{"id":41876,"date":"2019-11-19T01:00:05","date_gmt":"2019-11-19T04:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=41876"},"modified":"2019-11-19T04:17:40","modified_gmt":"2019-11-19T07:17:40","slug":"de-bem-com-a-vida-por-que-uso-de-antibioticos-na-agropecuaria-preocupa-medicos-e-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/11\/19\/de-bem-com-a-vida-por-que-uso-de-antibioticos-na-agropecuaria-preocupa-medicos-e-cientistas\/","title":{"rendered":"De Bem com a Vida: Por que uso de antibi\u00f3ticos na agropecu\u00e1ria preocupa m\u00e9dicos e cientistas"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">H\u00e1 quatro anos, em uma fazenda de cria\u00e7\u00e3o intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bact\u00e9ria resistente ao antibi\u00f3tico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo \u2014 cada vez mais temeroso com a capacidade que microrganismos t\u00eam demonstrado em driblar tratamentos \u00e0 base de antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>A bact\u00e9ria resistente encontrada no su\u00edno, uma&nbsp;<i>Escherichia coli<\/i>, levou os cientistas da China a aprofundar os exames \u2014 agora, tamb\u00e9m em frangos de fazendas de quatro prov\u00edncias chinesas, nas carnes cruas desses animais \u00e0 venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infec\u00e7\u00f5es nas prov\u00edncias de Guangdong e Zhejiang.<\/p>\n<p>Eles encontraram uma &#8220;alta preval\u00eancia&#8221; do&nbsp;<i>Escherichia coli<\/i>&nbsp;com o gene MCR-1, que d\u00e1 \u00e0s bact\u00e9rias uma alta resist\u00eancia \u00e0 colistina e tem potencial de se alastrar para outras bact\u00e9rias, como a<i>&nbsp;Klebsiella pneumoniae<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>Pseudomonas aeruginosa<\/i>. O MCR-1 foi encontrado em 166 de 804 animais analisados, e em 78 de 523 amostras de carne crua.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos humanos, a incid\u00eancia foi menor, mas se mostrou presente \u2014 em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados.<\/p>\n<p>&#8220;Por causa da propor\u00e7\u00e3o relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na compara\u00e7\u00e3o com animais, \u00e9 prov\u00e1vel que a resist\u00eancia \u00e0 colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos&#8221;, explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no peri\u00f3dico&nbsp;<i>The Lancet Infectious Diseases<\/i>.<\/p>\n<p>Mas como esse material gen\u00e9tico resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de &#8220;transmiss\u00e3o&#8221; de microrganismos (bact\u00e9rias, parasitas, fungos e etc) resistentes \u00e9 uma inc\u00f3gnita n\u00e3o s\u00f3 para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterin\u00e1rio e m\u00e9dico de&nbsp;antibi\u00f3ticos&nbsp;como um todo.<\/p>\n<p>Pode ser que esses microrganismos ou resqu\u00edcios de antibi\u00f3ticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micr\u00f3bios, podem estimular sua resist\u00eancia) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda atrav\u00e9s do lixo hospitalar, len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, rios e canais de esgoto \u2014 e a investiga\u00e7\u00e3o para desvendar as rotas de bact\u00e9rias tem motivado in\u00fameras pesquisas no Brasil e no mundo (<i>veja detalhes sobre esses estudos abaixo<\/i>).<\/p>\n<p>&#8220;As bact\u00e9rias n\u00e3o t\u00eam fronteiras: a resist\u00eancia pode passar de um lugar a outro sem passaporte e de v\u00e1rias formas&#8221;, explica Fl\u00e1via Rossi, doutora em patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e integrante do Grupo Consultivo da OMS para a Vigil\u00e2ncia Integrada da Resist\u00eancia Antimicrobiana (WHO-Agisar). &#8220;Com a globaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 o transporte de pessoas \u00e9 r\u00e1pido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) vem trabalhando com o enfoque de &#8216;One Health&#8217; (&#8216;Sa\u00fade \u00fanica&#8217; em portugu\u00eas, a perspectiva de que a sa\u00fade das pessoas, dos animais e o ambiente est\u00e3o conectados).