{"id":50533,"date":"2020-07-21T04:24:58","date_gmt":"2020-07-21T07:24:58","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50533"},"modified":"2020-07-21T05:33:24","modified_gmt":"2020-07-21T08:33:24","slug":"nuvem-de-gafanhotos-se-reaproxima-do-brasil-e-bombardeio-de-agrotoxico-gera-apreensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/21\/nuvem-de-gafanhotos-se-reaproxima-do-brasil-e-bombardeio-de-agrotoxico-gera-apreensao\/","title":{"rendered":"Nuvem de gafanhotos se reaproxima do Brasil e bombardeio de agrot\u00f3xico gera apreens\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Uma nuvem de gafanhotos voltou a se aproximar do Brasil e do Uruguai nos \u00faltimos dias e tem causado preocupa\u00e7\u00e3o. Autoridades brasileiras consideram que a principal forma de combater o problema \u00e9 por meio do despejo de agrot\u00f3xico em dire\u00e7\u00e3o aos insetos. Especialistas, por\u00e9m, avaliam que o m\u00e9todo \u00e9 extremamente prejudicial.<\/p>\n<p>De acordo com o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e Qualidade Agroalimentar (Senasa, na sigla em espanhol), uma ag\u00eancia do governo argentino, a nuvem de gafanhotos atualmente est\u00e1 na prov\u00edncia de Entre R\u00edos, na Argentina, nas proximidades com o Rio Grande do Sul e o Uruguai.<\/p>\n<p>A alta temperatura do \u00faltimo fim de semana na regi\u00e3o Sul do Brasil, segundo especialistas, favoreceu o deslocamento dos insetos. A estimativa \u00e9 de que os gafanhotos, da esp\u00e9cie&nbsp;<i>Schistocerca cancellata<\/i>, estejam a cerca de 120 quil\u00f4metros do munic\u00edpio ga\u00facho de Barra do Quara\u00ed \u2014 uma das menores dist\u00e2ncias desde os primeiros alertas sobre o tema.<\/p>\n<p>Os gafanhotos chegaram \u00e0 Argentina a partir do Paraguai, em meados de maio. Hoje, h\u00e1 nuvens dos insetos nos dois pa\u00edses, atacando lavouras nas regi\u00f5es<span class=\"off-screen\"> &nbsp;<\/span>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/14A5\/production\/_113558250_whatsubject.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/14A5\/production\/_113558250_whatsubject.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Gafanhoto da esp\u00e9cie Schistocerca cancellata localizado na Argentina, em meio \u00e0 nuvem de insetos\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Gafanhoto da esp\u00e9cie Schistocerca cancellata localizado na Argentina, em meio \u00e0 nuvem de insetos. Direito de imagem SENASA\/DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Uma nuvem de gafanhotos pode destruir planta\u00e7\u00f5es. Eles se alimentam de qualquer material vegetal e podem comer o equivalente a algo entre 30% a 70% de seu peso, em algumas situa\u00e7\u00f5es essa taxa pode subir para 100%.<\/p>\n<p>No fim de junho, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento alertou sobre a nuvem de gafanhotos que avan\u00e7ava em dire\u00e7\u00e3o ao Uruguai e ao Sul do Brasil.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 1032px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16786\/production\/_113183029_ebzimchxyacpgbg.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16786\/production\/_113183029_ebzimchxyacpgbg.jpg?resize=696%2C522&#038;ssl=1\" alt=\"Registro feito por autoridades argentinas dos gafanhotos que assolam o pa\u00eds, no fim de junho\" width=\"696\" height=\"522\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Registro feito por autoridades argentinas dos gafanhotos que assolam o pa\u00eds, no fim de junho. Direito de imagem DIVULGA\u00c7\u00c3O\/SENASA ARGENTINA<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Um m\u00eas depois, a pasta n\u00e3o descarta a poss\u00edvel chegada da nuvem de insetos ao Brasil. No entanto, diz que \u00e9 mais prov\u00e1vel que ela siga para o Uruguai.<\/p>\n<p>\u201cNo momento, n\u00e3o h\u00e1 nada que fa\u00e7a entender que a nuvem v\u00e1 entrar no Brasil. Estamos acompanhando essa quest\u00e3o diariamente. A nuvem segue a mesma dire\u00e7\u00e3o que tinha antes e, provavelmente, vai chegar ao Uruguai\u201d, afirma a coordenadora-geral de prote\u00e7\u00e3o de plantas da Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria, Graciane Castro.