{"id":48117,"date":"2020-05-11T03:30:49","date_gmt":"2020-05-11T06:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=48117"},"modified":"2020-05-10T20:50:47","modified_gmt":"2020-05-10T23:50:47","slug":"crise-e-coronavirus-v-u-ou-w-os-3-cenarios-possiveis-para-a-recuperacao-economica-apos-a-pandemia-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/05\/11\/crise-e-coronavirus-v-u-ou-w-os-3-cenarios-possiveis-para-a-recuperacao-economica-apos-a-pandemia-de-covid-19\/","title":{"rendered":"Crise e coronav\u00edrus: V, U ou W, os 3 cen\u00e1rios poss\u00edveis para a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ap\u00f3s a pandemia de covid-19"},"content":{"rendered":"<div class=\"byline\">\n<p class=\"story-body__introduction\">A pandemia de covid-19 est\u00e1 gestando uma recess\u00e3o que j\u00e1 foi batizada pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) de &#8220;o Grande Confinamento&#8221;. E parece haver um consenso de que ser\u00e1 a maior crise econ\u00f4mica desde a Grande Depress\u00e3o de 1929. A pergunta que se fazem os economistas \u00e9: qual forma essa crise ter\u00e1?<\/p>\n<p>Economistas costumam recorrer ao alfabeto para explicar visualmente como preveem a recupera\u00e7\u00e3o de uma economia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma boa simplifica\u00e7\u00e3o e uma maneira muito gr\u00e1fica de dizer qual estilo acreditamos que ter\u00e1 a recess\u00e3o&#8221;, diz \u00e0 BBC News Mundo (servi\u00e7o em espanhol da BBC) Jos\u00e9 Tessada, diretor da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade Cat\u00f3lica do Chile.<\/p>\n<p>Algumas das letras mais comumente usadas, explica Tessada, s\u00e3o V, W e U.<\/p>\n<p>E elas ajudam o p\u00fablico a visualizar o gr\u00e1fico da taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ao longo do tempo.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\">\n<aside class=\"parrot\" role=\"region\" aria-label=\"Talvez tamb\u00e9m te interesse\">H\u00e1 diferentes conceitos sobre o que \u00e9 uma recess\u00e3o. Nos EUA, o Escrit\u00f3rio de de Pesquisas Econ\u00f4micas (NBER, na sigla em ingl\u00eas) fala de recess\u00e3o quando h\u00e1 uma queda &#8220;significativa&#8221; da atividade econ\u00f4mica ao longo de &#8220;alguns meses&#8221; e que se reflita no PIB real, nos sal\u00e1rios, nos empregos, na produ\u00e7\u00e3o industrial e no com\u00e9rcio.<\/aside>\n<\/div>\n<p>Em geral, por\u00e9m, a defini\u00e7\u00e3o predominante \u00e9 de que uma economia entra em recess\u00e3o quando acumula dois trimestres consecutivos de queda no PIB.<\/p>\n<figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/16E0A\/production\/_111760739_gettyimages-1219685901.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/16E0A\/production\/_111760739_gettyimages-1219685901.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"wall street\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A previs\u00e3o \u00e9 de que o mundo viva sua pior recess\u00e3o em quase um s\u00e9culo. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com base nisso \u00e9 que est\u00e1 sendo feita a maior parte das previs\u00f5es de como o mundo vai se recuperar do impacto do novo coronav\u00edrus e das medidas de confinamento. Vale destacar que a incerteza ante a crise \u00e9 grande: o economista-chefe para Am\u00e9rica Latina do Banco Mundial, Mart\u00edn Rama, disse \u00e0 BBC que \u00e9 bom enxergar &#8220;todas as previs\u00f5es feitas neste momento com uma enorme margem de erro&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>V, o cen\u00e1rio mais otimista<\/strong><\/em><\/h2>\n<p>As recess\u00f5es formam parte do ciclo econ\u00f4mico e, para algumas correntes do pensamento econ\u00f4mico, s\u00e3o inevit\u00e1veis. Dessa forma, o melhor \u00e9 que, quando ocorram, tenham a forma de V.