&#8221;<\/p>\n<p>Agora, a dimens\u00e3o global do problema ganhou um mapeamento in\u00e9dito juntando pesquisas j\u00e1 feitas medindo a presen\u00e7a de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda \u2014 e o Brasil aparece no grupo de lugares com situa\u00e7\u00e3o preocupante. N\u00e3o quer dizer que o estudo considere o pa\u00eds como um todo, mas pontos que j\u00e1 foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades ga\u00fachas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goi\u00e1s.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Sul brasileiro: foco de resist\u00eancia microbiana<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E464\/production\/_109486485_gettyimages-929012800.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E464\/production\/_109486485_gettyimages-929012800.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ovo em uma placa em laborat\u00f3rio, manipulado por m\u00e3o de cientista com luva\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ovos, leite, carnes&#8230; A ci\u00eancia tem hoje m\u00e9todos para detectar microrganismos resistentes nos alimentos, mas poucos pa\u00edses fazem esse monitoramento sistematicamente. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>China e \u00cdndia foram, segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, &#8220;claramente&#8221; os lugares em que os maiores n\u00edveis de resist\u00eancia foram encontrados.<\/p>\n<p>Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do M\u00e9xico e Johanesburgo (\u00c1frica do Sul), entre outros, se destacaram tamb\u00e9m como&nbsp;<i>hotspots<\/i>, ou focos de resist\u00eancia microbiana em animais destinados \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, principalmente bovinos, porcos e frangos (com n\u00edveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibi\u00f3ticos).<\/p>\n<p>As maiores resist\u00eancias observadas foram relacionadas a alguns dos antibi\u00f3ticos mais usados na produ\u00e7\u00e3o animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento tamb\u00e9m em humanos, destacaram-se a resist\u00eancia \u00e0 ciprofloxacina e eritromicina.<\/p>\n<p>Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resist\u00eancia emergentes, ou seja, em que a resist\u00eancia dos microrganismos a antibi\u00f3ticos est\u00e1 crescendo. A\u00ed, o Brasil tamb\u00e9m aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior cria\u00e7\u00e3o de aves e su\u00ednos na regi\u00e3o, animais para os quais h\u00e1 maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (<i>entenda os diferentes usos de antibi\u00f3ticos veterin\u00e1rios e seus impactos abaixo<\/i>).<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul \u00e9 particularmente preocupante por causa da car\u00eancia de dados, diz o estudo: &#8220;Considerando que Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil s\u00e3o exportadores de carne, \u00e9 preocupante que haja pouca vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica da resist\u00eancia microbiana dispon\u00edvel publicamente para esses pa\u00edses. Muitos pa\u00edses africanos de baixa renda t\u00eam mais pesquisas desse tipo do que os pa\u00edses de renda m\u00e9dia na Am\u00e9rica do Sul. Globalmente, o n\u00famero de pesquisas per capita n\u00e3o se correlacionou com o PIB per capita, sugerindo que a capacidade de vigil\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 impulsionada apenas por recursos financeiros.&#8221;<\/p>\n<p>Buscando ampliar, em partes, o acesso a esse tipo de informa\u00e7\u00e3o, os autores do estudo lan\u00e7aram um banco de dados colaborativo para cadastro de pesquisas sobre o tema em todo o mundo, o&nbsp;&#8220;Resistance Bank&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil precisa urgentemente de dados de vigil\u00e2ncia dispon\u00edveis publicamente sobre a resist\u00eancia microbiana. \u00c9 um grande exportador de carne, todos comemos frango brasileiro, seria bom saber o que h\u00e1 nele&#8221;, escreveu por e-mail \u00e0 BBC News Brasil Thomas Van Boeckel, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Em nota enviada \u00e0 BBC News Brasil, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) afirmou que, &#8220;em rela\u00e7\u00e3o ao estudo da revista Science&#8221;, est\u00e1 &#8220;ciente sobre a import\u00e2ncia da resist\u00eancia aos antimicrobianos&#8221;. &#8220;Trata-se de um dos maiores desafios globais de sa\u00fade p\u00fablica e que deve ser abordado pelos pa\u00edses atendendo ao conceito de Sa\u00fade \u00danica, exigindo a\u00e7\u00f5es imediatas de todos os envolvidos&#8221;.