{"id":50486,"date":"2020-07-20T02:00:24","date_gmt":"2020-07-20T05:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50486"},"modified":"2020-07-19T17:33:09","modified_gmt":"2020-07-19T20:33:09","slug":"como-bancos-ingleses-lucraram-com-a-escravidao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/20\/como-bancos-ingleses-lucraram-com-a-escravidao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Como bancos ingleses lucraram com a escravid\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">No auge do tr\u00e1fico de escravos da \u00c1frica para o Brasil, entre 1800 e 1850, mais de 2 milh\u00f5es de pessoas foram trazidas \u00e0 for\u00e7a para o pa\u00eds para serem escravizadas, segundo o&nbsp;Banco de Dados do Com\u00e9rcio Transatl\u00e2ntico de Escravos&nbsp;(Transatlantic Slave Trade Database). No total, ao longo de quatro s\u00e9culos, mais de 4,8 milh\u00f5es de pessoas escravizadas foram obrigadas a desembarcar em solo brasileiro.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico era um neg\u00f3cio lucrativo, mas n\u00e3o foram s\u00f3 os traficantes e fazendeiros que se aproveitaram da explora\u00e7\u00e3o brutal de seres humanos. Banqueiros ingleses se envolveram com a escravid\u00e3o no Brasil mesmo depois de ela ter sido abolida nas col\u00f4nias brit\u00e2nicas, em 1833.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que mostra&nbsp;uma pesquisa do historiador Joe Mulhern, especializado no envolvimento brit\u00e2nico com a escravid\u00e3o no Brasil, pela Universidade de Durham, na Inglaterra.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico na era vitoriana pensar em si mesmo como um modelo moral quanto \u00e0 escravid\u00e3o e fazer press\u00e3o para que outros pa\u00edses, inclusive o Brasil, abolissem a pr\u00e1tica, os legisladores tiveram dificuldade para cortar os la\u00e7os econ\u00f4micos com a escravid\u00e3o em pa\u00edses estrangeiros&#8221;, explica Mulhern em entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\">\n<div>\n<div class=\"teads-ui-components-credits\">Havia duas formas principais de envolvimento dos brit\u00e2nicos, explica o historiador. Uma mais ampla, por meio de empr\u00e9stimos e a compra de t\u00edtulos do Tesouro, entre outras rela\u00e7\u00f5es indiretas com a economia escravocrata. E outra mais direta, em que institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos deram apoio financeiro, na forma de empr\u00e9stimos e garantias, por exemplo, para o tr\u00e1fico de escravos ou para fazendas que usavam esse tipo de m\u00e3o de obra.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Alguns brit\u00e2nicos chegaram a ser diretamente propriet\u00e1rios de escravos \u2014 segundo o trabalho de Mulhern, um censo de 1848-1849 mostra que havia, naquele ano, cerca de 3.400 pessoas escravizadas por mestres brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Entre os envolvidos nessa rela\u00e7\u00e3o mais direta, havia indiv\u00edduos ligados a bancos que foram predecessores de grandes institui\u00e7\u00f5es financeiras atuais do Reino Unido.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Lobby no parlamento<\/h2>\n<p>Em 1833 o Reino Unido havia extinguido a escravid\u00e3o em suas col\u00f4nias, dando compensa\u00e7\u00f5es para os senhores mas n\u00e3o para os escravizados. O imp\u00e9rio come\u00e7ou tamb\u00e9m a fazer press\u00e3o diplom\u00e1tica para que a escravid\u00e3o fosse abolida no Brasil. Essa press\u00e3o \u00e9 apontada por historiadores brasileiros como um dos m\u00faltiplos fatores que levaram ao fim da pr\u00e1tica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A lei que proibiu o tr\u00e1fico como parte de um acordo com o Reino Unido, inclusive, deu origem \u00e0 express\u00e3o &#8220;para ingl\u00eas ver&#8221;, porque durante muito tempo n\u00e3o havia fiscaliza\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fico continuou.<\/p>\n<p>No entanto, apesar dessa press\u00e3o do governo do pa\u00eds europeu, muitos do brit\u00e2nicos envolvidos na pr\u00e1tica conseguiam impedir que a legisla\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica fosse mais restritiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas atividades no exterior.<\/p>\n<p>&#8220;Essa ambival\u00eancia no envolvimento do Reino Unido na escravid\u00e3o (tanto pressionando para o seu fim quanto deixando de cortar la\u00e7os econ\u00f4micos existentes) pode ser encontrada na legisla\u00e7\u00e3o da \u00e9poca&#8221;, diz o historiador.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4C9C\/production\/_111121691_gettyimages-676542924.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4C9C\/production\/_111121691_gettyimages-676542924.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Est\u00e1tua de pessoas escravizadas no leste da \u00c1sia\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Africanos escravizados tiveram roubadas sua liberdade, identidade e cultura. