{"id":44934,"date":"2020-02-21T03:20:11","date_gmt":"2020-02-21T06:20:11","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=44934"},"modified":"2020-02-21T06:59:27","modified_gmt":"2020-02-21T09:59:27","slug":"decada-perdida-por-que-mesmo-com-juro-baixo-e-dolar-alto-a-industria-brasileira-continua-em-recessao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/02\/21\/decada-perdida-por-que-mesmo-com-juro-baixo-e-dolar-alto-a-industria-brasileira-continua-em-recessao\/","title":{"rendered":"D\u00e9cada perdida: por que, mesmo com juro baixo e d\u00f3lar alto, a ind\u00fastria brasileira continua em recess\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Desde que o d\u00f3lar come\u00e7ou a subir, em meados do ano passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem repetido que o c\u00e2mbio desvalorizado \u00e9 o &#8220;novo normal&#8221; no Brasil.<\/p>\n<p>Mais que isso, disse que &#8220;\u00e9 bom pra todo mundo&#8221; \u2014 como ressaltou no epis\u00f3dio pol\u00eamico em que comentou que o \u00faltimo ciclo de real forte &#8220;era uma festa danada&#8221;, com &#8220;empregada dom\u00e9stica indo para a Disney&#8221;.<\/p>\n<p>O d\u00f3lar ultrapassou a barreira de R$ 4 em meados de agosto do ano passado e, desde ent\u00e3o, poucas vezes recuou desse patamar. Pelo contr\u00e1rio, nas \u00faltimas semanas ele tem batido recordes e chegou a R$ 4,39 no preg\u00e3o de quinta (20\/02).<\/p>\n<p>Para a ind\u00fastria, entretanto, que em tese se beneficiaria do c\u00e2mbio desvalorizado \u2014 que deixaria os produtos brasileiros mais baratos l\u00e1 fora \u2014, o d\u00f3lar mais caro n\u00e3o impediu que a produ\u00e7\u00e3o recuasse em 2019.<\/p>\n<p>A queda de 1,1% levou a produ\u00e7\u00e3o industrial ao mesmo n\u00edvel registrado em junho de 2004, 15 anos atr\u00e1s, de acordo com os c\u00e1lculos do economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs.<\/p>\n<p>No acumulado entre 2011 e 2019, a queda \u00e9 de quase 15%.<\/p>\n<div class=\"idt2\">\n<div data-idt-uuid=\"ef5fdeb3-42a7-492a-9d75-59401c8e8bb9\">\n<div class=\"VegaGraphic__GraphicContainer-hdlj7c-0 hTNBbR renderReady\" dir=\"ltr\" data-graphicuuid=\"ef5fdeb3-42a7-492a-9d75-59401c8e8bb9\">\n<h2 class=\"components__EditorialTitle-s4q8aoa-4 bCwWpe\">Produ\u00e7\u00e3o industrial<\/h2>\n<p class=\"components__EditorialSubtitle-s4q8aoa-5 YjuiG\">Varia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior &#8211; em %<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-1.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-44935 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-1.png?resize=696%2C440\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-1.png?w=886&amp;ssl=1 886w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-1.png?resize=300%2C190&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-1.png?resize=768%2C485&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-1.png?resize=696%2C440&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-1.png?resize=665%2C420&amp;ssl=1 665w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><\/p>\n<div>Fonte: PIM-PF\/IBGE<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ainda que em 2020 o setor reaja e o resultado seja positivo, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para evitar que esta seja uma &#8220;d\u00e9cada perdida&#8221; para a ind\u00fastria, ressalta o economista Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).<\/p>\n<p>Um levantamento feito pelo pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Marcel Balassiano a pedido da BBC News Brasil, com dados dos 14 Estados que comp\u00f5em a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, mostra que em 11 a produ\u00e7\u00e3o recuou entre 2011 e 2019.