<\/p>\n<p>A pasta garante que o pa\u00eds est\u00e1 correndo atr\u00e1s para ter um sistema de vigil\u00e2ncia, por meio do Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controle da Resist\u00eancia aos Antimicrobianos no \u00e2mbito da Agropecu\u00e1ria (PAN-BR AGRO), cujo prazo previsto para implementa\u00e7\u00e3o vai de 2018 a 2022.<\/p>\n<p>Segundo fontes consultadas pela reportagem, o cronograma do plano tem sido cumprido.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/123C\/production\/_109486640_gettyimages-918342368.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/123C\/production\/_109486640_gettyimages-918342368.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de uma bact\u00e9ria\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">J\u00e1 foram detectadas em alimentos de origem animal bact\u00e9rias resistentes que representam grandes riscos para os humanos. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Um de seus pontos-chave, e j\u00e1 o colocado em pr\u00e1tica, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de testes oficiais de rotina para detec\u00e7\u00e3o de micr\u00f3bios resistentes em animais e alimentos com essa origem.<\/p>\n<p>S\u00e3o amostragens aleat\u00f3rias de ovos, leite, mel e de animais encaminhados para abate sob inspe\u00e7\u00e3o federal, mas o que se busca s\u00e3o resqu\u00edcios de antibi\u00f3ticos, e n\u00e3o microrganismos resistentes.<\/p>\n<p>Em 2018, o relat\u00f3rio apresentado pelo minist\u00e9rio mostra que o percentual de amostras com resqu\u00edcios de antibi\u00f3ticos em conformidade ficou na casa dos 99%.<\/p>\n<p>&#8220;Para ser seguro para consumo alimentar, a presen\u00e7a de determinadas bact\u00e9rias tem que estar dentro de limites estabelecidos pelas ag\u00eancias de sa\u00fade de cada pa\u00eds, o que j\u00e1 \u00e9 feito. Mas mais do que saber, por exemplo, a presen\u00e7a de&nbsp;<i>Salmonella&nbsp;<\/i>(g\u00eanero de bact\u00e9rias) em galinhas ou porcos, \u00e9 poss\u00edvel testar sistematicamente a suscetibilidade dela aos antibi\u00f3ticos \u2014 que \u00e9 realmente o que nos permite saber se as bact\u00e9rias s\u00e3o ou n\u00e3o resistentes&#8221;, aponta Jo\u00e3o Pedro do Couto Pires, tamb\u00e9m coautor do estudo e pesquisador do ETH Zurich.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Frangos com Salmonella resistente em Estados brasileiros<\/h2>\n<p>Ainda que n\u00e3o tenha hoje um levantamento sistematizado, o Brasil j\u00e1 teve experi\u00eancias pontuais na medi\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia microbiana em alimentos de origem animal.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise feita entre 2004 e 2006 pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) em amostras de frangos congelados vendidos em 14 Estados brasileiros, detectou bact\u00e9rias&nbsp;<i>Salmonella<\/i>&nbsp;e&nbsp;<i>Enterococcus<\/i>&nbsp;resistentes a v\u00e1rios antimicrobianos. Das 250 cepas de&nbsp;<i>Salmonella&nbsp;<\/i>analisadas, por exemplo, 77% foram consideradas multirresistentes (resistentes a duas ou mais classes de antibi\u00f3ticos).<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento destacou ainda que vem progressivamente proibindo medicamentos veterin\u00e1rios usados com o objetivo principal de fazer os animais engordarem, os chamados melhoradores de desempenho. J\u00e1 foram proibidas subst\u00e2ncias do tipo como os anfenic\u00f3is, as tetraciclinas e as quinolonas.<\/p>\n<p>&#8220;Na cria\u00e7\u00e3o animal, h\u00e1 basicamente tr\u00eas tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro \u00e9 o terap\u00eautico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira \u00e9 a preventiva, como no desmame dos su\u00ednos \u2014 esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupress\u00e3o (redu\u00e7\u00e3o da atividade do sistema imunol\u00f3gico), e ela pode levar \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por v\u00e1rias bact\u00e9rias, ent\u00e3o se faz preventivamente o tratamento&#8221;, explica Silvana Lima Gorniak, da USP.