{"id":50597,"date":"2020-07-23T04:00:28","date_gmt":"2020-07-23T07:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50597"},"modified":"2020-07-23T04:50:32","modified_gmt":"2020-07-23T07:50:32","slug":"parte-do-alto-escalao-do-poder-judiciario-nao-se-enxerga-como-servidor-publico-mas-sim-como-parte-de-uma-casta-de-privilegios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/23\/parte-do-alto-escalao-do-poder-judiciario-nao-se-enxerga-como-servidor-publico-mas-sim-como-parte-de-uma-casta-de-privilegios\/","title":{"rendered":"Parte do alto escal\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o se enxerga como servidor p\u00fablico, &#8220;mas sim como parte de uma casta de privil\u00e9gios&#8221;."},"content":{"rendered":"<h4 class=\"story-body__h1\"><em><strong>&#8216;N\u00e3o se enxergam como servidores p\u00fablicos, mas como casta&#8217;, diz pesquisador sobre desembargador multado<\/strong><\/em><\/h4>\n<div class=\"byline\">\n<p class=\"story-body__introduction\">O epis\u00f3dio do desembargador que rasgou uma multa pelo n\u00e3o uso de m\u00e1scaras em Santos \u2014 e que ofendeu o guarda municipal que o abordou \u2014 \u00e9 simb\u00f3lico de como parte do alto escal\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o se enxerga como servidor p\u00fablico, &#8220;mas sim como parte de uma casta de privil\u00e9gios&#8221;.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o \u00e9 do acad\u00eamico Frederico Normanha Ribeiro de Almeida, que estudou a forma\u00e7\u00e3o de elites jur\u00eddicas no pa\u00eds para sua tese de doutorado. Almeida \u00e9 professor do Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e l\u00edder do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Pol\u00edtica e Criminologia da universidade.<\/p>\n<p>Em um dos epis\u00f3dios que reacenderam o debate sobre elitismo no Brasil, o desembargador Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, foi gravado enquanto chamava de &#8220;analfabeto&#8221; o guarda municipal que o multava por n\u00e3o usar a m\u00e1scara (obrigat\u00f3ria por decreto municipal) na orla santista.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/13872\/production\/_113568997_x.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/13872\/production\/_113568997_x.png?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Eduardo Siqueira\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"660\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Eduardo Siqueira foi filmado ofendendo guarda civil, rasgando multa e ligando para secret\u00e1rio. Direito de imagem REPRODUCAO<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>O desembargador afirmou que o v\u00eddeo foi editado e tirado de contexto e que ele, como magistrado, n\u00e3o pode aceitar que a pandemia sirva para &#8220;justificar abusos, desmandos e restri\u00e7\u00f5es de direito&#8221;.<\/p>\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a paulista determinou &#8220;imediata instaura\u00e7\u00e3o de procedimento de apura\u00e7\u00e3o dos fatos&#8221;, e a Corregedoria do Conselho Nacional de Justi\u00e7a tamb\u00e9m intimou o juiz a prestar esclarecimentos.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\">&nbsp;<\/div>\n<p>Para Frederico de Almeida, o comportamento de Siqueira, embora possa n\u00e3o ser predominante no Judici\u00e1rio, se perpetua com o sil\u00eancio corporativista dos demais magistrados.<\/p>\n<p>Leia os principais trechos da entrevista do acad\u00eamico \u00e0 BBC News Brasil:<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; \u00c0 luz dos seus estudos, que leitura voc\u00ea faz do epis\u00f3dio do desembargador Eduardo Siqueira em Santos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Frederico de Almeida &#8211;&nbsp;<\/strong>\u00c9 muito emblem\u00e1tico de um tipo de ideologia que existe nas carreiras jur\u00eddicas em geral, especialmente na magistratura, de n\u00e3o se perceber como um servidor p\u00fablico ou como um agente da lei, mas de se perceber como parte de uma casta de privil\u00e9gios, que s\u00e3o materiais \u2014 a gente sabe dos penduricalhos que burlam o teto salarial \u2014 e baseada em privil\u00e9gios simb\u00f3licos, que \u00e9 essa ideia do status, do estar acima da lei, do &#8216;sabe com quem voc\u00ea est\u00e1 falando?