{"id":44800,"date":"2020-02-17T02:00:11","date_gmt":"2020-02-17T05:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=44800"},"modified":"2020-02-16T19:14:01","modified_gmt":"2020-02-16T22:14:01","slug":"por-que-a-america-latina-e-a-regiao-mais-desigual-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/02\/17\/por-que-a-america-latina-e-a-regiao-mais-desigual-do-planeta\/","title":{"rendered":"Por que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 a &#8216;regi\u00e3o mais desigual do planeta&#8217;"},"content":{"rendered":"<div class=\"byline\">A Am\u00e9rica Latina \u00e9 t\u00e3o desigual que uma mulher em um bairro pobre de Santiago, capital do Chile, nasce com uma expectativa de vida 18 anos menor que outra de uma \u00e1rea rica da mesma cidade, segundo um estudo.&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Em S\u00e3o Paulo, essa l\u00f3gica tamb\u00e9m ocorre. Quem mora em Parais\u00f3polis, uma das maiores favelas da cidade, vive em m\u00e9dia 10 anos menos do que os moradores do Morumbi, bairro rico ao lado da comunidade, de acordo com o Mapa da Desigualdade, da ONG Rede Nossa S\u00e3o Paulo, que compila dados p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A grande disparidade latino-americana tamb\u00e9m envolve a cor da pele ou a etnia: em compara\u00e7\u00e3o com os brancos, os negros e ind\u00edgenas t\u00eam mais possibilidades de ser pobres e menos de conclu\u00edrem a escola ou conseguirem um emprego formal.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina foi apontada como a regi\u00e3o do mundo com a maior desigualdade de renda no relat\u00f3rio de desenvolvimento humano de 2019 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lan\u00e7ado em dezembro.<\/p>\n<p>Os 10% mais ricos da Am\u00e9rica Latina concentram uma parcela maior da renda do que qualquer outra regi\u00e3o (37%), afirmou o relat\u00f3rio. E vice-versa: os 40% mais pobres recebem a menor fatia (13%).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/122DA\/production\/_110785447_gettyimages-1182049606-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/122DA\/production\/_110785447_gettyimages-1182049606-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Proteste no Chile sob um grafite que diz &quot;Desigualdade&quot;.\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Alta desigualdade social gerou protestos recentes nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Direito de imagem AFP<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Muitos t\u00eam apontado essa desigualdade como uma das explica\u00e7\u00f5es para a onda de protestos que varreu recentemente alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, como Chile, Peru e Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os econ\u00f4micos e sociais nos primeiros anos deste s\u00e9culo, a Am\u00e9rica Latina ainda \u00e9 &#8220;a regi\u00e3o mais desigual do planeta&#8221;, alertou a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) em v\u00e1rias ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, ent\u00e3o, \u00e9 por que esse cen\u00e1rio ainda continua.<\/p>\n<p>A resposta, segundo historiadores, economistas e soci\u00f3logos, come\u00e7a alguns s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Pode-se dizer que o passado colonial criou as condi\u00e7\u00f5es para a desigualdade&#8221;, diz \u00e0 Joseph Stiglitz, Pr\u00eamio Nobel de Economia, \u00e0 BBC News Mundo, servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Uma hist\u00f3ria antiga<\/h2>\n<p>Segundo Stiglitz, a explora\u00e7\u00e3o dos colonizadores semeou a desigualdade na Am\u00e9rica Latina, bem como a distribui\u00e7\u00e3o desigual de terras nas economias agr\u00e1rias contribuiu para &#8220;a cria\u00e7\u00e3o de algumas fam\u00edlias muito ricas e muitas fam\u00edlias muito pobres&#8221;.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, assim como nos Estados Unidos, um grande elemento racial desempenhou um papel em pelo menos uma dimens\u00e3o da desigualdade&#8221;, diz o ex-economista-chefe do Banco Mundial e atual professor da Universidade de Columbia, em Nova York.<\/p>\n<p>E isso parece longe de ser apenas uma quest\u00e3o do passado.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a incid\u00eancia de pobreza \u00e9 ainda maior nas \u00e1reas rurais, e entre ind\u00edgenas e negros, afirmou a Cepal em relat\u00f3rio de 2019 sobre o cen\u00e1rio social da regi\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/170FA\/production\/_110785449_gettyimages-1074702500-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/170FA\/production\/_110785449_gettyimages-1074702500-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mulheres ind\u00edgenas na Guatemala.