{"id":43526,"date":"2020-01-04T02:00:21","date_gmt":"2020-01-04T05:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=43526"},"modified":"2020-01-04T07:23:13","modified_gmt":"2020-01-04T10:23:13","slug":"magistrados-federais-defendem-juiz-de-garantias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/01\/04\/magistrados-federais-defendem-juiz-de-garantias\/","title":{"rendered":"Magistrados federais defendem juiz de garantias"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Em carta, 50 ju\u00edzes e desembargadores federais argumentam que modelo garante a &#8220;imparcialidade&#8221; e a &#8220;legalidade&#8221; do processo. Ministro da Justi\u00e7a, Sergio Moro, foi contra mudan\u00e7a inclu\u00edda no pacote anticrime.<\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Um grupo de 50 ju\u00edzes e desembargadores federais divulgou nesta quinta-feira (02\/01) uma carta em defesa da cria\u00e7\u00e3o do juiz de garantias, estabelecido no projeto de lei conhecido como&nbsp;pacote anticrime, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro no fim de dezembro. Os signat\u00e1rios do documento argumentam que essa nova atribui\u00e7\u00e3o garante a &#8220;imparcialidade do juiz de julgamento&#8221;.<\/p>\n<p>Na carta, os magistrados afirmam que as atribui\u00e7\u00f5es do juiz de garantias s\u00e3o &#8220;controlar a legalidade da investiga\u00e7\u00e3o criminal&#8221; e &#8220;garantir direitos individuais&#8221;. &#8220;Trata-se de figura indispens\u00e1vel \u00e0 densifica\u00e7\u00e3o da estrutura acusat\u00f3ria de processo penal (imparcialidade do juiz e separa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es dos sujeitos processuais) e \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos&#8221;, destaca o texto.<\/p>\n<p>O grupo reconhece que h\u00e1 dificuldades para a implementa\u00e7\u00e3o dessa nova fun\u00e7\u00e3o nos tribunais, mas argumenta que os impasses podem ser resolvidos com regras de distribui\u00e7\u00e3o de processos e com recursos tecnol\u00f3gicos, sem a necessidade da cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o espec\u00edfico ou nova inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo em uma vara \u00fanica em que atuem dois ju\u00edzes, por exemplo, basta determinar que, no processo em que um deles atue como juiz de garantias, o outro jurisdicione como juiz de processo e vice versa&#8221;, diz a carta. &#8220;H\u00e1 divis\u00e3o funcional de compet\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Os magistrados ressaltam que o juiz de garantias evita a confus\u00e3o da figura do juiz com &#8220;a do investigador\/acusador&#8221; e garante a imparcialidade do julgamento, destacando que, com a separa\u00e7\u00e3o, aquele que decidir\u00e1 sobre o caso &#8220;n\u00e3o participa da investiga\u00e7\u00e3o criminal, n\u00e3o produz prova por iniciativa pr\u00f3pria e tampouco fundamenta condena\u00e7\u00e3o com elementos de convic\u00e7\u00e3o obtidos sem contradit\u00f3rio judicial&#8221;.<\/p>\n<p>A carta cita exemplos de pa\u00edses que adotaram o modelo na Am\u00e9rica Latina e refor\u00e7a os argumentos dos signat\u00e1rios com cita\u00e7\u00f5es de livros de direito. &#8220;Repudiamos o papel de juiz que se mostra &#8216;de bra\u00e7os dados com a acusa\u00e7\u00e3o, em uma cruzada pelo clamor p\u00fablico e pelos valores morais e absorvendo todo o discurso moralista do senso comum'&#8221;, argumentam os magistrados. &#8220;A ideia de um juiz combatente &#8216;nos faz abandonar a constru\u00e7\u00e3o moderna de um Poder Judici\u00e1rio independente, imparcial e afirmativo dos direitos fundamentais'&#8221;, completa o texto.<\/p>\n<p>A proposta do juiz de garantias foi inclu\u00edda por parlamentares no pacote anticrime enviado ao Congresso pelo ministro da Justi\u00e7a, Sergio Moro. O ex-juiz se posicionou contra o modelo e chegou a afirmar que proporia a Bolsonaro o veto \u00e0 medida. O presidente, no entanto, n\u00e3o vetou esse item no texto.<\/p>\n<p>A medida foi encarada como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria atua\u00e7\u00e3o de Moro \u00e0 frente da Lava Jato. Pelo texto, o juiz que cuidar do andamento do processo criminal n\u00e3o ser\u00e1 respons\u00e1vel pela senten\u00e7a final.<\/p>\n<p>Entre os signat\u00e1rios da carta, est\u00e3o magistrados que atuaram em casos derivados da&nbsp;Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Um deles, Fl\u00e1vio Ant\u00f4nio da Cruz, chegou a ser auxiliar de Moro na Justi\u00e7a Federal de Curitiba.<\/p>\n<p>At\u00e9 antes da mudan\u00e7a, o juiz que tomava decis\u00f5es na fase investigat\u00f3ria tamb\u00e9m proferia a decis\u00e3o final no caso. Agora, o juiz de garantias passar\u00e1 a ser &#8220;respons\u00e1vel pelo controle da legalidade da investiga\u00e7\u00e3o criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais&#8221;, segundo o projeto. A an\u00e1lise da den\u00fancia e a senten\u00e7a ficar\u00e3o a cargo de outro magistrado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Moro, tamb\u00e9m criticaram o modelo alguns setores do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, do Judici\u00e1rio e parlamentares. Os cr\u00edticos alegam faltarem magistrados para a cria\u00e7\u00e3o do juiz de garantias, al\u00e9m de implicar um aumento das despesas do Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 04\/01\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em carta, 50 ju\u00edzes e desembargadores federais argumentam que modelo garante a &#8220;imparcialidade&#8221; e a &#8220;legalidade&#8221; do processo. 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