<\/p>\n<p>&#8220;A terceira maneira \u00e9 a mais pol\u00eamica, a mais discutida na ci\u00eancia, que \u00e9 a administra\u00e7\u00e3o (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal n\u00e3o tem nenhuma doen\u00e7a, provavelmente n\u00e3o vai ficar doente, e o antimicrobiano \u00e9 empregado com a finalidade de promover o crescimento. N\u00e3o se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce.&#8221;<\/p>\n<p>A colistina, aquela a que bact\u00e9rias em porcos na China mostraram resist\u00eancia no estudo publicado no&nbsp;<i>The Lancet Infectious Diseases&nbsp;<\/i>em 2015, foi uma das subst\u00e2ncias proibidas para uso como melhorador de desempenho em ra\u00e7\u00f5es no Brasil, em 2016. Seu uso para o tratamento de doen\u00e7as, como diarreias, continua, no entanto, permitido por aqui. Proibi\u00e7\u00f5es foram impostas tamb\u00e9m em outros pa\u00edses, como a pr\u00f3pria China, \u00cdndia e Argentina.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, esta subst\u00e2ncia \u00e9 colocada pela OMS no grupo mais cr\u00edtico entre os antibi\u00f3ticos que precisam urgentemente de substitutos \u2014 j\u00e1 que s\u00e3o o \u00faltimo recurso para o tratamento de algumas doen\u00e7as para as quais outros antibi\u00f3ticos n\u00e3o funcionam mais, s\u00e3o amplamente usados na medicina humana e j\u00e1 se mostraram altamente vulner\u00e1veis \u00e0 resist\u00eancia microbiana.<\/p>\n<p>Antimicrobianos passaram a ser mais significativamente usados na cria\u00e7\u00e3o de animais para consumo nos anos 1950 em pa\u00edses de alta renda, algo que foi se estendendo para pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda \u2014 onde hoje, inclusive, proje\u00e7\u00f5es mostram que o uso desses medicamentos aumentar\u00e1, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o e consumo de carne nesses pa\u00edses tem crescido.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O elo entre precariedade e uso de antibi\u00f3ticos<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13284\/production\/_109486487_gettyimages-1179412960.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/13284\/production\/_109486487_gettyimages-1179412960.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Porcos em ambiente interno e gradeado, observados por homem de jaleco\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00e3o em larga escala de animais com fins aliment\u00edcios est\u00e1 associada ao uso de antibi\u00f3ticos. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Thomas Van Boeckel destaca que, no mundo, o uso excessivo de antibi\u00f3ticos est\u00e1 associado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o intensiva de animais, a produ\u00e7\u00e3o industrial, &#8220;mas n\u00e3o em todos os pa\u00edses, algumas exce\u00e7\u00f5es existem, como a Holanda e a Dinamarca&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Sandra Lopes, diretora da organiza\u00e7\u00e3o Mercy for Animals no Brasil, v\u00ea o uso de antibi\u00f3ticos como uma das pr\u00e1ticas degradantes impostas aos animais.<\/p>\n<p>&#8220;O uso de antibi\u00f3ticos for\u00e7a esses animais a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel, onde os animais n\u00e3o podem exercer nenhum de seus comportamentos naturais&#8221;, aponta a representante da ONG, dedicada ao&nbsp;<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/a4e315c5-007c-4b8a-9762-bebd79fb8b6b\">bem estar de animais<\/a>&nbsp;ditos de produ\u00e7\u00e3o, aqueles destinados ao consumo aliment\u00edcio.<\/p>\n<p>Como exemplos, ela menciona cria\u00e7\u00f5es com confinamento intensivo em gaiolas.<\/p>\n<p>As galinhas poedeiras, confinadas em uma \u00e1rea an\u00e1loga ao que seria passar a vida inteira dividindo um elevador com outras 12 pessoas, segundo a ONG, n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para exercer comportamentos naturais como abrir as asas ou ciscar. Sem for\u00e7as nas pernas por n\u00e3o moviment\u00e1-las, essas galinhas podem sofrer fraturas com o peso do pr\u00f3prio corpo. Isso leva a um ciclo em que o uso de antibi\u00f3ticos se faz necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a debicagem, quando os bicos dessas aves s\u00e3o retirados para evitar, entre outros, o canibalismo \u2014 intensificado