&#8217;, de ser desembargador.<\/p>\n<p>\u00c9 uma cultura muito comum. Seria injusto a gente dizer que \u00e9 uma cultura predominante, porque tem diferen\u00e7as muito grandes no Judici\u00e1rio, inclusive geracionais, e no caso de S\u00e3o Paulo, o Tribunal de Justi\u00e7a tem mais de 300 desembargadores, ent\u00e3o tem de tudo. (&#8230;)<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A470\/production\/_113569024_2.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A470\/production\/_113569024_2.png?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Judici\u00e1rio\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Caso \u00e9 exemplo de como parte da c\u00fapula do Judici\u00e1rio se v\u00ea n\u00e3o como um servidor p\u00fablico, mas &#8216;parte de uma casta de privil\u00e9gios&#8217;, diz pesquisador. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Mas \u00e9 uma cultura, que, como a gente viu, \u00e9 vigente, a ponto de ele (Siqueira) n\u00e3o se constranger de ser filmado, de soltar uma nota depois dizendo que ele era a v\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Voc\u00ea falou da simbologia. O desembargador (nas filmagens) aparece ligando para o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a de Santos (em aparente tentativa de exercer press\u00e3o sobre o guarda civil). As conex\u00f5es pol\u00edticas tamb\u00e9m s\u00e3o parte dessa simbologia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;&nbsp;<\/strong>Tamb\u00e9m tem isso, e obviamente que a introdu\u00e7\u00e3o dos concursos p\u00fablicos no Brasil, a partir dos anos 1930, tende a isolar os ju\u00edzes da pol\u00edtica \u2014 ou seja, a pessoa teoricamente entra por m\u00e9rito.<\/p>\n<p>As exig\u00eancias absurdas dos concursos p\u00fablicos, com cada vez mais elitismo, tamb\u00e9m transformam a ideia do m\u00e9rito n\u00e3o em uma coisa de conquista, mas de superioridade moral. Cria uma ideologia de que a pessoa, porque passou naquele concurso p\u00fablico, \u00e9 melhor que os outros.<\/p>\n<p>Na Segunda inst\u00e2ncia, em que ju\u00edzes viram desembargadores), (isso ocorre por) por antiguidade, contagem de tempo, ou m\u00e9rito, o que tem uma margem de subjetividade, embora tenha avan\u00e7os importantes em tentar fazer esse processo mais objetivo.<\/p>\n<p>Mas acaba-se valendo de conex\u00f5es pol\u00edticas internas e externas muito fortes. E mesmo que elas n\u00e3o existissem antes de o desembargador chegar l\u00e1, ao chegar l\u00e1 ele est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica importante. Porque ele n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o juiz que julga em Segunda Inst\u00e2ncia, ele passa a fazer parte da c\u00fapula pol\u00edtica do tribunal. (&#8230;) E ali as conex\u00f5es com o poder pol\u00edtico s\u00e3o muito fortes. Fora isso, muitos desses ju\u00edzes j\u00e1 v\u00eam com suas redes de rela\u00e7\u00f5es, de conv\u00edvios familiares, \u00e0s vezes herdam essas redes.<\/p>\n<p>(&#8230;) Um juiz que n\u00e3o tenha esses capitais familiares herdados, que tenha por esfor\u00e7o pr\u00f3prio passado num concurso e queira fazer carreira sem acionar esses outros tipos de rela\u00e7\u00e3o pode consegui-lo, ainda mais em um tribunal grande como o de S\u00e3o Paulo. Mas \u00e9 um caminho mais dif\u00edcil. Porque quem puder acionar essas redes vai se dar melhor.