{"id":50701,"date":"2020-07-25T02:00:13","date_gmt":"2020-07-25T05:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/?p=50701"},"modified":"2020-07-25T08:06:34","modified_gmt":"2020-07-25T11:06:34","slug":"meu-bisavo-africano-vendeu-escravos-mas-nao-deve-ser-julgado-pelos-padroes-atuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/2020\/07\/25\/meu-bisavo-africano-vendeu-escravos-mas-nao-deve-ser-julgado-pelos-padroes-atuais\/","title":{"rendered":"&#8216;Meu bisav\u00f4 africano vendeu escravos, mas n\u00e3o deve ser julgado pelos padr\u00f5es atuais&#8217;"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"story-body__h1\"><em><strong>&#8216;Meu bisav\u00f4 africano vendeu escravos, mas n\u00e3o deve ser julgado pelos padr\u00f5es atuais&#8217;, diz escritora negra<\/strong><\/em><\/h4>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"mini-info-list-wrap\">\n<p>Em meio ao debate global sobre rela\u00e7\u00f5es raciais, colonialismo e escravid\u00e3o, alguns europeus e americanos que fizeram fortuna no com\u00e9rcio de escravos viram seus legados reavaliados, suas est\u00e1tuas tombadas e seus nomes removidos de pr\u00e9dios p\u00fablicos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p>A jornalista e romancista nigeriana Adaobi Tricia Nwaubani escreve que um de seus ancestrais vendia escravos, mas argumenta que ele n\u00e3o deve ser julgado pelos padr\u00f5es ou valores atuais.<\/p>\n<p><strong>Confira o depoimento dela.<\/strong><\/p>\n<p>Meu bisav\u00f4, Nwaubani Ogogo Oriaku, era o que prefiro chamar de empres\u00e1rio, da etnia Igbo do sudeste da Nig\u00e9ria. Ele negociou uma s\u00e9rie de mercadorias, incluindo tabaco e produtos de palma. Tamb\u00e9m vendeu seres humanos.<\/p>\n<p>&#8220;Seu bisav\u00f4 tinha agentes que capturavam escravos de lugares diferentes e os traziam para ele&#8221;, meu pai me disse.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\">&nbsp;<\/div>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B643\/production\/_113295664_gettyimages-629581035-2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B643\/production\/_113295664_gettyimages-629581035-2.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Comerciantes brit\u00e2nicos desempenhavam papel central no com\u00e9rcio de escravos, antes de a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Comerciantes brit\u00e2nicos desempenhavam papel central no com\u00e9rcio de escravos, antes de a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os escravos de Nwaubani Ogogo foram vendidos por meio dos portos de Calabar e Bonny, no sul do que hoje \u00e9 conhecido como Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>Pessoas de grupos \u00e9tnicos ao longo da costa, como Efik e Ijaw, trabalhavam como estivadores dos comerciantes brancos e como intermedi\u00e1rios dos comerciantes de igbo como meu bisav\u00f4.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5434\/production\/_113265512_gettyimages-566466117.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5434\/production\/_113265512_gettyimages-566466117.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"F\u00e1bricas de escravos, ou complexos, mantidas por comerciantes de quatro pa\u00edses europeus no Golfo da Guin\u00e9, no que \u00e9 hoje a Nig\u00e9ria. 1746 gravura por Nathaniel\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">V\u00e1rias na\u00e7\u00f5es europeias tinham &#8216;f\u00e1bricas de escravos&#8217; no que \u00e9 hoje a Nig\u00e9ria. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Eles carregaram e descarregaram navios e forneceram comida e outras provis\u00f5es aos estrangeiros. Eles negociavam os pre\u00e7os dos escravos do interior e depois cobravam royalties de vendedores e compradores.<\/p>\n<p>Cerca de 1,5 milh\u00e3o de escravos Igbo foram enviados pelo Oceano Atl\u00e2ntico entre os s\u00e9culos 15 e 19.<\/p>\n<p>Mais de 1,5 milh\u00e3o de africanos foram embarcados para o chamado Novo Mundo &#8211; as Am\u00e9ricas &#8211; pelo porto de Calabar, na Ba\u00eda de Bonny, tornando-o um dos maiores pontos de sa\u00edda durante o com\u00e9rcio transatl\u00e2ntico.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A \u00fanica vida que eles conheciam<\/h2>\n<p>Nwaubani Ogogo viveu em uma \u00e9poca em que os mais fortes sobreviveram e os mais valentes se destacaram. O conceito de &#8220;todos os homens s\u00e3o criados iguais&#8221; era completamente estranho \u00e0 religi\u00e3o e \u00e0 lei tradicionais em sua sociedade.<\/p>\n<p>Seria injusto julgar um homem do s\u00e9culo 19 pelos princ\u00edpios do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9B08\/production\/_113488693_slavery2.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9B08\/production\/_113488693_slavery2.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Gravura de 1868 mostra grupo de africanos capturados sendo levados embora por um escravo branco\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Gravura de 1868 mostra grupo de africanos capturados sendo levados embora por um escravo branco. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Avaliar o povo da \u00c1frica de outrora pelos padr\u00f5es de hoje nos obrigaria a retratar a maioria de nossos her\u00f3is como vil\u00f5es, negando-nos o direito de homenagear completamente quem n\u00e3o foi influenciado pela ideologia ocidental.<\/p>\n<p>Os comerciantes de escravos igbo como meu bisav\u00f4 n\u00e3o sofreram nenhuma crise de aceita\u00e7\u00e3o social ou legalidade. Eles n\u00e3o precisavam de qualquer justificativa religiosa ou cient\u00edfica para suas a\u00e7\u00f5es. Eles simplesmente viviam a vida em que foram criados.<\/p>\n<p>Isso era tudo que eles conheciam.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Escravos enterrados vivos<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria mais popular que ouvi sobre meu bisav\u00f4 foi como ele enfrentou com sucesso representantes do governo colonial brit\u00e2nico depois que eles apreenderam alguns de seus escravos.<\/p>\n<p>Os escravos estavam sendo transportados por intermedi\u00e1rios, juntamente com uma remessa de produtos de tabaco e palma, da cidade natal de Nwaubani Ogogo, Umuahia, para a costa.<\/p>\n<p>Meu bisav\u00f4 aparentemente n\u00e3o considerou justo que seus escravos tivessem sido capturados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11A5F\/production\/_113278227_gettyimages-188005118-1.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11A5F\/production\/_113278227_gettyimages-188005118-1.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Escravo capturado na \u00c1frica no s\u00e9culo 19. From Africa Por Keith Johnston, publicado em 1884\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Escravo capturado na \u00c1frica no s\u00e9culo 19. Africa Por Keith Johnston, publicado em 1884. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>A compra e venda de seres humanos entre os igbo j\u00e1 ocorria muito antes da chegada dos europeus. As pessoas se tornaram escravas como puni\u00e7\u00e3o por crime, pagamento de d\u00edvidas ou prisioneiros de guerra.<\/p>\n<p>A venda bem-sucedida de adultos era considerada uma fa\u00e7anha pela qual um homem era aclamado por trovadores, semelhante a vit\u00f3rias na luta livre, na guerra ou na ca\u00e7a de animais como o le\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1687F\/production\/_113278229_mediaitem113278228.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1687F\/production\/_113278229_mediaitem113278228.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Fam\u00edlia de Aaobi\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fam\u00edlia de Aaobi Direito de imagem AAOBI<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os escravos Igbo serviam como empregados dom\u00e9sticos e trabalhadores. \u00c0s vezes tamb\u00e9m eram sacrificados em cerim\u00f4nias religiosas e enterrados vivos com seus senhores para atend\u00ea-los na eternidade.<\/p>\n<p>A escravid\u00e3o estava t\u00e3o arraigada na cultura que v\u00e1rios prov\u00e9rbios Igbo populares fazem refer\u00eancia a ela:<\/p>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">Quem n\u00e3o tem escravo \u00e9 escravo dele mesmo<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">Um escravo que observa enquanto um colega escravo \u00e9 amarrado e jogado na sepultura com seu mestre deve perceber que o mesmo pode ser feito com ele algum dia<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">\u00c9 quando o filho recebe conselhos que o escravo aprende<\/li>\n<\/ul>\n<p>A chegada de comerciantes europeus que trocavam armas, espelhos, gins e outros produtos ex\u00f3ticos por pessoas aumentou enormemente a demanda, levando a um aumento de sequestros e tr\u00e1fico humano.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F730\/production\/_113308236_gettyimages-645161280.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F730\/production\/_113308236_gettyimages-645161280.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"A reuni\u00e3o na igreja Sociedade Mission\u00e1ria. A Sociedade foi fundada em Aldersgate Street, na cidade de Londres, em 12 de abril de 1799. A maioria dos fundadores era membro da Clapham Sect, um grupo de crist\u00e3os evang\u00e9licos ativistas. Eles inclu\u00edam os parlamentares Henry Thornton e William Wilberforce. Os fundadores do CMS estavam comprometidos com tr\u00eas grandes propostas: aboli\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos, reforma social em casa e evangeliza\u00e7\u00e3o mundial\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">A Sociedade Mission\u00e1ria foi formada em Londres em 1799 por abolicionistas brit\u00e2nicos contra a escravid\u00e3o. Direito de imagem GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Resistindo \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O com\u00e9rcio de africanos continuou at\u00e9 1888, quando o Brasil se tornou o \u00faltimo pa\u00eds do hemisf\u00e9rio ocidental a aboli-lo.