<\/p>\n<p>A pior situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a do Esp\u00edrito Santo (-35,2%) e de Minas Gerais (-27%), onde o desempenho do setor \u00e9 bastante dependente da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia vem S\u00e3o Paulo, dono do maior parque industrial do pa\u00eds, com perda acumulada de 20%, queda maior que a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Os \u00fanicos Estados que conseguiram crescer no acumulado dos 9 anos desta d\u00e9cada que se encerra em 2020 foram Mato Grosso (16,3%), Goi\u00e1s (17,6%) e Par\u00e1 (50,8%).<\/p>\n<div class=\"idt2\">\n<div data-idt-uuid=\"1277e18c-132e-4887-8921-92d93d1e1439\">\n<div class=\"VegaGraphic__GraphicContainer-hdlj7c-0 hTNBbR renderReady\" dir=\"ltr\" data-graphicuuid=\"1277e18c-132e-4887-8921-92d93d1e1439\">\n<h2 class=\"components__EditorialTitle-s4q8aoa-4 bCwWpe\">Produ\u00e7\u00e3o industrial por Estado<\/h2>\n<p class=\"components__EditorialSubtitle-s4q8aoa-5 YjuiG\">Varia\u00e7\u00e3o acumulada entre 2011 e 2019 &#8211; em %*<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-2.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-44936 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-2.png?resize=696%2C440\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-2.png?w=886&amp;ssl=1 886w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-2.png?resize=300%2C190&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-2.png?resize=768%2C485&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-2.png?resize=696%2C440&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-2.png?resize=665%2C420&amp;ssl=1 665w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a>*Dados dessazonalizados<\/p>\n<div>Fonte: IBGE | Elabora\u00e7\u00e3o: Marcel Balassiano\/FGV<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">D\u00f3lar alto ajuda ou atrapalha?<\/h2>\n<p>A ind\u00fastria brasileira exporta pouco. Mais da metade de tudo o que o Brasil vende para fora s\u00e3o produtos b\u00e1sicos \u2014 52% em 2019. Outros 12,6% s\u00e3o semimanufaturados e 34,5%, manufaturados.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o setor tem importado cada vez mais. Se n\u00e3o produtos acabados, partes e pe\u00e7as que v\u00e3o compor as mercadorias.<\/p>\n<p>Um&nbsp;estudo realizado pelo Banco Central&nbsp;e divulgado em mar\u00e7o do ano passado mostrou que, entre 2002 e 2013, quando o real ganhou for\u00e7a e o d\u00f3lar ficou mais barato, as importa\u00e7\u00f5es chegaram a representar 20,3% do consumo aparente da ind\u00fastria nacional (que soma a produ\u00e7\u00e3o destinada ao mercado dom\u00e9stico e as importa\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Esse percentual chegou a cair durante a crise, mas voltou a subir com a recupera\u00e7\u00e3o (ainda que lenta) da economia e, em 2018, voltou ao patamar de 20%.<\/p>\n<p>Isso quer dizer que, para parte da ind\u00fastria, o d\u00f3lar mais caro representa um aumento de custos.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, de uma das maiores empresas de eletrodom\u00e9sticos brasileiras, a Mondial.<\/p>\n<p>Os importados representam cerca de 40% do que a marca comercializa, diz Giovanni Marins Cardoso, s\u00f3cio-fundador da companhia. Al\u00e9m disso, a moeda americana afeta direta ou indiretamente os pre\u00e7os de cerca de 80% da mat\u00e9ria-prima utilizada na linha de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o eu prefiro o d\u00f3lar mais baixo&#8221;, diz o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>A Mondial tem centros de desenvolvimento de produtos dentro e fora do Brasil \u2014 dois na China, nas cidades de Guangzhou e Ningbo.