{"id":41612,"date":"2019-11-08T04:37:37","date_gmt":"2019-11-08T07:37:37","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=41612"},"modified":"2019-11-08T05:31:58","modified_gmt":"2019-11-08T08:31:58","slug":"stf-decide-que-cumprimento-da-pena-deve-comecar-apos-esgotamento-de-recursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/11\/08\/stf-decide-que-cumprimento-da-pena-deve-comecar-apos-esgotamento-de-recursos\/","title":{"rendered":"STF decide que cumprimento da pena deve come\u00e7ar ap\u00f3s esgotamento de recursos"},"content":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o n\u00e3o afasta a possibilidade de pris\u00e3o antes do tr\u00e2nsito em julgado, desde que sejam preenchidos os requisitos do C\u00f3digo de Processo Penal para a pris\u00e3o preventiva.<\/p>\n<p>Por maioria, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que \u00e9 constitucional a regra do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP) que prev\u00ea o esgotamento de todas as possibilidades de recurso (tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o) para o in\u00edcio do cumprimento da pena. Nesta quinta-feira (7), a Corte concluiu o julgamento das A\u00e7\u00f5es Declarat\u00f3rias de Constitucionalidade (ADC) 43, 44 e 54, que foram julgadas procedentes.<\/p>\n<p>Votaram a favor desse entendimento os ministros Marco Aur\u00e9lio (relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente do STF. Para a corrente vencedora, o artigo 283 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), segundo o qual \u201cningu\u00e9m poder\u00e1 ser preso sen\u00e3o em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judici\u00e1ria competente, em decorr\u00eancia de senten\u00e7a condenat\u00f3ria transitada em julgado ou, no curso da investiga\u00e7\u00e3o ou do processo, em virtude de pris\u00e3o tempor\u00e1ria ou pris\u00e3o preventiva\u201d, est\u00e1 de acordo com o princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia, garantia prevista no artigo 5\u00ba, inciso LVII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.&nbsp;Ficaram vencidos os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Lu\u00eds Roberto Barroso, Luiz Fux e C\u00e1rmen L\u00facia, que entendiam que a execu\u00e7\u00e3o da pena ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia n\u00e3o viola o princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o n\u00e3o veda a pris\u00e3o antes do esgotamento dos recursos, mas estabelece a necessidade de que a situa\u00e7\u00e3o do r\u00e9u seja individualizada, com a demonstra\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia dos requisitos para a pris\u00e3o preventiva previstos no artigo 312 do CPP \u2013 para a garantia da ordem p\u00fablica e econ\u00f4mica, por conveni\u00eancia da instru\u00e7\u00e3o criminal ou para assegurar a aplica\u00e7\u00e3o da lei penal.<\/p>\n<p>O julgamento das ADCs foi&nbsp;iniciado em 17\/10&nbsp;com a leitura do relat\u00f3rio do ministro Marco Aur\u00e9lio e retomado em 23\/10, com as&nbsp;manifesta\u00e7\u00f5es das partes, o&nbsp;voto do relator&nbsp;e os&nbsp;votos dos ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Lu\u00eds Roberto Barroso. Na&nbsp;sess\u00e3o de 24\/10, o julgamento prosseguiu com os votos dos ministros Rosa Weber, Luiz Fux e Ricardo Lewandowski. Na sess\u00e3o de hoje, proferiram seus votos a ministra C\u00e1rmen L\u00facia e os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli.<\/p>\n<p><b>Ministra C\u00e1rmen L\u00facia<\/b><\/p>\n<p>A ministra aderiu \u00e0 diverg\u00eancia aberta na sess\u00e3o de 23\/10 pelo ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que a possibilidade da execu\u00e7\u00e3o da pena com o encerramento do julgamento nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias n\u00e3o atinge o princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia. Segundo ela, o inciso LVII do artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal deve ser interpretado em harmonia com os demais dispositivos constitucionais que tratam da pris\u00e3o, como os incisos LIV (devido processo legal) e LXI (pris\u00e3o em flagrante delito ou por ordem escrita).