{"id":42069,"date":"2019-11-26T02:00:22","date_gmt":"2019-11-26T05:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=42069"},"modified":"2019-11-25T08:56:59","modified_gmt":"2019-11-25T11:56:59","slug":"minerva-e-a-torcida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/11\/26\/minerva-e-a-torcida\/","title":{"rendered":"&#8220;Minerva e a torcida&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Minerva, conhecida pelos romanos, era uma deusa grega (da guerra, da sabedoria, das artes, da estrat\u00e9gia, da paz, da raz\u00e3o e da justi\u00e7a) de nome Atena, como nos diz a mitologia. Presidira o julgamento de Orestes, que, por vingan\u00e7a ao seu pai, matara sua m\u00e3e e o amante. A pena dura de matric\u00eddio, a morte, fez com que o deus Apolo considerasse um julgamento justo e, portanto, enviasse a filha de J\u00fapiter para presidir e deliberar um veredito. Com uma vota\u00e7\u00e3o apertada, em que as acusa\u00e7\u00f5es partiam de seres infernais (Er\u00ednias), primitivos, a encarna\u00e7\u00e3o da vingan\u00e7a, capazes de castigar, representados com chicotes e tochas na busca de transgressores da moralidade, deu-se o empate, cabendo a Minerva a escolha de um dos lados, absolvendo o acusado, num sinal de clemencia diante da d\u00favida institu\u00edda caracterizado como o \u201cvoto de Minerva\u201d, uma decis\u00e3o, uma escolha que, na medida do poss\u00edvel, deveria se assemelhar aos atributos designados \u00e0 deusa: sabedoria, paz, raz\u00e3o e justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O voto de desempate na Suprema Corte no julgamento sobre a constitucionalidade e a veda\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o fruto da condena\u00e7\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia, conforme estatu\u00eddo no artigo 5.\u00ba, inciso LVII, da Constitui\u00e7\u00e3o: \u201cNingu\u00e9m ser\u00e1 considerado culpado at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria\u201d, ou seja, um princ\u00edpio estabelecido que trata da \u201cpresun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia\u201d e que se refere a um direito fundamental, necess\u00e1rio \u00e0 pr\u00f3pria sociedade e pass\u00edvel \u00e0 submiss\u00e3o a erros, descasos ou excessos por parte de um estado acusador; ou seja, somente depois de esgotados os recursos comprobat\u00f3rios da inoc\u00eancia, sem o que, qualquer r\u00e9u poder\u00e1 ser privado da liberdade.<\/p>\n<p>Em tese, o voto consagra o resultado do colegiado, n\u00e3o mais havendo diversas interpreta\u00e7\u00f5es \u2013 pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, homil\u00e9ticas (para agradar as correntes ou os rumores e humores das ruas) e a pr\u00f3pria hermen\u00eautica jur\u00eddica \u2013 e, portanto, claro, decisivo, taxativo \u2013 embora ofuscado pela possibilidade de se alterar a regra do jogo ao ser sinalizado que o Legislativo poderia faz\u00ea-lo, \u201cdica\u201d externada pelo pr\u00f3prio \u201cMinerva\u201d.<\/p>\n<p>No jarg\u00e3o futebol\u00edstico, \u201cjogar para a torcida\u201d para, em seguida, \u201cvencer notapet\u00e3o\u201d, em que caberia \u00e0 \u201ctorcida\u201d perdedora recorrer extracampo, subvertendo as regras na inten\u00e7\u00e3o de agradar aos eternos punitivistas ressentidos e de se eximir da inclina\u00e7\u00e3o do voto.&nbsp;<\/p>\n<p>Nada bom. Vivemos a polariza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, as idiocracias dos grupos sociais, as idiossincrasias pol\u00edticas, fanatismos inculcados de ressentimento, adultos infantilizados com sanha punitivista, defesa da impunidade, justiceiros \u201cwalking deads\u201d, fakes, e not\u00edcias tuitadas: caracter\u00edsticas de uma sociedade capaz de sacrificar seus direitos e suas garantias individuais, como as conquistas sociais coletivas, por total e insano desprezo \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Politiqueiros ansiosos a surfar numa onda conveniente criam ciz\u00e2nias partid\u00e1rias e apoiam<\/p>\n<figure id=\"attachment_27745\" aria-describedby=\"caption-attachment-27745\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/IMG_8555.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27745 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/IMG_8555.jpg?resize=300%2C300\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/IMG_8555.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/IMG_8555.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/IMG_8555.jpg?resize=420%2C420&amp;ssl=1 420w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/IMG_8555.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-27745\" class=\"wp-caption-text\">Luiz Fernando Mirault Pinto: F\u00edsico e administrador &#8211; pesquisador aposentado do Inmetro. lufer.mirault@gmail.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>o insustent\u00e1vel; a derrubada de cl\u00e1usula p\u00e9trea numa proposi\u00e7\u00e3o fraudulenta (PEC) cuja interpreta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o aprovada pela Corte, traria instabilidade jur\u00eddica e pol\u00edtica ao Pa\u00eds, cabendo ao Legislativo medidas que atenderiam ao anseio popular midi\u00e1tico, afirmativa essa que fere a intelig\u00eancia dos \u201cpensantes\u201d.<\/p>\n<p>Afirmar que a pris\u00e3o em segunda inst\u00e2ncia \u00e9 um salto civilizat\u00f3rio \u00e9 tripudiar com o direito do cidad\u00e3o; qualquer cidad\u00e3o poder\u00e1 estar submetido a injusti\u00e7as, d\u00favidas tendenciosas e parciais, condenadopor dela\u00e7\u00f5es forjadas, convic\u00e7\u00f5es dirigidas ou fatos indeterminados, num veredito tipo \u201ccopia e cola\u201d. Desse filme j\u00e1 estamos \u201ccarecas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;Uma desaven\u00e7a, um acidente de tr\u00e2nsito, envolvido em autodefesa, deposit\u00e1rio infiel, s\u00e3o eventos que, quando mal interpretados midiaticamente, s\u00e3o pass\u00edveis de reca\u00edrem sobre pessoas inocentes, atingindo-as, retirando-lhes a liberdade caso n\u00e3o se permitam os recursos juridicamente admitidos nessa audi\u00eancia.<\/p>\n<p>O \u201cvoto de Minerva\u201d representa na mais alta Corte da Justi\u00e7a do Pa\u00eds o resultado do ju\u00edzo, n\u00e3o havendo espa\u00e7o discordante, definindo a lei e seu cumprimento, apesar do eterno \u201cjus espeniandidos Er\u00ednias\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito:&nbsp;Luiz Fernando Mirault Pinto\/ Correio do Estado &#8211; dispon\u00edvel na internet 26\/11\/2019<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nota: <\/strong>O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minerva, conhecida pelos romanos, era uma deusa grega (da guerra, da sabedoria, das artes, da estrat\u00e9gia, da paz, da raz\u00e3o e da justi\u00e7a) de nome Atena, como nos diz a mitologia. Presidira o julgamento de Orestes, que, por vingan\u00e7a ao seu pai, matara sua m\u00e3e e o amante. 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