<\/p>\n<p>A escolha do que vai ser produzido no pa\u00eds asi\u00e1tico e o que fica a cargo das unidades brasileiras (localizadas na Bahia e em Manaus) n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de pre\u00e7o, diz Cardoso, mas tamb\u00e9m de escala \u2014 ou seja, a possibilidade de produzir os volumes que a empresa precisa no per\u00edodo em que precisa.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre que a Mondial vai lan\u00e7ar um produto novo, a gente se pergunta: \u00e9 vi\u00e1vel produzir no Brasil? Se n\u00e3o for, produzimos l\u00e1 fora.&#8221;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de boa parte do setor, a fabricante n\u00e3o viu o faturamento cair durante a crise \u2014 segundo Cardoso, as vendas crescem de forma cont\u00ednua desde a funda\u00e7\u00e3o, no ano 2000, em parte porque a marca vem ganhando mais participa\u00e7\u00e3o no mercado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Uma barreira contra os importados<\/h2>\n<p>J\u00e1 a Toledo do Brasil, l\u00edder no mercado de balan\u00e7as, viveu cada uma das etapas do ciclo de recess\u00e3o \u2014 e tem conseguido se recuperar.<\/p>\n<p>Depois de um ano forte em 2013, quando a empresa chegou a faturar quase R$ 430 milh\u00f5es, veio o que o diretor e vice-presidente, Edson Jos\u00e9 Freire, chama de &#8220;crise da Dilma&#8221;, com infla\u00e7\u00e3o e juros altos.<\/p>\n<p>Em 2015, os gestores, &#8220;at\u00f4nitos&#8221;, resolveram esperar. Depois de o PIB recuar 3,8% naquele ano, contudo, em 2016 a companhia reduziu sal\u00e1rios e jornada por 9 meses para tentar segurar os funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como a economia n\u00e3o deu sinais claros de retomada, o ano seguinte foi de &#8220;fortes ajustes&#8221;. A Toledo chegou a demitir algo entre 25% e 30% dos 1,8 mil empregados, eliminou n\u00edveis gerenciais, reformulou as \u00e1reas de supervis\u00e3o e engenharia.<\/p>\n<p>Hoje, s\u00e3o 1.350, entre t\u00e9cnicos, funcion\u00e1rios da \u00e1rea administrativa e na f\u00e1brica em S\u00e3o Bernardo do Campo (SP).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\">&nbsp;<\/span><\/figure>\n<p>&#8220;Aproveitamos para arrumar a casa e nos prepararmos para voltar a crescer.&#8221;<\/p>\n<p>Os dois \u00faltimos anos foram de &#8220;forte recupera\u00e7\u00e3o&#8221;, puxada em parte pelo desempenho positivo do setor agr\u00edcola, que responde por um ter\u00e7o das vendas, e pela retomada do emprego, que tem estimulado o varejo, respons\u00e1vel por mais um ter\u00e7o do faturamento.<\/p>\n<p>Em 2019, o faturamento chegou a R$ 469 milh\u00f5es \u2014 se considerada a infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, a empresa hoje est\u00e1 pr\u00f3xima do n\u00edvel &#8220;pr\u00e9-crise&#8221;, registrado em 2013.<\/p>\n<p>Cerca de 40% de tudo o que a f\u00e1brica consome \u00e9 importado. Assim, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real tamb\u00e9m acaba elevando o custo dos produtos.<\/p>\n<p>Ainda assim, Freire afirma que o &#8220;c\u00e2mbio um pouco depreciado \u00e9 bom&#8221;, porque onera os produtos importados \u2014 e o mercado de balan\u00e7as enfrenta forte concorr\u00eancia de mercadorias vindas de fora.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Motores da exporta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O mesmo estudo do Banco Central que apontou que o coeficiente de penetra\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es voltou ao n\u00edvel de 20% destaca que &#8220;o coeficiente de exporta\u00e7\u00e3o n\u00e3o apresenta resposta significativa ao c\u00e2mbio&#8221;.<\/p>\n<p>Ou seja, no per\u00edodo estudado, o c\u00e2mbio n\u00e3o foi uma vari\u00e1vel relevante para impulsionar ou desacelerar as exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Por outro lado, o crescimento da economia mundial alavanca as exporta\u00e7\u00f5es&#8221;, acrescenta o texto.