{"id":43767,"date":"2020-01-13T02:30:42","date_gmt":"2020-01-13T05:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=43767"},"modified":"2020-01-11T17:30:46","modified_gmt":"2020-01-11T20:30:46","slug":"geracao-nem-nem-quer-trabalhar-mas-nao-tem-oportunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/01\/13\/geracao-nem-nem-quer-trabalhar-mas-nao-tem-oportunidades\/","title":{"rendered":"Gera\u00e7\u00e3o \u2018nem-nem\u2019 quer trabalhar, mas n\u00e3o tem oportunidades"},"content":{"rendered":"<div class=\"row infinite\">\n<section class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row blogs\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<article class=\"n--noticia__header\">\n<h5 class=\"n--noticia__title\">Jovens perif\u00e9ricos que \u2018nem trabalham nem estudam\u2019 relatam preconceito com CEP e falta de acesso a vagas, aponta estudo de impacto social; entidades criam iniciativas para inseri-los no mercado.<\/h5>\n<p dir=\"ltr\">O Brasil tem 10,9 milh\u00f5es de&nbsp;jovens entre 15 e 29 anos que nem estudam nem trabalham. O n\u00famero representa 23% da popula\u00e7\u00e3o nesta faixa et\u00e1ria. Eles s\u00e3o chamados de&nbsp;gera\u00e7\u00e3o nem-nem&nbsp;e, na maior parte das vezes, s\u00e3o vistos como ap\u00e1ticos ou pregui\u00e7osos por n\u00e3o estarem nem trabalhando nem estudando.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Especialistas e profissionais que trabalham com esses jovens, principalmente os de origem perif\u00e9rica, discordam do uso do termo. Sabem que, na pr\u00e1tica, a falta de oportunidades e o preconceito com a falta de experi\u00eancia dos jovens, al\u00e9m de outras quest\u00f5es, tornam a quest\u00e3o \u201cnem-nem\u201d um pouco mais complexa.<\/p>\n<div class=\"n--noticia__content content\">\n<p dir=\"ltr\">Foi a conclus\u00f5es como essas que chegou a Tese de Impacto Social em Empregabilidadeda&nbsp; Artemisia, organiza\u00e7\u00e3o de apoio a neg\u00f3cios de impacto social no Pa\u00eds. Ela analisou e cruzou mais de 100 estudos e fontes e realizou entrevistas com 20 players do mercado. Foram reunidos dados p\u00fablicos de institui\u00e7\u00f5es como IBGE e Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, que resultaram em mais de 200 p\u00e1ginas de estudo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Sobre a gera\u00e7\u00e3o \u201cnem-nem\u201d, a Tese mostra, por exemplo, que h\u00e1 100 vezes menos postos de trabalho para moradores de zonas perif\u00e9ricas. \u201cEntre os que buscam emprego, h\u00e1 relatos de diversas barreiras, sendo uma das principais a&nbsp;segrega\u00e7\u00e3o espacial\u201d, afirma Priscila Martins, gerente de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Artemisia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De acordo com ela, al\u00e9m disso, os jovens n\u00e3o t\u00eam oportunidades para desenvolver uma trajet\u00f3ria acad\u00eamico-profissional adequada. \u201cEst\u00e3o trabalhando, mas n\u00e3o recebem remunera\u00e7\u00e3o. Poderiam estar estudando, mas ajudam a fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A falta de perspectivas de crescimento pessoal, social, econ\u00f4mico e profissional est\u00e1 na raiz do problema. Fundadora da&nbsp;Kinah, iniciativa que busca qualificar e inserir o jovem perif\u00e9rico no mercado de trabalho, Katiana Nogueira percorre escolas p\u00fablicas e espa\u00e7os que atendem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade oferecendo oficinas e cursos gratuitos com foco em carreira.