{"id":43494,"date":"2020-01-03T03:45:06","date_gmt":"2020-01-03T06:45:06","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=43494"},"modified":"2020-01-02T15:03:37","modified_gmt":"2020-01-02T18:03:37","slug":"usp-e-federal-do-ce-estao-entre-os-centros-de-ciencia-de-ponta-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/01\/03\/usp-e-federal-do-ce-estao-entre-os-centros-de-ciencia-de-ponta-no-brasil\/","title":{"rendered":"USP e Federal do CE est\u00e3o entre os centros de ci\u00eancia de ponta no Brasil."},"content":{"rendered":"<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12 text-center\">\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12 font-texto\">\n<p>Mas, afinal,&nbsp;o que \u00e9 um centro de excel\u00eancia?&nbsp;A resposta \u00e9 mais complicada do que parece. Para usar uma met\u00e1fora cient\u00edfica, encontrar institui\u00e7\u00f5es de destaque \u00e9 uma tarefa que exige&nbsp;trocar a lente do microsc\u00f3pio constantemente. Conforme direcionamos o olhar para uma estat\u00edstica ou outra, os resultados mudam.<\/p>\n<p>Para contribuir na discuss\u00e3o sobre a quantidade e a qualidade da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira, o&nbsp;Estad\u00e3o&nbsp;analisou os dados do&nbsp;Leiden Ranking 2019, uma publica\u00e7\u00e3o anual que re\u00fane indicadores sobre as principais institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas do mundo.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"more\" class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12 font-texto\">\n<p>Essa an\u00e1lise tem uma s\u00e9rie de complexidades que, se explicadas minuciosamente, tornariam o texto muito chato. Entretanto, elas s\u00e3o importantes! Sempre que&nbsp;este s\u00edmbolo&nbsp;aparecer, voc\u00ea pode clicar nele para ver detalhes sobre a metodologia.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que nem todos os artigos s\u00e3o catalogados pela plataforma, por\u00e9m. A an\u00e1lise limita-se \u00e0s publica\u00e7\u00f5es indexadaspelo banco de dados.<\/p>\n<p>Alguns dos destaques mais previs\u00edveis s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es do sistema estadual paulista como USP, Unicamp e Unesp. Com muitos estudantes, pesquisadores e recursos, elas s\u00e3o respons\u00e1veis pela maior parte dos artigos do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entretanto, o volume de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica maneira de avaliar uma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Medir o&nbsp;impacto&nbsp;das publica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 importante, assim como olhar para indicadores que n\u00e3o est\u00e3o diretamente relacionados com pesquisas, mas que s\u00e3o relevantes para a miss\u00e3o universit\u00e1ria e para o desenvolvimento da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Quandos esses crit\u00e9rios entram na avalia\u00e7\u00e3o, lugares menos \u00f3bvios se destacam.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio tamb\u00e9m muda quando apontamos a lente para um&nbsp;<b>setor do conhecimento<\/b>&nbsp;de cada vez. Existem universidades com pesquisas expressivas em diversos campos, mas h\u00e1 outras que se destacam em \u00e1reas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Nessa reportagem, encontramos universidades que se destacam sob essas diferentes lentes \u2013 e, no caminho, aproveitamos para conversar com alguns dos pesquisadores que colocam a m\u00e3o na massa para que esses indicadores existam.<\/p>\n<\/div>\n<figure style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.contextoexato.com.br\/foto_noticias_capa\/1577107596.jpeg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive\" style=\"color: #222222; font-family: Verdana, Geneva, sans-serif; font-size: 15px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.contextoexato.com.br\/foto_noticias_capa\/1577107596.jpeg?resize=696%2C363&#038;ssl=1\" alt=\"USP e Federal do CE est\u00e3o entre os centros de ci\u00eancia de ponta no Brasil; veja lista\" width=\"696\" height=\"363\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Universidade Leiden<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"more\" class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12 font-texto\">\n<h4>Gigantes paulistas<\/h4>\n<h3>Super-universidades produzem o maior volume de artigos<\/h3>\n<p>O gr\u00e1fico a seguir representa todos os artigos indexados que foram publicados entre 2014 e 2017 pelas 23 universidades brasileiras que aparecem no&nbsp;Leiden Ranking 2019&nbsp;.<\/p>\n<p>O formato da \u201cc\u00e9lula\u201d indica&nbsp;quantos deles foram produzidos&nbsp;em cada uma das cinco&nbsp;\u00e1reas do conhecimento adotadas pelo ranking&nbsp;.<\/p>\n<p>As gigantes do sistema estadual paulista s\u00e3o os maiores centros de pesquisa do Pa\u00eds quando o crit\u00e9rio \u00e9 a&nbsp;escala da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para&nbsp;Andr\u00e9 Fraz\u00e3o Helene, professor do Instituto de Bioci\u00eancias da USP que tamb\u00e9m estuda as caracter\u00edsticas da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira, o volume de pesquisas e o tamanho de uma universidade s\u00e3o importantes para avaliar o papel social que elas desempenham.