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Voc\u00ea falou no come\u00e7o em diferen\u00e7as geracionais. O que mudou ou pode estar mudando nessa din\u00e2mica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;<\/strong>&nbsp;A gente percebe, desde o final dos anos 1970, que as bases das carreiras judiciais est\u00e3o se democratizando, (em compara\u00e7\u00e3o com) o per\u00edodo anterior da Rep\u00fablica. N\u00e3o s\u00e3o necessariamente membros de uma elite que entram para a magistratura, at\u00e9 porque houve uma expans\u00e3o do ensino jur\u00eddico e uma expans\u00e3o da classe m\u00e9dia urbana. Voc\u00ea come\u00e7a a ter pessoas que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente herdeiras familiares ou de fam\u00edlias importantes, mas que s\u00e3o de classe m\u00e9dia urbana, talvez da primeira ou segunda gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia a fazer um curso superior e da\u00ed passam em um concurso.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia a diminuir a import\u00e2ncia desses capitais herdados. Mas isso n\u00e3o quer dizer que essa pessoa \u2014 que veio de fora desses c\u00edrculos familiares e de elite \u2014 n\u00e3o vai construir outros c\u00edrculos l\u00e1 dentro, porque ela vai ter que sobreviver em uma institui\u00e7\u00e3o que funciona nessa l\u00f3gica.<\/p>\n<p>E tem outra coisa: nem todo juiz vai virar desembargador. Ent\u00e3o tem um filtro importante.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas pesquisas sobre o perfil social de ju\u00edzes mostrando de modo muito positivo essa diversifica\u00e7\u00e3o social, de serem trabalhadores que estudaram. Mas o que tentei mostrar na minha tese \u00e9 que, quando voc\u00ea v\u00ea a divis\u00e3o entre base (do Poder Judici\u00e1rio) e elite, a elite mudou menos do que a base.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o geracional, de dizer &#8216;os mais novos ainda n\u00e3o chegaram l\u00e1&#8217;. \u00c9 que h\u00e1 filtros para se chegar l\u00e1, nos quais s\u00e3o acionados essas interven\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas, essas redes e constru\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e esses processos internos.<\/p>\n<p>(&#8230;) E, com a forma como esses concursos p\u00fablicos s\u00e3o criados e juntando essa ideia dessa casta de privil\u00e9gios materiais, mesmo um cara de origens sociais diferentes acaba reproduzindo esse discurso de &#8216;eu passei ent\u00e3o eu sou melhor mesmo&#8217;, porque ele passou em um concurso muito dif\u00edcil e agora \u00e9 juiz.<\/p>\n<p>Acho que, mesmo com mudan\u00e7as no perfil social, a institui\u00e7\u00e3o tem mecanismos muito fortes de reprodu\u00e7\u00e3o de culturas e valores, que acabam cooptando mesmo quem \u00e9 meio &#8216;outsider&#8217;. Quem quiser sobreviver l\u00e1 dentro acaba se submetendo para sobreviver em uma carreira longa, vital\u00edcia, de 35 ou 40 anos.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Para al\u00e9m do epis\u00f3dio que vimos em Santos, essa din\u00e2mica \u00e9 perniciosa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;&nbsp;<\/strong>\u00c9 uma coisa hist\u00f3rica, muito pouco regulada. O Judici\u00e1rio sempre foi muito resistente a controles externos. Ele sempre esteve muito sob amea\u00e7a, principalmente no per\u00edodo da ditadura militar, de ser tutelado pelo Executivo.<\/p>\n<p>Quando vem a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e ele conquista autonomia inclusive administrativa e financeira, e pode decidir sobre sal\u00e1rios, penduricalhos e demais quest\u00f5es materiais, ele acaba virando um Poder mais poderoso ainda, e muito baseado nessa l\u00f3gica corporativa.<\/p>\n<p>E todos os esfor\u00e7os, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, de tentar restabelecer um controle externo social e democr\u00e1tico sobre o Judici\u00e1rio sofreram muita resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A primeira ideia de reforma que n\u00e3o foi aprovada, l\u00e1 nos anos 1990, era de um controle realmente externo, com membros externos.