{"id":42857,"date":"2019-12-18T01:00:21","date_gmt":"2019-12-18T04:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=42857"},"modified":"2019-12-17T17:44:19","modified_gmt":"2019-12-17T20:44:19","slug":"de-bem-com-a-vida-se-beber-nao-nade-a-perigosa-ligacao-entre-alcool-e-mortes-por-afogamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2019\/12\/18\/de-bem-com-a-vida-se-beber-nao-nade-a-perigosa-ligacao-entre-alcool-e-mortes-por-afogamento\/","title":{"rendered":"De Bem com a Vida: &#8220;Se beber, n\u00e3o nade&#8221; a perigosa liga\u00e7\u00e3o entre \u00e1lcool e mortes por afogamento"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Um dia de ver\u00e3o, um copo de cerveja ou drink refrescante para acompanhar, um mergulho na \u00e1gua do mar ou do rio.<\/p>\n<p>Pode n\u00e3o parecer, mas h\u00e1 um erro a\u00ed.<\/p>\n<p>Quem diz s\u00e3o duas organiza\u00e7\u00f5es da \u00e1rea da&nbsp;sa\u00fade, o Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (CISA) e a Sociedade Brasileira de Salvamento Aqu\u00e1tico (Sobrasa), que est\u00e3o lan\u00e7ando uma campanha para alertar sobre o papel do \u00e1lcool nos afogamentos &#8211; que matam mais de uma dezena de pessoas por dia no Brasil.<\/p>\n<p>Na verdade, os afogamentos, para os quais o \u00e1lcool \u00e9 considerado um importante fator de risco, s\u00e3o um tema que preocupa em todo o mundo. De acordo com a estimativa mais recente e consolidada da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), de 2014, cerca de 370 mil pessoas morrem afogadas no planeta anualmente.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, o Brasil aparece neste relat\u00f3rio da OMS como o terceiro pa\u00eds com mais mortes por afogamentos (6.487, com ano base em 2011), atr\u00e1s de R\u00fassia (11.981, em 2010) e Jap\u00e3o (8.999, em 2011).<\/p>\n<p>Quando considerado o valor proporcional ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o, que no Brasil foi de 3,3 mortes por 100 mil habitantes, o pa\u00eds se afasta das primeiras coloca\u00e7\u00f5es e da m\u00e9dia mundial (5,2). Mas, ainda assim, fica acima do panorama de pa\u00edses ricos (2,3 por 100 mil habitantes) e da regi\u00e3o das Am\u00e9ricas (3 por 100 mil habitantes).<\/p>\n<p>Quem trabalha com o tema diz que estes n\u00fameros provavelmente s\u00e3o subestimados, pois h\u00e1 muitas mortes por afogamentos que n\u00e3o s\u00e3o registradas como tal &#8211; tanto no Brasil quanto no mundo. E h\u00e1 outro desafio para os pesquisadores: quantificar o papel do \u00e1lcool nestes incidentes.<\/p>\n<p>Enquanto as pesquisas sobre o papel do \u00e1lcool nos afogamentos se aprimoram, quem trabalha na linha de frente &#8211; com os p\u00e9s na areia, por exemplo &#8211; v\u00ea nesta associa\u00e7\u00e3o uma velha conhecida.<\/p>\n<p>&#8220;A gente sabe que o \u00e1lcool tem rela\u00e7\u00e3o direta com afogamento. Estudos t\u00eam mostrado que ele pode variar como fator determinante em 15 a 60% dos \u00f3bitos&#8221;, diz David Szpilman, diretor m\u00e9dico da Sobrasa e que trabalhou por d\u00e9cadas como tenente-coronel do Corpo de Bombeiros no Rio de Janeiro, per\u00edodo no qual prestou diversos atendimentos a pessoas afogadas em praias.<\/p>\n<p>&#8220;O consumo de \u00e1lcool na areia \u00e9 um sinal que j\u00e1 deixa os guarda-vidas em alerta. Tem um comportamento cl\u00e1ssico, da pessoa que vai \u00e0 praia n\u00e3o para entrar na \u00e1gua, e sim para beber. Em algum momento ela vai querer entrar na \u00e1gua e n\u00e3o consegue ver que est\u00e1 sob risco, mesmo aquelas que sabem nadar&#8221;, diz Szpilman.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17FC9\/production\/_110194289_gettyimages-1074054496.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17FC9\/production\/_110194289_gettyimages-1074054496.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Bandeira vermelha fincada em praia no Rio de Janeiro dizendo: 'Perigo, correnteza - Voc\u00ea pode ser arrastado e se afogar'\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">\u00c1lcool influencia nas capacidades f\u00edsica e mental em lidar com riscos como correntezas. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A campanha, inclusive, recomenda que quem for nadar n\u00e3o beba nada: &#8220;Se beber, n\u00e3o nade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 temos hoje uma cultura de n\u00e3o misturar \u00e1lcool e dire\u00e7\u00e3o, mas a associa\u00e7\u00e3o \u00e1lcool e lazer ainda existe. \u00c9 algo que ainda se v\u00ea muito nos barcos, por exemplo. E vemos tamb\u00e9m diferen\u00e7as de lugar para lugar. Onde tem mais turismo pode haver maior consumo de \u00e1lcool, que faz parte da proposta de se divertir. Tende a ser diferente de cidades em que ir \u00e0 praia j\u00e1 faz mais parte da rotina&#8221;, exemplifica Szpilman.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mais de 15 afogamentos fatais por dia no Brasil<\/h2>\n<p>A partir de dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a Sobrasa estima que, em 2017, 5.692 pessoas morreram afogadas no Brasil, uma taxa de 2,7 por 100 mil habitantes (ao longo das d\u00e9cadas, os n\u00fameros absolutos e relativos de afogamentos fatais no Brasil t\u00eam diminu\u00eddo). S\u00e3o cerca de 15 mortes por dia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os meses de novembro a fevereiro, portanto incluindo o ver\u00e3o, concentram 44% dos casos. Mais de 65% dos \u00f3bitos acontecem nos finais de semana e feriados, o que vai ao encontro da associa\u00e7\u00e3o entre lazer, \u00e1lcool e afogamentos.<\/p>\n<p>As praias, no entanto, concentraram apenas 15% \u00f3bitos em 2017. A maior parte, 75% dos incidentes fatais, aconteceu em lugares de \u00e1gua doce. E \u00e9 o Norte a regi\u00e3o brasileira com o maior n\u00famero relativo de casos (5,1 por 100 mil habitantes), seguido pelo Nordeste (3,1); Centro-Oeste (2,8); Sul (2,7); Sudeste (1,98).<\/p>\n<p>Essa distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica indica tamb\u00e9m que as mortes podem ocorrer n\u00e3o s\u00f3 em momentos de lazer, mas tamb\u00e9m em atividades rotineiras, como de trabalho e transporte.<\/p>\n<p>&#8220;Possivelmente, o litoral tem uma seguran\u00e7a maior, por ter mais agentes capacitados supervisionando as pessoas&#8221;, explica Szpilman.<\/p>\n<p>&#8220;Cada ambiente aqu\u00e1tico exige uma compet\u00eancia aqu\u00e1tica diferente: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 saber nadar, mas conhecer o ambiente que se est\u00e1 entrando. E o \u00e1lcool afeta essa capacidade de avalia\u00e7\u00e3o, inclusive para quem sabe nadar&#8221;, diz o diretor da Sobrasa. &#8220;Os rios, por exemplo, podem aparentar serem lugares tranquilos para mergulhar, mas al\u00e9m da correnteza, t\u00eam obst\u00e1culos como lodo, galhos, pedras e desn\u00edveis r\u00e1pidos.&#8221;<\/p>\n<p>O psiquiatra Arthur Guerra, presidente executivo do Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (CISA), aponta que uma dose j\u00e1 \u00e9 capaz de levar a altera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas na pessoa alcoolizada, por isso refor\u00e7a a recomenda\u00e7\u00e3o &#8220;se beber, n\u00e3o nade&#8221;.<\/p>\n<p>O site do CISA traz&nbsp;<a class=\"story-body__link-external\" href=\"http:\/\/cisa.org.br\/artigo.php?FhIdTexto=233#.UualkrRTsdU\">uma tabela<\/a>&nbsp;relcionando n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool a certas altera\u00e7\u00f5es &#8211; com 0,01 a 0,05g de \u00e1lcool por 100 ml de sangue, por exemplo, v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es do sistema nervoso j\u00e1 passam por altera\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de aumento do ritmo card\u00edaco e respirat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que h\u00e1 fatores que influenciam neste impacto do \u00e1lcool, como se a pessoa se alimentou antes, seu peso, altura e etc&#8221;, explicou \u00e0 BBC News Brasil por telefone.<\/p>\n<p>&#8220;O \u00e1lcool inibe a censura, fazendo a pesoa se sentir mais confiante e euf\u00f3rica; mas tamb\u00e9m deixa a pessoa mais lentificada, com menos relfexos. Imagine a cena onde uma pessoa est\u00e1 alcoolizada e enfrenta uma correnteza, ondas fortes. \u00c9 como uma &#8216;tempestade perfeita&#8217;.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4B31\/production\/_110194291_gettyimages-676472592.