<\/p>\n<p>De acordo com ele, uma universidade grande como a USP, com quase&nbsp;100 mil alunos, al\u00e9m de produzir ci\u00eancia de ponta, \u00e9 tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O&nbsp;Hospital das Cl\u00ednicas, um dos maiores do Pa\u00eds, funciona em grande parte gra\u00e7as ao trabalho de professores, pesquisadores e estudantes da institui\u00e7\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p>Entretanto, o tamanho da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, justamente o que faz essas universidades se destacarem na contagem de artigos publicados, gera tamb\u00e9m um indicador contrastante.<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio porte costumam se sair melhor quando o crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o total de publica\u00e7\u00f5es, mas o porcentual de pesquisas que atinge alto impacto cient\u00edfico \u2013 ou seja, quando se usa uma m\u00e9trica deaproveitamento.<\/p>\n<h4>Alto impacto<\/h4>\n<h3>Quando o crit\u00e9rio \u00e9 aproveitamento, outros centros se destacam<\/h3>\n<p>At\u00e9 agora, est\u00e1vamos olhando para toda a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de uma institui\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 um crit\u00e9rio comum para estimar o desempenho de um centro de pesquisa, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico poss\u00edvel. Outra maneira de avaliar universidades \u00e9 contar quantos destes artigos atingiram um n\u00edvel alto de&nbsp;impacto&nbsp;na comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazer isso contando as cita\u00e7\u00f5es que uma publica\u00e7\u00e3o recebeu. Um n\u00famero alto de refer\u00eancias indica que outros cientistas consideram o trabalho relevante.<\/p>\n<p>Entre os&nbsp;indicadores do Leiden Ranking&nbsp;est\u00e1 uma m\u00e9trica que possibilita esse tipo de avalia\u00e7\u00e3o: o n\u00famero de artigos de uma universidade que est\u00e3o entre os 10% mais citados em sua respectiva \u00e1rea do conhecimento.<\/p>\n<p>Um exemplo: a USP, como vimos, publicou aproximadamente 17 mil artigos no per\u00edodo analisado. Destes,&nbsp;pouco mais de mil&nbsp;ficaram entre as publica\u00e7\u00f5es de maior impacto \u2013 ou seja, com mais cita\u00e7\u00f5es. S\u00e3o para estes que vamos olhar agora.<\/p>\n<p>Entretanto, considerar apenas o n\u00famero absoluto de artigos causaria uma distor\u00e7\u00e3o. Universidades grandes, como as gigantes paulistas citadas anteriormente, produzem mais. Em consequ\u00eancia, produzem tamb\u00e9m uma quantidade maior de artigos de impacto.<\/p>\n<p>Uma maneira de neutralizar essa problema \u00e9 analisar o&nbsp;aproveitamento&nbsp;das pesquisas: dos artigos publicados por uma institui\u00e7\u00e3o, quantos conseguem chegar a esse patamar de excel\u00eancia? O gr\u00e1fico abaixo revela como o panorama se transforma sob esse crit\u00e9rio.<\/p>\n<p>As maiores universidades se posicionam \u00e0 direita&nbsp;<b>[\u2192]<\/b>, uma vez que s\u00e3o as que mais produzem artigos que s\u00e3o indexados pela Web of Science.<\/p>\n<p>Entretanto, no canto superior esquerdo&nbsp;<b>[&#x2196;]<\/b>&nbsp;aparecem institui\u00e7\u00f5es que publicam menos, no geral, mas que conseguem emplacar um&nbsp;porcentual alto de artigos de impacto.<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o do gr\u00e1fico est\u00e3o as universidades federais do Cear\u00e1 (&nbsp;UFC&nbsp;), Bahia (&nbsp;UFBA&nbsp;), S\u00e3o Carlos (&nbsp;Ufscar&nbsp;) e Santa Catarina (&nbsp;UFSC&nbsp;). Nelas, cerca de&nbsp;7% das publica\u00e7\u00f5es indexadas&nbsp;figuram entre as mais citadas em suas respectivas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Nas tr\u00eas maiores universidades do Pa\u00eds, esse desempenho costuma ser menor. Apenas a&nbsp;Unicamp&nbsp;apresentou um aproveitamento parecido. Na&nbsp;USP, aproximadamente 6% dos artigos produzidos ficam entre os mais citados. Na&nbsp;Unesp, 5%.<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico abaixo mostra o desempenho das cinco universidades com o maior&nbsp;aproveitamento de pesquisas. O formato da \u201cc\u00e9lula\u201d \u00e9 diferente, mais arredondado, porque n\u00e3o estamos mais olhando para o n\u00famero absoluto de artigos, mas para o&nbsp;porcentual&nbsp;de publica\u00e7\u00f5es que atingem um grau alto de relev\u00e2ncia em cada um dos grandes campos delimitados pelo&nbsp;Leiden Ranking.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Eduardo Bed\u00ea Barros&nbsp;\u00e9 o Chefe do Departamento de F\u00edsica da&nbsp;UFC, a universidade brasileira que, porcentualmente, tem mais publica\u00e7\u00f5es de alto impacto. \u00c9 justamente no campo de&nbsp;Ci\u00eancias f\u00edsicas e engenharias&nbsp;que a institui\u00e7\u00e3o tem melhor aproveitamento: quase 9% dos artigos atingem esse patamar de relev\u00e2ncia.<\/p>\n<figure>\n<p><figure style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/arte.estadao.com.br\/educacao\/2019\/produtividade-universidades-brasileiras\/media\/images\/eduardo-bede-barros-clipped.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/arte.estadao.com.br\/educacao\/2019\/produtividade-universidades-brasileiras\/media\/images\/eduardo-bede-barros-clipped.png?