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Isso porque os envolvidos faziam lobby no Parlamento.<\/p>\n<p>&#8220;Eles pressionavam para que seus neg\u00f3cios fossem protegidos, com os mesmos argumentos para defender a escravid\u00e3o usados no Reino Unido antes de 1833&#8221;, explica Mulhern.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas principais, aponta, eram a defesa da propriedade (porque as pessoas tinham sido vendidas como propriedades); a necessidade de o Reino Unido prosperar nesses mercados que ainda eram escravocratas; e o mito de que os brit\u00e2nicos que exploravam escravos eram &#8220;benevolentes&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 existia o mito de que os senhores de escravos no Brasil eram benevolentes. Os ingleses diziam que eles eram ainda mais&#8221;, conta Mulhern. &#8220;Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia de que a escraviza\u00e7\u00e3o, uma pr\u00e1tica baseada na viol\u00eancia ou na amea\u00e7a dela, era menos cruel quando praticada pelos brit\u00e2nicos&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Seres humanos como garantia<\/h2>\n<p>Muitas vezes os escravizados eram parte das propriedades usadas em garantias de empr\u00e9stimos de um banco. Na disserta\u00e7\u00e3o de Mulhern, ele resgatou casos em que bancos ingleses tinham um devedor insolvente e acabavam leiloando os escravizados para cobrar a d\u00edvida.<\/p>\n<p>Um desses bancos, mostra Mulhern em sua pesquisa, era o London and Brazilian Bank, criado em 1862 (e comprado em 1923 pelo Lloyd&#8217;s Banking Group, que existe at\u00e9 hoje).<\/p>\n<p>O banco continuou envolvido com a escravid\u00e3o at\u00e9 a praticamente a aboli\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica no Brasil, em 1888 \u2014 ou seja, mais de 50 anos depois da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura nas col\u00f4nias brit\u00e2nicas, como Jamaica e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Um dos executivos do London and Brazilian Bank, Edward Johnston, chegou a ser dono de escravos no Brasil e a casar com uma fam\u00edlia que era dona de uma fazenda de caf\u00e9 no Rio de Janeiro. &#8220;A riqueza gerada com a escravid\u00e3o no Brasil ajudou a estabelecer um banco que investiria na explora\u00e7\u00e3o de pessoas&#8221;, diz Mulhern.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C87A\/production\/_107222315_gettyimages-961448826.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C87A\/production\/_107222315_gettyimages-961448826.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pintura do por\u00e3o de um navio negreiro\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A presen\u00e7a de negros no Cone Sul \u00e9 um fen\u00f4meno que pode ser tra\u00e7ado desde os tempos da conquista, no s\u00e9culo 16, quando j\u00e1 havia registros da presen\u00e7a de pessoas que escravizados. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Esses la\u00e7os, no entanto, eram escondidos de investidores no Reino Unido, onde a opini\u00e3o p\u00fablica j\u00e1 n\u00e3o era favor\u00e1vel \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Para evitar afugentar investidores no pa\u00eds de origem, a maior parte dos bancos envolvidos com opera\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 escravid\u00e3o n\u00e3o o fazia diretamente, mas por meio de comiss\u00e1rios intermedi\u00e1rios, explica Mulhern \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Um desses intermedi\u00e1rios era a casa banc\u00e1ria Gavi\u00e3o Ribeiro Gavi\u00e3o, que financiava a economia agr\u00edcola de S\u00e3o Paulo e atuava no com\u00e9rcio interno de escravos.<\/p>\n<p>A casa banc\u00e1ria atuou como intermedi\u00e1ria para o London and Brazilian Bank. O banco brit\u00e2nico declarava que seu prop\u00f3sito no Brasil era comercial, mas tinha uma carteira de hipotecas cujas garantias eram fazendas de caf\u00e9 em S\u00e3o Paulo e mais de 800 pessoas que trabalhavam nelas como escravos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Terceiriza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O historiador tamb\u00e9m cita o caso da Fazenda Ang\u00e9lica, em Rio Claro, no interior de S\u00e3o Paulo, que acabou se tornando um dos ativos de um banco e sendo administrada por ele. Depois de uma tentativa fracassada de usar m\u00e3o de obra de imigrantes, o banco resolveu &#8220;terceirizar&#8221; o uso de m\u00e3o de obra escrava.<\/p>\n<p>Isso porque, sendo uma empresa inglesa, o banco n\u00e3o poderia ser dono direto de escravizados. Mas uma brecha na legisla\u00e7\u00e3o permitia que ele &#8220;alugasse&#8221; a m\u00e3o de obra escrava de outros senhores de escravo \u2014 e foi o que fez.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/852E\/production\/_113349043_brazil-slavery-punishment-plantation-debret-pd-747x475.