{"id":49023,"date":"2020-06-08T02:00:28","date_gmt":"2020-06-08T05:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=49023"},"modified":"2020-06-07T17:29:39","modified_gmt":"2020-06-07T20:29:39","slug":"cientistas-investigam-como-o-novo-coronavirus-chega-ao-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/06\/08\/cientistas-investigam-como-o-novo-coronavirus-chega-ao-cerebro\/","title":{"rendered":"Cientistas investigam como o novo coronav\u00edrus chega ao c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<section class=\"bg-gray-extra\">\n<div class=\"container container-full-width\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1\">\u00c0 medida que a pandemia da covid-19 avan\u00e7a, cientistas seguem em busca de pistas que os ajudem a entender como o Sars-CoV-2 age no corpo humano, principalmente em um dos \u00f3rg\u00e3os mais complexos: o c\u00e9rebro.&nbsp; &nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section>\n<div class=\"container container-full-width mt-20 mb-20\">\n<div class=\"row divider-wrapper\">\n<div id=\"esquerda_8_12_1\" class=\"col-sm-10 col-sm-offset-1 col-md-6 mb-35 js-tools-fixed-parent\">\n<article><\/article>\n<article>Pesquisadores t\u00eam observado o comportamento neural de infectados pelo coronav\u00edrus, al\u00e9m de conduzido an\u00e1lises laboratoriais in vitro, com o objetivo de responder a uma s\u00e9rie de questionamentos. Eles querem saber, principalmente, de que forma o pat\u00f3geno afeta as c\u00e9lulas nervosas e como consegue chegar ao sistema neural. As expectativas s\u00e3o de que as respostas ajudem no desenvolvimento de tratamentos e na compreens\u00e3o dos efeitos da infec\u00e7\u00e3o em pessoas com transtornos neurodegenerativos, como o Alzheimer.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"txt-serif js-article-box article-box article-box-capitalize mt-15\">Uma s\u00e9rie de sintomas relacionados ao c\u00e9rebro humano tem sido registrada em um grande n\u00famero de pacientes com covid-19, o que despertou o interesse de cientistas. Um deles \u00e9 Daniel Martins de Souza, professor de bioqu\u00edmica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Laborat\u00f3rio de Neuroprote\u00f4mica da institui\u00e7\u00e3o. \u201cEu e minha equipe observamos que a maioria dos pacientes com a infec\u00e7\u00e3o sentia anosmia (perda de olfato), um sintoma que est\u00e1 relacionados ao c\u00e9rebro. Por conta disso, partimos para an\u00e1lises em laborat\u00f3rio\u201d, conta.&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div class=\"txt-serif js-article-box article-box article-box-capitalize mt-15\">\n<p>O grupo brasileiro usou c\u00e9lulas cerebrais produzidas em laborat\u00f3rio. Para isso, escolheu uma t\u00e9cnica que transforma c\u00e9lulas adultas, como as provenientes da pele, em c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias, capazes de se tornar qualquer tipo de parte do corpo humano, como as estruturas neurais. \u201cConseguimos fazer esse processo gra\u00e7as a uma parceria com o Stevens Rehen, pesquisador do Instituto D\u2019OR de Pesquisa e Ensino e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)\u201d, conta o professor da Unicamp.<\/p>\n<p>Depois de produzir as c\u00e9lulas nervosas, os cientistas as expuseram ao novo coronav\u00edrus. \u201cA primeira coisa que nos perguntamos \u00e9 se elas tinham uma rota de entrada do pat\u00f3geno, chamada de ECA2. Essa prote\u00edna, localizada na superf\u00edcie dessas c\u00e9lulas, permite a entrada do agente infeccioso. Constatamos a presen\u00e7a dessa mol\u00e9cula e confirmamos que o pat\u00f3geno da covid-19 consegue ter acesso \u00e0s c\u00e9lulas nervosas por meio dela\u201d, conta Souza.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 apenas um primeiro passo da pesquisa. Segundo o cientista, \u00e9 necess\u00e1rio, agora, entender o que o v\u00edrus faz assim que consegue entrar nas estruturas nervosas. \u201cTemos tamb\u00e9m que saber como ele age l\u00e1 dentro. Sabemos que o objetivo \u00e9 se replicar, mas precisamos saber o que ocorre em n\u00edvel biomolecular\u201d, detalha. \u201c\u00c9 como se o DNA fosse uma receita, e as prote\u00ednas produzidas por ele, o bolo. Precisamos decifrar os detalhes desse processo, temos que entender essa qu\u00edmica, pois s\u00f3 ela pode abrir as portas para novos tratamentos.