{"id":50042,"date":"2020-07-07T02:00:11","date_gmt":"2020-07-07T05:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50042"},"modified":"2020-07-07T05:29:16","modified_gmt":"2020-07-07T08:29:16","slug":"apos-seis-meses-o-que-se-sabe-sobre-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/07\/apos-seis-meses-o-que-se-sabe-sobre-a-covid-19\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s seis meses, o que se sabe sobre a covid-19?"},"content":{"rendered":"<p class=\"intro\">Meio ano se passou desde que o v\u00edrus Sars-Cov-2 foi anunciado na China. O que se sabe at\u00e9 agora sobre a doen\u00e7a que virou pandemia e j\u00e1 atingiu mais de 11 milh\u00f5es de pessoas, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>As autoridades chinesas anunciaram pela primeira vez que um novo v\u00edrus estava grassando na cidade de Wuhan na segunda semana de janeiro. Seis meses depois, a DW faz um levantamento sobre a evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus Sars-Cov-2 em pandemia e os esfor\u00e7os para debelar a covid-19:<\/p>\n<p><strong>A origem<\/strong><\/p>\n<p>Quando as autoridades anunciaram a exist\u00eancia do v\u00edrus, a primeira infec\u00e7\u00e3o de uma pessoa por um vertebrado j\u00e1 havia acontecido h\u00e1 v\u00e1rias semanas.<\/p>\n<p>Inicialmente, as autoridades aparentemente tentaram eliminar pistas. At\u00e9 hoje, n\u00e3o est\u00e1 claro exatamente quando e onde o v\u00edrus passou de um animal para humanos. \u00c9 poss\u00edvel que a transmiss\u00e3o tenha acontecido de um morcego para um hospedeiro intermedi\u00e1rio, talvez um c\u00e3o-guaxinim, e depois para os humanos.<\/p>\n<p><strong>O v\u00edrus<\/strong><\/p>\n<p>Os virologistas chineses decodificaram as informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas do pat\u00f3geno em tempo recorde. J\u00e1 em 21 de janeiro, eles publicaram a estrutura do genoma e, tr\u00eas dias depois, uma descri\u00e7\u00e3o exata do v\u00edrus. Isso permitiu que m\u00e9dicos e microbiologistas em todo o mundo come\u00e7assem o desenvolvimento de rem\u00e9dios e vacinas.<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica do v\u00edrus \u00e9 a enzima conversora de angiotensina ACE-2 (sigla do nome em ingl\u00eas &#8220;angiotensin-converting enzyme 2&#8221;), que est\u00e1 em sua superf\u00edcie. Essa prote\u00edna \u00e9 crucial para a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 c\u00e9lula hospedeira. Por isso, grande parte da busca por medicamentos e vacinas concentra-se na forma de tornar esta prote\u00edna ineficaz.<\/p>\n<p><strong>A transmiss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Estudos conclu\u00edram que o v\u00edrus se aloja particularmente na garganta e nos pulm\u00f5es. Os maiores riscos de contamina\u00e7\u00e3o s\u00e3o o contato e aeross\u00f3is. Especialmente sistemas de ar condicionado s\u00e3o perigosos. Tamb\u00e9m salas fechadas com muitas pessoas devem ser evitadas. \u00c9 por isso que as medidas de isolamento, com o fechamento de locais de entretenimento, o cancelamento de feiras e eventos importantes, tamb\u00e9m foram eficazes para conter a epidemia.<\/p>\n<p>As cadeias de infec\u00e7\u00e3o maiores podem ser rastreadas at\u00e9 os chamados eventos de contamina\u00e7\u00e3o super-r\u00e1pida (&#8220;superspreader&#8221;, do ingl\u00eas). O uso da m\u00e1scara bucal foi adotado em quase todos os pa\u00edses do mundo. No entanto, muitos m\u00e9dicos questionam se a maioria das pessoas \u00e9 realmente capaz de us\u00e1-la na vida cotidiana de forma a impedir uma poss\u00edvel transmiss\u00e3o do v\u00edrus. Lavar as m\u00e3os com frequ\u00eancia, manter dist\u00e2ncia de outras pessoas e ventilar os locais em que nos encontramos continuam sendo medidas importantes.