<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia do direito penal, na compreens\u00e3o da ministra, se d\u00e1 em raz\u00e3o da certeza do cumprimento das penas. Sem essa certeza, \u201co que impera \u00e9 a cren\u00e7a da impunidade\u201d. A efic\u00e1cia do sistema criminal, no entanto, deve resguardar \u201ca imprescindibilidade do devido processo legal e a insuper\u00e1vel observ\u00e2ncia do princ\u00edpio do contradit\u00f3rio e das garantias da defesa\u201d.<\/p>\n<p><b>Ministro Gilmar Mendes<\/b><\/p>\n<p>Em voto pela constitucionalidade do artigo 283 do CPP, o ministro Gilmar Mendes afirmou que, ap\u00f3s a decis\u00e3o do STF, em 2016, que passou a autorizar a execu\u00e7\u00e3o da pena antes do tr\u00e2nsito em julgado, os tribunais passaram a entender que o procedimento seria autom\u00e1tico e obrigat\u00f3rio. Segundo o ministro, a decreta\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica da pris\u00e3o sem que haja a devida especifica\u00e7\u00e3o e individualiza\u00e7\u00e3o do caso concreto \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o do que foi julgado pelo STF.<\/p>\n<p>Para Mendes, a execu\u00e7\u00e3o antecipada da pena sem a demonstra\u00e7\u00e3o dos requisitos para a pris\u00e3o viola o princ\u00edpio constitucional da n\u00e3o culpabilidade. Ele salientou que, nos \u00faltimos anos, o Congresso Nacional aprovou altera\u00e7\u00f5es no CPP com o objetivo de adequar seu texto aos princ\u00edpios da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, entre eles o da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n<p><b>Ministro Celso de Mello<\/b><\/p>\n<p>Ao acompanhar o relator, o ministro afirmou que nenhum juiz do STF discorda da necessidade de repudiar e reprimir todas as modalidades de crime praticadas por agentes p\u00fablicos e empres\u00e1rios delinquentes. Por isso, considera infundada a interpreta\u00e7\u00e3o de que a defesa do princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia pode obstruir as atividades investigat\u00f3rias e persecut\u00f3rias do Estado. Segundo ele, a repress\u00e3o a crimes n\u00e3o pode desrespeitar e transgredir a ordem jur\u00eddica e os direitos e garantias fundamentais dos investigados. O decano destacou ainda que a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode se submeter \u00e0 vontade dos poderes constitu\u00eddos nem o Poder Judici\u00e1rio embasar suas decis\u00f5es no clamor p\u00fablico.<\/p>\n<p>O ministro ressaltou que sua posi\u00e7\u00e3o em favor do tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a condenat\u00f3ria \u00e9 a mesma h\u00e1 30 anos, desde que passou a integrar o STF. Ressaltou ainda que a exig\u00eancia do tr\u00e2nsito em julgado n\u00e3o impede a decreta\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o cautelar em suas diversas modalidades.<\/p>\n<p><b>Ministro Dias Toffoli<\/b><\/p>\n<p>\u00daltimo a votar, o presidente do STF explicou que o julgamento diz respeito a uma an\u00e1lise abstrata da constitucionalidade do artigo 283 do CPP, sem rela\u00e7\u00e3o direta com nenhum caso concreto. Para Toffoli, a pris\u00e3o com fundamento unicamente em condena\u00e7\u00e3o penal s\u00f3 pode ser decretada ap\u00f3s esgotadas todas as possibilidades de recurso. Esse entendimento, explicou, decorre da op\u00e7\u00e3o expressa do legislador e se mostra compat\u00edvel com o princ\u00edpio constitucional da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia. Segundo ele, o Parlamento tem autonomia para alterar esse dispositivo e definir o momento da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o ministro, a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a senten\u00e7a proferida pelo Tribunal do J\u00fari, que, de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o, \u00e9 soberano em suas decis\u00f5es. Toffoli ressaltou ainda que a exig\u00eancia do tr\u00e2nsito em julgado n\u00e3o levar\u00e1 \u00e0 impunidade, pois o sistema judicial tem mecanismos para coibir abusos nos recursos com a finalidade \u00fanica de obter a prescri\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n<ul class=\"pull-right list-group\">\n<li class=\"list-group-item\">\n<h4>Processo