pelo estresse vivido pelos animais. \u00c9 algo que leva tamb\u00e9m ao corte dos rabos dos porcos, procedimentos esses que muitas vezes exigem tamb\u00e9m o emprego de antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Lopes menciona ainda a falta de ventila\u00e7\u00e3o, a lota\u00e7\u00e3o de animais ou ainda o contato com excrementos como caracter\u00edsticas da realidade da produ\u00e7\u00e3o em escala que podem debilitar a sa\u00fade dos animais. Por isso, a ONG defende, entre outras medidas, a melhor regulamenta\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias etapas da cria\u00e7\u00e3o de animais, a certifica\u00e7\u00e3o de produtos gerados em pr\u00e1ticas consideradas satisfat\u00f3rias (como existe no caso das galinhas poedeiras criadas fora de gaiolas) e, como recomenda\u00e7\u00e3o aos clientes, a redu\u00e7\u00e3o do consumo de produtos de origem animal.<\/p>\n<p>Silvana Lima Gorniak destaca que a liga\u00e7\u00e3o entre precariedade na produ\u00e7\u00e3o e uso excessivo de antibi\u00f3ticos fica mais evidente, uma vez mais, no caso dos melhoradores de desempenho.<\/p>\n<p>&#8220;As condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias impactam diretamente no uso de antimicrobianos. Os melhoradores de desempenho t\u00eam um efeito muito ben\u00e9fico naqueles lugares onde as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o adequadas. Em locais com higiene adequada, \u00e9 claro que h\u00e1 benef\u00edcios, mas ele \u00e9 dilu\u00eddo&#8221;, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>J\u00e1 os autores do artigo publicado na Science destacam que o cen\u00e1rio de precariedade e consequente uso de antibi\u00f3ticos pode ser uma faca de dois gumes para os produtores: &#8220;Uma consequ\u00eancia fundamental desta tend\u00eancia \u00e9 um esgotamento do portf\u00f3lio de tratamento para animais doentes. Essa perda tem consequ\u00eancias econ\u00f4micas para os agricultores, porque os antimicrobianos acess\u00edveis s\u00e3o usados como tratamento de primeira linha, e isso pode eventualmente se refletir em alimentos com pre\u00e7os mais altos.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Entidade veterin\u00e1ria pede maior controle de vendas de medicamentos no setor<\/h2>\n<p>&#8220;\u00c9 como para a gente, humanos: os antibi\u00f3ticos resolveram muitas quest\u00f5es, mas se a gente abusa, vai chegar uma hora que eles n\u00e3o ser\u00e3o mais eficazes&#8221;, resume Fernando Zacchi, assessor t\u00e9cnico da presid\u00eancia do Conselho Federal de Medicina Veterin\u00e1ria (CFMV).<\/p>\n<p>Zacchi diz que a entidade est\u00e1 empenhada em educar a categoria para um uso mais racional de antibi\u00f3ticos e tornar mais rigoroso o acesso a antimicrobianos veterin\u00e1rios \u2014 hoje, ele explica ser necess\u00e1ria a apresenta\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o reten\u00e7\u00e3o, da receita.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00ed est\u00e1 uma fragilidade: estamos trabalhando com outros \u00f3rg\u00e3os para a obrigatoriedade da reten\u00e7\u00e3o e escritura\u00e7\u00e3o&#8221;, aponta, lembrando que entra na quest\u00e3o ainda o uso de antimicrobianos em animais dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 o cumprimento da exig\u00eancia de um respons\u00e1vel t\u00e9cnico nos pontos de venda destes medicamentos, algo que \u00e9 fiscalizado pelo pr\u00f3prio CFMV \u2014 a BBC News Brasil pediu dados sobre multas e autua\u00e7\u00f5es relacionadas a essas regras, mas n\u00e3o teve a solicita\u00e7\u00e3o atendida.<\/p>\n<p>&#8220;Embora o conselho e o Mapa entendam que deve haver um respons\u00e1vel t\u00e9cnico nesses estabelecimentos, o Judici\u00e1rio est\u00e1 eventualmente dispensando este profissional, cuja presen\u00e7a garante mais controle e rastreabilidade.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo dados do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Produtos para Sa\u00fade Animal (Sindan), nos \u00faltimos cinco anos, os antimicrobianos abocanharam cerca de 16% das vendas de tratamentos veterin\u00e1rios (que incluem ainda as categorias antiparasit\u00e1rios; biol\u00f3gicos; suplementos e aditivos; terap\u00eauticos). A reportagem pediu valores \u2014 e n\u00e3o apenas percentuais \u2014 por categoria, mas n\u00e3o teve a demanda atendida.