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4B31\/production\/_110194291_gettyimages-676472592.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Duas pessoas de costas sentadas em pedras, sobre as quais passa um rio em meio a floresta\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Em 2017, maior parte dos afogamentos no Brasil aconteceu em locais de \u00e1gua doce. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>H\u00e1 ainda a preocupa\u00e7\u00e3o com o efeito negativo do \u00e1lcool na supervis\u00e3o de crian\u00e7as, um grupo de risco important\u00edssimo nos afogamentos.<\/p>\n<p>No Brasil, a Sobrasa destaca que afogamentos s\u00e3o a principal causa de morte acidental de crian\u00e7as com idades entre um e quatro anos, conforme&nbsp;mostrou a BBC News Brasil no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Fisiologicamente, o problema do afogamento \u00e9 a aspira\u00e7\u00e3o de l\u00edquido que vai para o pulm\u00e3o e atrapalha as trocas gasosas. H\u00e1 uma baixa do oxig\u00eanio que pode levar a uma parada respirat\u00f3ria e depois card\u00edaca. Isso pode acontecer em um minuto e meio de afogamento, \u00e9 um processo muito r\u00e1pido&#8221;, explica David Szpilman.<\/p>\n<p>A OMS tamb\u00e9m destaca, no relat\u00f3rio&nbsp;<i>Evitando Uma Das Maiores Causas de Morte<\/i>, que quando uma pessoa come\u00e7a a se afogar o &#8220;desfecho \u00e9 quase sempre fatal&#8221;. &#8220;Diferente de outros ferimentos, a sobreviv\u00eancia (a um afogamento) \u00e9 quase exclusivamente determinada na cena do incidente, e depende de dois fatores cruciais: qu\u00e3o r\u00e1pido a pessoa \u00e9 tirada da \u00e1gua e qu\u00e3o rapidamente o procedimento de ressuscita\u00e7\u00e3o adequado \u00e9 feito.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">\u00c1lcool como indicador fundamental<\/h2>\n<p>Normalmente, pesquisas que buscaram detalhar o papel do \u00e1lcool nos afogamentos recorreram a atestados de \u00f3bitos, aut\u00f3psias e, por vezes, inqu\u00e9ritos policiais. Costumam ficar de fora dados sobre afogamentos que n\u00e3o levaram \u00e0 morte; aqueles intencionais, como suic\u00eddios e homic\u00eddios; e os que s\u00e3o resultado de enchentes ou transportes aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e Nova Zel\u00e2ndia t\u00eam as melhores bases de dados no mundo sobre afogamentos, e foi a partir destes pa\u00edses que foram publicados, em junho, resultados de uma das pesquisas mais recentes sobre o assunto.<\/p>\n<p>A partir de dados de janeiro de 2005 a dezembro de 2014, os autores do artigo publicado no peri\u00f3dico&nbsp;<i>BMC Public Health<\/i>&nbsp;relacionaram o \u00e1lcool a 36% dos afogamentos fatais no Canad\u00e1; 25,8% na Austr\u00e1lia; e 16,4% na Nova Zel\u00e2ndia.&nbsp;<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/4b4cca1c-d458-4310-819e-dd48572b12c4\">Drogas<\/a>&nbsp;em geral tamb\u00e9m foram dectectadas em 24% das mortes no Canad\u00e1; 27% na Austr\u00e1lia; e 2,2% na Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Afirmando que os afogamentos s\u00e3o &#8220;causas de mortes evit\u00e1veis e de grandes dimens\u00f5es&#8221; no mundo, mas um tema ao qual se dedica pouca aten\u00e7\u00e3o, os autores desse estudo sugerem que os pa\u00edses recolham um conjunto de dados b\u00e1sicos sobre: idade, sexo, localiza\u00e7\u00e3o, atividade, data, causa prim\u00e1ria da morte e envolvimento de \u00e1lcool e drogas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Austr\u00e1lia, a redu\u00e7\u00e3o de afogamentos fatais relacionados ao \u00e1lcool e outras drogas foi considerada um dos pontos priorit\u00e1rios na Australian Water Safety Strategy, um plano nacional para aprimorar a seguran\u00e7a aqu\u00e1tica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O governo australiano tamb\u00e9m lan\u00e7ou a campanha Don&#8217;t Let Your Mates Drink and Drown, algo que poderia ser traduzido como &#8220;N\u00e3o deixe seus amigos beberem e se afogarem&#8221;, direcionada a homens para que estes exer\u00e7am uma vigil\u00e2ncia m\u00fatua.<\/p>\n<p>Tanto na Austr\u00e1lia quanto no Brasil e no mundo, os homens t\u00eam mais propens\u00e3o a se afogar do que as mulheres.