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"464\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A chave \u00e9 fazer o melhor uso poss\u00edvel dos recursos que temos, que n\u00e3o s\u00e3o muitos. Eduardo Bed\u00ea Barros Chefe do Departamento de F\u00edsica da UFC<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Barros fez praticamente toda a carreira acad\u00eamica, desde a gradua\u00e7\u00e3o at\u00e9 o doutorado, na UFC. J\u00e1 no ano seguinte \u00e0 defesa de tese, foi contratado como pesquisador. Saiu da institui\u00e7\u00e3o apenas para dois per\u00edodos de p\u00f3s-doutorado: um no Massachusetts Institute of Technology (&nbsp;<a class=\"link\" title=\"Tudo sobre: MIT \u2013 Massachusetts Institute of Technology\" href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/mit\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MIT<\/a>&nbsp;) e outro na Universidade de Tohoku, no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele conta que come\u00e7ou a fazer pesquisas j\u00e1 no terceiro semestre de faculdade, sempre recebendo bolsas de estudo \u2013 e que esse tipo de apoio institucional \u00e9 essencial para os bons resultados que a institui\u00e7\u00e3o colhe.<\/p>\n<p>Viabilizar esse tipo de suporte exige organiza\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia, diz.<\/p>\n<blockquote>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<\/blockquote>\n<p>O pesquisador afirma ainda que o&nbsp;perfil do departamento&nbsp;tamb\u00e9m \u00e9 uma influ\u00eancia importante. L\u00e1, o incentivo \u00e0 pesquisa come\u00e7a logo que os calouros entram na faculdade.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o ilustra que, embora seja comum pensar nas universidades como institui\u00e7\u00f5es monol\u00edticas, a maneira de trabalhar de um pequeno grupo pode ter um grande efeito. Assim, tamb\u00e9m \u00e9 importante olhar para institui\u00e7\u00f5es que se destacam em&nbsp;\u00e1reas espec\u00edficas.<\/p>\n<hr>\n<h4>Campo a campo<\/h4>\n<h3>Mais especializadas, institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o relevantes para \u00e1reas distintas do conhecimento<\/h3>\n<p>Cerca de 14% dos artigos produzidos pela UFV na \u00e1rea deCi\u00eancias sociais e humanidades&nbsp;est\u00e3o entre aqueles de maior impacto em seus respectivos campos.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, duas entre as 14 publica\u00e7\u00f5es indexadas da institui\u00e7\u00e3o atingiram este patamar de&nbsp;relev\u00e2ncia&nbsp;. Pode parecer muito pouco, mas esta \u00e9 a&nbsp;\u00e1rea do conhecimento em que menos se publicam artigos&nbsp;, al\u00e9m da indexa\u00e7\u00e3o ser menor.<\/p>\n<p>As pesquisas que se destacaram trabalham com temas multidisciplinares. Elas tratam, em linhas gerais, dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a economia rural. Na classifica\u00e7\u00e3o do ranking, as publica\u00e7\u00f5es foram vinculadas tanto \u00e0s Ci\u00eancias sociais e humanidades como \u00e0s Ci\u00eancias da vida e da terra.<\/p>\n<p>A interse\u00e7\u00e3o faz sentido: em n\u00fameros absolutos, a UFV \u00e9 a sexta universidade do Pa\u00eds que mais produz pesquisa em&nbsp;Ci\u00eancias da vida e da terra, especialmente na \u00e1rea agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>O exemplo de Vi\u00e7osa mostra como \u00e9 dif\u00edcil definir o que \u00e9&nbsp;excel\u00eancia universit\u00e1ria&nbsp;\u2013 de vez em quando, \u00e9 preciso olhar para os dados com uma lupa. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel encontrar pesquisas que, apesar de acontecerem em menor escala, alcan\u00e7am impacto alto.<\/p>\n<p>O levantamento do&nbsp;Leiden Ranking&nbsp;permite fazer justamente isso. Para encontrar centros com um perfil espec\u00edfico, usamos os dados para identificar que universidades se destacam em cada uma das grandes \u00e1reas do conhecimento; depois, consultamos o cat\u00e1logo de artigos da Web of Science para descobrir que&nbsp;tipo de pesquisa, especificamente, se faz por l\u00e1.<\/p>\n<p>Abaixo, podemos ver as cinco universidades com melhor&nbsp;aproveitamento&nbsp;em cada campo:<\/p>\n<h4>Ci\u00eancias biom\u00e9dicas e da sa\u00fade<\/h4>\n<figure><\/figure>\n<h4>Ci\u00eancias da vida e da terra<\/h4>\n<figure><\/figure>\n<h4>Matem\u00e1tica e ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<figure><\/figure>\n<h4>Ci\u00eancias f\u00edsicas e engenharias<\/h4>\n<figure><\/figure>\n<h4>Ci\u00eancias sociais e humanidades<\/h4>\n<figure><\/figure>\n<p>Mesmo esse olhar de lupa, por\u00e9m, se limita a avaliar a circula\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos. H\u00e1 formas diferentes de medir o desempenho de uma universidade<\/p>\n<hr>\n<h4>Al\u00e9m do Lattes<\/h4>\n<h3>M\u00e9tricas diferentes revelam aspectos da vida acad\u00eamica que n\u00e3o cabem nas cita\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Por enquanto, nossa an\u00e1lise se debru\u00e7ou sobre indicadores de&nbsp;<b>impacto<\/b>&nbsp;e&nbsp;produtividade&nbsp;cient\u00edfica. Embora \u00fateis, eles ignoram outros aspectos da vida acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Crit\u00e9rios como o estabelecimento de&nbsp;la\u00e7os internacionais&nbsp;de colabora\u00e7\u00e3o, a difus\u00e3o de&nbsp;conhecimento livre&nbsp;ou a&nbsp;igualdade de g\u00eanero&nbsp;na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para a miss\u00e3o universit\u00e1ria, embora n\u00e3o se traduzam, necessariamente, em n\u00fameros de cita\u00e7\u00f5es ou de publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para terminar a an\u00e1lise, vamos descobrir quais institui\u00e7\u00f5es se destacam segundo crit\u00e9rios que medem&nbsp;outros tipos de impacto.