{"id":49499,"date":"2020-06-23T02:00:35","date_gmt":"2020-06-23T05:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=49499"},"modified":"2020-06-23T05:10:51","modified_gmt":"2020-06-23T08:10:51","slug":"quarentena-afeta-dieta-de-quase-metade-da-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/06\/23\/quarentena-afeta-dieta-de-quase-metade-da-populacao\/","title":{"rendered":"Quarentena afeta dieta de quase metade da popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"row\">A pandemia do coronav\u00edrus n\u00e3o mudou apenas o jeito de a gente trabalhar e se relacionar. A nossa forma de se alimentar tamb\u00e9m sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o radical nos \u00faltimos meses.&nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 main-news\">\n<div id=\"pw-P_1.3340374\" class=\"pw-container\" data-acesso=\"0\" data-coluna=\"\" data-categoria=\"\">\n<div id=\"sw-P_1.3340374\" class=\"pw-container\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"col-xs-12 col-sm-offset-1 col-sm-11\">\n<div class=\"row n--noticia__body\">\n<section class=\"col-xs-12 col-content col-center \">\n<div class=\"content n--noticia__content\">\n<p>Com restaurantes fechados ao p\u00fablico, quase todo mundo passou a fazer as refei\u00e7\u00f5es em casa. At\u00e9 quem recorreu ao delivery, abrindo brechas para varia\u00e7\u00f5es no card\u00e1pio, tornou-se mais dependente da comida de casa. Mesmo agora, com a flexibiliza\u00e7\u00e3o da quarentena e o retorno gradual ao trabalho, nada indica que a situa\u00e7\u00e3o v\u00e1 mudar t\u00e3o cedo neste quesito.<\/p>\n<p>Em muitas cidades, os restaurantes ainda dever\u00e3o demorar algumas semanas para reabrir &#8211; e, quando o fizerem, provavelmente o esquema ser\u00e1 bem diferente, com maior dist\u00e2ncia entre as mesas e outras medidas de prote\u00e7\u00e3o aos clientes. \u00c9 prov\u00e1vel tamb\u00e9m que boa parte da clientela potencial, ainda temerosa do cont\u00e1gio, continue a comer mais em casa, fazendo pedidos ocasionais pelo delivery. O melhor, ent\u00e3o, \u00e9 se acostumar ao \u201cnovo normal\u201d, cuja dura\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever no momento, e tirar o melhor proveito disso.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ansiedade<\/strong>. A quest\u00e3o \u00e9 que nem sempre comer em casa \u00e9 sin\u00f4nimo de uma alimenta\u00e7\u00e3o de melhor qualidade e mais saud\u00e1vel. Muitas vezes, estar em casa acaba sendo uma esp\u00e9cie de passaporte para todos os tipos de excessos.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o h\u00e1 muito tempo dentro de casa e muitas vezes acabam descontando a ansiedade na alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, diz Marcia Nacif Pinheiro, professora do curso de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente est\u00e1 em casa e h\u00e1 muitos alimentos dispon\u00edveis, fica f\u00e1cil ir at\u00e9 a geladeira, at\u00e9 o arm\u00e1rio, e beliscar o tempo todo. No trabalho, a gente tem hor\u00e1rios espec\u00edficos para se alimentar, tem a hora do almo\u00e7o, \u00e0s vezes um intervalo para um caf\u00e9, e consegue manter uma rotina mais rigorosa.\u201d<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 pesquisas aprofundadas e com rigor metodol\u00f3gico sobre a alimenta\u00e7\u00e3o na pandemia. Mas um levantamento realizado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no fim de maio aponta que quatro em cada dez brasileiros alteraram os h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o, para o bem ou para o mal.&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/509f6b15-53eb-41ab-8d03-0e695e35c242.