<\/p>\n<p>Hoje, o controle externo, (&#8230;) que \u00e9 o CNJ (Conselho Nacional de Justi\u00e7a), criado com a reforma de 2004, \u00e9 o que na ci\u00eancia pol\u00edtica a gente chama de \u00f3rg\u00e3o de governo judicial, n\u00e3o \u00f3rg\u00e3o de controle externo. \u00c9 basicamente um conselho nacional, formado predominantemente por membros da pr\u00f3pria magistratura, de tribunais diferentes, (&#8230;) sob a presid\u00eancia da Presid\u00eancia do Supremo (Tribunal Federal). Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um controle externo, \u00e9 interno.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\">\n<h4 style=\"text-align: left;\"><em><strong><span style=\"color: #000000;\">O que de certa forma me surpreendeu nesse caso (de Eduardo Siqueira) foi a resposta muito r\u00e1pida do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, que costuma ser muito corporativo<\/span>.<\/strong><\/em><\/h4>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>O que de certa forma me surpreendeu nesse caso (de Eduardo Siqueira) foi a resposta muito r\u00e1pida do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, que costuma ser muito corporativo. (&#8230;) N\u00e3o legitimou a posi\u00e7\u00e3o do desembargador Siqueira, mas mesmo assim o CNJ chamou para si o caso, que poderia ficar na compet\u00eancia da corregedoria local.<\/p>\n<p>\u00c9 muito pouco para a gente festejar uma mudan\u00e7a de cultura, mas \u00e9 uma sinaliza\u00e7\u00e3o importante quando um tribunal fala &#8216;n\u00e3o d\u00e1&#8217;. (&#8230;) Ainda tem muito trabalho para fazer \u2014 trabalhos formais de controle disciplinar e uma coisa mais de longo prazo, que \u00e9 uma mudan\u00e7a de cultura, de concep\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio, sobre seu papel, e se pensar como um funcion\u00e1rio p\u00fablico, (igual a) um professor, um m\u00e9dico de Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade, um policial. Porque eles s\u00e3o isso.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Recentemente fizemos duas reportagens que falavam sobre iniciativas que tentavam mudar essa cultura.&nbsp;<\/strong><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-50396347\">Uma era<\/a><strong>&nbsp;sobre membros do Poder Judici\u00e1rio que pediam para n\u00e3o serem chamados de doutores.&nbsp;<\/strong><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49270088\">Outra<\/a><strong>, sobre um projeto da Escola Judicial do TRT-RJ em que ju\u00edzes faziam, durante um dia, fun\u00e7\u00f5es ditas &#8220;subalternas&#8221;, como de limpeza, para que n\u00e3o se distanciassem da popula\u00e7\u00e3o cujos casos iriam julgar. S\u00e3o indicativos de mudan\u00e7a ou s\u00e3o iniciativas muito pontuais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;<\/strong>&nbsp;Iniciativas assim existem h\u00e1 muito tempo. (&#8230;) O pr\u00f3prio juizado especial, antes juizado de pequenas causas, foi uma iniciativa de ju\u00edzes, com essa ideia de &#8216;temos de nos aproximar do cidad\u00e3o comum&#8217;.<\/p>\n<p>Quais os problemas disso: primeiro, essa boa vontade pode se perder nesses aspectos culturais. Eu fiz uma pesquisa sobre uma dessas iniciativas que existiam em S\u00e3o Paulo, e havia de fato um juiz que ia vestido de camisa conversar com as pessoas, mas tinha um juiz que fazia quest\u00e3o, l\u00e1 no Jardim S\u00e3o Lu\u00eds (regi\u00e3o vulner\u00e1vel no extremo sul paulistano), de vestir a toga, porque ele falava que isso era importante em uma comunidade que n\u00e3o tinha familiaridade com a presen\u00e7a do Estado, para que percebessem que ele era o Estado. A ideia era coloc\u00e1-lo pr\u00f3ximo do povo, e ele se veste de toga para mostrar que ele \u00e9 o Estado perto do povo.