<\/p>\n<h4>Acesso aberto<\/h4>\n<p>As universidades do gr\u00e1fico abaixo publicam uma parcela significativa de seus artigos sob um sistema de acesso aberto. Um artigo&nbsp;<i>open access<\/i>&nbsp;est\u00e1 dispon\u00edvel para leitura gratuita, seja porque est\u00e1 em um reposit\u00f3rio externo ou porque foi publicada em um peri\u00f3dico livre.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<h4>Colabora\u00e7\u00e3o internacional<\/h4>\n<p>J\u00e1 nestas, quase metade dos artigos \u00e9 assinada tamb\u00e9m por pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es internacionais \u2013 uma caracter\u00edstica da ci\u00eancia contempor\u00e2nea e globalizada.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<h4>Mulheres pesquisadoras<\/h4>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es a seguir, por sua vez, t\u00eam um alto porcentual de&nbsp;mulheres&nbsp;entre os autores que assinaram artigos catalogados pelo ranking. Ao menos quanto \u00e0s publica\u00e7\u00f5es indexadas, todas est\u00e3o pr\u00f3ximas da paridade de g\u00eanero na pesquisa cient\u00edfica.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p>Trata-se da universidade brasileira com mais cientistas mulheres, de acordo com o ranking \u2013 e a segunda no mundo, atr\u00e1s apenas da Universidade M\u00e9dica de Lublin, na Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o europeia, por\u00e9m, concentra em<strong>&nbsp;<\/strong>pesquisas na \u00e1rea de sa\u00fade, onde a presen\u00e7a de cientistas mulheres costuma ser maior&nbsp;. J\u00e1 em Maring\u00e1, o porcentual \u00e9 alto mesmo em ci\u00eancias duras, como f\u00edsica e engenharia \u2013 campos em que, al\u00e9m de grande participa\u00e7\u00e3o feminina, a UEM tem o segundo melhor aproveitamento em pesquisas do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma das pesquisadoras respons\u00e1veis por esse desempenho \u00e9&nbsp;Francielle Sato, f\u00edsica que se especializou em fen\u00f4menos fotot\u00e9rmicos \u2013 ou seja, no estudo de como a mat\u00e9ria reage quando exposta \u00e0 luz. O t\u00f3pico \u00e9 bastante interdisciplinar, ent\u00e3o ela trabalha com temas que variam do desenvolvimento de rem\u00e9dios ao estudo de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<figure>\n<p><figure style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/arte.estadao.com.br\/educacao\/2019\/produtividade-universidades-brasileiras\/media\/images\/francielle-sato-clipped.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/arte.estadao.com.br\/educacao\/2019\/produtividade-universidades-brasileiras\/media\/images\/francielle-sato-clipped.png?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"464\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Muitas alunas se inspiram quando veem que eu sou mulher, m\u00e3e e ainda assim publico . Francielle Sato f\u00edsica especialista em fen\u00f4menos fotot\u00e9rmicos na UEM Jo\u00e3o Paulo Santos<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Francielle est\u00e1 na UEM desde que come\u00e7ou a cursar gradua\u00e7\u00e3o, em 1999. Ela conta que, na sua turma, de 60 ingressantes, se formaram apenas seis \u2013 e quatro dos formandos foram mulheres, uma propor\u00e7\u00e3o rara na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Segundo ela, uma das grandes dificuldades para as mulheres que tentam entrar na \u00e1rea \u00e9 conciliar a carreira cient\u00edfica com pap\u00e9is sociais que ainda recaem majoritariamente sobre o sexo feminino, como tarefas dom\u00e9sticas ou o cuidado com os filhos.<\/p>\n<p>O momento que a pesquisadora vive hoje \u00e9 um exemplo: mesmo de licen\u00e7a maternidade para cuidar dos filhos g\u00eameos, ela segue produzindo artigos de casa. A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que, com esse intervalo fora da universidade, seus indicadores de produtividade caiam a partir do ano que vem,&nbsp;o que costuma acontecer com outras cientistas mulheres.<\/p>\n<p>Entretanto, o est\u00edmulo de colegas e a representatividade tamb\u00e9m s\u00e3o importantes \u2013 para Francielle, o exemplo e incentivo de outras colegas faz diferen\u00e7a e apresenta um tipo de impacto que n\u00e3o costuma aparecer nas tabelas estat\u00edsticas.<\/p>\n<hr>\n<h4>Nem tudo s\u00e3o n\u00fameros<\/h4>\n<h3>Posi\u00e7\u00e3o no ranking deve ser consequ\u00eancia do trabalho e n\u00e3o um objetivo, diz reitor da Unicamp<\/h3>\n<p>Al\u00e9m disso, as tr\u00eas gigantes paulistas participam de um projeto com o objetivo de criar indicadores comuns de desempenho e impacto socioecon\u00f4mico, cultural e ambiental. A iniciativa tem o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (&nbsp;<a class=\"link\" title=\"Tudo sobre: Fapesp \u2013 Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo\" href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/fapesp-fundacao-de-amparo-a-pesquisa-do-estado-de-sao-paulo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fapesp<\/a>&nbsp;).