relacionado:&nbsp;<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4986065\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ADC&nbsp;43<\/a><\/span><\/h4>\n<\/li>\n<li class=\"list-group-item\">\n<h4>Processo relacionado:&nbsp;<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4986729\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ADC&nbsp;44<\/a><\/span><\/h4>\n<\/li>\n<li class=\"list-group-item\">\n<h4>Processo relacionado:&nbsp;<span style=\"color: #0000ff;\"><a style=\"color: #0000ff;\" href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=5440576\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ADC&nbsp;54<\/a><\/span><\/h4>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>STF 08\/11\/2019<\/strong><\/p>\n<hr>\n<h3 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>STF abre caminho para liberta\u00e7\u00e3o de Lula ao derrubar pris\u00e3o ap\u00f3s 2\u00aa inst\u00e2ncia<\/strong><\/em><\/h3>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\">&nbsp;<\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">O&nbsp;Supremo Tribunal Federal (STF)&nbsp;decidiu no come\u00e7o da noite desta quinta-feira (07\/11) proibir por 6 votos a 5 o in\u00edcio do cumprimento da pena antes de esgotados todos os recursos dos r\u00e9us, o chamado tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n<p>O julgamento no Supremo abre o caminho para a soltura de at\u00e9 4.895 presos, segundo dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ). Entre eles, est\u00e1 o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT).<\/p>\n<p>O caso mais avan\u00e7ado contra o petista, o do tr\u00edplex do Guaruj\u00e1, ainda tem recursos pendentes. Isto \u00e9, ainda n\u00e3o transitou em julgado.<\/p>\n<p>Votaram a favor da pris\u00e3o apenas depois do tr\u00e2nsito em julgado os ministros Marco Aur\u00e9lio Mello, relator do caso, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente do STF.<\/p>\n<p>J\u00e1 a tese derrotada \u2014 a favor da pris\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia \u2014 foi defendida pelos ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Lu\u00eds Roberto Barroso, Luiz Fux e C\u00e1rmen L\u00facia.<\/p>\n<p>O julgamento estava empatado em 5 a 5 at\u00e9 o voto de Dias Toffoli, que decidiu na pr\u00e1tica a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>No seu voto, o presidente do STF destacou que o julgamento foi o primeiro no qual o STF analisou, de forma abstrata, se o Artigo 283 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP) est\u00e1 de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este artigo diz que &#8220;ningu\u00e9m poder\u00e1 ser preso sen\u00e3o (&#8230;) em decorr\u00eancia de senten\u00e7a condenat\u00f3ria transitada em julgado&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro, portanto, n\u00e3o teria mudado de posi\u00e7\u00e3o. Ele votou pela pris\u00e3o ap\u00f3s segunda inst\u00e2ncia em situa\u00e7\u00f5es anteriores, quando casos de pessoas concretas estavam sendo julgados.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui, n\u00e3o estou analisando fatos. Estou analisando abstratamente a compatibilidade (do art. 283 do CPP com a Constitui\u00e7\u00e3o). N\u00e3o entendo que a norma (do CPP) necessite alguma interpreta\u00e7\u00e3o conforme. A leitura dela cabe no texto da Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Voto pela proced\u00eancia das a\u00e7\u00f5es, para assim como fez o relator (Marco Aur\u00e9lio Mello), declarar a compatibilidade da vontade expressa do povo brasileiro, estabelecida pela lei (o C\u00f3digo de Processo Penal). Este dispositivo \u00e9 compat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, uma vez que n\u00e3o cont\u00e9m erro ou contrariedade com a delibera\u00e7\u00e3o realizada pelo parlamento ao editar a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988&#8221;, disse Toffoli ao final.