{"id":44366,"date":"2020-02-01T03:05:50","date_gmt":"2020-02-01T06:05:50","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=44366"},"modified":"2020-02-01T06:30:45","modified_gmt":"2020-02-01T09:30:45","slug":"fake-news-na-saude-uma-epidemia-de-dificil-controle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/02\/01\/fake-news-na-saude-uma-epidemia-de-dificil-controle\/","title":{"rendered":"Fake news na sa\u00fade, uma epidemia de dif\u00edcil controle"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Surtos como o do novo coronav\u00edrus chin\u00eas estimulam a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas em redes sociais e, consequentemente, aumentam a sensa\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico na popula\u00e7\u00e3o. No Brasil, doen\u00e7a j\u00e1 rendeu s\u00e9rie de boatos.<\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>As fake news encontram terreno f\u00e9rtil no p\u00e2nico causado por alertas globais de sa\u00fade, gerando uma esp\u00e9cie de epidemia de informa\u00e7\u00f5es capaz de se alastrar mais rapidamente&nbsp;que um v\u00edrus. Prova disso \u00e9 que o medo do novo coronav\u00edrus surgido na China, que se espalhou por mais de 20 pa\u00edses, j\u00e1 rendeu uma s\u00e9rie de not\u00edcias falsas compartilhadas em aplicativos de mensagem no Brasil.<\/p>\n<p>Parece \u00f3bvio, mas vale ressaltar: \u00e9 falso que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tenha orientado a popula\u00e7\u00e3o a beber \u00e1gua quente e evitar lugares fechados at\u00e9 mar\u00e7o de 2020; \u00e9 falso que o diretor do Hospital das Cl\u00ednicas emitiu alertas \u00e0 sociedade; \u00e9 falso que ch\u00e1 de erva doce tem a mesma subst\u00e2ncia do medicamento Tamiflu; \u00e9 falso que se esteja cogitando cancelar o Carnaval no Brasil por causa do surto. E essa lista de disparates n\u00e3o deve parar de aumentar.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito importante n\u00e3o passar para a frente mensagens assim. Porque \u00e9 grande o risco de criar p\u00e2nico&#8221;, diz o m\u00e9dico Angelmar Roman, pesquisador do Instituto Presbiteriano Mackenzie e professor de Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade da Faculdade Evang\u00e9lica Mackenzie do Paran\u00e1 (Fempar).<\/p>\n<p>&#8220;Sobre o atual surto, estou at\u00e9 fazendo uma cole\u00e7\u00e3o [de fake news]&#8221;, comenta ele, que destaca desde teorias da conspira\u00e7\u00e3o \u2013 como uma imagem que mostraria &#8220;milh\u00f5es de pessoas caindo nas ruas na China, e isso n\u00e3o estaria sendo divulgado&#8221; \u2013 at\u00e9 receitas mirabolantes, como &#8220;comer f\u00edgado de boi e ingerir vitamina C&#8221;, al\u00e9m de beber toda a sorte de ch\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 foi demonstrado que vitamina C n\u00e3o tem efici\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a viroses, mas se quiser tomar, n\u00e3o tem problema \u2013 s\u00f3 que \u00e9 preciso saber que isso n\u00e3o \u00e9 tratamento nem preven\u00e7\u00e3o. Ch\u00e1 de erva doce pode ser gostoso, mas \u00e9 claro que n\u00e3o tem nada a ver com medicamento&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p><strong>Mitos m\u00e9dicos<\/strong><\/p>\n<p>Roman lembra que boatarias no meio m\u00e9dico&nbsp;sempre existiram. &#8220;O problema \u00e9 que antigamente a hist\u00f3ria ficava numa conversa, numa roda de amigos. Hoje cai no WhatsApp e no Facebook e se espalha. E fica parecendo not\u00edcia, como se fosse verdade&#8221;, compara.<\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o ter limites: entre os mitos que viralizam&nbsp;est\u00e3o o de que&nbsp;tomar \u00e1gua gelada &#8220;fecha quatro veias do cora\u00e7\u00e3o e causa infarto&#8221;, e outro garantindo&nbsp;que &#8220;exerc\u00edcios com a l\u00edngua previnem Alzheimer&#8221;, bem como a indica\u00e7\u00e3o de que &#8220;quiabo cura diabetes&#8221;.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico e professor universit\u00e1rio conta que o assunto tem sido motivo de debates entre os alunos de medicina. &#8220;N\u00f3s, m\u00e9dicos, tendemos a lidar muito mal com isso. Acabamos ficando antip\u00e1ticos a esse caos de informa\u00e7\u00e3o sem a menor base e passamos a nos irritar. Isso \u00e9 ruim: afasta a possibilidade de di\u00e1logo com o paciente&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p><strong>Checagem de fatos na imprensa<\/strong><\/p>\n<p>Surtos como o do novo coronav\u00edrus chin\u00eas movimentam os n\u00facleos de checagem de fatos da imprensa. Segundo o jornalista Daniel Bramatti, editor do Estad\u00e3o Verifica, servi\u00e7o do jornal&nbsp;<em>Estado de S. Paulo<\/em>, &#8220;os boatos de sa\u00fade dependem se determinado assunto est\u00e1 ou n\u00e3o em evid\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>A responsabilidade e a complexidade de temas de sa\u00fade tornam mais dif\u00edcil o trabalho. &#8220;S\u00e3o checagens mais complexas, que exigem consulta a literatura cient\u00edfica e fontes oficiais, al\u00e9m de profissionais da \u00e1rea&#8221;, explica. &#8220;Por conta disso, tais verifica\u00e7\u00f5es costumam demorar mais.