<\/p>\n<p>Para&nbsp;Marcelo Knobel, Reitor da Unicamp e Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (&nbsp;Cruesp ), os rankings podem oferecer instrumentos para an\u00e1lise, mas n\u00e3o devem se tornar uma meta.<\/p>\n<p><em style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 22px; text-align: center;\"><strong>\u00c9 muito dif\u00edcil resumir em um n\u00famero ou em uma s\u00e9rie de n\u00fameros tudo o que as universidades fazem.&nbsp;<\/strong><\/em><em style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 22px; text-align: center;\"><strong>Marcelo Knobel Reitor da Unicamp e Presidente do Cruesp<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O que \u00e9 poss\u00edvel analisar com base nos rankings universit\u00e1rios?<\/p>\n<p><b>Knobel:<\/b>&nbsp;Precisamos ter clareza de que a posi\u00e7\u00e3o no ranking deve ser uma consequ\u00eancia do trabalho e n\u00e3o um objetivo do trabalho em si. Nesse sentido, as universidades do Estado de S\u00e3o Paulo t\u00eam geralmente boa posi\u00e7\u00e3o nos rankings, mas s\u00e3o cr\u00edticas a eles. \u00c9 muito dif\u00edcil resumir em um n\u00famero ou em uma s\u00e9rie de n\u00fameros tudo o que as universidades fazem. No Brasil e na Am\u00e9rica Latina, temos um papel muito importante das institui\u00e7\u00f5es na extens\u00e3o universit\u00e1ria e na assist\u00eancia hospitalar, o que n\u00e3o acontece em outros lugares. Os rankings devem ser olhados com muito cuidado e de maneira particular, olhando o que \u00e9 poss\u00edvel melhorar, como aprimorar as pr\u00e1ticas a partir dos resultados, mas t\u00eam muitas coisas que os rankings n\u00e3o conseguem identificar. A universidade no Brasil \u00e9 um fen\u00f4meno recente tamb\u00e9m, mesmo quando comparado com a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Com base nos rankings, o que faz mais sentido para a realidade brasileira?<\/p>\n<p><b>Knobel:<\/b>&nbsp;A produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 o mais f\u00e1cil [de observar], mas nesse momento h\u00e1 um ataque forte \u00e0s universidades p\u00fablicas, mas se olhar para os rankings, as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas s\u00e3o as melhores colocadas. Temos uma excel\u00eancia na Am\u00e9rica Latina. Mesmo com a vis\u00e3o cr\u00edtica, \u00e9 importante observar que temos uma posi\u00e7\u00e3o muito boa. Quando falam que as universidades p\u00fablicas s\u00e3o ruins ou s\u00f3 plantam maconha, n\u00f3s temos resultados. H\u00e1 crit\u00e9rios internacionais que chancelam as universidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma cr\u00edtica de que as universidades do Brasil n\u00e3o t\u00eam representante entre os 100 ou 200 primeiros ou ainda n\u00e3o t\u00eam Pr\u00eamio Nobel. Qual \u00e9 a resposta a isso?<\/p>\n<p><b>Knobel:<\/b>&nbsp;Uma das primeiras universidades de pesquisa do Pa\u00eds \u00e9 a USP, de 1934. A maioria das universidades surgiu nos anos 1950, 1960. Boa parte desses processos ocorreu no per\u00edodo de ditadura militar, \u00e9 um processo hist\u00f3rico muito recente. O advento dos programas de mestrado e doutorado no Pa\u00eds \u00e9 dos anos 1970. Em outros pa\u00edses, vem de s\u00e9culos. Conseguimos avan\u00e7os imensos em pouqu\u00edssimo tempo.<\/p>\n<p>Estamos entre as 500 melhores universidades, sendo que no mundo h\u00e1 mais de 50 mil universidades. \u00c9 excelente. E temos um hist\u00f3rico de crises pol\u00edticas, econ\u00f4micas no meio desse caminho. Se continuar o investimento na universidade p\u00fablica, continuaremos a subir nas posi\u00e7\u00f5es e teremos nosso Nobel.<\/p>\n<p>Como tem sido o trabalho das estaduais paulistas para usar os dados de rankings?<\/p>\n<p><b>Knobel:<\/b>&nbsp;Nossa grande defici\u00eancia era n\u00e3o ter escrit\u00f3rios de intelig\u00eancia, de analisar esses dados e aproveitar esses resultados para entender e aprimorar. N\u00e3o no sentido de melhorar no ranking, mas usar como ferramenta de avalia\u00e7\u00e3o. E realmente ter esses dados mais centralizados e aproveitar do melhor modo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A USP criou um escrit\u00f3rio de intelig\u00eancia. Unicamp e Unesp tamb\u00e9m t\u00eam esfor\u00e7os nesse sentido. O que tem sido feito?<\/p>\n<p><b>Knobel:<\/b>&nbsp;Estamos juntando os grupos de trabalho das universidades nessa \u00e1rea. A ideia nossa \u00e9 criar, por meio do Cruesp, esse escrit\u00f3rio de intelig\u00eancia conjunto. Para poder trabalhar com esses dados e tenha tamb\u00e9m dados de perman\u00eancia, evas\u00e3o, inclus\u00e3o social, que os rankings n\u00e3o t\u00eam. E estamos agregando outras universidades do Brasil tamb\u00e9m. A ideia \u00e9 ser um centro que una an\u00e1lise de dados, pesquisa e transformar isso em melhoria das nossas atividades-fim: ensino, pesquisa e extens\u00e3o. Ainda n\u00e3o tem uma previs\u00e3o (de quando come\u00e7a a funcionar), mas estamos trabalhando. Precisamos definir m\u00e9tricas de impacto social, regional, na \u00e1rea de sa\u00fade, na quest\u00e3o cultural.