<\/p>\n<p>No fim do m\u00eas passado, o Minist\u00e9rio da Agricultura declarou estado de emerg\u00eancia fitossanit\u00e1ria no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Estados que podem ser atingidos pelos insetos. Essa medida, que tem dura\u00e7\u00e3o de um ano, permite a contrata\u00e7\u00e3o de pessoal por tempo determinado e autoriza a importa\u00e7\u00e3o temporariamente de defensivos agr\u00edcolas para combater os gafanhotos.<\/p>\n<p>Segundo o governo do Rio Grande do Sul, o plano de combate aos insetos pode contar at\u00e9, caso necess\u00e1rio, com cerca de 400 avi\u00f5es para aplicar o agrot\u00f3xico contra a nuvem.<\/p>\n<p>Para especialistas, o uso de agrot\u00f3xico \u00e9 extremamente inadequado para enfrentar os gafanhotos. Eles afirmam que a medida pode causar s\u00e9rios danos \u00e0s pessoas e ao meio ambiente.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A nuvem de gafanhotos<\/h2>\n<p>O Senasa afirma que, apesar de ser rural, a nuvem pode se tornar urbana e chegar a vilas e cidades. Por\u00e9m, os gafanhotos n\u00e3o afetam a sa\u00fade humana ou dos animais, pois se alimentam somente de material vegetal e n\u00e3o s\u00e3o vetores de nenhum tipo de doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea rural, os insetos podem afetar intensamente a atividade agr\u00edcola, e, indiretamente, a pecu\u00e1ria, porque se alimentam de recursos usados nesta atividade. Eles tamb\u00e9m causam danos \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p>Estudos apontam que pode haver 40 milh\u00f5es de gafanhotos em cerca de 1 km\u00b2. Segundo o governo argentino, a praga migrat\u00f3ria pode viajar at\u00e9 150 quil\u00f4metros em um \u00fanico dia. O controle da nuvem \u00e9 considerado complexo justamente em raz\u00e3o da grande capacidade de voo desses insetos.<\/p>\n<p>O governo argentino usou avi\u00f5es com agrot\u00f3xicos para combater a nuvem, que chegou ao pa\u00eds por volta de 21 de maio. Apesar de a medida ter reduzido a quantidade de insetos, foi insuficiente para destruir completamente a nuvem de gafanhotos, que afetou duramente planta\u00e7\u00f5es em prov\u00edncias argentinas como Santa F\u00e9, Formosa e Chaco.<\/p>\n<p>Uma das dificuldades enfrentadas pelo governo argentino \u00e9 que os insetos costumam ficar em locais de dif\u00edcil acesso, o que prejudica o monitoramento di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s, a nuvem se deslocou da prov\u00edncia de Corrientes para Entre R\u00edos, no sul da Argentina. A alta temperatura na regi\u00e3o, segundo autoridades locais, facilitou a locomo\u00e7\u00e3o dos insetos.<\/p>\n<p>Chefe da Divis\u00e3o de Defesa Sanit\u00e1ria Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti afirma que as autoridades do Estado est\u00e3o atentas para uma poss\u00edvel chegada da nuvem \u00e0 regi\u00e3o nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 quarta-feira, as condi\u00e7\u00f5es de alta temperatura (em Barra do Quara\u00ed) podem influenciar a movimenta\u00e7\u00e3o da nuvem. Mas n\u00e3o podemos afirmar que a nuvem vai ingressar no pa\u00eds. Ela pode tomar distintas dire\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, admitimos que pode acontecer esse ingresso\u201d, diz Felicetti \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>O principal temor dos produtores da regi\u00e3o \u00e9 que a nuvem de gafanhotos prejudique ainda mais as planta\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s um per\u00edodo de ver\u00e3o frustrado pela seca.<\/p>\n<p>Felicetti afirma que foi criada uma rede de vigil\u00e2ncia sobre o tema no Estado, com aux\u00edlio em diversos munic\u00edpios. \u201cSe houver um surto de gafanhotos na regi\u00e3o, vamos atuar rapidamente\u201d, declara.<\/p>\n<p>\u201cA nuvem tem muita mobilidade, ent\u00e3o temos que agir r\u00e1pido. Temos parcerias com diferentes entidades rurais para aplica\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e terrestre de defensivo para combatermos os gafanhotos\u201d, acrescenta Felicetti.