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA ideia \u00e9 mostrar n\u00e3o s\u00f3 que eles podem ter uma carreira, mas tamb\u00e9m ocupar outros espa\u00e7os de carreira que geralmente n\u00e3o recebem o jovem perif\u00e9rico\u201d, afirma. A Kinah (express\u00e3o de origem africana que significa \u201cpessoa obstinada e empreendedora\u201d) surgiu ainda da percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 conex\u00e3o entre o jovem que vive nos extremos da cidade com as vagas dispon\u00edveis.<\/p>\n<h3>Rela\u00e7\u00e3o com o RH<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Do lado das empresas, o olhar para esta gera\u00e7\u00e3o precisa de ajustes, diz Katiana. \u201cO RH os trata muitas vezes com ironia, sem empatia nenhuma. O processo seletivo s\u00f3 refor\u00e7a o preconceito.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Parte de seu trabalho \u00e9 ajudar os jovens a construir narrativas de vida, a fim de formatar curr\u00edculos que mostrem quem eles s\u00e3o e do que s\u00e3o capazes. \u201cEsse jovem precisa chegar na entrevista com autoestima e seguro de si\u201d, atesta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Outro desafio \u00e9 conseguir que as empresas abram as portas. Quando h\u00e1 vagas, Katiana liga pessoalmente para o RH apresentando aqueles que se encaixam no perfil. \u201cEu acredito nas empresas que de fato querem&nbsp;inclus\u00e3o, que assinam embaixo quando falo que eles s\u00f3 precisam de uma chance.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Aline Tavares, de 25 anos, moradora de Po\u00e1, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, fez diversos cursos de qualifica\u00e7\u00e3o ap\u00f3s completar o Ensino M\u00e9dio, entre eles o de atendimento ao cliente, mas as negativas t\u00eam se enfileirado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Filha de m\u00e3e diarista e pai frentista, ela ajuda nas tarefas de casa e faz bicos como monitora de transporte escolar enquanto a oportunidade n\u00e3o surge. \u201cTem muita discrimina\u00e7\u00e3o pelo lugar de onde a gente vem\u201d, relata. \u201cFa\u00e7o entrevistas, mas n\u00e3o querem pagar a condu\u00e7\u00e3o intermunicipal. Como posso ter experi\u00eancia se n\u00e3o h\u00e1 oportunidade?\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Peterson Melo, de 18 anos, \u00e9 morador do Campo Limpo e estava h\u00e1 quatro anos procurando trabalho. Soci\u00e1vel e comunicativo, nunca teve feedback de nenhum entrevistador, mas identificou por conta pr\u00f3pria a necessidade de desenvolver fala e escrita.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Encerrado o Ensino M\u00e9dio, fez curso de teatro e passou a dar aulas de dan\u00e7a no projeto&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ProjetoArrastao\/\" rel=\"nofollow\">Arrast\u00e3o<\/a>, ONG que d\u00e1 suporte \u00e0s fam\u00edlias pobres do Campo Limpo. Por meio do Arrast\u00e3o tamb\u00e9m participou de um projeto de jovem aprendiz. Antes do fechamento desta reportagem, a boa not\u00edcia: Peterson foi admitido por um call center. Pretende continuar a estudar para o Enem em paralelo. \u201cAmo dan\u00e7ar, mas quero cursar administra\u00e7\u00e3o e trabalhar com RH, em recrutamento e sele\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<h3>Montagem do curr\u00edculo<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">A determina\u00e7\u00e3o desta turma \u00e9 um dos pontos-chave. CEO do&nbsp;<a href=\"https:\/\/economia.estadao.com.br\/blogs\/radar-do-emprego\/competencias-socioemocionais-sao-o-pote-de-ouro-do-novo-mercado-de-trabalho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/economia.estadao.com.br\/blogs\/radar-do-emprego\/competencias-socioemocionais-sao-o-pote-de-ouro-do-novo-mercado-de-trabalho\/&amp;source=gmail&amp;ust=1578149649849000&amp;usg=AFQjCNHExUJ1cYcQorjasg3yC3CVCHo-hA\">Instituto Proa<\/a>, que atua na forma\u00e7\u00e3o de jovens de baixa renda para o mercado