<\/p>\n<p>&#8220;Recess\u00f5es boas n\u00e3o existem, mas a V tem uma queda pronunciada e uma retomada igualmente pronunciada&#8221;, explica Tessada. &#8220;A ideia \u00e9 que volta-se a um n\u00edvel muito similar ao inicial e que a recess\u00e3o \u00e9 relativamente r\u00e1pida. (&#8230;) Embora possa durar um par de trimestres ou mais.&#8221;<\/p>\n<p>O V descreve uma redu\u00e7\u00e3o forte do PIB, com um \u00e1pice breve e uma recupera\u00e7\u00e3o acelerada. As previs\u00f5es mais otimistas consideram que ainda h\u00e1 possibilidade de que a recess\u00e3o atual acabe tomando essa forma.<\/p>\n<p>Tessada afirma que, nas circunst\u00e2ncias atuais, todas as tr\u00eas possibilidades \u2014 V, U e W \u2014 &#8220;est\u00e3o sobre a mesa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Existe a suspeita de que, se conseguir-se controlar a pandemia, poder\u00edamos estar diante de (uma recess\u00e3o) V porque poderiam-se suspender as restri\u00e7\u00f5es (ao com\u00e9rcio e circula\u00e7\u00e3o) e recuperar o crescimento aos n\u00edveis anteriores ou parecidos.&#8221;<\/p>\n<p>Paul Gruenwald, economista-chefe global da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de riscos S&amp;P Global Ratings, prev\u00ea que no segundo trimestre de 2020 veremos uma queda aguda como as que se d\u00e3o nas recess\u00f5es com forma de V.<\/p>\n<p>No entanto, ele recorda que, para isso acontecer, seria necess\u00e1rio retomar a economia de forma \u00e1gil e abrupta, o que pode n\u00e3o ser o caso se a pandemia continuar avan\u00e7ando rapidamente em alguns pa\u00edses (como \u00e9 o caso do Brasil atualmente).<\/p>\n<p>&#8220;Digamos que as restri\u00e7\u00f5es ao distanciamento social sejam suspensas ou que se desenvolva uma vacina ou tratamento. Da\u00ed, voltar\u00edamos rapidamente \u00e0 rota original&#8221;, diz Gruenwald \u00e0 BBC News Mundo.<\/p>\n<p>No entanto, os cen\u00e1rios mais prov\u00e1veis que ele esbo\u00e7a em um relat\u00f3rio recente n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o otimistas. O que marcar\u00e1 o ritmo da recupera\u00e7\u00e3o, em sua opini\u00e3o, ser\u00e3o os efeitos sobre o lado da oferta a m\u00e3o de obra, o capital e o crescimento da produtividade.<\/p>\n<p>&#8220;Se nenhum (desses elementos) mudar, a economia regressar\u00e1 a sua rota original, que \u00e9 um bom cen\u00e1rio.&#8221; N\u00e3o seria um V exato, mas sim alargado, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Mas isso n\u00e3o sabemos agora, \u00e9 algo que vamos acompanhar no pr\u00f3ximo ano ou dois anos.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>U, o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel<\/strong><\/em><\/h2>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es da S&amp;P para a economia global compreendem uma queda no PIB global de 2,4% em 2020, seguida de um crescimento de 5,9% em 2021.<\/p>\n<p>Algo que, para Gruenwald, faz com que a recupera\u00e7\u00e3o pare\u00e7a mais similar a um U do que a um V.<\/p>\n<p>&#8220;O que vemos agora se parece mais a um U, ou um U longo, em que recuperar\u00edamos a maior parte do choque (recessivo), mas a uma taxa menor&#8221;, prev\u00ea.<\/p>\n<p>Uma recess\u00e3o em forma de U, explica Tessada, \u00e9 aquela em que &#8220;se entra e se sai, mas ficando (com crescimento) baixo um pouco mais de tempo, sendo custoso sair (da crise). A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, mas com o tempo se sai e se volta a um n\u00edvel igual ao anterior&#8221;.