<\/p>\n<p>Mesmo que alguns animais de estima\u00e7\u00e3o, como gatos, possam se contaminar com humanos, eles n\u00e3o desempenham um papel relevante nas cadeias de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Sintomas e grupos de risco<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente circulou a tese de que o novo coronav\u00edrus n\u00e3o \u00e9 mais perigoso do que uma gripe sazonal. Hoje, no entanto, sabe-se que a covid-19 se assemelha \u00e0 devastadora gripe espanhola de 1918. Embora muitas pessoas contaminadas n\u00e3o apresentem sintomas da doen\u00e7a, a infec\u00e7\u00e3o por Sars-Cov-2 pode atingir outros pacientes de forma arrasadora, causando sua morte. Os grupos de risco s\u00e3o pessoas com doen\u00e7as anteriores, idosos, portadores do&nbsp;grupo sangu\u00edneo A&nbsp;e&nbsp;homens.<\/p>\n<p>Patologistas que examinaram as v\u00edtimas de covid-19 confirmaram que press\u00e3o alta, diabetes, c\u00e2ncer, insufici\u00eancia renal, cirrose hep\u00e1tica e doen\u00e7as cardiovasculares est\u00e3o entre as doen\u00e7as pr\u00e9-existentes mais perigosas.<\/p>\n<p><strong>Curso da doen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Formas leves de covid-19 podem se manifestar como um resfriado. T\u00edpicos s\u00e3o dor de garganta, problemas respirat\u00f3rios e perda do olfato e do paladar. Por outro lado, os casos mais graves podem levar a uma fal\u00eancia m\u00faltipla dos \u00f3rg\u00e3os. Estes geralmente levam \u00e0 septicemia, uma rea\u00e7\u00e3o exagerada do sistema imunol\u00f3gico, atacando os pr\u00f3prios tecidos e \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>No decurso grave da doen\u00e7a, \u00e9 portanto muito importante de que forma o sistema imunol\u00f3gico reage ao pat\u00f3geno.<\/p>\n<p><strong>O tratamento<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio da pandemia de coronav\u00edrus, muitos pacientes graves foram colocados em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/universidades-brasileiras-se-adaptam-para-responder-%C3%A0-pandemia\/a-53073888\">m\u00e1quinas respirat\u00f3rias<\/a>&nbsp;precocemente e mesmo assim morreram. Atualmente, as unidades de terapia intensiva abdicaram da ventila\u00e7\u00e3o padr\u00e3o porque os pneumologistas viram que a respira\u00e7\u00e3o artificial sob press\u00e3o nos pulm\u00f5es mais prejudica do que ajuda.<\/p>\n<p>Enquanto os pacientes conseguem respirar, eles recebem oxig\u00eanio sem serem conectados a um aparelho respirat\u00f3rio. A intuba\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas uma op\u00e7\u00e3o em emerg\u00eancias extremas.<\/p>\n<p>Em muitos casos, se os rins forem severamente danificados pela covid-19, torna-se necess\u00e1ria a hemodi\u00e1lise. Os cuidados intensivos exigem uma aten\u00e7\u00e3o maior tamb\u00e9m aos outros \u00f3rg\u00e3os atingidos.<\/p>\n<p>Em cl\u00ednicas especializadas, a cura pode ser acelerada com a administra\u00e7\u00e3o de anticorpos do sangue de pacientes que se recuperaram de covid-19.&nbsp; Nesse caso, o sistema imunol\u00f3gico inicia a luta contra o v\u00edrus no corpo do paciente que recebeu o sangue.<\/p>\n<p>Basicamente, ap\u00f3s o tratamento intensivo, os pacientes ainda precisam passar por longas medidas de reabilita\u00e7\u00e3o personalizadas, que tamb\u00e9m consideram as doen\u00e7as pr\u00e9vias espec\u00edficas e poss\u00edveis danos aos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>A medica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O \u00fanico rem\u00e9dio que consegue encurtar o curso da doen\u00e7a \u00e9 o&nbsp;Remdesivir, que por isso ficou muito concorrido no mercado farmac\u00eautico. Ele consegue reduzir em alguns dias o processo de cura em pacientes que recebem oxig\u00eanio, mas isso n\u00e3o quer dizer que ele aumente&nbsp;as chances de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre outros medicamentos em teste&nbsp;est\u00e3o o anti-inflamat\u00f3rio&nbsp;Dexametasona, o antiviral Avigan e o medicamento para mal\u00e1ria&nbsp;cloroquina. A efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a dos dois primeiros medicamentos ainda n\u00e3o foram comprovadas de maneira conclusiva, e ainda existem fortes d\u00favidas sobre o terceiro.