{"id":50010,"date":"2020-07-06T02:30:45","date_gmt":"2020-07-06T05:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50010"},"modified":"2020-07-05T11:32:56","modified_gmt":"2020-07-05T14:32:56","slug":"montanha-de-lixo-eletronico-nao-para-de-crescer-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/06\/montanha-de-lixo-eletronico-nao-para-de-crescer-no-mundo\/","title":{"rendered":"Montanha de lixo eletr\u00f4nico n\u00e3o para de crescer no mundo"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">De todas as montanhas de lixo geradas no mundo, a dos eletroeletr\u00f4nicos \u00e9 a que cresce mais r\u00e1pido: s\u00e3o 53 milh\u00f5es de toneladas por ano. Teoricamente, tudo poderia ser reciclado.<\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Se as regi\u00f5es com a maior produ\u00e7\u00e3o per capita de lixo eletr\u00f4nico forem escurecidas num mapa mundi, ficar\u00e1 escuro na Europa, na Am\u00e9rica do Norte, na Austr\u00e1lia e na Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Um americano gera, em m\u00e9dia, mais de 19 kg de lixo eletr\u00f4nico por ano. Um alem\u00e3o, cerca de 23 kg, e um noruegu\u00eas, at\u00e9 mesmo mais de 28 kg.<\/p>\n<p>Em todo o mundo s\u00e3o 53 milh\u00f5es de toneladas de lixo eletr\u00f4nico por ano, composto de todo tipo de aparelhos, como celulares, computadores, geladeiras e c\u00e9lulas fotovoltaicas, afirma o mais recente estudo sobre o tema, apresentado pela Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas nesta quinta-feira (02\/07).<\/p>\n<p>A maior parte desses produtos vai parar no lixo &#8211; ainda que eles n\u00e3o sejam, nem de longe, sem valor. Dentro deles h\u00e1, com frequ\u00eancia, materiais como ouro, prata, platina, cobre, ferro ou terras raras, no valor total estimado de 57 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Mesmo assim, no ano passado menos de um quinto dessa montanha de lixo foi reciclada. O resto tem destino incerto. Em parte vai parar no lixo comum e acaba sendo largada num lix\u00e3o ou queimada. Outra parte vai parar na m\u00e3o de comerciantes que consertam eletrodom\u00e9sticos e os revendem em pa\u00edses de renda per capita mais baixa do que as na\u00e7\u00f5es industrializadas.<\/p>\n<p>Uma parte consider\u00e1vel desse lixo (estimativas afirmam que de 7% a 20%) \u00e9 exportada de forma ilegal, sob o manto do reaproveitamento ou sob o pretexto de que se trata de sucata.<\/p>\n<p>Assim, velhos equipamentos eletr\u00f4nicos de pa\u00edses ricos v\u00e3o parar em dep\u00f3sitos de lixo no Leste Europeu, na \u00c1sia ou na \u00c1frica. L\u00e1 acabam sendo recolhidos e desmontados ou simplesmente queimados.<\/p>\n<p>Esse desmonte ocorre sem o uso de luvas ou qualquer tipo de prote\u00e7\u00e3o. A queima tamb\u00e9m \u00e9 perigosa, tanto para a sa\u00fade humana como para o meio ambiente, pois, al\u00e9m de materiais valiosos, eletrodom\u00e9sticos tamb\u00e9m podem conter subst\u00e2ncias venenosas.<\/p>\n<p>Todo o lixo eletr\u00f4nico gerado no mundo cont\u00e9m cerca de 50 toneladas de merc\u00fario, 71 mil toneladas de produtos retardantes de chamas bromados e 98 milh\u00f5es de toneladas de CO2 equivalentes, afirma o estudo.<\/p>\n<p>De todas as montanhas de lixo geradas no mundo, a dos eletroeletr\u00f4nicos \u00e9 a que cresce de forma mais r\u00e1pida. &#8220;Nos \u00faltimos cinco anos, a quantidade de lixo eletr\u00f4nico cresceu tr\u00eas vezes mais rapidamente do que a popula\u00e7\u00e3o mundial e 13% mais rapidamente do que o PIB de todos os pa\u00edses&#8221;, afirma o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, Antonis Mavropoulos.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma classe m\u00e9dia crescente em muitos pa\u00edses que, h\u00e1 alguns anos, ainda eram t\u00edpicos pa\u00edses em desenvolvimento. E neles h\u00e1 uma grande demanda reprimida&#8221;,comenta R\u00fcdiger K\u00fchr, um dos autores do estudo e diretor do programa de ciclos sustent\u00e1veis da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Europa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 cada vez mais aparelhos el\u00e9tricos, diz K\u00fchr, mencionando como exemplos o carro el\u00e9trico, a bicicleta el\u00e9trica e at\u00e9 jogos de sal\u00e3o. E a velocidade com que novos computadores e celulares tiram do mercado os modelos antigos tamb\u00e9m aumenta.<\/p>\n<p>Assim, a quantidade global anual de lixo eletr\u00f4nico poder\u00e1 passar para 74 milh\u00f5es de toneladas em 2030, calcula o estudo. Isso poder\u00e1 resultar em trag\u00e9dia para o meio ambiente e para a sa\u00fade de muitas pessoas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o precisa ser assim. K\u00fchr afirma que a cota de reciclagem de eletr\u00f4nicos poderia chegar a 100%. Mas o mundo est\u00e1 longe disso. Mesmo na Europa, onde se queria chegar a 65% em 2019, a cota atual \u00e9 de 42%.<\/p>\n<p>K\u00fchr defende a cria\u00e7\u00e3o de novos ciclos econ\u00f4micos. Por exemplo, os consumidores n\u00e3o comprariam mais os produtos, mas o servi\u00e7o por eles prestado. O produto continuaria sendo propriedade do fabricante.<\/p>\n<p>Como este teria interesse em oferecer o melhor servi\u00e7o aos seus clientes, teria tamb\u00e9m interesse em oferecer bons produtos e em investir em inova\u00e7\u00f5es. Ele tamb\u00e9m teria interesse em fabricar produtos mais f\u00e1ceis de serem consertados e de serem reciclados, pois venderia o servi\u00e7o que o produto oferece e n\u00e3o o pr\u00f3prio produto.<\/p>\n<p>Esse modelo j\u00e1 existe em alguns pa\u00edses, por exemplo com celulares ou m\u00e1quinas copiadoras.<\/p>\n<p>K\u00fchr defende ainda que o consumidor exija dos fabricantes mais informa\u00e7\u00f5es sobre os efeitos dos produtos sobre o meio ambiente e sobre a taxa de reciclagem deles. Essas informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 existem, mas n\u00e3o s\u00e3o utilizadas como argumento de compra.<\/p>\n<p>&#8220;Acho espantoso que, no atual debate sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, no qual o setor automobil\u00edstico e a avia\u00e7\u00e3o civil fazem publicidade com iniciativas ambientais, a ind\u00fastria de eletroeletr\u00f4nicos deixe completamente de lado esse tema&#8221;, diz K\u00fchr.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 06\/07\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De todas as montanhas de lixo geradas no mundo, a dos eletroeletr\u00f4nicos \u00e9 a que cresce mais r\u00e1pido: s\u00e3o 53 milh\u00f5es de toneladas por ano. Teoricamente, tudo poderia ser reciclado. 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