<\/p>\n<p>Quando os brit\u00e2nicos estenderam seu dom\u00ednio ao sudeste da Nig\u00e9ria no final do s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do s\u00e9culo 20, come\u00e7aram a impor a aboli\u00e7\u00e3o por meio de a\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>Mas, usando a for\u00e7a e n\u00e3o a persuas\u00e3o, muitas pessoas locais, como meu bisav\u00f4, podem n\u00e3o ter entendido que a aboli\u00e7\u00e3o tinha a ver com a dignidade da humanidade e n\u00e3o era uma mera mudan\u00e7a na pol\u00edtica econ\u00f4mica que afetava a demanda e a oferta.<\/p>\n<p>&#8220;Achamos que esse com\u00e9rcio deve continuar&#8221;, disse um rei local em Bonny, infame no s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 o veredicto de nosso or\u00e1culo e de nossos sacerdotes. Eles dizem que seu pa\u00eds, por maior que seja, nunca pode impedir um com\u00e9rcio ordenado por Deus.&#8221;<\/p>\n<p>No que dizia respeito ao meu bisav\u00f4, ele possu\u00eda uma licen\u00e7a comercial da Royal Niger Company, uma empresa brit\u00e2nica que administrava o com\u00e9rcio na regi\u00e3o no fim do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>Assim, quando suas propriedades foram confiscadas, Nwaubani Ogogo, ofendido, foi corajosamente se encontrar com as autoridades coloniais respons\u00e1veis e lhes entregou sua licen\u00e7a. Eles libertaram seus bens e seus escravos.<\/p>\n<p>&#8220;Os brancos pediram desculpas a ele&#8221;, disse meu pai.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Com\u00e9rcio de escravos no s\u00e9culo 20<\/h2>\n<p>O aclamado historiador igbo Adiele Afigbo descreveu o com\u00e9rcio de escravos no sudeste da Nig\u00e9ria, que durou at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1940 e o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950 como um dos segredos mais bem guardados da administra\u00e7\u00e3o colonial brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Mas se o com\u00e9rcio internacional terminou, o com\u00e9rcio local continuou.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/45AD\/production\/_113273871_mediaitem113273870.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/45AD\/production\/_113273871_mediaitem113273870.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Casa da fam\u00edlia de Adaobi\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Casa da fam\u00edlia de Adaobi. Direito de imagem ADAOBI<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>&#8220;O governo estava ciente do fato de que os chefes costeiros e os principais comerciantes costeiros continuaram comprando escravos do interior&#8221;, escreveu Afigbo em seu livro The Abolition of the Slave Trade in Southern Nigeria: 1885 to 1950 (A Aboli\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Escravos no Sul da Nig\u00e9ria: 1885 a 1950, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Ele acrescentou que os brit\u00e2nicos toleravam o com\u00e9rcio em andamento por motivos pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Eles precisavam dos chefes do tr\u00e1fico de escravos para garantir uma governan\u00e7a local eficaz e para a expans\u00e3o e crescimento do com\u00e9rcio leg\u00edtimo.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, eles tamb\u00e9m fecharam os olhos, em vez de p\u00f4r em risco essa alian\u00e7a vantajosa, como parece ter acontecido quando retornaram os escravos de Nwaubani Ogogo.<\/p>\n<p><strong><em>MEU BISAV\u00d4 \u00c9 CONHECIDO POR SUAS PROEZAS NOS NEG\u00d3CIOS, LIDERAN\u00c7A FORTE, IMENSA CONTRIBUI\u00c7\u00c3O PARA A SOCIEDADE E AVAN\u00c7O DO CRISTIANISMO &#8211; Adaobi Tricia Nwaubani, Jornalista nigeriana<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Esse incidente levou Nwaubani Ogogo a ganhar status de deus entre seu povo. Aqui estava um homem que enfrentou com sucesso os poderes brancos do exterior. Ouvi a hist\u00f3ria de parentes e li sobre ele.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m o in\u00edcio de uma rela\u00e7\u00e3o de respeito m\u00fatuo com os colonialistas que levou Nwaubani Ogogo a ser nomeado chefe supremo pela administra\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Ele era o representante do governo para as pessoas em sua regi\u00e3o, em um sistema conhecido como imperialismo indireto.<\/p>\n<p>Registros dos Arquivos Nacionais do Reino Unido mostram como os brit\u00e2nicos lutaram desesperadamente para acabar com o com\u00e9rcio interno de escravos por quase todo o per\u00edodo colonial.<\/p>\n<p>Eles promoveram o com\u00e9rcio leg\u00edtimo, especialmente em produtos de palma. Eles introduziram a moeda inglesa para substituir as mercadorias, como lat\u00e3o, os comerciantes dependiam dos escravos para carregar. Eles processaram infratores com senten\u00e7as de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Na d\u00e9cada de 1930, o establishment colonial estava desgastado&#8221;, escreveu Afigbo.