{"id":49228,"date":"2020-06-15T02:30:24","date_gmt":"2020-06-15T05:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=49228"},"modified":"2020-06-14T18:03:51","modified_gmt":"2020-06-14T21:03:51","slug":"de-bem-com-a-vida-por-que-parar-de-respirar-enquanto-dorme-e-tao-perigoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/06\/15\/de-bem-com-a-vida-por-que-parar-de-respirar-enquanto-dorme-e-tao-perigoso\/","title":{"rendered":"De Bem com a Vida: Por que parar de respirar enquanto dorme \u00e9 t\u00e3o perigoso"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"story-body__h1\"><em><strong>Apneia do sono: por que parar de respirar enquanto dorme \u00e9 t\u00e3o perigoso<\/strong><\/em><\/h4>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Pensei que estivesse morrendo. Durante o dia, eu ficava t\u00e3o cansado que meus joelhos cambaleavam. Ao dirigir, minha cabe\u00e7a pesava. Meu rosto denunciava sem piedade o esgotamento f\u00edsico.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, eu dormia mal, com as pernas agitadas, depois acordava sobressaltado, ofegante, com o cora\u00e7\u00e3o acelerado.<\/p>\n<p>Meu m\u00e9dico estava intrigado. Pediu exame de sangue, de urina, eletrocardiograma \u2013 ele cogitou que poderia ser um problema card\u00edaco \u2013 por causa daquelas palpita\u00e7\u00f5es noturnas&#8230;<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o, meu cora\u00e7\u00e3o estava bem. Meu sangue estava \u00f3timo.<\/p>\n<p>Ele pediu ent\u00e3o uma colonoscopia. Era final de 2008, e eu tinha 47 anos \u2013 quase na hora de fazer uma de qualquer maneira. Tomei ent\u00e3o os quatro litros de Nulytely para limpar o intestino, e o gastroenterologista poder dar uma boa olhada l\u00e1 dentro.<\/p>\n<p>Meu c\u00f3lon estava limpo, disse o m\u00e9dico quando acordei. Nenhum sinal de c\u00e2ncer. Tampouco de p\u00f3lipos preocupantes.<\/p>\n<p>No entanto, havia um problema.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto estava anestesiado, voc\u00ea parou de respirar num determinado momento. \u00c9 bom voc\u00ea dar uma investigada. Pode ser apneia do sono\u201d.<\/p>\n<p>Eu nunca tinha ouvido falar nisso.<\/p>\n<p>O sono \u00e9 marcado por altera\u00e7\u00f5es din\u00e2micas por todo o corpo. \u00c9 composto por diferentes fases e, conforme voc\u00ea passa por elas, sua respira\u00e7\u00e3o, press\u00e3o arterial e temperatura corporal caem e aumentam.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o nos m\u00fasculos geralmente permanece a mesma de quando voc\u00ea est\u00e1 acordado \u2013 exceto durante a fase REM, que representa at\u00e9 um quarto do seu sono. Durante esta fase, a tens\u00e3o na maioria dos principais grupos musculares diminui significativamente.<\/p>\n<p>Mas se os m\u00fasculos da garganta relaxarem demais, podem bloquear as vias a\u00e9reas. O resultado \u00e9 apneia obstrutiva do sono \u2013 do grego \u00e1pnoia, que significa &#8220;sem respirar&#8221;.<\/p>\n<p>Na apneia do sono, seu suprimento de ar \u00e9 interrompido continuamente, causando a queda dos n\u00edveis de oxig\u00eanio no sangue. \u00c9 por isso que voc\u00ea se mexe ofegante, tentando respirar. Isso pode acontecer centenas de vezes por noite, e os danos s\u00e3o muitos e graves.<\/p>\n<p>A apneia coloca press\u00e3o sobre o cora\u00e7\u00e3o, uma vez que leva o \u00f3rg\u00e3o a bombear o sangue mais r\u00e1pido para compensar a falta de oxig\u00eanio. Os n\u00edveis flutuantes de oxig\u00eanio tamb\u00e9m causam ac\u00famulo de placas nas art\u00e9rias, aumentando o risco de doen\u00e7as cardiovasculares, hipertens\u00e3o e derrame.<\/p>\n<p>Em meados da d\u00e9cada de 1990, a Comiss\u00e3o Nacional de Pesquisas sobre Dist\u00farbios do Sono dos EUA estimou que 38 mil americanos morriam todos os anos de doen\u00e7as card\u00edacas agravadas pela apneia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17A9D\/production\/_112652969_52905644.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17A9D\/production\/_112652969_52905644.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Um estudo de 2017 mostrou que a apneia do sono pode estar presente em at\u00e9 40% da popula\u00e7\u00e3o na Alemanha\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Um estudo de 2017 mostrou que a apneia do sono pode estar presente em at\u00e9 40% da popula\u00e7\u00e3o na Alemanha. