{"id":48130,"date":"2020-05-11T04:15:33","date_gmt":"2020-05-11T07:15:33","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=48130"},"modified":"2020-05-10T22:02:23","modified_gmt":"2020-05-11T01:02:23","slug":"covid-19-expoe-dependencia-de-itens-de-saude-fabricados-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/05\/11\/covid-19-expoe-dependencia-de-itens-de-saude-fabricados-na-china\/","title":{"rendered":"Covid-19 exp\u00f5e depend\u00eancia de itens de sa\u00fade fabricados na China"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"story-body__h1\">A pandemia da covid-19 evidencia a forte depend\u00eancia dos pa\u00edses ocidentais em rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos e insumos m\u00e9dicos produzidos na China, afirma Antoine Bondaz, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o francesa para a Pesquisa Estrat\u00e9gica e professor do Instituto de Estudos Pol\u00edticos de Paris.<\/h5>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>Segundo ele, a crise sanit\u00e1ria levar\u00e1 a reflex\u00f5es sobre o aspecto estrat\u00e9gico da sa\u00fade e a necessidade de produzir localmente para reduzir o risco de falta de produtos, como ocorre atualmente no mundo todo.<\/p>\n<p>A&nbsp;China&nbsp;concentra mais da metade da produ\u00e7\u00e3o mundial de m\u00e1scaras e cerca de um quinto no caso dos respiradores. Apesar de ter aumentado significativamente sua capacidade produtiva desde o in\u00edcio da pandemia, o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 capaz de suprir a explos\u00e3o da demanda internacional, ressalta o especialista em \u00c1sia e geoestrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Por isso, as tens\u00f5es internacionais provocadas pela falta de m\u00e1scaras e outros equipamentos essenciais para lutar contra a doen\u00e7a ir\u00e3o continuar, diz Bondaz. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) j\u00e1 alertou recentemente que a pandemia de Covid-19&nbsp;est\u00e1 longe de ter terminado.<\/p>\n<p>Alguns pa\u00edses, como a Fran\u00e7a ou a Rep\u00fablica Tcheca, confiscaram m\u00e1scaras destinadas a It\u00e1lia e outros mercados. Os Estados Unidos, atual epicentro do novo coronav\u00edrus, sofreram v\u00e1rias acusa\u00e7\u00f5es de desviar equipamentos no enfrentamento da pandemia &#8211; uma delas feita pelo governo da Bahia, que havia comprado centenas de respiradores chineses. O governo americano negou ter adquirido ou bloqueado o material m\u00e9dico brasileiro.<\/p>\n<p>Antes do surgimento da covid-19, a China produzia 20 milh\u00f5es de m\u00e1scaras cir\u00fargicas por dia. Esse n\u00famero di\u00e1rio passou para mais de 120 milh\u00f5es em mar\u00e7o. Apenas a Fran\u00e7a comprou dois bilh\u00f5es de m\u00e1scaras da China, que v\u00eam sendo entregues progressivamente.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o chinesa do disputado modelo de m\u00e1scaras com filtro, as FFP-2 (ou N95 nos Estados Unidos), utilizadas em hospitais, \u00e9 mais escassa ainda, de apenas cerca de 1,6 milh\u00e3o por dia atualmente.<\/p>\n<p>&#8220;A forte depend\u00eancia do Ocidente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China nos setores ligados \u00e0 sa\u00fade deve levar governos a redefinirem o que \u00e9 estrat\u00e9gico&#8221;, afirma Bondaz.<\/p>\n<p>Diante da disputa internacional por equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, aparelhos, agentes reativos para testes e rem\u00e9dios (nesse caso tamb\u00e9m produzidos em larga na \u00cdndia), pa\u00edses veem a necessidade de reduzir sua exposi\u00e7\u00e3o ao risco da falta de produtos, se tornando menos dependentes da \u00c1sia.<\/p>\n<p>\u00c9 a linha adotada pelo presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, que vem reiterando a import\u00e2ncia de produzir m\u00e1scaras e outros equipamentos internamente.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rios pa\u00edses, a escassez de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o e outros insumos levou muitas empresas de setores variados a se voltarem para a produ\u00e7\u00e3o desses itens. O grupo automotivo franc\u00eas PSA, por exemplo, est\u00e1 fabricando respiradores em parceria com a Air Liquide, de gases industriais.<\/p>\n<p>&#8220;Um consenso est\u00e1 surgindo com essa crise: o refor\u00e7o da autonomia estrat\u00e9gica da Europa, a nossa capacidade de reduzir nossa depend\u00eancia do resto do mundo e refor\u00e7ar nossa capacidade de produzir, no plano sanit\u00e1rio, materiais de prote\u00e7\u00e3o e o que precisamos&#8221;, afirmou Macron, sem mencionar especificamente a China.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o foi feita logo ap\u00f3s uma reuni\u00e3o recente do Conselho Europeu, o encontro de chefes de Estado e de governo do continente. Para Macron, a Europa precisa ir al\u00e9m das iniciativas atuais de produ\u00e7\u00e3o no setor da sa\u00fade. A reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas do continente &#8220;para reduzir a depend\u00eancia do resto do mundo&#8221; vai ser analisada pela Comiss\u00e3o Europeia, segundo o l\u00edder franc\u00eas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Pa\u00edses ricos falharam&#8217;<\/h2>\n<p>Segundo Bondaz, os pa\u00edses ricos &#8220;falharam, e feio&#8221;, em n\u00e3o antecipar corretamente as consequ\u00eancias de uma eventual pandemia com propaga\u00e7\u00e3o extremamente r\u00e1pida, como a do novo coronav\u00edrus, e n\u00e3o se se prepararam para isso.