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/73D7\/production\/_113055692_langosta2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/73D7\/production\/_113055692_langosta2.jpg?resize=696%2C522&#038;ssl=1\" alt=\"Nuvem de gafanhotos\" width=\"696\" height=\"522\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Gafanhotos n\u00e3o fazem mal a humanos, mas podem gerar grandes preju\u00edzos econ\u00f4micos. Direito de imagem SENASA<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Segundo ele, h\u00e1 70 avi\u00f5es disponibilizados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Avia\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (Sindag) para aplicar agrot\u00f3xico. Felicetti afirma ainda que o Estado do Rio Grande do Sul tem uma frota de 400 avi\u00f5es que podem ser usados, caso necess\u00e1rio, para aplicar agrot\u00f3xico contra a nuvem de insetos. \u201cIsso vai depender da necessidade. Todas as aeronaves do Estado foram disponibilizadas\u201d, revela.<\/p>\n<p>Ele afirma que o agrot\u00f3xico utilizado para conter a poss\u00edvel chegada da nuvem de gafanhotos ter\u00e1 baixo impacto e ser\u00e1 utilizado com cautela. Segundo ele, o produto ser\u00e1 aplicado por via a\u00e9rea e terrestre, apenas em \u00e1reas onde n\u00e3o haja resid\u00eancias, rios ou animais, para evitar riscos para a popula\u00e7\u00e3o local e para n\u00e3o contaminar \u00e1reas preservadas.<\/p>\n<p>\u201cEsses produtos j\u00e1 eram usados contra a praga, mas no ver\u00e3o. Como estamos diante de uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 habitual, tamb\u00e9m liberaram os defensivos no atual per\u00edodo\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cO uso dos defensivos \u00e9 a \u00fanica forma de controlar essa nuvem, tendo em vista o grande n\u00famero de insetos. O estoque (de agrot\u00f3xico) que temos dispon\u00edvel no Estado \u00e9 suficiente para essa emerg\u00eancia. O grande desafio \u00e9 a log\u00edstica envolvida para levar esses produtos para onde ocorrem os focos dessa nuvem\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Coordenadora-geral de prote\u00e7\u00e3o de plantas da Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria, Graciane Castro diz que n\u00e3o h\u00e1 motivos para temer um poss\u00edvel uso do agrot\u00f3xico contra os gafanhotos. \u201cO produto ser\u00e1 aplicado com seguran\u00e7a. \u00c9 um uso excepcional de defensivos, autorizados para combater essa nuvem\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os agrot\u00f3xicos que ser\u00e3o utilizados para um poss\u00edvel combate aos gafanhotos n\u00e3o foram especificados pelo Minist\u00e9rio da Agricultura at\u00e9 o momento. As informa\u00e7\u00f5es, segundo a pasta, devem ser detalhadas apenas se a nuvem de insetos chegar ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cEstamos preparados para uma poss\u00edvel chegada dos insetos. Mas n\u00e3o consideramos que haja, neste momento, uma indica\u00e7\u00e3o de que a nuvem est\u00e1 vindo para o pa\u00eds\u201d, declara Castro.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Os riscos do agrot\u00f3xico<\/h2>\n<p>O uso de agrot\u00f3xico para conter a nuvem de gafanhotos causa inc\u00f4modo e preocupa\u00e7\u00e3o em especialistas que estudam sobre os impactos ambientais causados pelo produto.<\/p>\n<p>&#8220;Entendo medidas desesperadas. Mas com isso v\u00e3o envenenar muito mais do que os gafanhotos&#8221;, afirma o engenheiro agr\u00f4nomo Leonardo Melgarejo, um dos coordenadores do F\u00f3rum Ga\u00facho de Combate aos Impactos dos Agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>&#8220;Penso que o Estado deva buscar uma solu\u00e7\u00e3o para induzir os gafanhotos a pousarem. No solo, causar\u00e3o enorme estrago, mas poder\u00e3o ser destru\u00eddos de diversas maneiras (sem o uso de agrot\u00f3xico)&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Especialista em entomologia, \u00e1rea da biologia que estuda os insetos, Mohamed Habib, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), recha\u00e7a as afirma\u00e7\u00f5es sobre um poss\u00edvel \u201cagrot\u00f3xico seguro\u201d para combater os gafanhotos. Ele afirma que n\u00e3o h\u00e1 um produto que n\u00e3o cause preju\u00edzos ao meio ambiente e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>\u201cIsso pode envenenar o len\u00e7ol fre\u00e1tico, rios e c\u00f3rregos e todo o ambiente natural. Isso tamb\u00e9m pode afetar os animais que se alimentam do pasto e o pr\u00f3prio ser humano, principalmente as pessoas que vivem no entorno desses lugares\u201d, diz Habib.