\u201d<\/p>\n<h3>Pelo nariz<\/h3>\n<p>Outro ponto que precisa ser esclarecido \u00e9 como o novo coronav\u00edrus consegue chegar ao sistema neural. \u201cH\u00e1 teorias de que seria pelo sangue, pelo nariz, mas, infelizmente, ainda n\u00e3o temos como comprovar. Por isso, mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias\u201d, enfatiza Souza.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a partir da perda de olfato, cientistas da Pol\u00f4nia decidiram entender o efeito do Sars-CoV-2 sobre o c\u00e9rebro humano. Em experimento com camundongos, identificaram que duas prote\u00ednas necess\u00e1rias para a entrada do coronav\u00edrus no organismo&nbsp; \u2014 entre elas a ECA2 \u2014 s\u00e3o produzidas por c\u00e9lulas da cavidade nasal. \u201cDescobrimos que ECA2 e TMPRSS2 s\u00e3o expressas em c\u00e9lulas do nariz que ajudam a transferir odores do ar para os neur\u00f4nios\u201d, detalham os autores do artigo, liderados por Katarzyna Bilinska, pesquisadora do Departamento de Gen\u00e9tica Celular Molecular da Universidade Nicolaus Copernicus.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m notaram que os camundongos mais velhos produziam quantidades maiores das duas prote\u00ednas, quando comparados aos mais jovens. \u201cSe isso se repetir em humanos, pode explicar por que os idosos s\u00e3o mais suscet\u00edveis ao Sars-CoV-2\u201d, enfatizaram os autores do artigo, publicado na revista Chemical Neuroscience.<\/p>\n<p>Marcelo Lima, professor associado do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), acredita que a falha no olfato \u00e9 uma pista que pode ajudar a entender como o v\u00edrus tem acesso ao c\u00e9rebro. \u201cNotamos que, mesmo depois que o paciente da covid-19 se recupera, ele permanece alguns dias com sentido afetado. Isso mostra que esse efeito no sistema olfativo \u00e9 menos trivial do que em infec\u00e7\u00f5es causadas por pat\u00f3genos semelhantes, como o H1N1\u201d, compara.<\/p>\n<h3>Outras vias<\/h3>\n<div class=\"col-xs-12 ads ads__with-bg hidden-print p-0 mt-25 mb-25\">\n<div id=\"cb-publicidade-retangulo-interna-1700\" data-ads-callback=\"event.isEmpty &amp;&amp; (elmtg.parentNode.style.display = &quot;none&quot;)\" data-google-query-id=\"CJPC78nA8OkCFdB7wQodm3sJqA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/6887\/portal-correioweb\/correiobraziliense-com-br\/ciencia-e-saude\/internas_3__container__\">O professor da UFPR ressalta que outros \u00f3rg\u00e3os podem servir como acesso ao c\u00e9rebro. \u201cTemos alguns estudos, poucos, ainda, que mostram um padr\u00e3o de les\u00e3o neural n\u00e3o s\u00f3 nas \u00e1reas olfativas, mas tamb\u00e9m no tronco encef\u00e1lico. Essa \u00e9 uma regi\u00e3o base do c\u00e9rebro respons\u00e1vel pela respira\u00e7\u00e3o e por fun\u00e7\u00f5es card\u00edacas. Isso mostra que o v\u00edrus pode ter acesso ao sistema neural por outras vias.\u201d&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para o especialista brasileiro, mais estudos poder\u00e3o esclarecer d\u00favidas do tipo, em um processo longo e trabalhoso como o que&nbsp; ajudou a entender os efeitos neurais provocados por outros pat\u00f3genos (leia Para saber mais). \u201cPrecisamos de an\u00e1lises feitas com mais amostras. Por enquanto, apenas especulamos. Com estudos maiores, poderemos dizer se existem efeitos a longo prazo tamb\u00e9m, e os danos provocados por esse pat\u00f3geno em pessoas que j\u00e1 t\u00eam problemas neurais, como o Alzheimer\u201d, justifica.<\/p>\n<p>Marcelo Lima acredita que entender melhor os efeitos neurais da covid-19 exige, tamb\u00e9m, investigar o que pode ocorrer com pessoas que se curarem da doen\u00e7a. \u201cN\u00f3s temos uma expressiva popula\u00e7\u00e3o idosa e, enquanto as pessoas se recuperam da covid-19, temos que saber quais outros efeitos poder\u00e3o surgir. Vamos precisar lidar com poss\u00edveis complica\u00e7\u00f5es neurais? \u00c9 poss\u00edvel. Por isso, temos que acompanhar esses pacientes com cuidado\u201d, defende. \u201cOutro ponto importante \u00e9 que poderemos nos preparar melhor para poss\u00edveis pandemias que poder\u00e3o ser causadas por v\u00edrus semelhantes, j\u00e1 que esse risco existe.