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 evid\u00eancias cada vez maiores de que a condi\u00e7\u00e3o afete a metaboliza\u00e7\u00e3o da glicose e promova resist\u00eancia \u00e0 insulina \u2013 levando ao diabetes tipo 2 \u2013, al\u00e9m de incentivar o ganho de peso. Sem contar no cansa\u00e7o proveniente de nunca ter realmente uma boa noite de sono, que est\u00e1 associado \u00e0 perda de mem\u00f3ria, ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de sono tamb\u00e9m causa desaten\u00e7\u00e3o, que pode levar a acidentes de tr\u00e2nsito. Um estudo realizado com motoristas na Su\u00e9cia, em 2015, mostrou que aqueles que sofrem de apneia do sono t\u00eam 2,5 vezes mais chance de se envolver em um acidente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se traduz em atrasos e faltas sucessivas ao trabalho \u2013 as pessoas com apneia costumam ser demitidas com mais frequ\u00eancia do que as que n\u00e3o t\u00eam o dist\u00farbio.<\/p>\n<p>Mas, assim como aconteceu com o tabagismo durante as primeiras d\u00e9cadas ap\u00f3s ser identificado como um h\u00e1bito letal, h\u00e1 um descompasso entre os danos que a condi\u00e7\u00e3o causa e a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de que \u00e9 uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o conseguem associar a apneia do sono com suas muitas doen\u00e7as graves relacionadas a ela&#8221;, diz um relat\u00f3rio encomendado pela Academia Americana de Medicina do Sono, que estima que a condi\u00e7\u00e3o afete 12% dos adultos americanos \u2013 mas 80% n\u00e3o s\u00e3o diagnosticados.<\/p>\n<p>O mesmo acontece globalmente: quase 1 bilh\u00e3o de pessoas em todo o mundo sofre de apneia do sono leve a grave, de acordo com um estudo de 2019.<\/p>\n<p>Os cientistas correm agora em busca de uma solu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 desde estudos aprofundados sobre hip\u00f3xia \u2013 como o corpo reage \u00e0 falta de oxig\u00eanio \u2013 at\u00e9 novos tipos de cirurgias e equipamentos para tratar a condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que das cerca de 1 bilh\u00e3o de pessoas em todo o mundo que sofrem de apneia do sono, a maioria provavelmente nem sequer est\u00e1 ciente disso, quanto mais recebendo tratamento \u2013 como era o meu caso.<\/p>\n<p>Diante da possibilidade de estar enfrentando um problema de sa\u00fade ainda pouco estudado, mas potencialmente fatal, minha principal preocupa\u00e7\u00e3o era: como posso corrigir isso?<\/p>\n<p>Embora existam fatores de risco para a apneia do sono \u2013 como obesidade, pesco\u00e7o ou am\u00edgdala grande, mand\u00edbula pequena e envelhecimento \u2013, ela n\u00e3o se manifesta at\u00e9 que a pessoa adorme\u00e7a. A \u00fanica maneira de diagnosticar \u00e9 monitorando o sono de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Assim, no in\u00edcio de 2009, movido pela exaust\u00e3o e pela sugest\u00e3o do meu m\u00e9dico, marquei uma consulta na Northshore Sleep Medicine, uma cl\u00ednica do sono em Illinois, nos EUA.<\/p>\n<p>Fui recebido por Lisa Shives, especialista em medicina do sono. Ela deu uma olhada na minha garganta, depois sugeriu que eu fizesse uma polissonografia \u2013 exame que mede a atividade respirat\u00f3ria, muscular, cerebral e card\u00edaca durante o sono.<\/p>\n<p>Voltei ent\u00e3o para fazer o exame algumas semanas depois, numa quinta-feira \u00e0s 21h.<\/p>\n<p>Uma t\u00e9cnica me levou para um pequeno quarto, onde havia uma cama de casal e um arm\u00e1rio. Atr\u00e1s da cama, uma janela horizontal dava para uma sala de laborat\u00f3rio cheia de equipamentos.<\/p>\n<p>Uma t\u00e9cnica grudou eletrodos no meu peito e na cabe\u00e7a, depois me deu uma camisa para vestir, parecida com uma rede de pesca, no intuito de prender os fios no lugar.<\/p>\n<p>Por volta das 22h, apaguei a luz e logo peguei no sono.<\/p>\n<p>Acordei \u00e0s 4h30 da manh\u00e3 e, ainda meio zonzo, me ofereci para tentar voltar a dormir, mas a t\u00e9cnica disse que eles tinham coletado seis horas de dados, e eu podia ir embora.