<\/p>\n<hr>\n<h4>N\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o tudo<\/h4>\n<h3>\u201cNenhum ranking d\u00e1 a dimens\u00e3o completa de nada\u201d, afirma especialista<\/h3>\n<p>Solange Santos, Coordenadora de Produ\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o da biblioteca eletr\u00f4nica&nbsp;SciELO&nbsp;e Coordenadora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Rede Brasileira de Pesquisa em Rankings, \u00cdndices e Tabelas Classificat\u00f3rias na Educa\u00e7\u00e3o Superior (&nbsp;Rede Rankintacs&nbsp;), afirma que os rankings e levantamentos sobre ensino superior e pesquisa ajudam a dar mais transpar\u00eancia ao trabalho das universidades. Mas, pelo fato de os dados serem complexos, nem sempre s\u00e3o traduzidos de modo mais adequado para o grande p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes aparentam simplicidade, mas s\u00e3o complexos\u201d, alerta. \u201cNenhum ranking d\u00e1 a dimens\u00e3o completa de nada. \u00c9 preciso olhar para eles como se fossem um mosaico\u201d.&nbsp;<a class=\"link\" title=\"CWTS Leiden Ranking 2019\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/ranking\/2019\/list\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Levantamentos como o de Leiden<\/a>, segundo ela, t\u00eam natureza mais objetiva. N\u00e3o consideram, por exemplo, vari\u00e1veis como reputa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ou no mercado de trabalho.<\/p>\n<p><span style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 22px; font-style: italic; text-align: center;\">\u00c9 um ranking mais t\u00e9cnico, por isso outros s\u00e3o mais populares.&nbsp;<\/span><span style=\"color: #111111; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 22px; font-style: italic; text-align: center;\">Solange Santos Coordenadora de Produ\u00e7\u00e3o e Publica\u00e7\u00e3o da SciELO e Coordenadora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Rede Rankintacs<\/span><\/p>\n<p>Outra tend\u00eancia, acrescenta Solange, \u00e9 o surgimento de maior&nbsp;diversidade de recortes, como sustentabilidade, impacto social, entre outros. Ainda segundo a pesquisadora, o ranking n\u00e3o deve ser usado como b\u00fassola absoluta para as a\u00e7\u00f5es da universidade. E tamb\u00e9m \u00e9 preciso evitar cobran\u00e7as desproporcionais. A aus\u00eancia de brasileiras no top 100, na opini\u00e3o de Solange, n\u00e3o deve ser um peso. \u201cH\u00e1 entre 16 e 17 mil institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. N\u00e3o \u00e9 trivial ter uma brasileira entre as 200 melhores do mundo.\u201d<\/p>\n<hr>\n<h4>Metodologia<\/h4>\n<p>Antes de tudo, \u00e9 importante ressaltar que qualquer maneira de avaliar a produ\u00e7\u00e3o de universidade carrega uma s\u00e9rie de vieses.<\/p>\n<p>Simplesmente contar a&nbsp;quantidade de artigos publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos, por exemplo, \u00e9 um crit\u00e9rio que ajuda grandes institui\u00e7\u00f5es como&nbsp;USP&nbsp;e&nbsp;Unicamp.<\/p>\n<p>Contar cita\u00e7\u00f5es, outra medida comum de&nbsp;impacto, favorece institui\u00e7\u00f5es que concentram estudos em temas de maior repercuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisas em ci\u00eancias biol\u00f3gicas costumam ser mais referenciadas que pesquisas em ci\u00eancias sociais, por exemplo. O problema permanece mesmo dentro de uma mesma \u00e1rea do conhecimento. Estudos sobre doen\u00e7as tropicais tendem a ser menos citados que estudos sobre c\u00e2ncer, ainda que sejam igualmente importantes para a medicina brasileira.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica de pesquisa tamb\u00e9m varia de acordo com o campo: nas ci\u00eancias da sa\u00fade, por exemplo, o volume de publica\u00e7\u00f5es costuma ser maior.<\/p>\n<p>Assim, o levantamento feito pelo&nbsp;Estad\u00e3o&nbsp;decidiu usar os dados do&nbsp;Leiden Ranking&nbsp;justamente porque a compila\u00e7\u00e3o oferece uma s\u00e9rie de recortes que permitem analisar as caracter\u00edsticas das universidades brasileiras sob diferentes lentes.<\/p>\n<p>Entretanto, algumas particularidades do levantamento precisam ser levadas em conta.<\/p>\n<p>Origem dos dados.&nbsp;Os&nbsp;artigos contabilizados pelo Leiden Ranking&nbsp;s\u00e3o todos aqueles que foram publicados na cole\u00e7\u00e3o principal da&nbsp;Web of Science, um banco de dados internacional de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. No ranking, foram considerados apenas artigos de pesquisa ou de revis\u00e3o que tenham sido publicados em ingl\u00eas. Livros e participa\u00e7\u00e3o em confer\u00eancias, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o contabilizados.<\/p>\n<p>Universidades consideradas.&nbsp;Para uma universidade aparecer no ranking, ela precisa ter publicado ao menos mil artigos, considerando os crit\u00e9rios descritos acima. Artigos publicados por pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es afiliadas \u2013 um hospital universit\u00e1rio, por exemplo \u2013 tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas como artigos da universidade respons\u00e1vel. Ao todo, o&nbsp;levantamento avalia a performance de 963 universidades, distribu\u00eddas em 56 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Defini\u00e7\u00e3o dos campos cient\u00edficos.