\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o especialmente afetadas pela pobreza e pela desigualdade. Direito de imagem AFP<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>De acordo com o documento, embora tenha havido uma leve redu\u00e7\u00e3o recente, a taxa de pobreza dos ind\u00edgenas em 2018 foi de 49%, o dobro do registrado para a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ind\u00edgena nem negra. E a taxa de extrema pobreza alcan\u00e7ou o triplo (18%).<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, os ind\u00edgenas representam aproximadamente 15% da popula\u00e7\u00e3o, e quase tr\u00eas quartos deles vivem na pobreza. Um estudo da organiza\u00e7\u00e3o Oxfam indicou, em agosto, que 43% dos indiv\u00edduos que falam um idioma nativo n\u00e3o conclu\u00edram o ensino fundamental, e apenas 10% t\u00eam trabalho formal ou \u00e9 empregador.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3B49\/production\/_110677151_gettyimages-958599358.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3B49\/production\/_110677151_gettyimages-958599358.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Ciudad Bol\u00edvar, Bogot\u00e1.\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nascer em um bairro rico ou pobre da Am\u00e9rica Latina pode mudar a expectativa de vida em v\u00e1rios anos. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">C\u00edrculo vicioso<\/h2>\n<p>Existem outros fatores por tr\u00e1s do abismo social na Am\u00e9rica Latina, que carrega a reputa\u00e7\u00e3o de regi\u00e3o &#8220;mais desigual&#8221; desde os anos 1980.<\/p>\n<p>Hoje, a regi\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma das mais urbanizadas do mundo. As r\u00e1pidas migra\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o rural para as cidades, por\u00e9m, ocorreram no \u00faltimo meio s\u00e9culo de maneira desordenada.<\/p>\n<p>Em muitas \u00e1reas de expans\u00e3o das cidades, o Estado n\u00e3o foi eficiente em promover servi\u00e7os p\u00fablicos como educa\u00e7\u00e3o ou sa\u00fade.<\/p>\n<p>Um estudo publicado pela revista&nbsp;<i>The Lancet<\/i>&nbsp;em dezembro descobriu grandes diferen\u00e7as na expectativa de vida nas cidades da Am\u00e9rica Latina. E essas lacunas dependem, por exemplo, do bairro onde as pessoas moram: se ele for mais pobre, a tend\u00eancia \u00e9 de que seus moradores vivam menos do que os habitantes de regi\u00f5es mais ricas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9826\/production\/_99005983_josephstiglitz2getty.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9826\/production\/_99005983_josephstiglitz2getty.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Joseph Stiglitz\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Joseph Stiglitz ressalta que &#8216;um alto n\u00edvel de desigualdade econ\u00f4mica cria sistemas pol\u00edticos que ajudam a perpetuar essa economia&#8217;. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Em Santiago, as mulheres mais pobres vivem quase 20 anos a menos que as mais ricas. Na Cidade do M\u00e9xico, os homens de bairros mais pobres morrem 11 anos antes que os mais ricos.<\/p>\n<p>Stiglitz, que escreveu v\u00e1rios livros sobre desigualdade, observa &#8220;um c\u00edrculo vicioso&#8221; na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Um alto n\u00edvel de desigualdade econ\u00f4mica cria sistemas pol\u00edticos que ajudam a perpetuar essa economia&#8221;, explica. &#8220;Ent\u00e3o esses sistemas n\u00e3o investem muito em educa\u00e7\u00e3o, por exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m afirma que economias baseadas em recursos naturais, como as da Am\u00e9rica Latina, tendem a ser caracterizadas pela desigualdade. &#8220;A riqueza do continente vem da renda associada aos recursos naturais&#8221;, explica. &#8220;E, na sociedade, h\u00e1 uma briga por quem recebe a renda.&#8221;<\/p>\n<p>No entanto, outros pa\u00edses ricos em recursos naturais, como a Noruega ou a Austr\u00e1lia, escapam dos grandes problemas da desigualdade latino-americana.<\/p>\n<p>A chave nesses casos, dizem os especialistas, \u00e9 ter institui\u00e7\u00f5es que permitam um gerenciamento mais eficiente das receitas para impulsionar o desenvolvimento. E isso tamb\u00e9m \u00e9 escasso na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/59C3\/production\/_110797922_gettyimages-1186794238.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/59C3\/production\/_110797922_gettyimages-1186794238.