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o cen\u00e1rio previsto tamb\u00e9m pela diretora administrativa da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de riscos Moody&#8217;s, Elena Duggar.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vamos recuperar durante a segunda metade do ano toda a produ\u00e7\u00e3o perdida na primeira metade. H\u00e1 muita atividade, por exemplo no setor de servi\u00e7os, que n\u00e3o vai ser recuperada: toda a comida perdida nos restaurantes, as f\u00e9rias, os planos de viagem&#8221;, explica \u00e0 BBC News Mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Muito disso ser\u00e1 atividade que o PIB perder\u00e1. Mas sim acreditamos que, uma vez que acabe o confinamento e as atividades sejam retomadas, haver\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o na segunda metade do ano.&#8221;<\/p>\n<p>Recentes previs\u00f5es da Moody&#8217;s, no final de fevereiro, estimaram uma queda global de 0,5% do PIB em 2020, seguida de uma alta de 3,2% em 2021.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos supondo que os confinamentos ser\u00e3o suspensos ao longo do ver\u00e3o (no hemisf\u00e9rio Norte, ou seja, nos meses de junho, julho e agosto) e que a atividade ser\u00e1 retomada. Tamb\u00e9m supomos, e temos visto algo disso, que as respostas dos governos funcionar\u00e3o: pol\u00edticas fiscais e monet\u00e1rias muito fortes e que ter\u00e3o como objetivo ajudar a recupera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Duggar.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 incerteza com que s\u00e3o feitas essas proje\u00e7\u00f5es, uma coisa \u00e9 dada como certa: o segundo semestre deste ano vai ser economicamente doloroso.<\/p>\n<p>Paul Gruenwald, da S&amp;P, estima que a queda deste trimestre ser\u00e1 de 9%. Com uma redu\u00e7\u00e3o dessa magnitude, n\u00e3o est\u00e1 claro se ser\u00e1 poss\u00edvel recuperar a trajet\u00f3ria que a economia parecia seguir antes da pandemia. Ou seja, o mesmo n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o e crescimento que se esperava para 2020.<\/p>\n<p>&#8220;Mais que um V ou um U, a quest\u00e3o \u00e9 qual ser\u00e1 a trajet\u00f3ria final (da economia). Voltaremos \u00e0 mesma (trajet\u00f3ria)? E quanto tempo levaremos para chegar a ela?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos ter uma contra\u00e7\u00e3o muito profunda durante o segundo trimestre&#8221;, explica Duggar. &#8220;Na China, ela come\u00e7ou no primeiro trimestre. No resto do mundo, diante da forma como o v\u00edrus avan\u00e7a, h\u00e1 um atraso de alguns meses. Ent\u00e3o esperamos que a recupera\u00e7\u00e3o comece no terceiro ou no quatro trimestre. Mas a contra\u00e7\u00e3o neste segundo trimestre vai ser t\u00e3o grave que provocar\u00e1 cifras de crescimento negativo nos resultados anuais. Veremos o qu\u00e3o profunda ser\u00e1 quando come\u00e7arem a chegar os dados de abril. S\u00f3 o que vimos at\u00e9 agora s\u00e3o indicadores de aumento agudo no desemprego.&#8221;<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os analistas veem sinais positivos que podem levar, por fim, \u00e0 curva em U.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 boas not\u00edcias em duas frentes&#8221;, diz Duggar. &#8220;Estamos vendo a China come\u00e7ar a sair do confinamento, reabrir f\u00e1bricas. H\u00e1 relatos de que se recuperou de 45% a 70% da capacidade (produtiva). Em termos de capacidade econ\u00f4mica para voltar a funcionar, vemos not\u00edcias positivas a\u00ed.