<\/p>\n<p>Depois que vesti minha roupa, ela disse que minha apneia era &#8220;grave&#8221; e que Shives me daria os detalhes depois. Eu tinha planejado me dar de presente um bom caf\u00e9 da manh\u00e3, mas em vez disso, fui para casa. N\u00e3o estava com fome \u2013 estava com medo.<\/p>\n<p>V\u00e1rias semanas depois, eu estava de volta \u00e0 cl\u00ednica, desta vez durante o dia. Shives me mostrou uma tela cheia de rabiscos e n\u00fameros multicoloridos, havia um pequeno v\u00eddeo em preto e branco de mim dormindo no canto. Foi desconcertante, como ver a imagem de mim mesmo na cena de um crime, morto.<\/p>\n<p>Por falar em morte, eu parei de respirar, Shives me disse, por 112 segundos \u2013 quase dois minutos.<\/p>\n<p>Um n\u00edvel normal de satura\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio no sangue, medido por um ox\u00edmetro de pulso, fica entre 95% e 100%. Pessoas com doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica podem ter uma leitura perto de 80%. A minha, \u00e0s vezes, ca\u00eda para 69%.<\/p>\n<p>Qu\u00e3o grave isso \u00e9? A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), em um guia cir\u00fargico, sugere que, se a oxigena\u00e7\u00e3o do sangue de um paciente cair para 94% ou menos, o m\u00e9dico deve intervir para verificar se as vias a\u00e9reas est\u00e3o bloqueadas, se um pulm\u00e3o entrou em colapso ou se h\u00e1 algum problema de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu tinha poucas op\u00e7\u00f5es. Poderia, segundo Shives, fazer uma uvulopalatofaringoplastia, procedimento t\u00e3o assustador quanto o nome: remover o tecido do palato mole e ampliar as vias a\u00e9reas na parte de tr\u00e1s da garganta.<\/p>\n<p>Mas envolveria muito sangue, e a recupera\u00e7\u00e3o poderia ser longa e complicada. Shives levantou a possibilidade, mas logo depois descartou \u2013 e apresentou a segunda op\u00e7\u00e3o: a m\u00e1scara.<\/p>\n<p>Na primeira d\u00e9cada e meia ap\u00f3s a apneia do sono ser identificada, havia apenas uma op\u00e7\u00e3o de tratamento.<\/p>\n<p>Voc\u00ea podia fazer uma traqueostomia \u2013 procedimento cir\u00fargico que consiste em fazer uma abertura na traqueia para permitir a passagem de ar. O procedimento oferecia al\u00edvio certo, mas apresentava complica\u00e7\u00f5es significativas por si s\u00f3.<\/p>\n<p>&#8220;Nos in\u00edcio, os m\u00e9dicos n\u00e3o sabiam muito&#8221;, diz Alan Schwartz, que recentemente se aposentou como professor de medicina na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos EUA, depois de anos de estudos pioneiros sobre dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12C7D\/production\/_112652967_52905644.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12C7D\/production\/_112652967_52905644.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A apneia do sono significa que voc\u00ea nunca dorme bem, sobrecarregando o corpo e a mente\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A apneia do sono significa que voc\u00ea nunca dorme bem, sobrecarregando o corpo e a mente. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>\u201cNos anos 1980, quando comecei, est\u00e1vamos vendo a ponta do iceberg, pacientes com apneia mais grave. Eles acordavam com dor de cabe\u00e7a, porque os tecidos de seus corpos n\u00e3o recebiam oxig\u00eanio suficiente. E se sentiam muito cansados, como voc\u00ea pode imaginar. Ficavam deprimidos, tinham mudan\u00e7as de humor, ficavam impacientes.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar de todos esses problemas, os pacientes tinham compreensivelmente receio de realizar uma traqueostomia, que hoje \u00e9 \u201cuma op\u00e7\u00e3o cir\u00fargica de \u00faltima inst\u00e2ncia\u201d, realizada apenas em casos de extrema urg\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre ronquei muito e alto, acordando no meio da noite ofegante&#8221;, diz Angela Cackler, de Hot Springs, Arkansas, que foi diagnosticada com apneia do sono em 2008, apesar de acreditar que o dist\u00farbio come\u00e7ou quando ela era \u201cmuito pequena&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2012, ela teve um quadro de insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p>&#8220;Fui para o pronto-socorro porque estava muito cansada, n\u00e3o estava me sentindo bem&#8221;, conta Angela.