<\/p>\n<p>&#8220;Por isso, eles torciam para que o efeito corrosivo ao longo do tempo da educa\u00e7\u00e3o e da civiliza\u00e7\u00e3o fosse levar ao fim daquele tipo com\u00e9rcio&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Trabalhando com os brit\u00e2nicos<\/h2>\n<p>Como chefe supremo, Nwaubani Ogogo ganhava uma comiss\u00e3o para recolher impostos para os brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Ele presidiu casos em tribunais nativos. Forneceu trabalhadores para a constru\u00e7\u00e3o de linhas ferrovi\u00e1rias. Tamb\u00e9m voluntariamente doou terras para mission\u00e1rios constru\u00edrem igrejas e escolas.<\/p>\n<p>A casa onde cresci e onde meus pais ainda moram fica em um terreno que est\u00e1 com a minha fam\u00edlia h\u00e1 mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Era outrora o local da casa de h\u00f3spedes de Nwaubani Ogogo, onde ele hospedava autoridades brit\u00e2nicas de passagem pela regi\u00e3o. Eles lhe enviavam envelopes com chuma\u00e7os de seus cabelos para que ele soubesse quando chegariam.<\/p>\n<p>Nwaubani Ogogo morreu no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 e deixou dezenas de esposas e filhos. N\u00e3o existem fotos dele, mas aparentemente ele teria uma pele notavelmente clara.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2017, uma igreja em Okaiuga, no Estado de Abia, no sudeste da Nig\u00e9ria, comemorou seu centen\u00e1rio e convidou minha fam\u00edlia para receber um pr\u00eamio p\u00f3stumo em seu nome.<\/p>\n<p>Os registros deles mostraram que meu bisav\u00f4 cedera uma escolta armada para os primeiros mission\u00e1rios na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Ele era conhecido por suas proezas nos neg\u00f3cios, ousadia not\u00e1vel, lideran\u00e7a forte, vasta influ\u00eancia, imensas contribui\u00e7\u00f5es para a sociedade e avan\u00e7o do cristianismo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">\n<p><figure style=\"width: 976px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0CD0\/production\/_113308230_c8c1d904-0ffd-4b92-87a9-d6d73511d14e.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0CD0\/production\/_113308230_c8c1d904-0ffd-4b92-87a9-d6d73511d14e.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"Certificado\" width=\"696\" height=\"392\" data-highest-encountered-width=\"624\"><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nwaubani Ogogo doou terras para mission\u00e1rios crist\u00e3os. Direito de imagem ADAOBI TRICIA NWAUBANI<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Os igbo n\u00e3o t\u00eam uma cultura de erguer monumentos para seus her\u00f3is &#8211; caso contr\u00e1rio, algum dedicado a ele poderia estar em algum lugar da regi\u00e3o de Umuahia atualmente.<\/p>\n<p>&#8220;Ele era respeitado por todos ao redor&#8221;, disse meu pai. &#8220;At\u00e9 os brancos o respeitavam.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Como os escravos eram comercializados na \u00c1frica<\/h2>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">Os compradores europeus aguardar no litoral<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">Vendedores africanos traziam escravos do interior a p\u00e9<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">As viagens poderiam ser de at\u00e9 485 km<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">Escravos eram normalmente acorrentados em dupla pelo tornozelo<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">Escravos capturados eram amarrados em fila indiana por cordas no pesco\u00e7o<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"story-body__unordered-list\">\n<li class=\"story-body__list-item\">10% -15% dos escravos morriam durante a jornada<\/li>\n<\/ul>\n<p><i>Fonte: Encyclopaedia Britannica<\/i><\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito: BBC Brasil &#8211; dispon\u00edvel na internet 25\/07\/2020<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Meu bisav\u00f4 africano vendeu escravos, mas n\u00e3o deve ser julgado pelos padr\u00f5es atuais&#8217;, diz escritora negra Em meio ao debate global sobre rela\u00e7\u00f5es raciais, colonialismo e escravid\u00e3o, alguns europeus e americanos que fizeram fortuna no com\u00e9rcio de escravos viram seus legados reavaliados, suas est\u00e1tuas tombadas e seus nomes removidos de pr\u00e9dios p\u00fablicos. A jornalista e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":50702,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[135],"tags":[],"class_list":{"0":"post-50701","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/escravos.jpg?fit=660%2C371&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50701\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asmetro.org.br\/portalsn\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}