&#8221;<\/p>\n<p>A outra frente, acrescenta ela, &#8220;s\u00e3o as medidas de apoio fortes. Bancos centrais dos dois lados do oceano (Atl\u00e2ntico) est\u00e3o agindo com rapidez para dar liquidez ao mercado. Estamos vendo grandes pacotes (de ajudas) em muitos pa\u00edses&#8221;.<\/p>\n<p>Em seu informe, a S&amp;P v\u00ea como sinais positivos que as curvas de cont\u00e1gio do novo coronav\u00edrus estejam ficando mais planas e que as interven\u00e7\u00f5es governamentais estejam se refletindo em estabiliza\u00e7\u00e3o da volatilidade do mercado financeiro.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: center;\"><em><strong>A turbul\u00eancia do W<\/strong><\/em><\/h2>\n<p>Como diz Jos\u00e9 Tessada, por enquanto &#8220;todo o alfabeto&#8221; est\u00e1 sobre a mesa nas previs\u00f5es da crise, uma vez que ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se as medidas de confinamento em curso atualmente ser\u00e3o suficientes &#8211; ou se precisar\u00e3o ser estendidas.<\/p>\n<p>A S&amp;P aponta em seu informe que alguns fatores podem colocar em risco a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica &#8211; por exemplo que, depois de enormes gastos p\u00fablicos durante a pandemia, governos comecem a aplicar medidas de austeridade antes do tempo.<\/p>\n<p>Mas Gruenwald acha que o maior risco ainda \u00e9 a quest\u00e3o de sa\u00fade e a poss\u00edvel necessidade de per\u00edodos intermitentes de isolamento social.<\/p>\n<p>&#8220;Se tivermos um cen\u00e1rio em que o distanciamento social \u00e9 relaxado e o n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es voltar a subir, iremos para frente e para tr\u00e1s e teremos uma recupera\u00e7\u00e3o muito mais lenta.&#8221;<\/p>\n<p>Uma curva de cont\u00e1gio da covid-19 que suba e des\u00e7a acabaria provocando uma recess\u00e3o com forma de W.<\/p>\n<p>&#8220;O W \u00e9 quando se entra e sai e depois volta-se a entrar (em recess\u00e3o)&#8221;, explica Tessada. &#8220;A recupera\u00e7\u00e3o final n\u00e3o ocorre, e no meio h\u00e1 um momento de acelera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se sustenta e (a economia) volta a cair.&#8221;<\/p>\n<p>Esse percurso turbulento rumo \u00e0 normalidade causaria perdas de produ\u00e7\u00e3o, diz o informe da S&amp;P, acrescentando que &#8220;o mais inquietante \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o consigamos uma vacina ou tratamento no per\u00edodo desse progn\u00f3stico, o que significaria que voltar \u00e0 normalidade pode ser imposs\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Vem \u00e0 mente tamb\u00e9m a letra L: nesse cen\u00e1rio, depois de uma queda, a economia se manteria est\u00e1vel em um ritmo muito menor, sem se recuperar.<\/p>\n<p>&#8220;Mas isso, no fundo, mais que uma recess\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a permanente no n\u00edvel de crescimento&#8221;, afirma Tessada.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: center;\"><strong>E a Am\u00e9rica Latina?<\/strong><\/h2>\n<p>No Brasil, a previs\u00e3o de 14 de abril do FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional) \u00e9 de que a economia despenque 5,3% em 2020 (contra uma previs\u00e3o anterior, de janeiro, de crescimento de 2,2%).