{"id":41859,"date":"2019-11-18T01:48:20","date_gmt":"2019-11-18T04:48:20","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=41859"},"modified":"2019-11-18T05:00:20","modified_gmt":"2019-11-18T08:00:20","slug":"seria-um-pesadelo-por-que-nao-interessa-a-industria-brasileira-um-acordo-de-livre-comercio-com-a-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/11\/18\/seria-um-pesadelo-por-que-nao-interessa-a-industria-brasileira-um-acordo-de-livre-comercio-com-a-china\/","title":{"rendered":"&#8216;Seria um pesadelo&#8217;: por que n\u00e3o interessa \u00e0 ind\u00fastria brasileira um acordo de livre com\u00e9rcio com a China"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Um pesadelo. \u00c9 assim que o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, resume os efeitos para a ind\u00fastria brasileira se houver um acordo de livre com\u00e9rcio com a China.<\/p>\n<p>Essa possibilidade virou assunto depois de o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que o governo negocia a cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de livre com\u00e9rcio entre Brasil e China. Quando foi questionado sobre detalhes desse plano, no entanto, o ministro disse que apenas defendeu mais integra\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n<p>O que pode parecer um est\u00edmulo ao com\u00e9rcio seria, no cen\u00e1rio atual, um grande problema para a ind\u00fastria brasileira, segundo Castro, que representa as empresas exportadoras.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 a China ganharia com esse acordo hoje, a ind\u00fastria brasileira n\u00e3o teria nada a ganhar&#8221;, diz. &#8220;No futuro, quando o Brasil tiver realizado todas as reformas necess\u00e1rias e reduzido custos de log\u00edstica e de burocracia, poderemos ter pre\u00e7os competitivos e a\u00ed sim um acordo seria bem vindo.&#8221;<\/p>\n<p>Castro aponta que as empresas brasileiras n\u00e3o conseguiriam competir com os pre\u00e7os dos produtos chineses. &#8220;O Custo Brasil \u00e9 muito elevado, gira em torno de 30% (um produto brasileiro \u00e9, em m\u00e9dia, 30% mais caro que o mesmo produto feito no exterior). A\u00ed estar\u00edamos abrindo o mercado, mas sem pre\u00e7o competitivo.&#8221;<\/p>\n<p>Uma zona de livre com\u00e9rcio tem o objetivo de estimular as trocas entre os pa\u00edses e prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o ou a elimina\u00e7\u00e3o das tarifas alfandeg\u00e1rias entre os pa\u00edses-membros.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os n\u00fameros<\/h2>\n<p>A resposta sobre o que ocorreria se houver um acordo de livre com\u00e9rcio est\u00e1 nos n\u00fameros da balan\u00e7a comercial com a China, que \u00e9 o principal destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. No ano passado, o saldo comercial entre os dois pa\u00edses ficou positivo para o Brasil em US$ 29 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O detalhe importante, no entanto, est\u00e1 nos tipos de produtos.<\/p>\n<p>Os bens manufaturados representaram apenas 2% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a China em 2018. Os semimanufaturados, 8%. A grande maioria \u00e9 composta por produtos b\u00e1sicos, com 90% das vendas brasileiras aos chineses. A soja triturada foi o tipo de produto mais vendido pelos brasileiros aos chineses no ano passado.<\/p>\n<div class=\"idt2\">\n<div data-idt-uuid=\"67413a9d-0f4b-448d-a7a3-f9a782bdff0a\">\n<div class=\"VegaGraphic__GraphicContainer-hdlj7c-0 hTNBbR renderReady\" dir=\"ltr\" data-graphicuuid=\"67413a9d-0f4b-448d-a7a3-f9a782bdff0a\">\n<h2 class=\"components__EditorialTitle-s4q8aoa-4 bCwWpe\">Exporta\u00e7\u00f5es do Brasil para a China (2018)<\/h2>\n<figure id=\"attachment_41860\" aria-describedby=\"caption-attachment-41860\" style=\"width: 886px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/transferir-4.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-41860 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/transferir-4.png?resize=696%2C444\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"444\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/transferir-4.png?w=886&amp;ssl=1 886w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/transferir-4.png?resize=300%2C191&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/transferir-4.png?resize=768%2C490&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/transferir-4.png?resize=696%2C444&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/transferir-4.png?resize=659%2C420&amp;ssl=1 659w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-41860\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Minist\u00e9rio da Economia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A economista Vivian Almeida, professora do Ibmec, diz que a medida poderia ter &#8220;um impacto irrevers\u00edvel para a ind\u00fastria brasileira, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 competitiva&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os n\u00fameros falam por si s\u00f3. Olhando o que \u00e9 hoje o com\u00e9rcio do Brasil com a China, vemos que vamos sair do patamar de 90% de produtos b\u00e1sicos para 100% (nas exporta\u00e7\u00f5es para os chineses)&#8221;, disse Almeida.