\u201d<\/p>\n<h3>At\u00e9 convuls\u00e3o<\/h3>\n<p>Feito com 214 pacientes, um estudo chin\u00eas, publicado em mar\u00e7o, na revista especializada Jama, mostrou que 36% deles tiveram alguma manifesta\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica em decorr\u00eancia da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus. Perda de olfato, derrames e convuls\u00f5es est\u00e3o entre as complica\u00e7\u00f5es. O trabalho, conduzido por cientistas da Universidade Huazhong, tamb\u00e9m demonstrou que esses sintomas eram mais comuns em pacientes com quadros mais severos da covid-19: 45,5% deles enfrentaram esses problemas.<\/p>\n<h3>Para saber mais<\/h3>\n<h3>Efeitos do zika<\/h3>\n<p>Inicialmente, os pesquisadores investigaram os efeitos neurais do zika v\u00edrus em fetos, devido ao grande n\u00famero de casos de crian\u00e7as que nasceram com m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o neural (microcefalia). Depois, cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tamb\u00e9m observaram que o pat\u00f3geno tem potencial para afetar c\u00e9lulas neurais de adultos.<\/p>\n<p>Em um estudo publicado, em setembro de 2019, na revista Nature Communications, os brasileiros detalharam como infectaram o c\u00e9rebro de ratos diretamente com o v\u00edrus. Em seguida, observaram que os animais apresentaram perda de mem\u00f3ria e problemas motores, mesmo depois de curados da infec\u00e7\u00e3o. Os efeitos do zika v\u00edrus no c\u00e9rebro tamb\u00e9m fizeram com que muitos cientistas come\u00e7assem a usar o pat\u00f3geno em pesquisas voltadas para o combate a tumores neurais.<\/p>\n<h3>De tontura a derrame<\/h3>\n<p>As consequ\u00eancias da a\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus sobre o c\u00e9rebro tamb\u00e9m s\u00e3o alvo de estudos cient\u00edficos. \u201cAtualmente, temos uma compreens\u00e3o insuficiente dos sintomas neurol\u00f3gicos nos pacientes com covid-19, sejam eles decorrentes de doen\u00e7as cr\u00edticas sofridas por muitos dos infectados, sejam em raz\u00e3o da invas\u00e3o direta do Sars-CoV-2 no sistema nervoso central\u201d, afirma ao Correio Abdelkader Mahammedi, professor assistente de radiologia e neurorradiologista da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mahammedi \u00e9 l\u00edder de uma das mais recentes an\u00e1lises sobre o tema. Ele e sua equipe estudaram imagens neurol\u00f3gicas de 725 pacientes hospitalizados com covid-19, confirmada entre 29 de fevereiro e 4 de abril.&nbsp; Os cientistas descobriram que 59% dos pacientes relataram ter sofrido um estado mental alterado, e 31%, um acidente vascular cerebral (AVC). Os pacientes tamb\u00e9m apresentaram dor de cabe\u00e7a (12%), convuls\u00e3o (9%) e tontura (4%), entre outros sintomas.<\/p>\n<p>Entre os pacientes, 108 (15%) apresentaram sintomas neurol\u00f3gicos graves e foram submetidos a mais imagens do c\u00e9rebro ou da coluna vertebral. \u201cDesses, que tinham idade entre 16 e 62 anos, 10 sofreram derrame e dois tiveram sangramento cerebral\u201d, detalha Mahammedi. \u201cObservamos que o estado mental alterado era mais comum em adultos mais velhos.\u201d<\/p>\n<p>Para a equipe, o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o nas conclus\u00f5es \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do estado mental e \u00e0 ocorr\u00eancia de derrame. Por serem complica\u00e7\u00f5es mais prevalentes, elas que podem funcionar como alerta. \u201cEsses padr\u00f5es rec\u00e9m-descobertos podem ajudar os m\u00e9dicos a reconhecerem mais cedo as associa\u00e7\u00f5es com a covid-19 e, possivelmente, iniciarem as interven\u00e7\u00f5es precocemente\u201d, frisa Mahammedi.<\/p>\n<p><strong><span class=\"txt-gray author-wrapper text-nowrap d-inline-block mb-10\"><span class=\"ml-10\">Cr\u00e9dito: Vilhena Soares\/ Correio Braziliense &#8211; dispon\u00edvel na internet 08\/06\/2020<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que a pandemia da covid-19 avan\u00e7a, cientistas seguem em busca de pistas que os ajudem a entender como o Sars-CoV-2 age no corpo humano, principalmente em um dos \u00f3rg\u00e3os mais complexos: o c\u00e9rebro.&nbsp; &nbsp; &nbsp; Pesquisadores t\u00eam observado o comportamento neural de infectados pelo coronav\u00edrus, al\u00e9m de conduzido an\u00e1lises laboratoriais in vitro, com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":49028,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-49023","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/20200606231617248790o-scaled.jpg?fit=398%2C600&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49023\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}