<\/p>\n<p>Em nota enviada \u00e0 BBC News Brasil, a Alian\u00e7a para Uso Respons\u00e1vel de Antimicrobianos, que representa v\u00e1rias entidades do setor produtivo, afirmou tamb\u00e9m que no ramo a quest\u00e3o &#8220;\u00e9 tratada com responsabilidade por todos os elos da cadeia produtiva&#8221;. &#8220;Contra achismos, a Alian\u00e7a busca construir um debate pautado pelo pensamento cient\u00edfico e pela transpar\u00eancia. \u00c9 formada por organiza\u00e7\u00f5es nacionais da bovinocultura de corte e leite, avicultura, suinocultura, aquicultura e pescado.&#8221;<\/p>\n<p>A Alian\u00e7a defende que h\u00e1 controle interno, com an\u00e1lises di\u00e1rias feitas pelas pr\u00f3prias empresas sobre a quest\u00e3o e que o &#8220;Brasil cumpre rigorosamente as determina\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de todas as na\u00e7\u00f5es importadoras&#8221;.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o em escala, a entidade aponta que o pa\u00eds &#8220;segue as diretrizes estabelecidas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade Animal (OIE) para o alojamento dos animais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Na produ\u00e7\u00e3o industrial, o sistema produtivo \u00e9 isolado em controles restritivos de acesso, o que evita a circula\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Em situa\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, sem as devidas salvaguardas t\u00e9cnico-veterin\u00e1rias, os riscos de enfermidades e o uso inadequado de antibi\u00f3ticos s\u00e3o maiores&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">E agora, o que fazemos em casa?<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2114\/production\/_109486480_gettyimages-1134427385.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2114\/production\/_109486480_gettyimages-1134427385.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o mostra duas c\u00e1psulas com imagens de frutas e verduras caindo\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Estudo rec\u00e9m-publicado na Science alerta: uso de antibi\u00f3tiocos em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda como o Brasil deve aumentar nos pr\u00f3ximos anos. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;Sou um cavaleiro do apocalipse&#8221;, brinca Victor Augustus Marin, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).<\/p>\n<p>\u00c0 frente do Laborat\u00f3rio de Controle Microbiol\u00f3gico de Alimentos da Escola de Nutri\u00e7\u00e3o (Lacomen), ele e seus alunos e orientandos t\u00eam desenvolvido uma metodologia pr\u00f3pria para encontrar bact\u00e9rias resistentes em alimentos minimamente processados, aqueles prontos para consumo, como frutas e queijos. Um resumo do que eles t\u00eam encontrado at\u00e9 aqui: muitas bact\u00e9rias resistentes.<\/p>\n<p>Em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado orientada por Marin, Cristiane Rodrigues Silva, por exemplo, buscou bact\u00e9rias resistentes em amostras de queijo minas frescal. Todos exemplares estudados apresentaram algum conjunto de bact\u00e9rias resistentes \u2014 em 13%, a resist\u00eancia foi constatada para todos os antibi\u00f3ticos testados e em 80%, para 8 a 10 diferentes antibi\u00f3ticos. Foi constatada ainda resist\u00eancia em 87% dos queijos aos carbapan\u00eamicos, tipo de antibi\u00f3tico potente que \u00e9 considerado uma das \u00faltimas alternativas na luta contra microrganismos muito resistentes.<\/p>\n<p>Agora, Silva, Marin e o resto da equipe est\u00e3o estudando outros tipos de queijo, como minas padr\u00e3o, parmes\u00e3o, ricota e cottage; al\u00e9m de frutas compradas no com\u00e9rcio comum, como manga, laranja e caju. Eles tamb\u00e9m querem verificar se outras formas de produ\u00e7\u00e3o, como a org\u00e2nica, podem alterar a presen\u00e7a de microrganismos resistentes.<\/p>\n<p>&#8220;Comprovamos n\u00e3o s\u00f3 que as bact\u00e9rias nos alimentos estudados at\u00e9 agora t\u00eam alguma resist\u00eancia, como genes de resist\u00eancia&#8221;, aponta Marin, acrescentando que, embora em escala muito menor do que na pecu\u00e1ria ou entre humanos, antibi\u00f3ticos s\u00e3o usados tamb\u00e9m na agricultura.