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as (visando a aproxima\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o) t\u00eam sido cada vez mais comuns, o Judici\u00e1rio tem premiado iniciativas dessas, mas elas acabam sendo meio amb\u00edguas: n\u00e3o se tornam reformas estruturais e acabam servindo de bons exemplos de uma mudan\u00e7a que est\u00e1 acontecendo, mas que na verdade n\u00e3o \u00e9 estrutural \u2014 \u00e9 pontual.<\/p>\n<p>E muitas vezes, por ser algo informal e por n\u00e3o mudar a forma de funcionamento do Judici\u00e1rio, acabam indo para essas iniciativas os chamados &#8216;vocacionados&#8217;. Ou elas viram um castigo: &#8216;tem que ir l\u00e1 varrer o ch\u00e3o por um dia&#8217;, sem que o cara (juiz) mude a concep\u00e7\u00e3o dele.<\/p>\n<p>S\u00e3o movimentos amb\u00edguos e insuficientes para a gente pensar realmente em uma mudan\u00e7a de postura.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; De fato existe, na sua vis\u00e3o, um distanciamento muito grande entre a popula\u00e7\u00e3o julgada e a elite que a julga?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;&nbsp;<\/strong>Acho que tem um distanciamento de v\u00e1rias ordens. O primeiro deles \u00e9 de acesso \u2014 o percentual de pessoas que conseguem levar seus casos \u00e0 Justi\u00e7a. Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje isso j\u00e1 mudou muito, em grande parte pelos juizados especiais. A quest\u00e3o das pequenas causas vingou e virou uma reforma importante. Mas uma pesquisa regular feita pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, o \u00cdndice de Confian\u00e7a na Justi\u00e7a, mostra que quanto mais as pessoas usam (as inst\u00e2ncias judiciais), menos elas gostam.<\/p>\n<p>Outra coisa importante: o acesso \u00e0 Justi\u00e7a \u00e9 muito mediado. Diferentemente de uma pessoa que procura uma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade e lida diretamente com um m\u00e9dico, para voc\u00ea propor uma a\u00e7\u00e3o voc\u00ea tem que passar por um advogado, um cartor\u00e1rio, um escrevente, e o juiz s\u00f3 vai falar com voc\u00ea \u2014 se falar \u2014 no momento da audi\u00eancia.<\/p>\n<p>E l\u00e1, at\u00e9 a forma f\u00edsica, da disposi\u00e7\u00e3o da mesa e das pessoas, o coloca em dist\u00e2ncia. Geralmente a mesa dele (juiz) \u00e9 um pouco mais alta, ou ele est\u00e1 na cabeceira da mesa. Ele n\u00e3o fala com as partes, fala com os advogados, n\u00e3o tem muito esfor\u00e7o em simplificar a linguagem. E a gente tem que pensar tamb\u00e9m que os advogados vivem disso \u2014 estamos falando dos ju\u00edzes, mas todas essas reformas que tentaram tirar essas media\u00e7\u00f5es (encontraram resist\u00eancia).<\/p>\n<p>(&#8230;) Outro problema \u00e9 o de acesso \u00e0 carreira. Com toda a expans\u00e3o do ensino superior que tivemos, (Direito) ainda \u00e9 um curso elitista. (&#8230;) E dessas pessoas (formadas), quantas v\u00e3o sequer passar no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)? A pessoa n\u00e3o vira nem advogado, se forma em Direito para prestar concurso de escriv\u00e3o, de oficial de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o tem uma estratifica\u00e7\u00e3o social das fun\u00e7\u00f5es dentro do Direito.<\/p>\n<p>O que eu penso que poderia promover uma mudan\u00e7a de fato \u00e9 primeiro uma democratiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o judici\u00e1rio, em termos quantitativos. Isso j\u00e1 aconteceu relativamente bem no Brasil. Segundo, uma mudan\u00e7a qualitativa: que a pessoa n\u00e3o pudesse s\u00f3 entrar com uma a\u00e7\u00e3o, mas que entendesse o que est\u00e1 acontecendo, sem muitas media\u00e7\u00f5es ou custos, e com respostas r\u00e1pidas e satisfat\u00f3rias. Porque (hoje) a pessoa acessa (o servi\u00e7o), mas n\u00e3o fica feliz.