<\/p>\n<p>\u201cE descobri que era insufici\u00eancia card\u00edaca. Na manh\u00e3 seguinte, eles falaram: &#8216;Vamos fazer uma traqueostomia&#8217;.\u201d<\/p>\n<p>E como \u00e9 viver com uma traqueostomia ap\u00f3s sete anos?<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma batalha&#8221;, diz ela. \u201cExige muita limpeza. \u00c9 desagrad\u00e1vel. D\u00e1 trabalho. Voc\u00ea n\u00e3o respira normalmente. Seu umidificador natural se foi completamente. Voc\u00ea tem que suprir isso. E \u00e9 suscet\u00edvel a infec\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>A maior desvantagem para Angela \u00e9 que a traqueostomia a impede de nadar, uma das suas atividades preferidas. Ela tamb\u00e9m odeia os olhares que recebe das pessoas.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que o procedimento acabou com a apneia.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o ronco e posso respirar e dormir melhor.&#8221;<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que ela se submeteria a tudo isso de novo?<\/p>\n<p>&#8220;Se eu tivesse que fazer de novo, \u00e9 claro que faria&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>&#8220;Salvou minha vida.&#8221;<\/p>\n<p>Os inconvenientes que afetam a vida dos traqueostomizados inspiraram Colin Sullivan, hoje professor de medicina da Universidade de Sydney, na Austr\u00e1lia, a inventar a m\u00e1quina de press\u00e3o positiva cont\u00ednua nas vias a\u00e9reas (CPAP, na sigla em ingl\u00eas), que se tornaria o principal m\u00e9todo de tratamento da apneia do sono.<\/p>\n<p>No fim da d\u00e9cada de 1970, ele foi \u00e0 Universidade de Toronto, no Canad\u00e1, para ajudar um pesquisador a investigar o controle respirat\u00f3rio de c\u00e3es durante o sono. A pesquisa envolvia fornecer gases experimentais para os animais por meio de uma traqueostomia. De volta \u00e0 Austr\u00e1lia, Sullivan projetou uma m\u00e1scara que poderia caber no focinho de um cachorro para liberar os gases.<\/p>\n<p>Um paciente agendado para uma traqueostomia, mas &#8220;ansioso para saber se havia mais algum recurso que pudesse funcionar&#8221; \u2013 nas palavras de Sullivan \u2013, o inspirou a tentar adaptar a m\u00e1scara de cachorro para seres humanos.<\/p>\n<p>Sullivan fez um molde de gesso dos narizes dos pacientes, criando uma m\u00e1scara de fibra de vidro \u00e0 qual os tubos podiam ser conectados. Usou o motor de um aspirador de p\u00f3 como compressor de ar, e a faixa para prender o dispositivo \u00e0 cabe\u00e7a foi adaptada de um capacete de bicicleta.<\/p>\n<p>Em um artigo de 1981, ele e os colegas descreveram como, ao colocar a m\u00e1scara sobre o nariz de cinco pacientes, o CPAP &#8220;impedia completamente a oclus\u00e3o das vias a\u00e9reas superiores&#8221;.<\/p>\n<p>Sullivan patenteou o dispositivo e, ap\u00f3s alguns anos de desenvolvimento, conseguiu chegar a uma vers\u00e3o que poderia ser usada por pessoas com apneia fora do laborat\u00f3rio. Hoje, milh\u00f5es de paciente usam o CPAP, embora muitas vezes o sucesso do aparelho exija perseveran\u00e7a.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12BB\/production\/_106259740_976x549.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12BB\/production\/_106259740_976x549.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Homem deitado\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A maioria das pessoas com apneia n\u00e3o se d\u00e1 conta que tem o dist\u00farbio. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>No entanto, \u00e0 medida que mais pacientes eram tratados e a tecnologia do CPAP era aperfei\u00e7oada \u2013 hoje eles podem enviar dados automaticamente para a nuvem para serem analisados \u2013 os m\u00e9dicos fizeram uma descoberta indesej\u00e1vel: seus primeiros tratamentos muitas vezes n\u00e3o foram bem-sucedidos.<\/p>\n<p>&#8220;No fim dos anos 1980, nos sent\u00e1vamos com um paciente e pergunt\u00e1vamos: &#8216;Como est\u00e1 sendo usar a m\u00e1scara?'&#8221;, lembra Schwartz.<\/p>\n<p>O paciente relatava, falsamente, qu\u00e3o bem a m\u00e1scara estava funcionando.