<\/p>\n<p>No Brasil, um estudo antigo, de 2000, chegou a verificar o presen\u00e7a de \u00e1lcool em corpos de v\u00edtimas fatais por diversas causas na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Foi detectado \u00e1lcool em 64% das v\u00edtimas de afogamento; 52% de homic\u00eddios; 32% de suic\u00eddios; e 50% de acidentes de tr\u00e2nsito.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Quais s\u00e3o as responsabilidades?<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C061\/production\/_110194294_gettyimages-543600116.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C061\/production\/_110194294_gettyimages-543600116.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Placa em praia com dizeres, em ingl\u00eas: 'Alcoholic beverages prohibited'\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Alguns lugares na \u00c1frica do Sul e Nova Zel\u00e2ndia pro\u00edbem consumo de \u00e1lcool em praias, para evitar riscos trazidos pelas bebidas \u2014 como os afogamentos. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Para prevenir afogamentos, a OMS recomenda que os pa\u00edses aprimorem a regulamenta\u00e7\u00e3o sobre a navega\u00e7\u00e3o e a seguran\u00e7a aqu\u00e1tica.<\/p>\n<p>Pelo mundo, autoridades adotam desde placas em balne\u00e1rios avisando para os riscos trazidos pelas bebidas alc\u00f3olicas (como as placas &#8220;Alcohol impairs judgement&#8221;, algo como &#8220;O \u00e1lcool prejudica a capacidade de julgamento&#8221;) a seu banimento de praias &#8211; como \u00e9 feito por autoridades locais na \u00c1frica do Sul e Nova Zel\u00e2ndia, por exemplo, onde a proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente justificada apenas pela rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1lcool e afogamentos, mas pelos riscos representados pelo \u00e1lcool \u00e0s pessoas e ao bem estar p\u00fablico em geral.<\/p>\n<p>A BBC News Brasil pediu ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade dados sobre afogamentos e medidas da pasta relativas ao assunto, mas n\u00e3o teve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 teve alguns projetos tramitando no Congresso sobre o tema, como um apresentado em 2017 que tentou firmar novembro como o M\u00eas Nacional da Seguran\u00e7a Aqu\u00e1tica e de Preven\u00e7\u00e3o ao Afogamento &#8211; ele foi arquivado &#8211; e outro que tenta incluir no ensino b\u00e1sico treinamento para lidar com afogamentos.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado Bernardo Camara, mestre em processo civil e professor universit\u00e1rio em Minas Gerais, n\u00e3o h\u00e1 uma lei nacional que defina estritamente as obriga\u00e7\u00f5es de entes p\u00fablicos pela preven\u00e7\u00e3o a afogamentos em praias ou rios, por exemplo.<\/p>\n<p>Muitas praias p\u00fablicas movimentadas t\u00eam guarda-vidas trabalhando como uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de seguran\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, como ocorre tamb\u00e9m com policiais, ele explica. A responsabilidade das autoridades em um eventual afogamento deve ser avaliada na Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 para um ente particular, como um condom\u00ednio, o dever de fiscalizar \u00e9 mais evidente. A premissa maior da responsabilidade civil, determinada pelo C\u00f3digo Civil, exige uma comprova\u00e7\u00e3o de causalidade entre um dano e um ato il\u00edcito, que pode vir da neglig\u00eancia, imper\u00edcia ou imprud\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Mas a Constitui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m prev\u00ea que o munic\u00edpio ordene quest\u00f5es de interesse local, ent\u00e3o pode haver leis municipais que exijam condutas espec\u00edficas como ter guarda-vidas em determinados lugares.&#8221;<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Mariana Alvim da<\/span><span class=\"byline__title\"> BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 18\/12\/2019<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia de ver\u00e3o, um copo de cerveja ou drink refrescante para acompanhar, um mergulho na \u00e1gua do mar ou do rio. Pode n\u00e3o parecer, mas h\u00e1 um erro a\u00ed. 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