas 6,3 bilh\u00f5es de euros, com plataformas como iFood e NuBank. No Jap\u00e3o, por exemplo, o impacto direto da economia da informa\u00e7\u00e3o chega a quase 30 bilh\u00f5es de euros, na Europa a 65 bilh\u00f5es de euros e nos Estados Unidos a 113 bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 poucas empresas na economia digital no pa\u00eds. No total, h\u00e1 pouco mais de 36 mil empreendimentos dessa natureza registrados no Brasil \u2014 as start-ups que j\u00e1 cresceram e se destacam incluem Fintechs (empresas que usam tecnologia aplicada \u00e0s finan\u00e7as), como a PagSeguro e a Stone. Enquanto isso, na Europa, o n\u00famero \u00e9 de 276 mil companhias nesse segmento e, no Jap\u00e3o, 104 mil. Os Estados Unidos lideram com 302 mil empresas digitais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m faltam talentos nessa \u00e1rea no Brasil. O total de profissionais empregados na ind\u00fastria da informa\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 de 1,1 milh\u00e3o de pessoas. No Jap\u00e3o s\u00e3o 4 milh\u00f5es de pessoas, e, na Europa, 7,2 milh\u00f5es. Novamente os EUA lideram, empregando 14 milh\u00f5es de profissionais de TI, segundo dados da Uni\u00e3o Europeia citados pela UNCTAD.<\/p>\n<p>Enquanto o Brasil permanece estagnado, EUA e China abrem vantagem na dianteira da competitividade mundial.<\/p>\n<p>Juntos, correspondem a 75% das patentes relacionadas \u00e0s tecnologias blockchain (encripta\u00e7\u00e3o que comprime grandes quantidade de dados, usada em criptomoedas como Bitcoin e Ethereum). Essas na\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por 50% dos gastos globais em IoT (a chamada &#8220;internet das coisas&#8221;, na qual se incluem produtos como tomadas comandadas pelo celular) e, segundo a UNCTAD, pelo menos 75% do mercado de computa\u00e7\u00e3o em nuvem (que abastece servi\u00e7os do nosso dia a dia, como o armazenamento no Google Drive).<\/p>\n<p>O atraso do Brasil est\u00e1 quantificado no resultado da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Ranking Global de Competitividade Digital, estudo compilado pela equipe do professor Bris, de Lausanne. O pa\u00eds ficou em 57\u00ba lugar entre todos os 63 pesquisados, parado na mesma posi\u00e7\u00e3o que ocupava no ano passado.<\/p>\n<p>O ranking \u00e9 um term\u00f4metro mundial que mede a efici\u00eancia das na\u00e7\u00f5es em tr\u00eas fatores: a infraestrutura intang\u00edvel, a quest\u00e3o t\u00e9cnica e a prepara\u00e7\u00e3o futura. Na edi\u00e7\u00e3o de 2019 foi mais uma vez liderado pelos Estados Unidos, Singapura e Su\u00e9cia. A China chegou na 22\u00aa coloca\u00e7\u00e3o, avan\u00e7ando rapidamente oito posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No primeiro pilar, avalia-se o que est\u00e1 por tr\u00e1s do processo de transforma\u00e7\u00e3o digital, como a capacidade do pa\u00eds de descobrir, compreender e adotar novas tecnologias.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1234B\/production\/_94717547_544e5570-bd6d-4157-98f6-7c54e87e6998.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1234B\/production\/_94717547_544e5570-bd6d-4157-98f6-7c54e87e6998.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem ilustrativa de cadeado\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Muitos usu\u00e1rios ainda hoje n\u00e3o est\u00e3o cientes da l\u00f3gica das redes sociais: &#8216;se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 pagando pelo produto, voc\u00ea \u00e9 o produto&#8217;. Direito de imagem THINKSTOCK<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&nbsp;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>No fator tecnol\u00f3gico \u00e9 considerado o contexto geral pelo qual o desenvolvimento da tecnologia digital ocorre \u2014 esse desenvolvimento \u00e9 medido levando-se em considera\u00e7\u00e3o fatores como a regulamenta\u00e7\u00e3o desse mercado, a disponibilidade de capital e o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. Para se computar esses fatores, s\u00e3o consideradas qualidades pr\u00e1ticas (como a velocidade da internet de banda larga no pa\u00eds) e percept\u00edveis (se as empresas desse setor s\u00e3o \u00e1geis).<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, o fator de prepara\u00e7\u00e3o futura estima o n\u00edvel de prontid\u00e3o de uma economia para assumir sua transforma\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>&#8220;Haver\u00e1 uma domina\u00e7\u00e3o, que voc\u00ea pode chamar de domina\u00e7\u00e3o colonial. Os Estados Unidos e a China ser\u00e3o os poderes coloniais deste s\u00e9culo 21&#8221;, avalia o professor Bris.