<\/p>\n<p>Por quest\u00f5es financeiras, diz ele, os pa\u00edses ricos consideraram que a produ\u00e7\u00e3o chinesa de equipamentos m\u00e9dico-hospitalares, mais barata, seria suficiente para atender a demanda em caso de crise.<\/p>\n<p>O pesquisador afirma que os pa\u00edses desenvolvidos subestimaram os riscos.<\/p>\n<p>&#8220;Uma pandemia mundial respirat\u00f3ria necessita de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o em quantidades consider\u00e1veis. Eles n\u00e3o souberam prever esse cen\u00e1rio e agora pagam as consequ\u00eancias&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para Bondaz, os pa\u00edses ricos &#8220;n\u00e3o t\u00eam desculpas&#8221; para n\u00e3o ter estoques, j\u00e1 que disp\u00f5em mais recursos para se preparar a eventuais crises sanit\u00e1rias. Na Fran\u00e7a, como faltavam m\u00e1scaras para os profissionais de sa\u00fade, o governo at\u00e9 recentemente recomendava que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o as utilizasse, apenas as pessoas infectadas. Agora, passou a incentivar o uso geral. A mudan\u00e7a de discurso causou pol\u00eamica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 2009, o Estado franc\u00eas dispunha, para enfrentar uma eventual pandemia, de uma &#8220;reserva estrat\u00e9gica&#8221; de um bilh\u00e3o de m\u00e1scaras cir\u00fargicas e mais de 700 milh\u00f5es da FFP-2. Para cortar gastos, essa reserva foi amplamente reduzida. Em mar\u00e7o deste ano, quando a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a se agravar, o estoque franc\u00eas era, respectivamente, de 150 milh\u00f5es de m\u00e1scaras cir\u00fargicas e zero de FFP-2, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><\/figure>\n<p>&#8220;O maior problema \u00e9 que as economias ricas, que enfrentam uma grave crise sanit\u00e1ria, disp\u00f5em de meios limitados e n\u00e3o t\u00eam capacidade para ajudar os demais pa\u00edses&#8221;, diz Bondaz. O governo norte-americano, por exemplo, afirmou que s\u00f3 ajudar\u00e1 o Brasil com insumos m\u00e9dicos quando a situa\u00e7\u00e3o melhorar nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Em vez de ajudar, os pa\u00edses ricos est\u00e3o acirrando a competi\u00e7\u00e3o pelos equipamentos, tornando a situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil para os demais&#8221;, afirma o pesquisador. Al\u00e9m disso, a forte demanda provocou a explos\u00e3o dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica, diz ele, onde a pandemia chegou posteriormente, t\u00eam de concorrer com economias ricas que podem pagar mais pelos produtos, rapidamente e fazem encomendas gigantes &#8211; como os dois bilh\u00f5es de m\u00e1scaras comprados pela Fran\u00e7a.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Isolamento do Brasil<\/h2>\n<p>Uma sa\u00edda apontada pelo pesquisador seria que o Brasil fizesse compras de m\u00e1scaras e outros equipamentos em conjunto com pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina para ter mais peso na disputa com economias ricas pelos produtos.<\/p>\n<p>Quando a situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria melhorar nas economias ricas, elas devem come\u00e7ar a ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento. A Uni\u00e3o Europeia tende a se voltar para a \u00c1frica, como j\u00e1 faz tradicionalmente, diz Bondaz.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, o isolamento diplom\u00e1tico do pa\u00eds na atual gest\u00e3o deve complicar a possibilidade de ajuda internacional (exceto, possivelmente, a americana) para combater a pandemia, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Na semana passada, a OMS apresentou uma alian\u00e7a global de colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para acelerar a pesquisa de tratamentos, testes e vacinas para a covid-19. A iniciativa foi impulsionada por Macron e conta com a ades\u00e3o de l\u00edderes de v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>O Brasil, apesar de ter tido papel de destaque em a\u00e7\u00f5es para facilitar o acesso global a medicamentos, n\u00e3o foi convidado para o evento que lan\u00e7ou a alian\u00e7a. Foi o caso tamb\u00e9m dos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Daniela Fernandes de<\/span><span class=\"byline__title\"> Paris para a BBC News Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 11\/05\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia da covid-19 evidencia a forte depend\u00eancia dos pa\u00edses ocidentais em rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos e insumos m\u00e9dicos produzidos na China, afirma Antoine Bondaz, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o francesa para a Pesquisa Estrat\u00e9gica e professor do Instituto de Estudos Pol\u00edticos de Paris. 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