<\/p>\n<p>Por outro lado, 98% das compras de produtos chineses pelo Brasil no ano passado foram de manufaturados. Menos de 2% das importa\u00e7\u00f5es foram de produtos b\u00e1sicos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 4969px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15E8F\/production\/_106834798_gettyimages-943704998-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15E8F\/production\/_106834798_gettyimages-943704998-1.jpg?resize=696%2C443&#038;ssl=1\" alt=\"Bandeira chinesa em meio a containeres em porto\" width=\"696\" height=\"443\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">98% das compras de produtos chineses pelo Brasil em 2018 foram produtos manufaturados. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A economista diz que &#8220;se o objetivo \u00e9 crescer de forma mais m\u00faltipla e diversa, al\u00e9m de beneficiar a ind\u00fastria brasileira, esse n\u00e3o \u00e9 o melhor caminho&#8221;.<\/p>\n<p>Ela destaca que esse di\u00e1logo ocorre em meio a uma mudan\u00e7a de eixos no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>&#8220;A China est\u00e1 se apropriando do espa\u00e7o deixando pelos Estados Unidos com rela\u00e7\u00e3o ao que convencionamos chamar de globaliza\u00e7\u00e3o. A China se apropriou desse espa\u00e7o economicamente \u2014 pelo crescimento que vem apresentando nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u2014 e politicamente \u2014 pelo espa\u00e7o deixado pelos EUA na gest\u00e3o Trump ao n\u00e3o apoiar o multilateralismo.&#8221;<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o nesse debate \u00e9 o Mercosul, j\u00e1 que o Brasil faz parte da uni\u00e3o aduaneira. Por isso, segundo Castro, o Brasil n\u00e3o poderia negociar sozinho um acordo de livre com\u00e9rcio com a China.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp) informou, por meio de assessoria de imprensa, que as discuss\u00f5es ainda est\u00e3o no est\u00e1gio inicial e que \u00e9 necess\u00e1rio &#8220;entender mais claramente&#8221; os termos do acordo. A federa\u00e7\u00e3o diz que manifestar\u00e1 seu posicionamento &#8220;quando as negocia\u00e7\u00f5es estiverem mais maduras&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">C\u00fapula do Brics<\/h2>\n<p>A fala do ministro Guedes sobre o livre com\u00e9rcio com os chineses aconteceu durante semin\u00e1rio do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics.<\/p>\n<p>Nesta semana, a c\u00fapula dos Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) de 2019 ocorre em Bras\u00edlia,&nbsp;sob o comando do presidente Jair Bolsonaro, um cr\u00edtico do multilateralismo e fiel aliado do governo americano de Trump.<\/p>\n<p>Rompendo com uma tradi\u00e7\u00e3o iniciada em 2013, em que o pa\u00eds anfitri\u00e3o da c\u00fapula passou a convidar outras na\u00e7\u00f5es para um encontro extra ampliado, o governo brasileiro decidiu manter a reuni\u00e3o deste ano restrita aos cinco integrantes.<\/p>\n<p>No ano passado, por exemplo, a \u00c1frica do Sul promoveu, ap\u00f3s a reuni\u00e3o exclusiva do Brics, encontros expandidos envolvendo 19 na\u00e7\u00f5es africanas, al\u00e9m de Argentina, Turquia e Jamaica. J\u00e1 na \u00faltima c\u00fapula realizada no Brasil, em Fortaleza, em 2014, todos os l\u00edderes sul-americanos estiveram presentes.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da c\u00fapula foi&nbsp;ofuscado pela invas\u00e3o da Embaixada da Venezuela em Bras\u00edlia. O grupo de invasores, ligado ao autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaid\u00f3, s\u00f3 deixou o local no fim da tarde de quarta-feira, dia 13 de novembro.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: La\u00eds Alegretti d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em Londres &#8211; dispon\u00edvel na internet 18\/11\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pesadelo. \u00c9 assim que o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, resume os efeitos para a ind\u00fastria brasileira se houver um acordo de livre com\u00e9rcio com a China. 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