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica explicaria porque as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras recuaram 5,8% em 2019, apesar do d\u00f3lar mais caro.<\/p>\n<div class=\"idt2\">\n<div data-idt-uuid=\"57383134-4beb-4693-8be1-a11385da6a20\">\n<div class=\"VegaGraphic__GraphicContainer-hdlj7c-0 hTNBbR renderReady\" dir=\"ltr\" data-graphicuuid=\"57383134-4beb-4693-8be1-a11385da6a20\">\n<h2 class=\"components__EditorialTitle-s4q8aoa-4 bCwWpe\">Exporta\u00e7\u00f5es brasileiras<\/h2>\n<p class=\"components__EditorialSubtitle-s4q8aoa-5 YjuiG\">Entre 2011 e 2019<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-44937 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=696%2C480\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?w=886&amp;ssl=1 886w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=300%2C207&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=768%2C530&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=218%2C150&amp;ssl=1 218w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=436%2C300&amp;ssl=1 436w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=696%2C480&amp;ssl=1 696w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=609%2C420&amp;ssl=1 609w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/transferir-3.png?resize=100%2C70&amp;ssl=1 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"VegaGraph__VegaContainer-s1vljnmg-0 fMcNIw\" data-vegacontainer=\"true\">\n<div class=\"vega-bindings\">Fonte: Minist\u00e9rio da Economia<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No ano passado, al\u00e9m do arrefecimento do com\u00e9rcio global como um todo, por conta da guerra comercial entre EUA e China, a crise na Argentina, principal comprador de bens manufaturados brasileiros, se aprofundou.<\/p>\n<p>O &#8220;efeito Argentina&#8221; foi sentido n\u00e3o apenas pelo segmento automotivo, mas por toda a cadeia de bens intermedi\u00e1rios, partes e pe\u00e7as exportadas pelo Brasil e que s\u00e3o usadas pela ind\u00fastria do vizinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, o segmento de bens intermedi\u00e1rios registrou a maior queda na produ\u00e7\u00e3o entre as grandes categorias (que incluem bens de capital, bens de consumo dur\u00e1veis etc), de 2,2%, o dobro do total.<\/p>\n<div class=\"idt2\">\n<div data-idt-uuid=\"9fd075b8-fc1a-4122-b441-7248078e9da7\">\n<div class=\"VegaGraphic__GraphicContainer-hdlj7c-0 hTNBbR renderReady\" dir=\"ltr\" data-graphicuuid=\"9fd075b8-fc1a-4122-b441-7248078e9da7\">\n<h2 class=\"components__EditorialTitle-s4q8aoa-4 bCwWpe\">Desempenho da ind\u00fastria em 2019<\/h2>\n<p class=\"components__EditorialSubtitle-s4q8aoa-5 YjuiG\">Por categoria &#8211; varia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior<\/p>\n<div class=\"VegaGraph__VegaContainer-s1vljnmg-0 fMcNIw\" data-vegacontainer=\"true\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"vega-bindings\">&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<div>Fonte: PIM-PF\/IBGE<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Mesmo nesse cen\u00e1rio, uma parte da ind\u00fastria comemora o &#8220;novo normal&#8221; do c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do setor cal\u00e7adista, que j\u00e1 tem alguma inser\u00e7\u00e3o internacional e utiliza muita mat\u00e9ria-prima local.<\/p>\n<p>Para a Ferracini, do polo de Franca (SP), a moeda americana valorizada d\u00e1 \u00e0 empresa mais margem de negocia\u00e7\u00e3o frente a &#8220;competidores de peso, como China, Portugal e Vietn\u00e3&#8221;, diz Roberto Barbosa, diretor comercial da companhia.<\/p>\n<p>Cerca de 20% das vendas hoje s\u00e3o para o exterior.