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse tipo de trabalho, Bramatti avalia que a empatia do jornalista \u00e9 fundamental. &#8220;\u00c9 preciso se colocar no lugar de quem difunde a falsa informa\u00e7\u00e3o e saber que nem sempre existe m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s do ato. Muitos s\u00f3 compartilham &#8216;dicas&#8217; por achar que est\u00e3o fazendo algo bom. E \u00e9 preciso agir com transpar\u00eancia em termos de fontes e procedimentos, dada a situa\u00e7\u00e3o de baixa credibilidade da imprensa em geral&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, nem sempre uma checagem \u00e9 bem recebida por determinados segmentos do p\u00fablico.&nbsp;O editor lembra que quando o Estad\u00e3o Verifica desmentiu um boato de que a vacina contra HPV estaria &#8220;provocando danos&#8221; em adolescentes no Acre, eles receberam uma carta de rep\u00fadio assinada por uma &#8220;associa\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas de vacinas e medicamentos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Minist\u00e9rio analisa boatos<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mant\u00e9m desde 2018 uma p\u00e1gina na internet (saude.gov.br\/fakenews) e um n\u00famero de WhatsApp (+55 (61) 99289-4640) dedicado a receber e analisar informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade \u2013 sobretudo as disseminadas via aplicativos de mensagens e grupos em redes sociais.<\/p>\n<p>De acordo com balan\u00e7o divulgado no ano passado, o servi\u00e7o recebe pouco mais de mil mensagens por m\u00eas. At\u00e9 a noite de quinta-feira (30\/01), j\u00e1 eram 14 as not\u00edcias relacionadas ao coronav\u00edrus analisadas pelo \u00f3rg\u00e3o \u2013 todas elas falsas.<\/p>\n<p>&#8220;Veicular informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade sem fundamentos \u00e9 um problema social, de fato&#8221;, define Roman. &#8220;Se o que tem ocorrido no meio pol\u00edtico [com rela\u00e7\u00e3o a dissemina\u00e7\u00e3o de fake news] j\u00e1 nos deixa muito tristes, que dir\u00e1 quando mexe com sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n<p>A receita, indica o m\u00e9dico, \u00e9 simples e definitiva: n\u00e3o repassar adiante. &#8220;Isso \u00e9 muito importante. N\u00e3o passar para a frente [esse tipo de informa\u00e7\u00e3o] \u00e9 a atitude mais higi\u00eanica, mais saud\u00e1vel, mais cidad\u00e3. N\u00e3o disseminar informa\u00e7\u00f5es equivocadas em um momento crucial como esse \u2013 para n\u00e3o aumentar o p\u00e2nico.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Contra-ataques<\/strong><\/p>\n<p>O assunto preocupa tamb\u00e9m as gigantes de tecnologia. O Twitter est\u00e1 implementando na \u00c1sia um mecanismo que redireciona o usu\u00e1rio, mediante uso de hashtags espec\u00edficas, para servi\u00e7os oficiais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Facebook divulgou um comunicado no in\u00edcio da semana esclarecendo que as informa\u00e7\u00f5es postadas na rede social sobre o coronav\u00edrus est\u00e3o sendo checadas por um cons\u00f3rcio de sete empresas parceiras \u2013 e o conte\u00fado perde relev\u00e2ncia no feed quando \u00e9 considerado falso.<\/p>\n<p>Instaurada no segundo semestre de 2019 no Congresso Nacional, a Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito que investiga &#8220;ataques cibern\u00e9ticos que atentam contra a democracia e o debate p\u00fablico&#8221; \u2013 mais conhecida como CPMI das fake news \u2013 pretende incluir a boataria da \u00e1rea de sa\u00fade no debate. A pedido dos parlamentares, t\u00e9cnicos j\u00e1 se debru\u00e7am sobre a elabora\u00e7\u00e3o de um parecer recomendando puni\u00e7\u00e3o severa a quem divulgar informa\u00e7\u00f5es mentirosas referentes ao tema.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 01\/02\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Surtos como o do novo coronav\u00edrus chin\u00eas estimulam a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas em redes sociais e, consequentemente, aumentam a sensa\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico na popula\u00e7\u00e3o. No Brasil, doen\u00e7a j\u00e1 rendeu s\u00e9rie de boatos. 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