<\/p>\n<p>\u201cE quem vai pagar essa tonelada de agrot\u00f3xicos? \u00d3bvio que v\u00e3o querer jogar nas costas do governo, do cidad\u00e3o. Isso deveria ser responsabilidade de grandes agricultores, que destru\u00edram vegeta\u00e7\u00e3o e causaram isso\u201d, critica.<\/p>\n<p>Ele relata que justamente o uso do agrot\u00f3xico em produ\u00e7\u00f5es rurais \u00e9 um dos motivos da origem da nuvem de gafanhotos. \u201cEsses produtos matam diversos animais que se alimentam de insetos. Em raz\u00e3o disso, os ovos de gafanhotos, que costumavam servir de alimentos, eclodem e originam muitos novos insetos\u201d, diz.<\/p>\n<p>A f\u00eamea costuma depositar, em um buraco no solo, de 150 a 220 ovos de gafanhotos por ano. Com a aus\u00eancia de predadores, os ovos que muitas vezes se tornavam alimentos, originam novos insetos. Assim, sucessivamente surge uma superpopula\u00e7\u00e3o de gafanhotos, que formam nuvens.<\/p>\n<p>Uma&nbsp;esp\u00e9cie de gafanhoto \u00e9 considerada praga&nbsp;quando passa a disputar espa\u00e7os e recursos com o homem, causar preju\u00edzos financeiros e amea\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar de popula\u00e7\u00f5es humanas, al\u00e9m de atender outros crit\u00e9rios (tamanho, dura\u00e7\u00e3o do surto etc.).<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o do uso de agrot\u00f3xico, fatores clim\u00e1ticos como n\u00edveis de temperatura, umidade do ar, chuvas e ventos favor\u00e1veis \u00e0 sua reprodu\u00e7\u00e3o podem estar por tr\u00e1s da nuvem. H\u00e1 tamb\u00e9m influ\u00eancia da pr\u00e1tica de monocultura \u2014 muito comum no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai \u2014, que pode eliminar predadores naturais como aves e sapos.<\/p>\n<p>\u201cSe entendermos a causa da desgra\u00e7a, podemos pensar na popula\u00e7\u00e3o e melhorar. Se continuarem destruindo a diversidade natural de plantas e animais, a popula\u00e7\u00e3o de gafanhotos n\u00e3o vai ser reduzida naturalmente. O voo migrat\u00f3rio desses insetos vai continuar e outras nuvens poder\u00e3o chegar ao Brasil\u201d, diz Habib.<\/p>\n<p>Sobre a nuvem que pode chegar ao Rio Grande do Sul nos pr\u00f3ximos dias, Habib defende que as autoridades pensem em um m\u00e9todo que possa repelir os insetos antes que eles pousem. \u201cPode ser um barulho, uma cortina de fuma\u00e7a ou at\u00e9 um tiro falso, que \u00e9 um barulho assustador. Jogar veneno n\u00e3o adianta. H\u00e1 v\u00e1rias medidas inteligentes que podem ser pensadas. Usar agrot\u00f3xico nessa quest\u00e3o \u00e9 criar ainda mais problemas\u201d, declara.<\/p>\n<p>\u201cUma outra alternativa \u00e9 a cata\u00e7\u00e3o manual desses insetos, com redes entomol\u00f3gicas. Isso pode at\u00e9 transform\u00e1-los em excelente ra\u00e7\u00e3o para outros animais\u201d, acrescenta o especialista.<\/p>\n<p>Habib defende, para o futuro, que os erros sejam corrigidos e que haja diversidade biol\u00f3gica em cada propriedade. \u201c\u00c9 preciso corrigir os erros sobre o agrot\u00f3xico para n\u00e3o repeti-los. Quando se recupera a diversidade, h\u00e1 um controle natural e n\u00e3o haver\u00e1 mais surtos\u201d, declara.<\/p>\n<p><strong><span class=\"byline__name\">Cr\u00e9dito: Vinicius Lemos da <\/span><span class=\"byline__title\">&nbsp;BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 21\/07\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nuvem de gafanhotos voltou a se aproximar do Brasil e do Uruguai nos \u00faltimos dias e tem causado preocupa\u00e7\u00e3o. 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