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m uma democratiza\u00e7\u00e3o das carreiras, que deveria passar por outro tipo de sele\u00e7\u00e3o, com cursos mais acess\u00edveis, mas tamb\u00e9m diminuir a diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com base (nas declara\u00e7\u00f5es de) Imposto de Renda, as maiores remunera\u00e7\u00f5es no Brasil s\u00e3o de carreiras p\u00fablicas jur\u00eddicas. Ent\u00e3o tem uma desigualdade gritante dentro do pr\u00f3prio servi\u00e7o p\u00fablico e do Judici\u00e1rio \u2014 entre o oficial de Justi\u00e7a e o juiz.<\/p>\n<p>\u00d3bvio, isso \u00e9 muito dif\u00edcil (mudar), o ideal seria promover as outras carreiras com uma equipara\u00e7\u00e3o salarial melhor. Mas da\u00ed cria-se um outro problema: tudo o que a magistratura conquistou em 1988 virou par\u00e2metro (de equipara\u00e7\u00e3o salarial) para outras carreiras no mundo do Direito. (&#8230;) Hoje, at\u00e9 agente penitenci\u00e1rio reivindica isso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o em vez de a gente pensar em como democratizar essas carreiras, as carreiras fazem movimentos corporativos para se tornarem mais elitizadas. \u00c9 uma l\u00f3gica perversa e dif\u00edcil de mudar.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Uma&nbsp;<\/strong>pesquisa<strong>&nbsp;do acad\u00eamico Luciano Da Ros, da UFRGS, apontava que o Brasil tinha altos gastos com o Poder Judici\u00e1rio (em rela\u00e7\u00e3o ao PIB), maior do que todos os diversos pa\u00edses analisados. Mas essas quest\u00f5es de que falamos \u2014 de dificuldade no acesso \u00e0 Justi\u00e7a ou da cria\u00e7\u00e3o de uma elite \u2014 existem tamb\u00e9m em outros pa\u00edses, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;<\/strong>&nbsp;Em geral, as profiss\u00f5es jur\u00eddicas s\u00e3o de muito prest\u00edgio e poder pol\u00edtico. Mesmo porque, em geral, os Estados modernos, de poder centralizado, surgem em grande parte pelo papel dos juristas em constru\u00ed-los.<\/p>\n<p>Mas alguns pa\u00edses conseguiram fazer isso de maneira mais democr\u00e1tica e acess\u00edvel, seja pela expans\u00e3o do servi\u00e7o, pelo tipo de remunera\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e material dada aos ju\u00edzes, pela possibilidade de ter formas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o menos mediadas e mais comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Geralmente os casos emblem\u00e1ticos para se estudar profiss\u00f5es em qualquer pa\u00eds s\u00e3o os de m\u00e9dico e advogado, profiss\u00f5es que no mundo ocidental s\u00e3o muito prestigiadas. Mas h\u00e1 diferen\u00e7as importantes. O estudo do Luciano Da Ros mostra que o gasto p\u00fablico do Judici\u00e1rio brasileiro \u00e9 muito alto, para um atendimento ruim.<\/p>\n<p>Vou fazer a minha defesa corporativa: se pensarmos na pandemia e na (busca por uma) vacina, a universidade p\u00fablica, com muito menos recursos e muito menos sal\u00e1rio, produz muito mais. Mesmo o m\u00e9dico na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade ou o professor lidando com 50 alunos em uma sala, quantitativamente, eles est\u00e3o fazendo muito mais. Porque a gente universalizou muito do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o universalizamos o acesso \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Por outro lado, ser\u00e1 que toda essa constru\u00e7\u00e3o da qual falamos de fato n\u00e3o ajuda a garantir a autonomia do Poder Judici\u00e1rio, frente inclusive ao Executivo, e a fazer um equil\u00edbrio mais forte entre Poderes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;&nbsp;<\/strong>Claro que a autonomia de or\u00e7amento e de carreira \u00e9 importante para evitar inclusive interfer\u00eancias pol\u00edticas. Mas a gente n\u00e3o pode pular de um extremo para o outro. O que a gente tem que pensar \u00e9 em autonomia combinada com controle externo, que n\u00e3o seja de um Poder sobre o outro. Um controle social, por exemplo um Conselho Nacional de Justi\u00e7a que fosse mais plural.