{"id":50246,"date":"2020-07-13T03:59:49","date_gmt":"2020-07-13T06:59:49","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50246"},"modified":"2020-07-13T06:45:27","modified_gmt":"2020-07-13T09:45:27","slug":"o-teletrabalho-nem-sempre-e-uma-opcao-viavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/13\/o-teletrabalho-nem-sempre-e-uma-opcao-viavel\/","title":{"rendered":"O teletrabalho nem sempre \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<div class=\"meta-post\"><em><strong>\u201cQue tipos de empregos e trabalhadores correm mais risco? N\u00e3o chega a surpreender que o \u00f4nus tenha reca\u00eddo mais pesadamente sobre os que re\u00fanem menos condi\u00e7\u00f5es de arcar com ele: os pobres e os jovens nos empregos de menor remunera\u00e7\u00e3o. As mulheres poderiam ser particularmente atingidas, o que colocaria em risco algumas das conquistas em termos de igualdade de g\u00eanero obtidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d <\/strong><\/em><em><strong>Mariya Brussevich, <\/strong><\/em><em><strong>Dabla-Norris e <\/strong><\/em><em><strong>Salma Khalid<\/strong><\/em><\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content mgt-xlarge\">\n<p>A pandemia de Covid-19 est\u00e1 devastando os mercados de trabalho em todo o mundo. Dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores perderam o emprego, milh\u00f5es mais est\u00e3o fora da for\u00e7a de trabalho e o futuro \u00e9 incerto para muitas ocupa\u00e7\u00f5es. As medidas de distanciamento social amea\u00e7am os empregos que exigem a presen\u00e7a f\u00edsica no local de trabalho ou a intera\u00e7\u00e3o direta. Quem n\u00e3o consegue trabalhar \u00e0 dist\u00e2ncia, a menos que seja considerado essencial, enfrenta um risco bem maior de redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio ou das horas de trabalho, afastamento tempor\u00e1rio ou a simples demiss\u00e3o. Que tipos de empregos e trabalhadores correm mais risco? N\u00e3o chega a surpreender que o \u00f4nus tenha reca\u00eddo mais pesadamente sobre os que re\u00fanem menos condi\u00e7\u00f5es de arcar com ele: os pobres e os jovens nos empregos de menor remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um novo estudo , investigamos a viabilidade de trabalhar de casa em uma grande amostra de economias avan\u00e7adas e de mercados emergentes. Estimamos que quase 100 milh\u00f5es de trabalhadores em 35 pa\u00edses avan\u00e7ados e emergentes (de 189 pa\u00edses membros do FMI) poderiam estar correndo um alto risco por n\u00e3o conseguirem trabalhar a dist\u00e2ncia. Isso equivale, em m\u00e9dia, a 15% da for\u00e7a de trabalho desses pa\u00edses. Mas existem diferen\u00e7as importantes entre pa\u00edses e trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>A natureza dos empregos em cada pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos estudos que medem a viabilidade de trabalhar de casa segue as defini\u00e7\u00f5es de trabalho usadas nos Estados Unidos. Contudo, as mesmas ocupa\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses podem ser diferentes em termos da intera\u00e7\u00e3o direta necess\u00e1ria, do uso intensivo da tecnologia no processo de produ\u00e7\u00e3o ou mesmo do acesso \u00e0 infraestrutura digital. Para refletir esses fatores, o \u00edndice de viabilidade do teletrabalho que constru\u00edmos utiliza as tarefas realmente executadas dentro de cada pa\u00eds, de acordo com pesquisas compiladas pela OCDE a respeito de 35 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Encontramos diferen\u00e7as consider\u00e1veis entre os pa\u00edses, mesmo dentro das mesmas ocupa\u00e7\u00f5es. \u00c9 bem mais f\u00e1cil teletrabalhar na Noruega e Singapura do que na Turquia, Chile, M\u00e9xico, Equador e Peru, simplesmente porque mais da metade dos lares na maioria dos pa\u00edses em desenvolvimento e de mercados emergentes n\u00e3o tem sequer um computador em casa.<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 mais vulner\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>De modo geral, os trabalhadores do setor de alimenta\u00e7\u00e3o e hospedagem, assim como dos com\u00e9rcios atacadista e varejista s\u00e3o os mais afetados, pois seus empregos s\u00e3o os que menos permitem trabalhar a dist\u00e2ncia. Isso significa que mais de 20 milh\u00f5es de pessoas de nossa amostra que atuam nesses setores correm o maior risco de perder o emprego. Mas algumas ainda s\u00e3o mais vulner\u00e1veis do que outras:<\/p>\n<p>Os jovens trabalhadores e aqueles sem forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria t\u00eam uma probabilidade bem menor de trabalhar a dist\u00e2ncia. Este risco maior se encaixa nos perfis et\u00e1rios dos trabalhadores dos setores mais atingidos pelas medidas de confinamento e pol\u00edticas de distanciamento social. \u00c9 um dado preocupante, pois indica que a crise pode ampliar a desigualdade intergeracional .<\/p>\n<p>As mulheres poderiam ser particularmente atingidas, o que colocaria em risco algumas das conquistas em termos de igualdade de g\u00eanero obtidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O motivo \u00e9 que as mulheres est\u00e3o desproporcionalmente concentradas nos setores mais afetados, como os servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o e hospedagem. Al\u00e9m disso, o cuidado dos filhos e as tarefas dom\u00e9sticas pesam mais sobre as mulheres, enquanto a oferta desses servi\u00e7os no mercado foi interrompida.