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 come\u00e7armos a colocar chips eletr\u00f4nicos nas m\u00e1quinas no fim dos anos 1990, n\u00e3o t\u00ednhamos no\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o pouco eles estavam usando os aparelhos&#8221;.<\/p>\n<p>Os chips monitoravam por quanto tempo as m\u00e1scaras tinham sido usadas, e os m\u00e9dicos descobriram que n\u00e3o estavam sendo usadas com frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;A m\u00e1scara parece que saiu de um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ruim: \u00e9 grande, volumosa e indiscreta&#8221;, dizia um artigo do jornal americano New York Times em 2012. Estudos sugerem que entre 25% e 50% dos usu\u00e1rios abandonam o aparelho no primeiro ano de uso.<\/p>\n<p>Eu, sem d\u00favida, abandonei.<\/p>\n<p>O CPAP me fez sentir melhor na primeira noite em que usei \u2013 novamente sob observa\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica. Acordei revigorado, alerta, com uma energia que n\u00e3o sentia h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>Mas o efeito positivo da m\u00e1scara diminuiu consideravelmente ap\u00f3s aquela primeira noite deliciosamente restauradora. Fora do laborat\u00f3rio, n\u00e3o consegui reproduzir os benef\u00edcios.<\/p>\n<p>O primeiro \u201cC\u201d de CPAP se refere a \u201ccont\u00ednuo\u201d, o que significa que o fluxo de ar \u00e9 constante, n\u00e3o s\u00f3 quando voc\u00ea inspira, mas tamb\u00e9m quando expira. Voc\u00ea luta contra esse fluxo de ar enquanto expira, e eu acordava sufocando.<\/p>\n<p>Havia ainda o fato da presen\u00e7a cont\u00ednua da m\u00e1scara, presa ao meu rosto. E o ar vazava pelas bordas e secava meus olhos, mesmo fechados.<\/p>\n<p>Na maioria das noites, em algum momento, eu acordava e tirava a m\u00e1scara. De manh\u00e3, checava as estat\u00edsticas e via que quase n\u00e3o estava funcionando.<\/p>\n<p>Depois disso, voltei algumas vezes para a cl\u00ednica, onde Shives ajustaria a press\u00e3o do aparelho ou me incentivaria a experimentar outras m\u00e1scaras. Foram tantas vezes que comecei a me sentir um frequentador ass\u00edduo. Nada parecia funcionar.<\/p>\n<p>Por fim, Shives, exasperada, disse: &#8220;Se voc\u00ea perder 13 kg, o problema pode desaparecer&#8221;.<\/p>\n<p>Embora seja poss\u00edvel ser magro e ter apneia do sono, a obesidade multiplica a probabilidade.<\/p>\n<p>Eu tenho 1,75 m e pesava 68 kg quando me formei na faculdade. Em 2009, estava com 95 kg.<\/p>\n<p>Em 2010, decidi ent\u00e3o perder peso. Eu tinha um objetivo \u2013 os 13kg que Shives havia sugerido. E foi assim que passei de 94,3 kg, em 1 de janeiro de 2010, para 80,73kg, em 31 de dezembro. Perder peso resolveu o problema. Adeus \u00e0 m\u00e1scara.<\/p>\n<p>Mas acontece que eu tinha vencido uma batalha, e n\u00e3o a guerra. Os quilos que eu havia perdido de alguma forma me encontraram novamente, e foram voltando lentamente \u00e0 balan\u00e7a na d\u00e9cada seguinte.<\/p>\n<p>E junto com eles, a apneia voltou. S\u00f3 que eu n\u00e3o tinha percebido isso at\u00e9 o ver\u00e3o de 2019, quando fui submetido a uma cirurgia na coluna.<\/p>\n<p>O question\u00e1rio pr\u00e9-operat\u00f3rio do Northwestern Memorial Hospital, em Chicago, perguntava se \u00e0s vezes eu roncava, se costumava me sentir cansado e se j\u00e1 havia sido diagnosticado com apneia do sono.<\/p>\n<p>Sim, sim e sim.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante saber se as pessoas t\u00eam apneia do sono, pois pode ser um fator de risco para a cirurgia&#8221;, diz Phyllis Zee, diretora do Centro de Medicina Circadiana e do Sono da Northwestern University, nos EUA.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2D06\/production\/_99162511_639562452_976.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2D06\/production\/_99162511_639562452_976.jpg?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"Motocicleta\" width=\"696\" height=\"464\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Um estudo realizado com motoristas na Su\u00e9cia, em 2015, mostrou que aqueles que sofrem de apneia do sono t\u00eam 2,5 vezes mais chance de se envolver em um acidente. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>As perguntas sobre ronco e exaust\u00e3o s\u00e3o importantes porque, apesar dos esfor\u00e7os da comunidade cient\u00edfica para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o problema, a maioria das pessoas com apneia n\u00e3o se d\u00e1 conta que tem o dist\u00farbio.<\/p>\n<p>Um estudo alem\u00e3o de 2017 mostrou que, embora a apneia obstrutiva do sono possa estar presente em at\u00e9 40% da popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3, apenas 1,8% dos pacientes hospitalizados foram identificados como portadores da condi\u00e7\u00e3o \u2013 o que, segundo os autores, se deve possivelmente \u00e0 baixa conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o dist\u00farbio tanto por parte dos pacientes, quanto da equipe m\u00e9dica do hospital.<\/p>\n<p>De acordo com um artigo da revista cient\u00edfica New England Journal of Medicine, h\u00e1 uma &#8220;epidemia&#8221; de apneia do sono entre pacientes cir\u00fargicos nos EUA.<\/p>\n<p>Um em cada quatro candidatos a cirurgia eletiva tem apneia, mas em certos grupos, a taxa \u00e9 ainda maior \u2013 oito em cada dez pacientes em tratamento contra obesidade, por exemplo, apresentam a condi\u00e7\u00e3o, o que resulta em uma s\u00e9rie de riscos.<\/p>\n<p>&#8220;Pacientes com apneia do sono submetidos a cirurgia ortop\u00e9dica ou geral pareciam ter um risco maior de complica\u00e7\u00f5es pulmonares e necessidade de UTI, o que aumenta significativamente os custos com assist\u00eancia m\u00e9dica&#8221;, observaram os autores.<\/p>\n<p>Quando informei no question\u00e1rio de risco cir\u00fargico que j\u00e1 havia sido diagnosticado com apneia do sono, os efeitos foram imediatos.<\/p>\n<p>Minha cirurgia na coluna foi agendada rapidamente \u2013 uma semana depois de o cirurgi\u00e3o ter examinado minha resson\u00e2ncia magn\u00e9tica \u2013 mas naquele breve per\u00edodo, o hospital insistiu em que eu fosse submetido a um estudo de sono caseiro para avaliar a gravidade da apneia.<\/p>\n<p>Em vez de ir para uma cl\u00ednica de sono, levei para casa um kit que me orientava a colocar as faixas do sensor em volta do peito, um ox\u00edmetro de pulso no dedo e um clipe embaixo do nariz para monitorar a respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia eletroencefalograma, e uma desvantagem desses testes caseiros \u00e9 que os aparelhos nunca sabem se voc\u00ea est\u00e1 realmente dormindo ou n\u00e3o enquanto as leituras est\u00e3o sendo feitas.<\/p>\n<p>Ainda assim, a redu\u00e7\u00e3o tanto do custo quanto da inconveni\u00eancia deste tipo de diagn\u00f3stico d\u00e1 esperan\u00e7a de que mais gente descubra que tem apneia \u2013 o custo e o tempo necess\u00e1rios para realizar uma polissonografia em laborat\u00f3rio s\u00e3o considerados uma das raz\u00f5es pelas quais as taxas de diagn\u00f3stico s\u00e3o t\u00e3o baixas.<\/p>\n<p>O teste constatou que eu tinha apneia moderada \u2013 talvez em fun\u00e7\u00e3o de ter mantido 4,5 kg de folga \u2013, informa\u00e7\u00e3o que o anestesista usou na hora de me sedar.<\/p>\n<p>&#8220;A perda de peso \u00e9 curativa&#8221;, diz Philip Smith, professor de Medicina na Universidade Johns Hopkins, especialista em doen\u00e7as pulmonares e apneia do sono.<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que as pessoas n\u00e3o conseguem.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 o fato de que muitos pacientes n\u00e3o conseguem usar o CPAP \u2013 e fica claro que h\u00e1 uma &#8220;necessidade cr\u00edtica n\u00e3o atendida&#8221;, acrescenta Schwartz.<\/p>\n<p>Assim, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, foi lan\u00e7ada uma s\u00e9rie de outros tratamentos.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 1990, um aparelho dent\u00e1rio come\u00e7ou a ser usado por quem n\u00e3o era capaz de tolerar a m\u00e1scara.<\/p>\n<p>&#8220;A apneia obstrutiva do sono ocorre no fundo da boca&#8221;, diz David Turok, dentista especializado em apneia.<\/p>\n<p>&#8220;Basicamente, a l\u00edngua n\u00e3o encontra espa\u00e7o suficiente na boca e recua at\u00e9 as vias a\u00e9reas. O CPAP for\u00e7a a l\u00edngua a sair do caminho empurrando o ar para baixo. O aparelho oral traz a mand\u00edbula inferior para a frente, e a l\u00edngua vem junto com ela.\u201d<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/103C7\/production\/_102130566_4.gettyimages-894946434.