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-49500 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/509f6b15-53eb-41ab-8d03-0e695e35c242.jpg?resize=591%2C741\" alt=\"\" width=\"591\" height=\"741\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/509f6b15-53eb-41ab-8d03-0e695e35c242.jpg?w=479&amp;ssl=1 479w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/509f6b15-53eb-41ab-8d03-0e695e35c242.jpg?resize=239%2C300&amp;ssl=1 239w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/509f6b15-53eb-41ab-8d03-0e695e35c242.jpg?resize=335%2C420&amp;ssl=1 335w\" sizes=\"auto, (max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/a09f0b87-b1db-49f3-86a1-4f46c23743e2-scaled.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-49501 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/a09f0b87-b1db-49f3-86a1-4f46c23743e2-scaled.jpg?resize=500%2C800\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/a09f0b87-b1db-49f3-86a1-4f46c23743e2-scaled.jpg?w=375&amp;ssl=1 375w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/a09f0b87-b1db-49f3-86a1-4f46c23743e2-scaled.jpg?resize=188%2C300&amp;ssl=1 188w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/a09f0b87-b1db-49f3-86a1-4f46c23743e2-scaled.jpg?resize=263%2C420&amp;ssl=1 263w, https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/a09f0b87-b1db-49f3-86a1-4f46c23743e2-scaled.jpg?resize=525%2C840&amp;ssl=1 525w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Vontade de comer<\/strong>. A pesquisa, feita por telefone com mais de 2 mil pessoas de todo o Pa\u00eds, inclu\u00eda uma \u00fanica pergunta para apurar se o entrevistado passou a comer mais ou menos.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para separar, portanto, quantos est\u00e3o comendo melhor e quantos, pior. De qualquer forma, o levantamento traduz em n\u00fameros o que j\u00e1 se podia deduzir a olho nu: quase metade da popula\u00e7\u00e3o afirma ter mudado os h\u00e1bitos alimentares durante o confinamento.<\/p>\n<p>Outro estudo, realizado por um grupo de pesquisadores das \u00e1reas de endocrinologia, patologia e psicologia, refor\u00e7a os dados apurados pelo minist\u00e9rio e vai al\u00e9m. Segundo a pesquisa, que ouviu 1.470 pessoas por meio de um question\u00e1rio online, um em cada dois entrevistados sentiram mais vontade de comer, mesmo quando n\u00e3o estavam com fome, e 23% ganharam peso. Pelo levantamento, o ganho m\u00e9dio de peso foi de 2,6 kg. O intervalo oscilou entre um m\u00ednimo de R$ 1,1 kg e um m\u00e1ximo de 12 kg no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Um mergulho nas buscas do Google permite entender melhor por que tanta gente engordou na pandemia. O Google n\u00e3o divulga n\u00fameros, mas informa que as receitas mais buscadas no Brasil desde 15 de mar\u00e7o, foram, pela ordem, as de panqueca, brownie, bolo, pudim e p\u00e3o, todas com altos \u00edndices de calorias.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entretenimento<\/strong>. Por meio do Google Trends, \u00e9 poss\u00edvel obter dados mais detalhados sobre as buscas de receitas. Entre 15 pratos selecionados pela reportagem, as receitas com maior crescimento na quarentena (de 20 de mar\u00e7o, quando foi decretado o estado de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria do v\u00edrus, a 6 de junho), em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-pandemia (de 1.\u00ba de janeiro a 19 de mar\u00e7o) foram as de brownie, com alta de 234,2%; de esfiha, com 232,8%; de p\u00e3o, com 143,1%, de empad\u00e3o, com 122,3%, e de coxinha, com 121,3%.&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo quem sempre se preocupou com uma refei\u00e7\u00e3o mais equilibrada passou a comer mais, bem mais do que antes, e a consumir alimentos de pior qualidade nutricional. N\u00e3o s\u00f3 porque, al\u00e9m da televis\u00e3o, uma das poucas atividades que restaram foi comer. Cozinhar sozinho ou com a fam\u00edlia tornou-se uma forma de entretenimento.