<\/p>\n<p>H\u00e1 formas de controle democr\u00e1ticas, pelo Legislativo, por exemplo, que tem menos poder concentrado que o Executivo. Colocar em p\u00fablico a discuss\u00e3o dessas quest\u00f5es internas e corporativas n\u00e3o \u00e9 por si s\u00f3 uma amea\u00e7a \u00e0 autonomia.<\/p>\n<p>Tem uma coisa salarial importante: muitas vezes os ju\u00edzes dizem que se voc\u00ea n\u00e3o pagar um bom sal\u00e1rio, o juiz fica sujeito \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o ou vai preferir ir para um escrit\u00f3rio (privado de advocacia). (&#8230;) Mas essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 enviesada, porque esse mercado (de advogados) que ganha muito dinheiro \u00e9 muito pequena. A maioria n\u00e3o ganha tanto.<\/p>\n<p>Mesmo no caso da corrup\u00e7\u00e3o, a compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 verdadeira. O juiz pode ter uma remunera\u00e7\u00e3o boa e ser protegido da tenta\u00e7\u00e3o de ganhar uma propina. Mas se a gente levar a palavra &#8220;corrup\u00e7\u00e3o&#8221; a s\u00e9rio, n\u00e3o apenas seu sentido criminal, o que o Eduardo Siqueira fez \u00e9 uma pequena corrup\u00e7\u00e3o \u2014 a ideia de corromper e desvirtuar a autoridade que ele tem.<\/p>\n<p>O fato de ele ganhar bem n\u00e3o evita que ele corrompa o seu poder. (&#8230;)<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Internamente, existe um debate sobre elitismo na carreira jur\u00eddica, ou ele ocorre apenas fora \u2014 na imprensa ou na academia, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;&nbsp;<\/strong>Existe, mas \u00e9 encaminhado de uma maneira muito dif\u00edcil. Volto \u00e0quele primeiro ponto que a gente conversou: os ju\u00edzes que tentam fazer um caminho alternativo v\u00e3o acabar sendo malvistos na institui\u00e7\u00e3o, por colegas e pela c\u00fapula. (&#8230;) H\u00e1 mecanismos de controle interno que tornam muito custosa essa express\u00e3o da dissid\u00eancia ou da mudan\u00e7a de cultura.<\/p>\n<p>Nos anos 1970, houve uma experi\u00eancia importante em alguns pa\u00edses, principalmente Portugal, Espanha e It\u00e1lia, de associa\u00e7\u00f5es de ju\u00edzes progressistas. Os ju\u00edzes que se associavam em sindicatos eram for\u00e7as externas e ao mesmo tempo internas que pressionaram por mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>O associativismo no Brasil n\u00e3o tem esse perfil (&#8230;) e n\u00e3o conseguiu criar uma for\u00e7a desse tipo. H\u00e1 a associa\u00e7\u00e3o dos ju\u00edzes pela democracia, que pensa um Judici\u00e1rio mais democr\u00e1tico, menos elitista, mais pr\u00f3ximo de promover um servi\u00e7o p\u00fablico e que questiona essas quest\u00f5es de remunera\u00e7\u00e3o. Mas s\u00e3o completamente marginais.<\/p>\n<aside class=\"quote\">\n<div class=\"quote-inner\">\n<blockquote class=\"quote\"><p><em><strong>Muitos ju\u00edzes ficam em uma corda bamba (quanto a) jogar pedra no Judici\u00e1rio, porque o povo j\u00e1 n\u00e3o gosta do Judici\u00e1rio. E, ao mesmo tempo, eles n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a pol\u00edtica para mudar internamente<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/aside>\n<p>Vai sair esta reportagem e eu tenho grandes amigos ju\u00edzes, que v\u00e3o ler e n\u00e3o v\u00e3o gostar. Eu n\u00e3o estou fazendo uma cr\u00edtica a eles, mas o esp\u00edrito de corpo \u00e9 muito forte. Na conversa com amigos, eles podem at\u00e9 concordar com o que eu digo, mas eles sentem que, se forem a p\u00fablico endossar essas cr\u00edticas, v\u00e3o fragilizar a institui\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 \u00e9 malvista.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o muitos ju\u00edzes ficam em uma corda bamba (quanto a) jogar pedra no Judici\u00e1rio, porque o povo j\u00e1 n\u00e3o gosta do Judici\u00e1rio. E, ao mesmo tempo, eles n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a pol\u00edtica para mudar internamente.