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/103C7\/production\/_102130566_4.gettyimages-894946434.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Mulher dormindo\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Bom sono \u00e9 essencial para bem-estar. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Imagine um aparelho ortod\u00f4ntico, que usa os dentes superiores como \u00e2ncora para empurrar os dentes inferiores e, com eles, a mand\u00edbula inferior para a frente, alargando as vias a\u00e9reas na parte de tr\u00e1s da garganta.<\/p>\n<p>Mas, assim como o CPAP, o aparelho oral tampouco \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o perfeita. Ele mant\u00e9m a mand\u00edbula em uma posi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 natural, ent\u00e3o pode ser desconfort\u00e1vel, e o uso prolongado pode mudar a mordida do paciente, deixando a mand\u00edbula para a frente. A press\u00e3o que ele exerce tamb\u00e9m pode alterar um pouco a posi\u00e7\u00e3o dos dentes.<\/p>\n<p>No entanto, durante os anos em que se dedicou ao tratamento da apneia, Turok diz que a maioria de seus pacientes teve sucesso com um aparelho oral.<\/p>\n<p>&#8220;Mas esses s\u00e3o casos leves a moderados&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>\u201cPara algu\u00e9m com apneia do sono grave, \u00e9 prefer\u00edvel usar o CPAP. Eu nunca digo que voc\u00ea tem uma escolha. Voc\u00ea precisa experimentar o CPAP primeiro.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, a maneira mais segura de lidar com a apneia, para pacientes que n\u00e3o conseguem se adaptar ao CPAP ou aos aparelhos orais, \u00e9 a cirurgia de avan\u00e7o mandibular, um procedimento melhor do que ampliar os tecidos moles da garganta.<\/p>\n<p>&#8220;A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil porque se trata de cicatriza\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, e n\u00e3o de cicatriza\u00e7\u00e3o de tecidos&#8221;, explica Turok.<\/p>\n<p>Mas esta cirurgia tamb\u00e9m tem desvantagens, incluindo a necessidade de quebrar a mand\u00edbula em dois locais e a mobiliza\u00e7\u00e3o da boca ap\u00f3s a cirurgia, o que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s era feito com arames.<\/p>\n<p>Uma outra estrat\u00e9gia \u00e9, em ess\u00eancia, a vers\u00e3o el\u00e9trica do aparelho oral: a estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica do nervo hipoglosso (HNS, na sigla em ingl\u00eas), em que uma pequena carga el\u00e9trica \u00e9 usada para fazer a l\u00edngua se contrair e impedir que ela caia para tr\u00e1s durante o sono.<\/p>\n<p>Lawrence Epstein, ex-presidente da Academia Americana de Medicina do Sono, classifica o CPAP como \u201ca primeira linha de terapia recomendada\u201d, mas diz que o tratamento \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u201cmais sobre conhecer todas as op\u00e7\u00f5es e tentar adequar o tratamento ao que o paciente tem e ao que ele estaria disposto a usar\u201d.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/96F5\/production\/_89654683_obese147220211.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/96F5\/production\/_89654683_obese147220211.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Homem obeso\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Excesso de peso pode contribuir para apneia. Direito de imagem SCIENCE PHOTO LIBRARY<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Ele ressalta que, embora a apneia obstrutiva do sono seja vista como uma condi\u00e7\u00e3o \u00fanica, ela \u00e9 motivada por v\u00e1rias causas \u2013 configura\u00e7\u00e3o facial e da garganta, tens\u00e3o muscular, obesidade \u2013 e, portanto, nem todo tratamento funciona da mesma maneira para todos os pacientes.<\/p>\n<p>\u201cTemos tratamentos muito eficazes, mas todos apresentam desvantagens. \u00c9 uma quest\u00e3o de combinar o tratamento certo com o paciente certo.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas um teste a fazer: &#8220;Certifique-se de que funcione&#8221;, diz ele, observando que &#8220;ainda temos um longo caminho pela frente&#8221; quando se trata de aperfei\u00e7oar o tratamento.