&nbsp;No ranking, os artigos s\u00e3o classificados em cinco grandes&nbsp;\u00e1reas do conhecimento&nbsp;: Ci\u00eancias biom\u00e9dicas e da sa\u00fade, Ci\u00eancias da vida e terra, Ci\u00eancias f\u00edsicas e engenharias, Matem\u00e1tica e ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias sociais e humanidades. Estes campos foram definidos usando um algoritmo de computador. Em linhas gerais, foram analisadas as rela\u00e7\u00f5es entre as cita\u00e7\u00f5es das publica\u00e7\u00f5es. Com o resultado, cada artigo foi categorizado como pertencente a um microcampo cient\u00edfico. Esses microcampos foram, posteriormente, categorizados como pertencentes a uma ou mais das 252 categorias dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos da Web of Science. Por fim, cada categoria de peri\u00f3dico foi vinculado a uma das cinco grandes \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>Contagem fracionada.&nbsp;O ranking usa um m\u00e9todo de contagem que atribui&nbsp;peso parcial&nbsp;para cada uma das universidades que participaram da produ\u00e7\u00e3o de um artigos. Por exemplo, caso uma publica\u00e7\u00e3o seja assinada por cinco pesquisadores, dois deles da Universidade A e tr\u00eas da Universidade B, o artigo vai contar 0,4 pontos para a primeira institui\u00e7\u00e3o e 0,6 para a segunda. A contagem de artigos publicados em cada uma das grandes \u00e1reas tamb\u00e9m \u00e9 feita usando o crit\u00e9rio de contagem fracionada: se um artigo pertence tanto \u00e0s ci\u00eancias da sa\u00fade quanto \u00e0s ci\u00eancias humanas, por exemplo, ele conta meio ponto para cada.<\/p>\n<p>Atribui\u00e7\u00e3o de g\u00eanero aos autores.&nbsp;Para descobrir a quantidade de artigos que foram assinados por pesquisadores homens ou mulheres, o levantamento usa uma abordagem computacional. O primeiro nome do cientista e sua nacionalidade s\u00e3o fornecidos para programas que determinam, com uma precis\u00e3o de ao menos 90%, qual \u00e9 o&nbsp;g\u00eanero do autor.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise que a reportagem fez limita-se a \u201centrevistar\u201d os dados para descobrir destaques nacionais no levantamento. Esse processo est\u00e1 documentado e dispon\u00edvel para revis\u00e3o em&nbsp;<a class=\"link\" href=\"https:\/\/github.com\/estadao\/universidades-sob-o-microscopio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reposit\u00f3rio do Estad\u00e3o no GitHub.<\/a>&nbsp;L\u00e1 tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis as planilhas usadas pela reportagem e o c\u00f3digo-fonte para a elabora\u00e7\u00e3o dos gr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Para complementar os dados brutos, foram feitas consultas \u00e0 base de dados da Web of Science para identificar as pesquisas de maior repercuss\u00e3o e seus respectivos autores.<\/p>\n<p>Por fim, registramos tamb\u00e9m um agradecimento ao pesquisador&nbsp;F\u00e1bio Castro Gouveia, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (&nbsp;<a class=\"link\" title=\"Tudo sobre: Fiocruz \u2013 \" href=\"\/\/www.estadao.com.br\/infograficos\/Funda%C3%A7%C3%A3o%20Oswaldo%20Cruz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fiocruz<\/a>&nbsp;), pela contribui\u00e7\u00e3o no delineamento da an\u00e1lise e por esclarecer as limita\u00e7\u00f5es inerentes ao levantamento.<\/p>\n<hr>\n<h4>Expediente<\/h4>\n<dl>\n<dt>Editor Executivo Multim\u00eddia<\/dt>\n<dd>Fabio Sales<\/dd>\n<dt>Editora de Infografia Multim\u00eddia<\/dt>\n<dd>Regina Elisabeth Silva<\/dd>\n<dt>Editor Assistente Multim\u00eddia<\/dt>\n<dd>Carlos Marin<\/dd>\n<dt>Editora de Metr\u00f3pole<\/dt>\n<dd>Bia Reis<\/dd>\n<\/dl>\n<ul>\n<li>Nestas notas, voc\u00ea vai encontrar informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre a coleta dos dados ou uma defini\u00e7\u00e3o mais precisa de algum termo t\u00e9cnico, por exemplo.<\/li>\n<li>O&nbsp;<b>Leiden Ranking<\/b>&nbsp;usa um algoritmo de computador para dividir a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em&nbsp;cinco grandes \u00e1reas do conhecimento&nbsp;:\n<ul>\n<li>Ci\u00eancias biom\u00e9dicas e da sa\u00fade<\/li>\n<li>Ci\u00eancias da vida e da terra<\/li>\n<li>Ci\u00eancias f\u00edsicas e engenharias<\/li>\n<li>Ci\u00eancias sociais e humanas<\/li>\n<li>Ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o e matem\u00e1tica<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li><a class=\"link\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/information\/universities\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O ranking considera apenas universidades que tenham produzido ao menos 1000 publica\u00e7\u00f5es contabilizadas na cole\u00e7\u00e3o principal da Web of Science<\/a>.\n<p>No Brasil, apenas 23 institui\u00e7\u00f5es \u2013 todas p\u00fablicas \u2013 atendem ao crit\u00e9rio.