<\/p>\n<p>O presidente da Corte afirmou que seu voto n\u00e3o se estende \u00e0s pessoas que estejam presas preventivamente ou cometido crimes contra a vida, e nem \u00e0queles que tenham sido mandados para a pris\u00e3o pelo Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n<p>Toffoli tamb\u00e9m fez a ressalva de que o Congresso Nacional pode voltar a deliberar sobre o assunto \u2014 uma altera\u00e7\u00e3o no C\u00f3digo de Processo Penal poderia estabelecer a pris\u00e3o ap\u00f3s segunda inst\u00e2ncia, e isto n\u00e3o ofenderia a Constitui\u00e7\u00e3o, para o ministro.<\/p>\n<p>Condenado a mais de 8 anos de pris\u00e3o pelo Superior Tribunal da Justi\u00e7a (STJ) no caso do tr\u00edplex no Guaruj\u00e1, Lula est\u00e1 preso desde abril de 2018 na Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal no Paran\u00e1, em Curitiba. Os recursos apresentados no caso do tr\u00edplex pela defesa est\u00e3o em an\u00e1lise no STJ.<\/p>\n<p>Com a decis\u00e3o do STF nesta quinta, a pris\u00e3o de Lula (e dos outros r\u00e9us que j\u00e1 cumprem pena ap\u00f3s a segunda inst\u00e2ncia) foi considerada inconstitucional. O ex-presidente dever\u00e1 sair da cadeia e ter\u00e1 o direito de aguardar ao fim do processo em liberdade.<\/p>\n<p>A&nbsp;<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50175387\">soltura de Lula deve acontecer j\u00e1 nos pr\u00f3ximos dias<\/a>. Existe a possibilidade de que a decis\u00e3o s\u00f3 tenha efeito depois de publicada no Di\u00e1rio Oficial de Justi\u00e7a, o que deve acontecer no m\u00e1ximo at\u00e9 a manh\u00e3 desta sexta-feira.<\/p>\n<p>Em nota, o advogado de Lula, Cristiano Zanin disse que, ap\u00f3s conversar com o ex-presidente, pretende apresentar nesta sexta-feira um pedido por sua imediata soltura com base no resultado desse julgamento do STF. &#8220;Reiteraremos o pedido para que a Suprema Corte julgue os habeas corpus que objetivam a declara\u00e7\u00e3o da nulidade de todo o processo que o levou \u00e0 pris\u00e3o em virtude da suspei\u00e7\u00e3o do ex-juiz Sergio Moro e dos procuradores da Lava Jato, dentre in\u00fameras outras ilegalidades.&#8221;<\/p>\n<p>O julgamento come\u00e7ou no dia 17 de outubro, baseado em tr\u00eas A\u00e7\u00f5es Declarat\u00f3rias de Constitucionalidades (ADCs), apresentadas pelo antigo Partido Ecol\u00f3gico Nacional (PEN, atual Patriota), pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B).<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es pediam que o Supremo declarasse constitucional (isto \u00e9, de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o) o artigo 283 do CPP. A argumenta\u00e7\u00e3o se baseia no inciso 57 (LVII) do artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, segundo o qual &#8220;ningu\u00e9m ser\u00e1 considerado culpado at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como votaram os outros ministros<\/h2>\n<p>Antes de Dias Toffoli, votaram na tarde desta quinta os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes e C\u00e1rmen L\u00facia. Os dois primeiros foram a favor da pela mudan\u00e7a no entendimento do tribunal, enquanto a \u00faltima defendeu a pris\u00e3o ap\u00f3s segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Celso de Mello come\u00e7ou destacando que, caso ocorra uma mudan\u00e7a no entendimento do STF sobre o tema, isso n\u00e3o significa o fim completo da pris\u00e3o antes do tr\u00e2nsito em julgado. Pessoas que cometerem crimes violentos, por exemplo, continuar\u00e3o a ser presas preventivamente, antes mesmo de condenadas.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, n\u00e3o \u00e9 correto afirmar que apenas depois do esgotamento de todas as vias recursais se admitir\u00e1 o encarceramento&#8221;, argumentou.<\/p>\n<p>O ministro ressaltou ainda que o julgamento trata de uma &#8220;cl\u00e1usula fundamental&#8221; da Constitui\u00e7\u00e3o, &#8220;cujo texto exige e imp\u00f5e o requisito adicional do tr\u00e2nsito em julgado (para o in\u00edcio da pena)&#8221;.<\/p>\n<p>Celso de Mello fez ainda uma longa fala sobre a import\u00e2ncia do processo penal para a prote\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos &#8220;contra o abuso de poder eventualmente perpetrado por agentes estatais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esta Corte Suprema n\u00e3o julga em fun\u00e7\u00e3o da qualidade das pessoas ou de sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social, pol\u00edtica, estamental (grupo social) ou funcional&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Em seu voto, Gilmar Mendes disse que o &#8220;fator fundamental&#8221; para a sua mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o foi a forma como os tribunais de inst\u00e2ncias inferiores passaram a entender a decis\u00e3o do STF de 2016.