de trabalho, Rodrigo Dib aponta a import\u00e2ncia de os jovens se manterem em movimento, identificando sua experi\u00eancia pr\u00e9via para montar o curr\u00edculo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEles t\u00eam essa experi\u00eancia, mas muitas vezes acham que n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida\u201d, explica. \u201cH\u00e1 uma s\u00e9rie de atividades, hist\u00f3rias e iniciativas pessoais que t\u00eam valor para o empregador, como habilidades, comportamento e resili\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Proa oferece um curso gratuito completo, com aulas t\u00e9cnicas e comportamentais, para auxiliar os alunos na constru\u00e7\u00e3o de um projeto de vida que envolve forma\u00e7\u00e3o, emprego, renda e continuidade da educa\u00e7\u00e3o. Hoje, 85% dos jovens s\u00e3o empregados p\u00f3s-curso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Neste ano, o Proa vai entrar nas salas do Ensino M\u00e9dio, sendo respons\u00e1vel pela metodologia e pelo material did\u00e1tico das aulas de constru\u00e7\u00e3o de projeto de vida que passar\u00e3o a fazer parte da grade curricular das escolas estaduais em 2020.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esta parcela de jovens entrou tamb\u00e9m no radar do&nbsp;<a href=\"https:\/\/pme.estadao.com.br\/blogs\/blog-do-empreendedor\/conexoes-transformadoras-como-o-empreendedorismo-de-impacto-pode-dar-acesso-a-empregos-para-jovens-talentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/pme.estadao.com.br\/blogs\/blog-do-empreendedor\/conexoes-transformadoras-como-o-empreendedorismo-de-impacto-pode-dar-acesso-a-empregos-para-jovens-talentos\/&amp;source=gmail&amp;ust=1578149649849000&amp;usg=AFQjCNH3oU1UIGqYzHYtxmFAUmPKIUhT-w\">Taqe, aplicativo gratuito<\/a>&nbsp;que simplifica e aprimora o processo de recrutamento unindo as duas pontas \u2013 candidatos e empresas. \u201cFunciona como um aplicativo de relacionamentos, mas voltado ao mercado de empregos\u201d, explica Renato Dias, CEO da plataforma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por meio de games e testes, o candidato elabora uma identidade profissional com aspectos que v\u00e3o al\u00e9m de forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia, como compet\u00eancias comportamentais, n\u00edvel de conhecimento em temas variados e habilidades. \u201cEstes crit\u00e9rios s\u00e3o mais objetivos para a triagem da empresa.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A cada etapa, os candidatos t\u00eam retorno do aplicativo para entender o resultado e se conhecer melhor, al\u00e9m de aulas aplic\u00e1veis que o preparam para o mercado. \u201cAo passar por um primeiro processo seletivo, mesmo que n\u00e3o seja logo escolhido, o perfil profissional dele j\u00e1 existe e ele \u00e9 avisado de todas as vagas similares, o que aumenta muito o acesso \u00e0s oportunidades.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 main-news\">\n<div id=\"pw-wpn_55_12632\" class=\"pw-container\" data-acesso=\"0\">\n<div id=\"sw-wpn_55_12632\" class=\"pw-container\">\n<div class=\"row n--noticia__body\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-content col-center \">\n<div class=\"box area-select\">\n<div class=\"n--noticia__state\">\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Bianca Zanatta, e<em>special para o Estado\/ O Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 13\/01\/2020<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jovens perif\u00e9ricos que \u2018nem trabalham nem estudam\u2019 relatam preconceito com CEP e falta de acesso a vagas, aponta estudo de impacto social; entidades criam iniciativas para inseri-los no mercado. 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