<\/li>\n<li>Ao todo, o Pa\u00eds teve 143 mil artigos contabilizados pelo ranking. Entretanto, o levantamento usa um m\u00e9todo de contagem que atribui um&nbsp;<a class=\"link\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/information\/indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">peso parcial \u00e0s publica\u00e7\u00f5es feitas em parceria<\/a>&nbsp;entre mais de uma institui\u00e7\u00e3o.\n<p>Exemplo hipot\u00e9tico: se um artigo foi publicado em colabora\u00e7\u00e3o por 4 pesquisadores de uma universidade do Brasil e seis de uma institui\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, ele \u00e9 contabilizado como 40% de autoria da universidade brasileira e 60% da universidade americana.<\/p>\n<p>Assim, chegamos ao valor que aparece no gr\u00e1fico: 71 mil publica\u00e7\u00f5es \u201cinteiras\u201d.<\/li>\n<li>Para determinar a quantidade de artigos publicados em uma dada \u00e1rea, o&nbsp;<b>Leiden Ranking<\/b>&nbsp;tamb\u00e9m usa um&nbsp;<a class=\"link\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/information\/indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">m\u00e9todo de contagem fracional<\/a>. Uma publica\u00e7\u00e3o multidisciplinar que trata, por exemplo, de Ci\u00eancias sociais e Ci\u00eancias da sa\u00fade, conta como meia publica\u00e7\u00e3o para cada.<\/li>\n<li>Mediana, aqui, tem sentido estat\u00edstico. De forma aproximada, a UFV fica entre as universidades do meio da lista quando ordenamos as institui\u00e7\u00f5es pelos crit\u00e9rios citados.<\/li>\n<li>Mesmo as maiores universidades do Pa\u00eds costumam publicar relativamente poucos artigos de&nbsp;<b>Ci\u00eancias sociais e humanidades<\/b>. No mesmo per\u00edodo, a&nbsp;<a class=\"link\" title=\"CWTS Leiden Ranking 2019: Universidade de S\u00e3o Paulo\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/Ranking\/University2019?universityId=1067&amp;fieldId=1&amp;periodId=9&amp;fractionalCounting=1&amp;performanceDimension=0&amp;rankingIndicator=pp_top10&amp;minNPubs=100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">USP<\/a>&nbsp;produziu 444 publica\u00e7\u00f5es, a&nbsp;<a class=\"link\" title=\"CWTS Leiden Ranking 2019: Universidade de Campinas\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/Ranking\/University2019?universityId=1064&amp;fieldId=1&amp;periodId=9&amp;fractionalCounting=1&amp;performanceDimension=0&amp;rankingIndicator=pp_top10&amp;minNPubs=100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Unicamp<\/a>&nbsp;101 e a&nbsp;<a class=\"link\" title=\"CWTS Leiden Ranking 2019: Universidade Estadual Paulista\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/Ranking\/University2019?universityId=1461&amp;fieldId=1&amp;periodId=9&amp;fractionalCounting=1&amp;performanceDimension=0&amp;rankingIndicator=pp_top10&amp;minNPubs=100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Unesp<\/a>&nbsp;77. Esses n\u00fameros, menores do que nas demais grandes \u00e1reas, n\u00e3o indicam que h\u00e1 algum tipo de improdutividade: s\u00e3o apenas uma consequ\u00eancia do modo de se fazer pesquisa e das caracter\u00edsticas do campo.<\/li>\n<li>Segundo os dados do&nbsp;<b>Leiden Ranking<\/b>, considerando a m\u00e9dia de todas as universidades do mundo, as mulheres representam 33% dos autores de artigos de ci\u00eancias da sa\u00fade. Na \u00e1rea de f\u00edsica e engenharias, s\u00e3o 20%. Em matem\u00e1tica e computa\u00e7\u00e3o, 15%.<\/li>\n<li><a class=\"link\" href=\"https:\/\/www.leidenranking.com\/information\/indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Leiden Ranking usa um sistema autom\u00e1tico para determinar o g\u00eanero dos autores<\/a>, com base na nacionalidade e no primeiro nome de cada pesquisador. Quando o programa indica que a precis\u00e3o da atribui\u00e7\u00e3o \u00e9 menor do que 90%, o cientista \u00e9 considerado de g\u00eanero desconhecido. No c\u00e1lculo do porcentual, estes foram desconsiderados.<\/li>\n<li>H\u00e1 uma s\u00e9rie de&nbsp;<a class=\"link\" title=\"Web of Science Journal Evaluation Process and Selection Criteria\" href=\"https:\/\/clarivate.com\/webofsciencegroup\/journal-evaluation-process-and-selection-criteria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crit\u00e9rios editoriais<\/a>&nbsp;para que as publica\u00e7\u00f5es de um peri\u00f3dico sejam indexadas pela Web of Science.<\/li>\n<li>Como o n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es de maior impacto foi pequeno, h\u00e1 a possibilidade de que o desempenho da universidade nos \u00falitmos anos tenha sido sido um ponto fora da curva \u2013 ou seja, h\u00e1 mais incerteza quanto \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o desses bons resultados no futuro. Isso revela, tamb\u00e9m, que rankings universit\u00e1rios apresentam certo n\u00edvel de&nbsp;<b>volatilidade<\/b>.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Estad\u00e3o Conte\u00fado&nbsp; dispon\u00edvel na internet 03\/01\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas, afinal,&nbsp;o que \u00e9 um centro de excel\u00eancia?&nbsp;A resposta \u00e9 mais complicada do que parece. Para usar uma met\u00e1fora cient\u00edfica, encontrar institui\u00e7\u00f5es de destaque \u00e9 uma tarefa que exige&nbsp;trocar a lente do microsc\u00f3pio constantemente. Conforme direcionamos o olhar para uma estat\u00edstica ou outra, os resultados mudam. 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