<\/p>\n<p>O que o STF disse \u00e0 \u00e9poca era que a pris\u00e3o ap\u00f3s 2\u00aa inst\u00e2ncia era uma &#8220;possibilidade&#8221;, e n\u00e3o algo obrigat\u00f3rio, disse Gilmar.<\/p>\n<p>&#8220;Decidiu-se que a execu\u00e7\u00e3o da pena era poss\u00edvel, mas n\u00e3o imperativa. De fato, na pr\u00f3pria ementa (do julgamento de 2016), estabeleceu-se que a execu\u00e7\u00e3o era uma possibilidade, e n\u00e3o uma obrigatoriedade&#8221;, disse Gilmar.<\/p>\n<p>&#8220;Todavia, a realidade \u00e9 que, ap\u00f3s o julgamento de 2016, os tribunais passaram a entender como algo imperativo&#8221;, &#8220;sem nenhuma an\u00e1lise&#8221;, disse o ministro.<\/p>\n<p>No voto, Gilmar Mendes contestou a fala de C\u00e1rmen L\u00facia de que proibi\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o antes do fim do processo favorece os mais ricos. Ele diz que defensores p\u00fablicos &#8220;desmistificaram esse discurso&#8221; mostrando que pessoas pobres tamb\u00e9m conseguem reverter condena\u00e7\u00f5es em segunda inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>C\u00e1rmen L\u00facia iniciou seu voto na tarde desta quinta-feira (07) deixando claro que mant\u00e9m seu posicionamento hist\u00f3rico no tema: a favor da pris\u00e3o j\u00e1 depois da segunda inst\u00e2ncia. A ministra mant\u00e9m a mesma posi\u00e7\u00e3o desde que o STF tratou do assunto pela primeira vez, em 2009.<\/p>\n<p>Segundo a ministra, advogados de ambos os lados apresentaram bons argumentos na tribuna do Supremo, mas estes n\u00e3o chegaram a alterar o seu entendimento sobre a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a C\u00e1rmen L\u00facia, a impossibilidade de pris\u00e3o antecipada gera &#8220;cren\u00e7a da impunidade&#8221;, principalmente para os r\u00e9us com mais recursos para explorar o &#8220;intrincado sistema de recursos&#8221; da Justi\u00e7a brasileira. &#8220;Puni\u00e7\u00e3o incerta&#8221;, disse C\u00e1rmen, &#8220;alimenta mais crimes, enfraquece o sistema de direito&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Saiba mais:<\/h2>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50175387\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quando e como Lula ser\u00e1 solto se o STF determinar fim da pris\u00e3o ap\u00f3s condena\u00e7\u00e3o em 2\u00aa inst\u00e2ncia?<\/a><\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50293567\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pobres prejudicados e ricos beneficiados? A guerra de n\u00fameros no julgamento sobre pris\u00e3o ap\u00f3s 2\u00aa inst\u00e2ncia<\/a><\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50321933\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PT se divide sobre que estrat\u00e9gia adotar se Lula for solto<\/a><\/li>\n<li class=\"story-body__list-item\"><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49093277\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Por que o Foro de S\u00e3o Paulo \u00e9 mais importante para a direita do que para a esquerda<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: BBC Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 08\/11\/2019<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o n\u00e3o afasta a possibilidade de pris\u00e3o antes do tr\u00e2nsito em julgado, desde que sejam preenchidos os requisitos do C\u00f3digo de Processo Penal para a pris\u00e3o preventiva. Por maioria, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que \u00e9 constitucional a regra do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP) que prev\u00ea o esgotamento de todas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":41613,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-41612","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/AUTO_amarildo.jpg?fit=480%2C348&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}