<\/p>\n<p>No continente em geral, o Banco Mundial prev\u00ea que a economia latino-americana e do Caribe (descartando-se a Venezuela do cen\u00e1rio) caia 4,6% em 2020 e cres\u00e7a 2,6% no ano que vem. Isso esbo\u00e7aria uma recess\u00e3o em forma de U, diz Mart\u00edn Rama, economista-chefe do banco para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Vejo como um U porque somos otimistas para o ano que vem porque achamos que a essa altura a pandemia vai ser melhor entendida, haver\u00e1 mais capacidade de testes e talvez uma vacina. E achamos que as economias avan\u00e7adas, como EUA, China e Europa, podem mobilizar os meios financeiros e t\u00eam a estrutura necess\u00e1ria para se recuperar&#8221;, diz \u00e0 BBC News Mundo.<\/p>\n<p>Com economias fortemente ligadas ao desempenho da China e dos pa\u00edses do G7, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina ter\u00e3o uma capacidade de resposta \u00e0 crise que depender\u00e1, em grande parte, da velocidade como as na\u00e7\u00f5es mais ricas se recuperar\u00e3o, diz Rama.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso temor \u00e9 que, nos pr\u00f3ximos meses, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina v\u00e3o sofrer a segunda fase (da crise): haver\u00e1 empresas que n\u00e3o v\u00e3o conseguir se custear, que v\u00e3o demitir trabalhadores, haver\u00e1 fam\u00edlias e empresas que n\u00e3o conseguir\u00e3o pagar impostos, a demanda vai cair, as finan\u00e7as p\u00fablicas v\u00e3o sofrer, os bancos hoje s\u00f3lidos podem se ver afetados pela inadimpl\u00eancia&#8221;, prossegue.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, as necessidades financeiras dos nossos pa\u00edses s\u00e3o basicamente para atender as emerg\u00eancias m\u00e9dicas e para ajudar quem n\u00e3o pode trabalhar, que \u00e9 informal e vive do dia a dia. Essas s\u00e3o cifras gerenci\u00e1veis, mas com o pouco espa\u00e7o fiscal que temos na Am\u00e9rica Latina ser\u00e3o necess\u00e1rias medidas mais extraordin\u00e1rias para apoiar a atividade econ\u00f4mica ou para impedir uma crise financeira &#8211; \u00e9 da\u00ed que vem o grande risco.&#8221;<\/p>\n<p>Por um lado, a regi\u00e3o tem a &#8220;vantagem&#8221; de a epidemia ter chegado aqui um pouco mais tarde, o que lhe d\u00e1 uma margem de aprendizado com os demais pa\u00edses.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, diz Rama, h\u00e1 desvantagens: &#8220;(a pandemia) ocorre na regi\u00e3o depois de praticamente cinco anos de crescimento bastante reduzido, com exce\u00e7\u00f5es como Rep\u00fablica Dominicana, Panam\u00e1, Col\u00f4mbia&#8221;.<\/p>\n<p>A isso se soma a instabilidade pol\u00edtica vivida no ano passado em pa\u00edses como Chile, Equador e Bol\u00edvia: &#8220;o descontentamento social que tivemos no ano passado mostra uma dificuldade para uma popula\u00e7\u00e3o que havia aspirado a um n\u00edvel de vida de classe m\u00e9dia, mas havia se desiludido&#8221;, agrega Rama.<\/p>\n<p>&#8220;O que for feito agora nesta emerg\u00eancia vai ter tamb\u00e9m consequ\u00eancias de longo prazo. Manter o olhar no desenvolvimento de longo prazo \u00e9 importante tamb\u00e9m em (um per\u00edodo de) urg\u00eancia como este.&#8221;<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Stefania Gozzer d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Mundo &#8211; dispon\u00edvel na internet 11\/05\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia de covid-19 est\u00e1 gestando uma recess\u00e3o que j\u00e1 foi batizada pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) de &#8220;o Grande Confinamento&#8221;. E parece haver um consenso de que ser\u00e1 a maior crise econ\u00f4mica desde a Grande Depress\u00e3o de 1929. A pergunta que se fazem os economistas \u00e9: qual forma essa crise ter\u00e1? 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