{"id":4630,"date":"2016-08-11T00:03:45","date_gmt":"2016-08-11T03:03:45","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=4630"},"modified":"2016-08-10T17:27:09","modified_gmt":"2016-08-10T20:27:09","slug":"a-lava-jato-chegou-ao-psdb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2016\/08\/11\/a-lava-jato-chegou-ao-psdb\/","title":{"rendered":"A Lava-Jato chegou ao PSDB."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Depois da Olimp\u00edada come\u00e7ar\u00e1 a maratona da mem\u00f3ria e da contabilidade da OAS e da Odebrecht.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o de que em 2010 a Odebrecht botou R$ 23 milh\u00f5es (sem nota fiscal) na caixa da campanha presidencial de Jos\u00e9 Serra levou a Lava-Jato para a porta do PSDB. H\u00e1 pelo menos dois meses sabia-se que isso aconteceria, assim como se sabe que a OAS repetir\u00e1 a dose. Nos dois casos, as den\u00fancias s\u00f3 ficar\u00e3o de p\u00e9 se vierem acompanhadas de demonstrativos das movimenta\u00e7\u00f5es financeiras. Vinte e tr\u00eas milh\u00f5es n\u00e3o eram um trocado. Equivaliam a dez vezes o que a empreiteira declarou oficialmente e a 20% do custo total da campanha estimado pela tesouraria do PSDB semanas antes do pleito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A colabora\u00e7\u00e3o dos empreiteiros poder\u00e1 trazer de volta ao cen\u00e1rio um personagem que assombrou o tucanato durante a campanha de 2010. \u00c9 Paulo Vieira de Souza, um ex-diretor da Dersa, a estatal paulista de rodovias. Engenheiro respeitado, era um destacado negociador de contratos com empreiteiras. Ele tamb\u00e9m era conhecido como \u201cPaulo Preto\u201d e foi \u201ccripticamente\u201d mencionado por Dilma Roussef durante um debate da campanha. No serpent\u00e1rio tucano, acusavam-no de ter sumido com R$ 4 milh\u00f5es do partido. Em tr\u00eas ocasi\u00f5es, a bancada do PSDB evitou que ele depusesse a uma comiss\u00e3o da Assembleia sobre os custos de obras rodovi\u00e1rias. Vieira de Souza chegou a se queixar dos tucanos \u201cingratos\u201d e \u201cincompetentes\u201d, pois n\u00e3o se deixa \u201cum l\u00edder ferido na estrada a troco de nada\u201d. A chaga cicatrizou, mas ser\u00e1 reaberta se algum executivo de empreiteira mencionar o seu nome na colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PSDB governa S\u00e3o Paulo desde 1995 e Geraldo Alckmin \u00e9 o cidad\u00e3o que esteve por mais tempo na cadeira de Prudente de Moraes, Campos Salles e Rodrigues Alves. Essa longevidade, mesmo derivando de elei\u00e7\u00f5es competitivas, d\u00e1 ao tucanato uma aura de Rep\u00fablica Velha, com o inevit\u00e1vel cansa\u00e7o dos materiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2008, quando a Siemens alem\u00e3 demitiu o presidente de sua filial brasileira \u201cpor grave contraven\u00e7\u00e3o das diretrizes\u201d da empresa, as administra\u00e7\u00f5es tucanas s\u00e3o perseguidas por den\u00fancias de irregularidades na contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e equipamentos em obras de transporte p\u00fablico. A Siemens colaborou com o Minist\u00e9rio P\u00fablico quando a express\u00e3o \u201cdela\u00e7\u00e3o premiada\u201d ainda era pouco conhecida e fez isso a partir de uma reviravolta na pol\u00edtica de sua matriz. Nada a ver com as implic\u00e2ncias locais, inclusive porque a den\u00fancia veio da uma reportagem do \u201cThe Wall Street Journal\u201d. Procuradores su\u00ed\u00e7os remeteram ao Brasil documentos que comprovavam o pagamento de propinas, e um dos fornecedores de equipamentos, a francesa Alstom, tornou-se sin\u00f4nimo da pr\u00f3pria encrenca. Ela compartilhava os cons\u00f3rcios de obras de linhas do metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo com as empreiteiras Odebrecht, OAS, Camargo Corr\u00eaa, Andrade Gueierrez e Queiroz Galv\u00e3o. Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico da Su\u00ed\u00e7a, entre 1998 e 2001, a Alstom aspergiu US$ 34 milh\u00f5es na burocracia paulista sob a forma de contratos fict\u00edcios de consultoria. \u00c0 primeira vista, esses malfeitos seriam semelhantes, em ponto menor, \u00e0s petrorroubalheiras petistas. O que diferencia as duas investiga\u00e7\u00f5es \u00e9 o resultado. Em menos dois anos, a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato j\u00e1 condenou 57 r\u00e9us a 680 anos de pris\u00e3o. A investiga\u00e7\u00e3o paulista completou oito anos, sem maiores resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cr\u00e9dito: Artigo publicado dia 10\/08\/2016 na Coluna do <em>Elio Gaspari<\/em><em> do <\/em>Jornal O Globo \u2013 dispon\u00edvel na web 11\/08\/2016<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da Olimp\u00edada come\u00e7ar\u00e1 a maratona da mem\u00f3ria e da contabilidade da OAS e da Odebrecht. A revela\u00e7\u00e3o de que em 2010 a Odebrecht botou R$ 23 milh\u00f5es (sem nota fiscal) na caixa da campanha presidencial de Jos\u00e9 Serra levou a Lava-Jato para a porta do PSDB. 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