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Manifestante no Chile\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Milh\u00f5es de pessoas protestaram no Chile nos \u00faltimos meses contra a desigualdade. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Fim da festa<\/h2>\n<p>As evid\u00eancias mostram que as classes m\u00e9dias latino-americanas pagam mais impostos do que recebem em servi\u00e7os sociais como educa\u00e7\u00e3o ou sa\u00fade. Em resposta, elas recorrem a provedores privados, o que tende a aumentar a desigualdade, segundo o relat\u00f3rio do PNUD sobre desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>&#8220;Uma resposta natural seria recolher mais recursos dos mais ricos. Mas esses grupos, embora sejam minorit\u00e1rios, costumam ser um obst\u00e1culo \u00e0 expans\u00e3o dos servi\u00e7os universais, usando seu poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico por meio de mecanismos estruturais e instrumentais&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas tribut\u00e1rias s\u00e3o uma fonte fundamental desses problemas.<\/p>\n<p>Comparados a outros pa\u00edses em desenvolvimento, os sistemas tribut\u00e1rios latino-americanos tendem a ter uma parcela maior de impostos indiretos (sobre consumo), que favorecem menos a igualdade do que os impostos diretos (sobre renda ou propriedade).<\/p>\n<p>Assim, impostos e transfer\u00eancias diretas reduzem muito mais o coeficiente de desigualdade nas economias avan\u00e7adas do que nas economias emergentes e em desenvolvimento, &#8220;incluindo pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina com algumas das maiores desigualdades de renda do mundo&#8221;, alertou no mesmo relat\u00f3rio David Coady, do departamento de assuntos tribut\u00e1rios do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1192B\/production\/_110797917_gettyimages-640054262-6.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1192B\/production\/_110797917_gettyimages-640054262-6.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Honduras\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Honduras \u00e9 um dos pa\u00edses mais desiguais da Am\u00e9rica Latina. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Apesar de tudo isso, cerca de 100 milh\u00f5es de latino-americanos sa\u00edram da pobreza entre as d\u00e9cadas de 1990 e 2000, com base em programas sociais e pol\u00edticas salariais em meio ao boom das commodities.<\/p>\n<p>A desigualdade estrutural nesse per\u00edodo, no entanto, variou muito pouco.<\/p>\n<p>E a disparidade de renda em pa\u00edses como Brasil, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia ou Chile ofuscou os recentes avan\u00e7os no \u00edndice de desenvolvimento humano da ONU, que inclui vari\u00e1veis \u200b\u200bcomo expectativa de vida ou qualidade da educa\u00e7\u00e3o. No ano passado, a Venezuela, Nicar\u00e1gua e Argentina tiveram recuos, mergulhando os pa\u00edses ainda mais em suas crises pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ap\u00f3s o boom econ\u00f4mico, a taxa de pobreza na Am\u00e9rica Latina aumentou de 28%, em 2014, para 31% no ano passado, segundo dados da Cepal. Do total de pobres que a regi\u00e3o &#8220;ganhou&#8221; nos \u00faltimos cinco anos, 26 milh\u00f5es sofrem com a pobreza extrema, sendo o Brasil a principal fonte desse retrocesso.<\/p>\n<p>Em meio a esse panorama, a inquieta\u00e7\u00e3o social foi expressa recentemente atrav\u00e9s de votos contra os governo atuais em todo o subcontinente e, principalmente, com fortes protestos de rua em pa\u00edses como Chile, Col\u00f4mbia ou Equador.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um protesto generalizado contra aqueles que est\u00e3o governando&#8221;, diz Nora Lustig, profesdora de economia na Universidade de Tulane (EUA) e diretora do Instituto do Compromisso com a Igualdade. &#8220;Combina-se o fim da festa para todos com uma situa\u00e7\u00e3o em que a distribui\u00e7\u00e3o de renda come\u00e7a a piorar novamente.&#8221;<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Gerardo Lissardy d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Mundo em Nova York &#8211; dsipon\u00edvel na internet 17\/02\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 t\u00e3o desigual que uma mulher em um bairro pobre de Santiago, capital do Chile, nasce com uma expectativa de vida 18 anos menor que outra de uma \u00e1rea rica da mesma cidade, segundo um estudo.&nbsp;&nbsp; &nbsp; Em S\u00e3o Paulo, essa l\u00f3gica tamb\u00e9m ocorre. 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