<\/p>\n<p>Para aproveitar o ganho de competitividade e tentar aumentar essa participa\u00e7\u00e3o, a empresa se prepara para tirar certifica\u00e7\u00e3o halal, de olho em um mercado que considera importante na Europa e na Am\u00e9rica do Norte \u2014 a chamada gera\u00e7\u00e3o M, os&nbsp;<i>millennials<\/i>&nbsp;mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mais emprego, mais informalidade<\/h2>\n<p>O mercado interno tem ajudado a ind\u00fastria, especialmente a de bens de consumo, mas esse efeito benigno \u00e9 limitado pela qualidade dos empregos gerados pelo pa\u00eds, ressalta o economista Nelson Marconi, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da taxa de desemprego tem se dado em parte \u00e0 custa da gera\u00e7\u00e3o de vagas mais prec\u00e1rias, informais ou por conta pr\u00f3pria (categoria em que est\u00e3o, por exemplo, os motoristas e entregadores de aplicativo).<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos sal\u00e1rios muitas vezes menores, quem trabalha sem carteira assinada tem acesso mais dif\u00edcil a cr\u00e9dito \u2014 ou tem acesso a taxas de juros mais altas.<\/p>\n<p>Balassiano, da FGV, calcula que cerca de 60% da for\u00e7a de trabalho no Brasil esteja em &#8220;uma situa\u00e7\u00e3o mais prec\u00e1ria do mercado de trabalho&#8221;.<\/p>\n<p>Levando-se em considera\u00e7\u00e3o a m\u00e9dia de 2019, s\u00e3o 67,4 milh\u00f5es de brasileiros \u2014 que est\u00e3o desempregados (11,6 milh\u00f5es), na informalidade (41,2 milh\u00f5es), que trabalham menos do que gostariam ou precisariam (6,8 milh\u00f5es), que est\u00e3o desalentados (4,6 milh\u00f5es) ou que gostariam de trabalhar, mas que estavam impedidos de procurar (3,2 milh\u00f5es), como as mulheres que t\u00eam de ficar em casa com os filhos porque n\u00e3o conseguem uma vaga na creche.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Juros e incerteza<\/h2>\n<p>Os juros em m\u00ednimas hist\u00f3ricas, por sua vez, ainda n\u00e3o alavancaram os investimentos \u2014 na ind\u00fastria ou na economia por um todo.<\/p>\n<p>Para Cagnin, do Iedi, o impacto sobre o setor da mudan\u00e7a no patamar dos juros tem sido lento, entre outras raz\u00f5es porque as taxas aos consumidores e empresas n\u00e3o baixaram no mesmo ritmo da Selic e porque as companhias est\u00e3o se adaptando a uma nova realidade, com menor participa\u00e7\u00e3o do financiamento p\u00fablico, com a reformula\u00e7\u00e3o do BNDES, e maior participa\u00e7\u00e3o do privado.<\/p>\n<p>&#8220;As empresas est\u00e3o aprendendo a captar (com) deb\u00eantures&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>Balassiano acrescenta ainda o n\u00edvel elevado de incerteza \u2014 dentro e fora do pa\u00eds \u2014, que estimula as empresas a manterem os projetos de investimento na gaveta mesmo com as taxas de juros mais baixas.<\/p>\n<p>O \u00faltimo Indicador de Incerteza da Economia da FGV, de janeiro deste ano, cresceu e chegou a 112,9 pontos, n\u00edvel historicamente elevado (acima de 110).<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Camilla Veras Mota d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 21\/02\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que o d\u00f3lar come\u00e7ou a subir, em meados do ano passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem repetido que o c\u00e2mbio desvalorizado \u00e9 o &#8220;novo normal&#8221; no Brasil. Mais que isso, disse que &#8220;\u00e9 bom pra todo mundo&#8221; \u2014 como ressaltou no epis\u00f3dio pol\u00eamico em que comentou que o \u00faltimo ciclo de real [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":44938,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-44934","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/images-4.jpg?fit=300%2C168&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44934\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44938"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}