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que, um dia, haja um comprimido para tratar a apneia.<\/p>\n<p>&#8220;O futuro \u00e9 neuroqu\u00edmico&#8221;, afirma Smith, da Universidade Johns Hopkins.<\/p>\n<p>\u201cPodemos tratar a apneia em ratos. Provavelmente nos pr\u00f3ximos dez anos, talvez cinco anos, voc\u00ea vai poder tomar rem\u00e9dio para apneia do sono, porque \u00e9 um problema neuroqu\u00edmico. N\u00e3o \u00e9 a obesidade em si, n\u00e3o \u00e9 a gordura pressionando as vias a\u00e9reas, mas a gordura libera certos horm\u00f4nios que levam ao colapso das vias a\u00e9reas.&#8221;<\/p>\n<p>Schwartz \u00e9 mais cauteloso \u2013 ele acha que &#8220;\u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o dos dois&#8221; fatores \u2013, mas tamb\u00e9m est\u00e1 investigando os horm\u00f4nios secretados pelas c\u00e9lulas adiposas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda experimentos promissores realizados com humanos. Um estudo de 2017 mostrou que o dronabinol, vers\u00e3o sint\u00e9tica de uma mol\u00e9cula encontrada na cannabis, reduz a gravidade da apneia do sono em compara\u00e7\u00e3o com um placebo, al\u00e9m de ser &#8220;seguro e bem tolerado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O aparelho CPAP tem como alvo o problema f\u00edsico, n\u00e3o a causa&#8221;, escreveu Phyllis Zee, principal autora do estudo.<\/p>\n<p>\u201cA droga tem como alvo o c\u00e9rebro e os nervos que regulam os m\u00fasculos das vias a\u00e9reas superiores. E altera os neurotransmissores do c\u00e9rebro que se comunicam com os m\u00fasculos. \u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 outras not\u00edcias promissoras. Um pequeno estudo internacional duplo-cego com dois medicamentos combinados \u2013 atomoxetina e oxibutinina \u2013 mostrou que eles \u201creduziram bastante\u201d a apneia, diminuindo a obstru\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas durante o sono em pelo menos 50% em todos os participantes.<\/p>\n<p>Mas para algu\u00e9m como eu, que luta contra a apneia agora, a espera pode ser longa.<\/p>\n<p>&#8220;A previs\u00e3o \u00e9 que em 20 anos teremos alguma droga para lidar com o problema&#8221;, estima Schwartz.<\/p>\n<p>&#8220;O \u00fanico problema \u00e9 que houve um atraso acumulado de 20 anos. N\u00f3s vamos chegar l\u00e1, n\u00e3o tenho d\u00favida. H\u00e1 algumas abordagens farmacol\u00f3gicas promissoras no horizonte. \u201d<\/p>\n<p>A paci\u00eancia e a assist\u00eancia m\u00e9dica est\u00e3o frequentemente ligadas, seja \u00e0 espera da chegada de novos tratamentos ao mercado, \u00e0 espera de mudan\u00e7as no estilo de vida para dar frutos, ou at\u00e9 mesmo \u00e0 espera de encontrar o especialista certo.<\/p>\n<p>No meu caso, voltei \u00e0 dieta e estou aguardando uma nova consulta com um especialista do sono.<\/p>\n<p>Para ter uma ideia de quantas pessoas est\u00e3o lidando com essa condi\u00e7\u00e3o, quando descobri que a apneia havia voltado, entrei em contato com a cl\u00ednica do sono para marcar uma consulta \u2013 e eles s\u00f3 tinham hor\u00e1rio para tr\u00eas meses depois.<\/p>\n<p><i>Esta \u00e9 uma vers\u00e3o editada de um artigo que foi publicado pela primeira vez no site Mosaic e republicado aqui sob a licen\u00e7a Creative Commons.<\/i><\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Neil Steinberg\/<\/span><span class=\"byline__title\">BBC Future &#8211; dispon\u00edvel na internet 15\/06\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apneia do sono: por que parar de respirar enquanto dorme \u00e9 t\u00e3o perigoso Pensei que estivesse morrendo. Durante o dia, eu ficava t\u00e3o cansado que meus joelhos cambaleavam. Ao dirigir, minha cabe\u00e7a pesava. Meu rosto denunciava sem piedade o esgotamento f\u00edsico. \u00c0 noite, eu dormia mal, com as pernas agitadas, depois acordava sobressaltado, ofegante, com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":49229,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-49228","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/apneia-do-sono.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49228"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49228\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}