<\/p>\n<p>\u201cUma coisa que a gente tem percebido \u00e9 que as pessoas n\u00e3o t\u00eam ido tanto ao supermercado e t\u00eam feito compras online. Por isso, compram alimentos que duram mais, com prazo de validade maior, e os consomem de forma exagerada\u201d, afirma M\u00e1rcia Pinheiro. \u201cMuitas vezes, esses alimentos s\u00e3o mais industrializados e costumam ter uma quantidade maior de gordura, de a\u00e7\u00facar e de s\u00f3dio.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ela, o pre\u00e7o pelos excessos ser\u00e1 cobrado logo mais, tanto pela balan\u00e7a quanto pelo aumento do risco de o consumidor desenvolver ou aprofundar dist\u00farbios cardiovasculares, diabetes e outras doen\u00e7as. Ainda mais se levarmos em conta que, com as academias e os clubes ainda fechados em quase todo o Pa\u00eds, quem fazia exerc\u00edcios regularmente acabou, em alguns casos, deixando o sedentarismo tomar conta.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cMuitas pessoas n\u00e3o est\u00e3o fazendo nenhum tipo de exerc\u00edcio e comem s\u00f3 bolo, chocolate e salgadinho. A\u00ed, n\u00e3o tem jeito, engorda mesmo\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Meio-termo<\/strong>. Surpreendentemente, ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar no in\u00edcio da pandemia, um n\u00famero consider\u00e1vel de brasileiros tem conseguido fazer refei\u00e7\u00f5es mais balanceadas, comendo mais vegetais, legumes e frutas, e est\u00e1 at\u00e9 fazendo mais exerc\u00edcios, para compensar eventuais abusos na quantidade e para se proteger dos efeitos da doen\u00e7a em caso de cont\u00e1gio. De acordo com um estudo da FAO (ag\u00eancia da ONU para agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o), a obesidade \u00e9 um dos principais agravantes dos males causados pelo coronav\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA gente tem escutado relatos de alguns pacientes que mudaram sua alimenta\u00e7\u00e3o para melhor, porque passaram a cozinhar em casa, com a fam\u00edlia, e a ter mais tempo para fazer as refei\u00e7\u00f5es\u201d, afirma a nutricionista. \u201cQuando a gente come fora n\u00e3o tem como controlar a prepara\u00e7\u00e3o dos pratos, dosando a quantidade de \u00f3leo, de sal e de a\u00e7\u00facar\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, em sua avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 preciso deixar de consumir guloseimas e comidas saborosas para ter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. O importante, para ela, \u00e9 encontrar o meio-termo.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDe forma alguma, acredito que \u00e9 preciso se privar todos os dias desses alimentos industrializados, mas eles t\u00eam de ser consumidos com modera\u00e7\u00e3o\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSe, ao longo do dia, voc\u00ea consumir frutas, verduras, arroz com feij\u00e3o, um frango com pouca gordura, tudo bem comer um chocolate ou tomar um copo de vinho no final do dia. O que n\u00e3o pode \u00e9 achar que, por estar isolado, d\u00e1 para comer s\u00f3 porcaria desde o caf\u00e9 da manh\u00e3 at\u00e9 o jantar diariamente. Tem de encontrar um meio-termo, ter prazer na comida, mas n\u00e3o prejudicar a sua sa\u00fade.\u201d Cabe a cada um de n\u00f3s encontrar esse ponto de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Jos\u00e9 Fucs\/O Estado de S.Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 23\/06\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia do coronav\u00edrus n\u00e3o mudou apenas o jeito de a gente trabalhar e se relacionar. A nossa forma de se alimentar tamb\u00e9m sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o radical nos \u00faltimos meses.&nbsp;&nbsp; &nbsp; Com restaurantes fechados ao p\u00fablico, quase todo mundo passou a fazer as refei\u00e7\u00f5es em casa. 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