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que podem tirar mais for\u00e7a do Poder Judici\u00e1rio, em vez de melhor\u00e1-lo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;<\/strong>&nbsp;Exatamente. Isoladamente, eles podem fazer um trabalho como juiz muito digno, muito bom, competente, atencioso. Mas n\u00e3o v\u00e3o fazer esse movimento pol\u00edtico interno, que tem que ser coletivo, de promover uma mudan\u00e7a de cultura.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; O sr. comentou que o caso do Eduardo Siqueira era um em um universo de mais de 300 desembargadores s\u00f3 em S\u00e3o Paulo. Esse elitismo \u00e9 de uma minoria que acaba ganhando muita for\u00e7a pol\u00edtica ou \u00e9 o comportamento (ou anu\u00eancia) de uma maioria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;<\/strong>&nbsp;Eu n\u00e3o diria que o Judici\u00e1rio \u00e9 formado por uma maioria de Eduardos Siqueiras, mas me incomoda muito, como algu\u00e9m que estuda isso e como cidad\u00e3o, o certo sil\u00eancio dos que n\u00e3o s\u00e3o como ele.<\/p>\n<p>\u00c9 o peso do corporativismo \u2014 a aus\u00eancia de uma condena\u00e7\u00e3o p\u00fablica de associa\u00e7\u00f5es, de grupos de ju\u00edzes. A gente viu cr\u00edticas (ao epis\u00f3dio) entre desembargadores, mas da\u00ed \u00e9 briga de cachorro grande \u2014 \u00e9 que nem ministro do Supremo criticar um ao outro. Mas voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea uma repulsa coletiva.<\/p>\n<p>At\u00e9 acredito que n\u00e3o seja o comportamento generalizado, mas h\u00e1 um certo sil\u00eancio corporativista que acaba alimentando esse tipo de comportamento.<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; E a origem disso, nas sociedades ocidentais, \u00e9 pelo fato de a ascens\u00e3o social se dar muito por carreiras jur\u00eddicas e m\u00e9dicas, ou h\u00e1 quest\u00f5es espec\u00edficas do Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Almeida &#8211;<\/strong>&nbsp;Tem uma coisa espec\u00edfica do Brasil, (embora) todas as sociedades ocidentais tenham passado por processos em que juristas foram atores importantes: n\u00f3s somos profundamente desiguais.<\/p>\n<p>Isso (constru\u00e7\u00e3o da sociedade) n\u00e3o ocorreu de uma forma em que a rela\u00e7\u00e3o de poder dos juristas com outros grupos se desse de uma forma mais equalizada. Se deu com uma concentra\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>E o Estado brasileiro \u00e9 formado em bases muito patrimonialistas. Essa ideia de que a pessoa que est\u00e1 no servi\u00e7o p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 um servidor, \u00e9 algu\u00e9m que est\u00e1 acima da sociedade, porque \u00e9 o Estado, \u00e9 muito forte na nossa cultura. \u00c9 muito t\u00edpico do nosso desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: <span class=\"byline__name\">Paula Adamo Idoeta d<\/span><span class=\"byline__title\">a BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo &#8211; dispon\u00edvel na internet 23\/07\/2020<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;N\u00e3o se enxergam como servidores p\u00fablicos, mas como casta&#8217;, diz pesquisador sobre desembargador multado O epis\u00f3dio do desembargador que rasgou uma multa pelo n\u00e3o uso de m\u00e1scaras em Santos \u2014 e que ofendeu o guarda municipal que o abordou \u2014 \u00e9 simb\u00f3lico de como parte do alto escal\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o se enxerga como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":50598,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[133],"tags":[],"class_list":{"0":"post-50597","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Juiz-Deus.jpg?fit=660%2C611&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50597\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50598"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}