{"id":5041,"date":"2016-08-26T06:43:48","date_gmt":"2016-08-26T09:43:48","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=5041"},"modified":"2016-08-26T06:43:48","modified_gmt":"2016-08-26T09:43:48","slug":"o-impeachment-e-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2016\/08\/26\/o-impeachment-e-a-economia\/","title":{"rendered":"O impeachment e a economia."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A conclus\u00e3o do processo de impeachment de Dilma Rousseff, que coincidir\u00e1 com a divulga\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, levar\u00e1 os agentes de mercado a reverem, para cima, as proje\u00e7\u00f5es de crescimento da economia em 2017. Na avalia\u00e7\u00e3o de auxiliares do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a tend\u00eancia \u00e9 de que as proje\u00e7\u00f5es m\u00e9dias feitas por analistas, de 1,2%, convirjam rapidamente para a estimativa do governo, de1,6%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PIB mais robusto p\u00f3s-impeachment, no entender da equipe econ\u00f4mica, estar\u00e1 limpo de boa parte do risco pol\u00edtico que prevaleceu nos \u00faltimos meses e refletir\u00e1 a evidente melhora dos n\u00edveis de confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores. Os t\u00e9cnicos n\u00e3o descartam a possibilidade de o resultado final do indicador ser melhor do que o esperado no ano que vem. H\u00e1 casas banc\u00e1rias que j\u00e1 trabalham com expans\u00e3o da atividade de at\u00e9 2,5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que esse quadro mais otimista se confirme, ser\u00e1 preciso, por\u00e9m, que o governo fa\u00e7a o ajuste fiscal avan\u00e7ar mais r\u00e1pido. A meta de Meirelles \u00e9 aprovar a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) que limita o aumento de gastos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o do ano anterior na C\u00e2mara dos Deputados at\u00e9 outubro e liquidar a fatura no Senado ainda na primeira quinzena de dezembro. A partir da\u00ed, os esfor\u00e7os se concentrar\u00e3o na reforma da Previd\u00eancia, cuja negocia\u00e7\u00e3o tende a se arrastar por quase todo 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia do governo \u00e9 usar a aprova\u00e7\u00e3o da PEC para arrancar apoio \u00e0s mudan\u00e7as no sistema previdenci\u00e1rio. Segundo os t\u00e9cnicos, os parlamentares perceber\u00e3o que, com o limite para a corre\u00e7\u00e3o das despesas, se nada for feito para conter os desembolsos com aposentadorias e pens\u00f5es, n\u00e3o sobrar\u00e1 dinheiro no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o para o incremento das demais rubricas, nem mesmo para a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade. \u201cSer\u00e1 uma quest\u00e3o matem\u00e1tica\u201d, frisa um auxiliar do ministro da Fazenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes e depois de Temer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o roteiro que o governo tra\u00e7ou for seguido \u00e0 risca e os analistas privados realmente elevarem as proje\u00e7\u00f5es para o PIB de 2017, Meirelles acredita que seu discurso a favor do ajuste fiscal ficar\u00e1 mais forte. Neste momento, o processo de convencimento consiste em tra\u00e7ar um quadro alarmante da economia, como comparar o Brasil \u00e0 Gr\u00e9cia. Mais \u00e0 frente, o discurso ser\u00e1 pela prosperidade. Ser\u00e3o dois pa\u00edses, um antes de Temer, outro depois do peemedebista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Planalto gostaria, por sinal, que o discurso mais positivo fosse entoado com \u00eanfase desde j\u00e1. Contudo, reconhece que um sentimento de euforia daria a impress\u00e3o de que todos os problemas do pa\u00eds foram resolvidos. O Congresso s\u00f3 funciona sobre press\u00e3o. Portanto, \u00e9 preciso pintar o fim do mundo para que deputados e senadores se conven\u00e7am de que o ajuste fiscal \u00e9 a ponte de salva\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. E a PEC dos gastos \u00e9 seu principal alicerce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVamos continuar