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como combater o colonialismo digital?<\/h2>\n<p>Apesar de a Am\u00e9rica Latina j\u00e1 ter registrado 19 unic\u00f3rnios (start-ups com valor superior a US$ 1 bilh\u00e3o) desde o in\u00edcio deste s\u00e9culo at\u00e9 2019, isso n\u00e3o anula o efeito &#8220;colonial&#8221; porque, na maioria das vezes, elas s\u00e3o compradas e engolidas pelas plataformas dominantes. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o aplicativo de transporte brasileiro 99, que foi comprado em 2018 pela chinesa Didi Chuxing.<\/p>\n<p>O professor Bris, por\u00e9m, \u00e9 otimista. &#8220;As plataformas est\u00e3o sob ataque, sim, n\u00e3o apenas econ\u00f4mica, mas socialmente. As pessoas est\u00e3o come\u00e7ando a questionar, se dando conta de que est\u00e3o explorando o bem mais valioso: a nossa informa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Para Pilar Fajarnes da ONU, n\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica. Ela afirma que \u00e9 necess\u00e1ria uma abordagem com iniciativas m\u00faltiplas. &#8220;Os pa\u00edses devem fomentar empresas locais que fa\u00e7am o &#8216;refino&#8217; dos dados, e adotar pol\u00edticas que defendam a propriedade e controle dos indiv\u00edduos sobre suas informa\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de subs\u00eddios para criar incubadoras e preparar os talentos, segundo os especialistas, os pa\u00edses podem estimular as empresas locais exigindo que a ind\u00fastria de softwares tenha sempre c\u00f3digo aberto (sem direitos autorais), o que permite democratiza\u00e7\u00e3o da tecnologia. No Brasil, por exemplo, start-ups de software que recebem subs\u00eddios do governo t\u00eam o compromisso de utilizar c\u00f3digo aberto e livre de licen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m, segundo os expecialistas, que &#8220;os fluxos de transfer\u00eancia de dados transnacionais sejam regulamentados, bem como estabelecidos controles fiscais, para que as empresas paguem tributos aos pa\u00edses de onde extraem os dados brutos&#8221;, como diz Fajarnes.<\/p>\n<p>Exemplos de regulamenta\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo debatidos pela Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). Em uma recomenda\u00e7\u00e3o inicial, lan\u00e7ada no in\u00edcio de outubro, a organiza\u00e7\u00e3o sugere que as multinacionais declarem seus lucros nos pa\u00edses onde obtiveram o ganho \u2014 e n\u00e3o s\u00f3 no local onde fica a matriz. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que os lucros de empresas (inclusive as digitais) sejam reinvestidos nos lugares onde essa riqueza foi produzida \u2014 os pa\u00edses poder\u00e3o cobrar impostos das marcas que lucraram com dados de seus cidad\u00e3os, por exemplo. A OCDE espera concluir um acordo sobre o tema at\u00e9 o fim de 2020.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, como ant\u00eddoto \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o digital, segundo os especialistas, \u00e9 preciso &#8220;uma pol\u00edtica consistente de educa\u00e7\u00e3o, desde a primeira inf\u00e2ncia \u00e0 universidade. Tecnologia e pesquisa s\u00e3o parte disso. Pa\u00edses que t\u00eam sucesso conseguem isso porque a popula\u00e7\u00e3o da base ao topo est\u00e1 convencida da import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o&#8221;, nas palavras do professor Bris.<\/p>\n<p>&#8220;Quebrar esse c\u00edrculo vicioso exigir\u00e1 um pensar &#8216;fora da caixa&#8217;, com o objetivo de encontrar uma configura\u00e7\u00e3o alternativa da economia digital&#8221;, avalia Fajarnes.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: <span class=\"byline__name\">Marina Wentzel d<\/span><span class=\"byline__title\">e Basil\u00e9ia (Su\u00ed\u00e7a) para a BBC News Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 14\/10\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crescente diferen\u00e7a entre os pa\u00edses na capacidade de processamento de dados faz com que muitos deles, entre os quais o Brasil, corram o risco de se tornarem v\u00edtimas de &#8220;colonialismo digital&#8221; perante a China e os Estados Unidos, aponta um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas publicado em setembro. 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