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/852E\/production\/_113349043_brazil-slavery-punishment-plantation-debret-pd-747x475.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Pintura de Jean Baptiste Debret mostra um escravo sendo torturado por um capaz na fazenda\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Um escravo sendo torturado em uma fazenda brasileira na vis\u00e3o do pintor franc\u00eas Jean-Baptiste Debret, que viajou o pa\u00eds retratando cenas da vida no s\u00e9culo 19. Direito de imagem DOM\u00cdNIO P\u00daBLICO<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Quando vendeu a fazenda, o banco afirmou que &#8220;n\u00e3o empregava um \u00fanico escravo&#8221; \u2014 sem citar que pagou senhores de escravos para usarem as pessoas escravizadas por eles na planta\u00e7\u00e3o e que ainda tinha 80 escravos como garantia do financiamento que possibilitou a venda da fazenda.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Empr\u00e9stimo n\u00e3o pago<\/h2>\n<p>&#8220;Nem sempre esse envolvimento era bem-sucedido, e agentes brit\u00e2nicos que fizeram as negocia\u00e7\u00f5es do tipo no Brasil chegaram a ser repreendidos no Reino Unido&#8221;, conta Mulhern.<\/p>\n<p>Mas a repreens\u00e3o, diz ele, n\u00e3o foi por quest\u00f5es morais, mas porque muitos dos empr\u00e9stimos n\u00e3o foram recuperados e algumas institui\u00e7\u00f5es acabaram tendo dificuldades financeiras por causa disso.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos investidores buscavam investir em infraestrutura, em cria\u00e7\u00e3o de linhas de trem por exemplo, mas os fazendeiros queriam um investimento direto na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, que era um neg\u00f3cio muito arriscado&#8221;, diz Mulhern. &#8220;Apesar disso, alguns agentes se envolveram, at\u00e9 contraindo orienta\u00e7\u00f5es da sede, e depois foram repreendidos porque os neg\u00f3cios n\u00e3o deram certo&#8221;.<\/p>\n<p>Empr\u00e9stimos que tinham seres humanos como garantia e n\u00e3o eram pagos tinham impactos diretos na vida dessas pessoas.<\/p>\n<p>Em 1869, o Bar\u00e3o do Turvo, fazendeiro carioca que tinha uma d\u00edvida com o London and Brazilian Bank, n\u00e3o pagou um empr\u00e9stimo que devia.<\/p>\n<p>&#8220;O banco ent\u00e3o entrou com um processo para recuperar o dinheiro, e como havia pessoas escravizadas como garantia, elas sofreram a consequ\u00eancia&#8221;, diz Mulhern. Advogados do banco ent\u00e3o realizam um leil\u00e3o de 103 escravizados, incluindo fam\u00edlias com crian\u00e7as e beb\u00eas. Documentos da \u00e9poca compilados por Mulhern mostram como o banco vendeu pelo menos 30 dessas pessoas no leil\u00e3o \u2014 entre elas a pequena Ancieta, uma beb\u00ea escravizada de apenas um ano de idade; e as pequenas Adelina e Marcellina, vendidas com 2 e 6 anos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Lidando com o passado<\/h2>\n<p>O movimento americano Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em portugu\u00eas), de protesto contra o racismo e contra o assassinato de negros pela pol\u00edcia, fez com que muitas institui\u00e7\u00f5es viessem a p\u00fablico falar sobre seu hist\u00f3rico racista e mostrar que mudaram de postura, inclusive doando dinheiro para institui\u00e7\u00f5es de combate ao racismo.<\/p>\n<p>&#8220;Historiadores j\u00e1 sabiam dessas liga\u00e7\u00f5es, mas o movimento Black Lives Matter trouxe um novo escrut\u00ednio sobre esse passado&#8221;, diz Mulhern.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de um artigo de Joe Mulhern sobre sua pesquisa, o banco&nbsp;<a class=\"story-body__link-external\" href=\"https:\/\/www.lloydsbankinggroup.com\/our-group\/our-heritage\/our-history2\/lloyds-bank\/\">Lloyds Banking Group atualizou seu site<\/a>&nbsp;para incluir um reconhecimento de que pelo menos seis dos 200 bancos que foram incorporados pelo grupo se envolveram com a escravid\u00e3o, incluindo o London and Brazilian Bank.<\/p>\n<p>&#8220;Embora tenhamos muito do nosso passado para nos orgulharmos, n\u00e3o podemos nos orgulhar de tudo&#8221;, diz o banco.<\/p>\n<p>&#8220;Mas se esse debate vai ir al\u00e9m do reconhecimento e levar de fato a algum tipo de repara\u00e7\u00e3o ou doa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 algo que eu n\u00e3o sei&#8221;, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Credito: Let\u00edcia Mori d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 20\/07\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No auge do tr\u00e1fico de escravos da \u00c1frica para o Brasil, entre 1800 e 1850, mais de 2 milh\u00f5es de pessoas foram trazidas \u00e0 for\u00e7a para o pa\u00eds para serem escravizadas, segundo o&nbsp;Banco de Dados do Com\u00e9rcio Transatl\u00e2ntico de Escravos&nbsp;(Transatlantic Slave Trade Database). 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