ressaltando que, sem as medidas do ajuste, teremos um pa\u00eds rumo ao precip\u00edcio. Queremos, com isso, deixar bem claro que corremos o risco de viver tempos muito parecidos com os de quando Dilma estava no poder. Creio que ningu\u00e9m vai querer esse retrocesso\u201d, afirma um assessor de Temer. De qualquer forma, reconhece ele, ser\u00e1 preciso acompanhar esses alertas de um pouco de esperan\u00e7a. \u201cAs pessoas t\u00eam que nos ver de forma diferente. T\u00eam que acreditar que somos capazes de resgatar a autoestima. Uma recess\u00e3o t\u00e3o profunda quanto a que estamos vivendo derruba todo mundo\u201d, frisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse contraponto mais favor\u00e1vel ganha for\u00e7a diante dos n\u00fameros do mercado de trabalho. Nos quase tr\u00eas meses em que Temer est\u00e1 no poder, o desemprego continuou batendo recorde. Somente em julho, quase 95 mil pessoas perderam o emprego com carteira assinada. \u201c\u00c9 a heran\u00e7a maldita de Dilma. Mas n\u00e3o podemos ficar presos a esse tipo de justificativa. Os trabalhadores querem saber o que estamos fazendo para que as demiss\u00f5es sejam estancadas\u201d ressalta o assessor palaciano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pedra no caminho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipe econ\u00f4mica sabe, por\u00e9m, que, em meio \u00e0s boas not\u00edcias sobre o ritmo da atividade, ter\u00e1 que lidar com uma pedra enorme no meio do caminho: o aumento dos sal\u00e1rios dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que elevar\u00e1 o teto do funcionalismo e provocar\u00e1 um efeito cascata em estados e munic\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Planalto j\u00e1 indicou que n\u00e3o vai se meter nesse assunto, para n\u00e3o alimentar ru\u00eddos entre os agentes econ\u00f4micos. Mas um ministro muito pr\u00f3ximo do presidente interino diz que, se o reajuste passar pelo crivo do Congresso, Temer n\u00e3o vetar\u00e1. N\u00e3o vai comprar briga com dois poderes, o Legislativo e o Judici\u00e1rio, mesmo estando efetivado no cargo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o grupo liderado por Meirelles, o ideal seria que a decis\u00e3o sobre os reajustes de servidores que est\u00e3o sob an\u00e1lise de deputados e senadores ficasse para depois da aprova\u00e7\u00e3o da PEC dos gastos. Certamente, isso melindraria menos os mercados. \u201cO momento \u00e9 de passar sinais de austeridade, n\u00e3o de mais gastos. Estamos, por\u00e9m, diante de uma decis\u00e3o pol\u00edtica. As corpora\u00e7\u00f5es falam muito alto no Congresso. H\u00e1 todo tipo de interesse por tr\u00e1s das decis\u00f5es\u201d, diz um dos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, destaca o mesmo subordinado a Meirelles, a Fazenda ter\u00e1 que ser a porta-voz do equil\u00edbrio fiscal. \u201cN\u00e3o se trata de dar mais poder para esse ou para aquele minist\u00e9rio. O jogo aqui \u00e9 convencer que, dentro do que estamos propondo, n\u00e3o haver\u00e1 recuos\u201d, afirma. \u201cAgora, se n\u00e3o atrapalharem, certamente, tudo ficar\u00e1 mais f\u00e1cil\u201d, emenda. Infelizmente, esse Brasil do bom senso est\u00e1 longe da realidade. A gula por privil\u00e9gios n\u00e3o tem limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00e9dito: Artigo publicado na Coluna do Correio do Correio Braziliense l \u2013 dispon\u00edvel na web 26\/08\/2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong><span style=\"color: #000080;\">Nota: O presente artigo n\u00e3o traduz a opini\u00e3o do ASMETRO-SN. Sua publica\u00e7\u00e3o tem o prop\u00f3sito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tend\u00eancias do pensamento contempor\u00e2neo.<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conclus\u00e3o do processo de impeachment de Dilma Rousseff, que coincidir\u00e1 com a divulga\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, levar\u00e1 os agentes de mercado a reverem, para cima, as proje\u00e7\u00f5es de crescimento da economia em 2017. 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