<\/p>\n<p>Os empregados de pequenas e m\u00e9dias empresas e os trabalhadores em regime parcial enfrentam um risco maior de perder o emprego. Estes costumam ser dispensados primeiro quando as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas se deterioram e s\u00e3o os \u00faltimos a serem contratados quando as condi\u00e7\u00f5es melhoram. Al\u00e9m disso, \u00e9 menos prov\u00e1vel que tenham acesso a assist\u00eancia m\u00e9dica e aos mecanismos formais de seguro que poderiam ajud\u00e1-los a superar a crise. Nas economias em desenvolvimento, em especial, os trabalhadores em regime parcial e os que trabalham na informalidade correm um risco consideravelmente maior de ca\u00edrem na pobreza.<\/p>\n<p>O impacto sobre os trabalhadores de baixa renda e com v\u00ednculo empregat\u00edcio prec\u00e1rio poderia ser especialmente forte, ampliando desigualdades entranhadas nas sociedades. Nossa constata\u00e7\u00e3o de que os trabalhadores na base da distribui\u00e7\u00e3o de renda t\u00eam menos condi\u00e7\u00f5es de trabalhar a dist\u00e2ncia \u00e9 corroborada por dados recentes do desemprego nos Estados Unidos e em outros pa\u00edses. A crise causada pela Covidd-19 vai exacerbar a desigualdade de renda .<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os trabalhadores na base da distribui\u00e7\u00e3o de renda j\u00e1 est\u00e3o concentrados desproporcionalmente nos setores atingidos mais fortemente, como os servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o e hospedagem \u2013 ou seja, os que oferecem menos facilidade de trabalhar a dist\u00e2ncia. Os trabalhadores de baixa renda tamb\u00e9m est\u00e3o mais propensos a viver em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e t\u00eam pouca prote\u00e7\u00e3o financeira, como poupan\u00e7a e acesso a cr\u00e9dito.<\/p>\n<p><strong>Como proteger os mais vulner\u00e1veis?<\/strong><\/p>\n<p>A pandemia deve mudar a forma de trabalhar em muitos setores. Os consumidores podem recorrer mais ao com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, em detrimento dos empregos no varejo, e podem passar a pedir mais comida em casa, reduzindo o mercado de trabalho para os funcion\u00e1rios dos restaurantes.<\/p>\n<p>O que os governos podem fazer? Podem procurar ajudar os trabalhadores afetados e suas fam\u00edlias, ampliando as redes de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o sociais para suavizar a queda da renda e a perda do emprego. Os subs\u00eddios salariais e os programas de obras p\u00fablicas podem ajud\u00e1-los a recuperar o sustento durante a retomada.<\/p>\n<p>Para reduzir a desigualdade e oferecer perspectivas melhores \u00e0s pessoas, os governos precisam fortalecer a educa\u00e7\u00e3o e a capacita\u00e7\u00e3o para melhor preparar os trabalhadores para os empregos do futuro. A aprendizagem ao longo da vida tamb\u00e9m significa refor\u00e7ar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o para ajudar os trabalhadores deslocados por choques econ\u00f4micos como o provocado pela Covid-19.<\/p>\n<p>Esta crise deixou bem claro que ter acesso \u00e0 internet foi um determinante crucial da capacidade das pessoas para manter-se no mercado de trabalho. Investir em infraestrutura digital e eliminar a exclus\u00e3o digital s\u00e3o medidas que contribuir\u00e3o para que os grupos desfavorecidos participem plenamente da economia do futuro.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: <em>Era Dabla-Norris, Mariya Brussevich e&nbsp;<\/em><em>Salma Khalid<\/em> no Blog do Servidor\/Correio Braziliense &#8211; dispon\u00edvel na internet 13\/07\/2020<\/strong><\/p>\n<hr>\n<p><em><strong>Era Dabla-Norris&nbsp;<\/strong>\u00e9 Chefe da Divis\u00e3o \u00c1sia I do Departamento da \u00c1sia e do Pac\u00edfico do FMI e chefe de miss\u00e3o para o Vietn\u00e3. Anteriormente, foi Chefe de Divis\u00e3o no Departamento de Finan\u00e7as P\u00fablicas do FMI, onde trabalhou em reformas estruturais e produtividade, desigualdade de renda, repercuss\u00f5es fiscais, d\u00edvida e fatores demogr\u00e1ficos. Desde que ingressou no FMI, trabalhou com diversos pa\u00edses avan\u00e7ados, de mercados emergentes e de baixa renda, e publicou numerosos estudos sobre uma variada gama de temas, al\u00e9m de ser membro contribuinte do Conselho Econ\u00f4mico Mundial. \u00c9 mestre pela Delhi School of Economics e doutora pela Universidade do Texas.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Mariya Brussevich<\/strong><\/em>&nbsp;\u00e9 economista do Departamento da \u00c1sia e do Pac\u00edfico do FMI, onde trabalha na Divis\u00e3o ASEAN I. Seus estudos t\u00eam como temas a transforma\u00e7\u00e3o estrutural, o com\u00e9rcio internacional e a desigualdade. \u00c9 doutora em Economia pela Universidade Purdue.<\/p>\n<p><strong><em>Salma Khalid<\/em><\/strong>&nbsp;\u00e9 economista do Departamento do Hemisf\u00e9rio Ocidental do FMI, onde trabalha na Divis\u00e3o Meridional III. Seus estudos t\u00eam como temas a microeconomia do desenvolvimento e a economia comportamental e experimental. \u00c9 doutora em Economia pela Universidade de Michigan.<\/p>\n<p><em>Fonte<\/em>: Blog JRRA<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQue tipos de empregos e trabalhadores correm mais risco? N\u00e3o chega a surpreender que o \u00f4nus tenha reca\u00eddo mais pesadamente sobre os que re\u00fanem menos condi\u00e7\u00f5es de arcar com ele: os pobres e os jovens nos empregos de menor remunera\u00e7\u00e3o. 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