<\/p>\n<p><strong>A vacina<\/strong><\/p>\n<p>Pelo menos 160&nbsp;pesquisas com vacinas&nbsp;foram iniciadas em todo o mundo at\u00e9 29 de junho de 2020. Eles s\u00e3o essencialmente divididos em tr\u00eas tipos de vacina: vacinas vivas, vacinas mortas e vacinas de \u00e1cido ribonucleico (ARN), baseadas em genes.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo, no entanto, \u00e9 um estudo pioneiro porque ainda n\u00e3o existem vacinas permitidas nesse campo. As duas candidatas a vacinas aprovadas na Alemanha, da Biontec e CureVac, s\u00e3o essas vacinas de ARN.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma vacina contra tuberculose j\u00e1 aprovada, que, no entanto, n\u00e3o \u00e9 direcionada especificamente contra o Sars-Cov-2, mas fortalece a imunidade b\u00e1sica inata dos seres humanos. Cientistas do Instituto Max Planck de Biologia de Infec\u00e7\u00f5es, em Berlim, est\u00e3o otimizando geneticamente esta&nbsp;vacina.<\/p>\n<p>Segundo informa\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), no final de junho, cinco vacinas estavam na primeira fase de testes em humanos em todo o mundo. A fase 1 \u00e9 a que trata da seguran\u00e7a da vacina. Sete est\u00e3o em testes combinados de fase 1 e fase 2, em que tamb\u00e9m \u00e9 testada a resposta imune. E apenas uma vacina j\u00e1 est\u00e1 na fase 3, que trata de demonstrar a efic\u00e1cia contra o pat\u00f3geno na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Quando a vacina chegar\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p>Os otimistas esperam que uma vacina vi\u00e1vel esteja no mercado at\u00e9 o final do ano. Outros acreditam que isso s\u00f3 acontecer\u00e1 no pr\u00f3ximo ano. De fato, ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se e quando ser\u00e1 lan\u00e7ada uma vacina contra a covid-19 que seja adequada ao maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas.<\/p>\n<p>Assim que uma vacina \u00e9 aprovada, outro desafio \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o em massa. E a\u00ed as vacinas ARN, baseadas em genes, t\u00eam a vantagem de poderem ser produzidas relativamente r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Empresas farmac\u00eauticas relevantes, como a Serum Institute of India, j\u00e1 est\u00e3o preparando maiores capacidades de produ\u00e7\u00e3o, mesmo que ainda n\u00e3o saibam qual ingrediente ativo ir\u00e3o fabricar.<\/p>\n<p><strong>Quando ocorre a imunidade de grupo?<\/strong><\/p>\n<p>Cada vez mais gente em volta do mundo est\u00e1 sendo infectada. No final de junho, eram cerca de dez milh\u00f5es de pessoas. Entretanto, a popula\u00e7\u00e3o mundial de 7,8 bilh\u00f5es de habitantes ainda est\u00e1 muito longe de uma&nbsp;imunidade relevante.&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 claro se os pacientes recuperados permanecer\u00e3o imunes ao v\u00edrus para sempre, mas ao menos um teste sangu\u00edneo ou com a saliva podem fornecer clareza sobre se algu\u00e9m tem a doen\u00e7a ou se&nbsp;pode contagiar outras pessoas.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: Deutsche Welle Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 07\/07\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meio ano se passou desde que o v\u00edrus Sars-Cov-2 foi anunciado na China. O que se sabe at\u00e9 agora sobre a doen\u00e7a que virou pandemia e j\u00e1 atingiu mais de 11 milh\u00f5es de pessoas, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. 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