<\/p>\n<p>&#8220;Como essa bact\u00e9ria chegou ao queijo? Tem que voltar ao campo: a vaca come capim, que tem dentro dela bact\u00e9rias endof\u00edticas, que vivem dentro das plantas. A vaca ingere a planta, produz leite e o leite vai para o queijo. Mas \u00e9 dif\u00edcil falar quem originou a bact\u00e9ria primeiro \u2014 elas evoluem junto com os humanos e animais. Tamb\u00e9m s\u00e3o prom\u00edscuas: trocam material gen\u00e9tico.&#8221;<\/p>\n<p>As diversas vari\u00e1veis que influenciam a resist\u00eancia dos micr\u00f3bios s\u00e3o justamente o que representa um desafio para as pesquisas: para tra\u00e7ar o caminho dos microrganismos atrav\u00e9s dos animais, humanos e do ambiente, seriam necess\u00e1rios grandes volumes de amostras desses elementos.<\/p>\n<p>E em tempo real, lembra Jo\u00e3o Pedro do Couto Pires, j\u00e1 que muitas vezes \u00e9 diagnosticada alguma infec\u00e7\u00e3o em uma ponta, mas sua origem muitas vezes j\u00e1 se perdeu no tempo.<\/p>\n<p>Por isso, o alarme tocado pelo artigo na Science traz um por\u00e9m: &#8220;Est\u00e1 al\u00e9m do escopo deste estudo tirar conclus\u00f5es sobre a intensidade e a direcionalidade da transfer\u00eancia de resist\u00eancia microbiana entre animais e humanos \u2014 aspectos que devem ser investigados com m\u00e9todos gen\u00f4micos robustos&#8221;.<\/p>\n<p>Enquanto a ci\u00eancia busca decifrar o caminho percorrido pelas bact\u00e9rias, o que n\u00f3s, humanos e consumidores de alimentos podemos fazer?<\/p>\n<p>Fl\u00e1via Rossi, patologista da USP, lembra de procedimentos b\u00e1sicos de saneamento e higiene que cortam a circula\u00e7\u00e3o de microrganismos, como lavar as m\u00e3os; o uso de \u00e1gua pot\u00e1vel na cozinha; e o armazenamento adequado de alimentos.<\/p>\n<p>O cuidado deve ser redobrado com pessoas mais vulner\u00e1veis, como hospitalizados, imunossuprimidos ou transplantados. &#8220;As bact\u00e9rias tamb\u00e9m nos protegem, est\u00e3o no nosso intestino, na nossa pele&#8230; Mas elas nos atacam quando h\u00e1 um desequil\u00edbrio&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Pedro do Couto Pires brinca que, hoje, nossas casas s\u00e3o mais perigosas do que restaurantes por haver menos cuidado com quest\u00f5es sanit\u00e1rias. Ele destaca a\u00e7\u00f5es a serem evitadas: misturar alimentos crus e cozidos; ou carnes e vegetais, como, por exemplo, no refrigerador ou no uso de uma mesma faca ou t\u00e1bua para esses dois tipos de alimentos. Essas misturas levam a fluxos de microrganismos que, no caso de alimentos crus, como vegetais em uma salada, acabam sendo ingeridos pela pessoa que est\u00e1 comendo.<\/p>\n<p>Marin garante que n\u00e3o se trata de parar de comer alimentos como os estudados por sua equipe, como queijos e frutas, mas de aprofundar investiga\u00e7\u00f5es sobre como a resist\u00eancia microbiana se expressa neles \u2014 para, a\u00ed sim, fazer-se uma escolha entre custos e benef\u00edcios. Por exemplo, algo a ser levado em conta, segundo descobriu sua equipe, \u00e9 que queijos mais \u00famidos exigem maior cuidado no assunto.<\/p>\n<p>&#8220;O queijo, al\u00e9m de ter bact\u00e9rias com resist\u00eancia, tamb\u00e9m tem outra microbiota \u2014 outras bact\u00e9rias \u2014 que combatem as que t\u00eam resist\u00eancia. Ningu\u00e9m \u00e9 dem\u00f4nio e ningu\u00e9m \u00e9 anjo, inclusive entre as bact\u00e9rias. Por isso a vis\u00e3o hol\u00edstica (multifatorial) \u00e9 t\u00e3o importante&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Mariana Alvim d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 19\/11\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quatro anos, em uma fazenda de cria\u00e7\u00e3o intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bact\u00e9ria resistente ao antibi\u00f3tico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo \u2014 cada vez mais temeroso com a capacidade que microrganismos t\u00eam demonstrado em driblar tratamentos \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":41877,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-41876","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/109486482_gettyimages-1149056272.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41876\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}